Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Lava Jato: Delatores confirmam à Justiça participação de Odebrecht em cartel de empreiteiras

Segunda, 31 de agosto de 2015

Quatro testemunhas do processo contra empresa prestaram depoimento ao juiz Sérgio Moro nesta segunda-feira

Quatro delatores da Operação Lava-Jato confirmaram em depoimento à Justiça Federal do Paraná nesta segunda-feira a participação de executivos da Odebrecht no cartel da Petrobras e no pagamento de propinas revelados pela Lava-Jato. Foram ouvidas, na audiência, quatro testemunhas de acusação no processo que investiga a participação da Odebrecht no esquema.
Fonte: Blog do Sombra / O Globo

Diga não aos rodeios na cidade de Lorena

Segunda, 31 de agosto de 2015
change.org


Entre os dias 03 e 06 de setembro será realizado o 1º rodeio festival de Lorena.

Diversas cidades já proibiram a prática de rodeios.

É de conhecimento geral que para que o touro pule são usados instrumentos cortantes e perfurantes.

Não podemos retroceder nesse direito dos animais e permitir que tal barbárie ocorre em nossa cidade.

Vamos nos unir contra mais essa forma de maus tratos, vamos mostrar para a Prefeitura de Lorena que a população não aceita esse tipo de "divertimento".

Festa com músicas sertanejas SIM! 
Rodeio NÃO!

Clique aqui para assinar

Produtora de aves pagará R$ 80 mihões em verbas trabalhistas

Segunda, 31 de agosto de 2015
Do Ministério Público do Trabalho
Rigor Alimentos firmou acordo com o MPT para penhorar fábricas e pagar 1,7 mil demitidos com salários atrasados e rescisões pendentes

Campinas – A Rigor Alimentos firmou acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) em Campinas (SP) para pagar verbas rescisórias a 1,7 mil trabalhadores, demitidos em unidades no interior de São Paulo em 2014. Pela conciliação, a produtora de aves e fabricante de ração animal deverá penhorar duas plantas para quitar a dívida de R$ 80 milhões.

Nota oficial: Leonardo Colombini deixa a Secretaria de Fazenda do DF

Segunda, 31 de agosto de 2015 
Ele assume o cargo de consultor do Banco Regional de Brasília (BRB)
 












O governo de Brasília informa que o secretário de Fazenda, Leonardo Mauricio Colombini Lima, pediu exoneração na noite desta segunda-feira (31).
 
O atual secretário-adjunto, Pedro Meneguetti, assume a secretaria.
 
O compromisso de Colombini com o governador Rodrigo Rollemberg foi de ficar à frente da pasta apenas nesses primeiros meses da atual gestão... "Agradeço a confiança do governador. Continuarei colaborando com o governo de outra forma", disse. 
 
Subchefia de Relações com a Imprensa // Blog do Sombra

Anistia Internacional pede que Estado investigue execuções em ações da polícia

Segunda, 31 de agosto de 2015
"O caso do meu filho foi enquadrado como auto de resistência. Meu filho de 2 anos iria trocar tiro com policial?"
Anistia Internacional na Alerj

Segunda, 31 de agosto de 2015
Da Agência Brasil
A audiência pública discutiu as execuções praticadas por policiais do Rio Anistia Internacional/Divulgação
 A pedido da ONG Anistia Internacional, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) realizou audiência pública hoje (31) para discutir as execuções praticadas por policiais na cidade do Rio. A  ONG solicitou ao governo do estado e ao Ministério Público que investiguem os homicídios decorrentes de ações da polícia.
Antes da audiência, membros da Anistia colocaram 580 girassóis formando uma pirâmide na escadaria do Palácio Tiradentes, sede da Alerj, no centro do Rio. Cada uma das flores representava uma das mortes durante operações policiais em 2014.
Também em frente ao palácio, o ajudante de pedreiro José Luiz Faria da Silva segurava uma pistola de água. Segundo José Luiz, essa era a única arma que seu filho, Maicon Silva, conseguiria segurar quando foi morto, em 1996, aos 2 anos, durante uma ação da Polícia Militar na Favela de Acari, zona norte do Rio.
A família da criança recebeu uma indenização, mas a queixa do pai é que até hoje nenhuma investigação foi aberta para apurar as circunstâncias em que o policial militar atirou contra o menino.
"O caso do meu filho foi enquadrado como auto de resistência. Meu filho de 2 anos iria trocar tiro com policial? Pelo visto, terei de aceitar isso para o resto de minha vida, porque faltam oito meses para o caso prescrever. Vou lutar até o fim, porque casos como esse continuam ocorrendo e a sociedade está parada", disse José Luiz.

