PT e PSDB

Passando da micro para a macropolítica, significa o quê a aprovação da MP dos Portos? Simplesmente a confirmação de que o governo do PT equivale em gênero, número e grau ao governo do PSDB. "

(Jornalista Carlos Chagas, em artigo deste sábado, 18 de maio)

sábado, 12 de maio de 2012

Um socorro tardio


Sábado, 12 de maio de 2012 
Por Ivan de Carvalho
Em abril, o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, anunciou que o governo federal vai “disponibilizar” R$ 2,723 bilhões para “ações emergenciais” de combate à seca. Os recursos, se e quando liberados, serão repartidos entre todos os estados do Nordeste atingidos pela estiagem e Minas Gerais.

Mas este anúncio foi feito em abril. A seca é muito mais antiga. O socorro vem, se vier, incrivelmente atrasado. Não me refiro à seca em geral, pois este fenômeno na região é, no mínimo, secular, mas à atual seca. Para confirmar isso sem precisar percorrer o semiárido ou conversar com as pessoas que o fazem habitualmente, basta atentar para informações que prestou o secretário estadual Rui Costa, chefe da Casa Civil do governo do Estado.

Ele disse que esta é a seca mais intensa dos últimos 47 anos na Bahia. Este número foi citado porque em 1965 houve outra seca tão devastadora quanto esta, com uma agravante e uma atenuante.

A agravante foi a de que naquele tempo a estrutura de armazenamento de água e de socorro quando esta faltava (carros pipas) era muito mais precária que a atual.

A atenuante é que naquele tempo existiam menos pessoas, menos animais de criação e menos cultivos agrícolas dependendo de água. E o governo ainda não havia inventado coisas como a merenda escolar (meio inútil onde há greve de professores), a bolsa família e a bolsa seca, um penduricalho que pintou agora (sem esse nome, claro) na bolsa família.

Em compensação, como favorecimento àquela seca de 1965, a destruição da vegetação nativa não estava avançada como está hoje, quando já destruiu a maior parte das fontes de água (minações) e a população, bem menor, ainda não contaminara muitos dos mananciais hoje inutilizáveis. Assim, a água existente abastecia, ainda que em nível crítico, uma população muito menor. Hoje, com o crescimento da população, dos rebanhos e da agricultura irrigada, os espasmódicos esforços oficiais para obter e armazenar água não evitam que a situação seja tão precária quanto a da seca de 47 anos atrás.

Quase meio século e o Estado brasileiro foi incapaz de minorar o problema, muito menos resolver. Em abril, 220 municípios já haviam decretado situação de emergência e o Estado havia homologado esta situação em 209 deles.

O grande problema da seca no semiárido brasileiro é a teimosia negligente e inaceitável do Estado de ver o fenômeno como algo casual, eventual, não como um fenômeno recorrente, que vai continuar acontecendo a intervalos nada generosos. Entre a seca de 1965 e a de agora, muitas outras, menos intensas, mas desastrosas, aconteceram. E a seca de 1965, a que se refere o secretário Rui Costa, tem precedente à altura em 1933.

Duas observações para fazer justiça. Primeira, e mais importante sob o aspecto da água, o trabalho intenso realizado pelo governador João Durval na preparação do semi-árido baiano para as estiagens e secas. Segunda, e mais importante sob o aspecto econômico, a iniciativa do governador César Borges, que criou o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Semi-Árido – mais conhecido como Sertão Forte – e entregou sua coordenação à competência e disposição do então vice-governador, Otto Alencar. O atual governo, de Jaques Wagner, está aí com o Programa Água para Todos, mas por enquanto essa água está faltando para muitos.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia deste sábado.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.