PT e PSDB

Passando da micro para a macropolítica, significa o quê a aprovação da MP dos Portos? Simplesmente a confirmação de que o governo do PT equivale em gênero, número e grau ao governo do PSDB. "

(Jornalista Carlos Chagas, em artigo deste sábado, 18 de maio)

sábado, 26 de maio de 2012

Marcha das Vadias protesta hoje contra culpabilização de mulheres em casos de estupro

Sábado, 26 de maio de 2012
Rio de Janeiro - A Marcha das Vadias ganhou este ano caráter nacional e ocorrerá simultaneamente hoje (26) em mais de 20 cidades do Brasil e do mundo, incluindo Toronto, no Canadá. Entre as cidades brasileiras que devem realizar o protesto, previsto para começar às 13 horas, estão Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), São Paulo (SP), São Carlos (SP) e Sorocaba (SP).

Os organizadores da marcha no Rio de Janeiro esperam superar o número de mil participantes, registrado no ano passado. A informação foi dada à Agência Brasil por Daniela Montper, uma das organizadoras do evento.

A Marcha das Vadias objetiva chamar a atenção da sociedade de que a culpa da violência e do abuso sexual não é da vítima. “É do abusador e do estuprador”, salientou Daniela. “Quando a sociedade fica julgando a vítima, procurando algum motivo para dizer que ela mereceu (a violência), está tirando a culpa do estuprador, do abusador, e jogando em cima da vítima”, acrescentou.

A primeira Marcha das Vadias ocorreu em Toronto,  no Canadá, no ano passado, organizada por estudantes da universidade local, a partir da declaração de um policial que afirmou, em palestra no local, que o fato de as mulheres se vestirem como “vadias” poderia estimular o estupro.

Daniela Montper salientou que o evento vai levantar outras bandeiras. Um desses temas é a suspensão da Medida Provisória 557, de dezembro do ano passado, que instituiu o Sistema Nacional de Cadastro, Vigilância e Acompanhamento da Gestante e Puérpera  (mulher que deu à luz recentemente) para Prevenção da Mortalidade Materna, no âmbito do SUS.  

As organizadoras da Marcha das Vadias consideram que a MP 557 “é discriminatória e ofensiva e tem caráter de criminalizar as mulheres que optarem por não continuar com a gestação, além de controlar essas mulheres”.

Como a marcha possui um público grande de profissionais do sexo, Daniela informou que o evento vai defender também a regulamentação da profissão.

“Ela tem CBO [Classificação Brasileira de Ocupações, na qual a atividade tem o número 5.198-05), é considerada uma ocupação, mas ela não é legalizada. Não consta nenhuma regulamentação para proteger as profissionais do sexo  na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Então, elas ficam à mercê de vários tipos de violência e são marginalizadas pela sociedade”.

A marcha defende ainda o combate a toda forma de violência e abuso sexual contra meninas e mulheres, e prega a diversidade sexual. “Nenhuma pessoa deve ser discriminada por sua orientação ou identidade sexual”, reforçou. Outra bandeira dos participantes é a descriminalização do aborto.

A Marcha das Vadias conta com apoio de várias entidades feministas, como a Associação de Mulheres Brasileiras (AMB). Daniela destacou que o movimento tem ainda a participação de representantes do sexo masculino que apoiam a causa. “São  pessoas de várias  idades e todos os gêneros. É uma marcha bem plural”.

Está prevista a realização de um protesto em frente à 12ª Delegacia de Polícia, em Copacabana, em alusão ao policial canadense que deu origem ao movimento. Manifestações culturais na Praça do Lido encerrarão a marcha no Rio.

Fonte: Agência Brasil — Alana Gandra, repórter