Lava Jato: Entenda as fases das investigações da operação

Segunda, 31 de agosto de 2015
Da Fenapef
 
Lava Jato
Entenda as fases das investigações da operação Lava Jato
 
Polícia Federal começou a revelar o escândalo de corrupção há 529 dias. JN preparou reportagem que resume essa novela de jeito claro e objetivo.
 
 
 
 
 




"Custo da corrupção sistêmica é algo extraordinário", diz Sérgio Moro

Segunda, 31 de agosto de 2015
Foto: internet

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Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil
O juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato, disse hoje (31) que  “o custo da corrupção sistêmica é algo extraordinário”, ao participar de palestra no Fórum Exame: Prepare-se para planejar 2016. O juiz afirmou também que o enfrentamento da corrupção trará ganhos ao país no longo prazo. 
Ao falar sobre corrupção sistêmica, o juiz disse que as provas colhidas na Lava Jato e as delações premiadas de envolvidos no esquema apontam que o pagamento de propina em contratos da Petrobras era comum. ”Embora existam vários casos que demandam julgamento, as provas, indícios, indicam aquele quadro informado pelos chamados colaboradores da Justiça, que em todo contrato da Petrobras havia pagamentos”, disse. “A corrupção como crime é um tipo de crime que sempre vai acontecer, não importa o que nós façamos, a não ser que num futuro muito distante nos transformemos em anjos”, acrescentou.
Na palestra, Moro citou o caso da Refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, que teve os custos elevados, como exemplo de contrato com indícios de irregularidades. Com previsão de ter a construção finalizada em 2010, o início das operações da refinaria ocorreu em dezembro de 2014. “Entre as testemunhas, agentes da Petrobras, o comentário é que a refinaria não será paga se funcionar em toda a sua vida útil, um prejuízo”, disse.
Em março, o ex-gerente-geral da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, Glauco Legatti, negou superfaturamento na obra em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. De acordo com Legatti, mais de 90% dos contratos foram em reais e o projeto final foi orçado em R$ 26 bilhões. Segundo ele, o valor de US$ 18 bilhões seria resultado de uma contabilidade da variação da taxa de câmbio. “Ela foi contratada por R$ 26 bilhões, em 2009, vim aqui [ao Congresso] e disse que a refinaria custava próximo de R$ 12 bilhões. Como é que a gente explica esse negócio de US$ 13,3 bilhões que foi pra US$ 18,5 bilhões? A Petrobras converte todos os seus investimentos para dólar, que na época era [cotado a] R$ 2,438.”
A reportagem entrou em contato com a Petrobras e aguarda posicionamento.

Clóvis Rossi: Ou a presidente é muito distraída ou mentiu na entrevista da semana passada

Segunda, 31 de agosto de 2015
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Novamente trago cá para o blogue um texto relevante e irrepreensível de autor alheio: o veterano Clóvis Rossi simplesmente completou o serviço que eu iniciara seis dias atrás com "A culpa é da China!". Me engana que eu gosto... 

Eu sempre preferi me manifestar de bate-pronto, mesmo sabendo que daria para fazer um artigo mais completo esperando alguns dias. Questão de temperamento; sou guerreiro e encaro cada escrito como parte de uma batalha. O calor dos acontecimentos me inspira e dá tesão...  

Mas, exulto quando posso agregar a posteriori uma análise tão primorosa quanto a do Clóvis Rossi. Aí não fica faltando nada para dizer, deixando-me com a certeza de haver informado bem meus leitores.

Comunidade do Paranoá cobra construção de escolas públicas

Segunda, 31 de agosto de 2015

A necessidade urgente de construção e entrega de mais escolas públicas na região administrativa do Paranoá foi defendida por estudantes, professores, pais de alunos e representantes de órgãos ligados à educação que participaram da audiência pública realizada na manhã desta segunda-feira (31), no auditório da Câmara Legislativa. O debate acalorado foi promovido pela Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC), presidida pelo deputado distrital Reginaldo Veras (PDT).

Getúlio Vargas – Aprendendo com os erros

Segunda, 31 de agosto de 2015
Por Adriano Benayon | Brasília, 31/08/2015
Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.
Agosto de 1954 foi o marco para a destruição do desenvolvimento do País, que o presidente Vargas entendia, corretamente, só ser possível havendo autonomia nacional.
2. Ele conduzia o País na direção do desenvolvimento, o que o tornou alvo a abater pelo império angloamericano. Documentos históricos provam ter sido Vargas derrubado duas vezes (1945 e 1954), por intervenções das potências angloamericanas (EUA e Reino Unido).
3. Isso corresponde à lógica imperial: era-lhes intolerável o surgimento de uma potência no Hemisfério Sul e no “Hemisfério Ocidental”. Geopolítica pura.
4. O objetivo foi atingido por intermédio de agentes locais – pagos ou não, conscientes ou não -, como jornalistas, políticos e militares, os quais apareceram mais que aquelas potências diante do público.
5. Pensando nos que contemplam lutar pela sobrevivência do País, discuto, neste artigo, erros de Vargas que contribuíram para o êxito dos inimigos do País.
6. Desfazendo mitos, rejeito a versão rósea e insustentável – embora geralmente aceita – de que o suicídio do presidente e a carta-testamento teriam impedido os golpistas de fazer prevalecer suas políticas. Veja-se o título de um dos livros sobre o presidente: “Vitória na Derrota – A Morte de Getúlio Vargas.”
7. É verdade que a tragédia revelou o profundo amor do povo a Getúlio. Durante, pelo menos, quinze dias, o povo reagiu, até com violência, fazendo se esconderem desafetos e caluniadores de seu líder.
8. Entretanto, o presidente não havia organizado o povo, nem formado seguidores para liderá-lo após sua morte. O único talvez com têmpera para isso, Brizola, ainda era um jovem deputado estadual.
9. Devido a esse vácuo, o furor popular arrefeceu, Eugênio Gudin e Otávio Bulhões, ligados à finança britânica, foram designados para comandar a economia e instituíram a política antinacional destinada a acabar com a autonomia industrial e tecnológica do País.
10. Em janeiro de 1955, foram baixadas as Instruções 113 e seguintes, da SUMOC, e mais medidas para entregar a economia ao controle dos carteis transnacionais, com subsídios incríveis. Desde 1956, essa política foi aplicada intensivamente por JK e nunca mais revertida.
11. É óbvio que a versão conformista interessa aos simpatizantes do império. Mas, paradoxalmente, predomina também entre a maioria dos admiradores e supostos seguidores de Vargas.
12. De resto, as atitudes políticas de muitos desses demonstram terem sido infieis ao nacionalismo do presidente, fosse por ingenuidade, covardia, falsidade ou até por colaboração interessada com o sistema de poder transnacional.
13. Entre os erros fatais de Getúlio esteve admitir a falsa – ou, no mínimo, irrelevante – pecha de ter sido ditador.
14. Queixavam-se de ele ter ficado 15 anos consecutivos na presidência, de 1930 a 1945, e o acusavam de tencionar voltar a ser ditador, mesmo quando eleito pelo voto direto, em 1950.
15. Na realidade, o espírito de Vargas era conciliador. Não, revolucionário. Assumira a liderança da revolução de 1930, por ser o político mais proeminente do Rio Grande do Sul. Outros foram mais ativos no movimento.
16. À frente de uma revolução, tinha de comandar um governo autoritário e designar interventores nos Estados, a maioria tenentes, que simbolizavam o apoio do Exército ao movimento, além de ideais de mudança política e social.
17. Nos primeiros meses de 1932 Vargas já promulgara a nova lei eleitoral e marcara para 03.05.1933 as eleições para a Assembleia Constituinte. Sem razão, em julho de 1932, foi desencadeada a revolução “constitucionalista”, na verdade, um movimento liderado pela oligarquia paulista vinculada aos interesses britânicos.
18. A Constituição de 1934 estabeleceu eleição indireta para a presidência da República. Eleito Vargas, não cabe qualificá-lo de ditador.
19. Durante o prelúdio da 2ª Guerra Mundial, novembro de 1937, um ano após a tentativa comunista de novembro de 1935, veio, por iniciativa de oficiais do Exército, o golpe criando o “Estado Novo”, com o objetivo de reprimir os comunistas.
20. Portanto, Vargas só poderia, em tese, exercer dois mandatos em condições democráticas. O primeiro, quando presidente constitucional, de 1934 a 1937, interrompido pelos chefes militares.
21. O modelo político-econômico do Estado Novo combinou conceitos que Vargas e o General Góis Monteiro haviam formulado em 1934, sendo a ideia básica o desenvolvimento industrial sob a direção do Estado.
22. No final do Estado Novo e no mandato ganho em 1950 – e abortado pelo golpe de 1954 – Getúlio preocupou-se em desmentir a imagem de ditador. Foi demasiado tolerante – e até complacente – diante das agressões, complôs e conspirações.
23. O problema era que sempre esteve sob fogo do império angloamericano, inconformado com a permanência de uma liderança no Brasil capaz de conduzi-lo ao desenvolvimento.
24. Embora exalte sempre o presidente Vargas, vejo uma contradição entre sua personalidade conciliadora e a consciência, que tinha, de ser a autonomia nacional indispensável para realizar o desenvolvimento.
25. Sendo essa a via escolhida, não havia campo para facilitar as ações subversivas de seus adversários. Ademais, enfrentava-se um império mundial n vezes mais poderoso que o Brasil: financeira, industrial e militarmente.
26. Em 1952, Vargas ajudou o inimigo ao não prestigiar o Ministro do Exército, Estillac Leal, quando os quintas-colunas Góis Monteiro e João Neves da Fontoura “negociaram” com os EUA o famigerado acordo militar pelas costas de Estillac.
27. Com isso, este se demitiu do ministério e foi perseguido, nas eleições para o Clube Militar, por oficiais golpistas, cujas pressões sobre Leal e partidários deste lhe determinaram a derrota.
28. Novamente, em 1953, o presidente mostrou pulso fraco, não mandando punir os coroneis signatários do manifesto contra o reajuste do salário-mínimo.
29. Daí, a conspiração de agosto de 1954 encontrou-o enfraquecido, quando implicaram a guarda pessoal do presidente no assassinato do Major Vaz, da Aeronáutica, em esquema montado para fazer crer que o alvo do crime fosse o virulento jornalista e deputado Carlos Lacerda.
30. O crime foi articulado sob a direção de Cecil Borer, titular da DOPS – Delegacia de Ordem Política e Social, em que ingressara, em 1932, com o Chefe de Polícia, também pró-nazista, Filinto Muller.
31. Borer continuou com Dutra, simpatizante fascista. Vargas não o substituiu, em 1950, não obstante saber que os nazi-fascistas, então, colaboravam intensamente com os serviços secretos angloamericanos.
32. Getúlio também foi imprevidente, ao nomear o jovem – e sempre acomodador – deputado Tancredo Neves para o ministério da Justiça, ao qual se subordina a Polícia. Deviam ter impedido as ilegalidades do inquérito policial-militar.
33. A própria instauração do IPM, uma semana após o atentado, significou quebra da autoridade do presidente, concedida por este próprio.
34. Mesmo tendo logrado distorcer os fatos, através da ação combinada do DOPS e da Aeronáutica, e da campanha da mídia, os conspiradores não teriam conseguido derrubar Vargas, se ele não se tolhesse por preconceitos ideológicos de seus adversários.
35. Teria lutado para inteirar-se da verdade e fazê-la conhecer. Se esta já não lhe interessava – por estar cansado e decepcionado – certamente era do interesse do povo. O Brasil precisava dela.
36. Getúlio podia ter feito prevalecer os interesses do País, apoiado pela Vila Militar, no Rio, onde estavam os tanques. Essa era sua obrigação perante o Brasil, como em 1945, quando da anterior deposição por militares manipulados por potências estrangeiras.
37. Então, o pretexto foi a intenção de continuar no poder, falsamente atribuída a Vargas. Tanto não a tinha, que – além de ter convocado eleições e não ser candidato -, Getúlio dissuadiu de subjugar o golpe os chefes militares que tinham poder de fogo e faziam questão fazê-lo, não fosse a ordem contrária do presidente, sob a irrelevante justificativa de não querer o derramamento de sangue.
38. Isso não estava em questão, pois, dada a superioridade de forças dos legalistas, os golpistas se retrairiam. Vide Hélio Silva: “1945 Por Que Depuseram Vargas” – Civilização Brasileira 1976, pp. 253/4, em que reporta o apoio ao presidente do Gen. Odylio Denys, então Comandante da Polícia Militar, e do Marechal Renato Paquet, Comandante da Vila Militar.
39. Consequência da saída de Getúlio, por desapego ao poder, e sem substituto à altura, resultou, de 1945 a 1950, a interrupção do desenvolvimento do País: o Mal. Eurico Dutra, vencedor das eleições, graças a Vargas, traiu os votos, sendo subserviente às potências angloamericanas.
40. Durante a 2ª GM, Vargas reduzira a quase zero a dívida externa e acumulara reservas cambiais. Dutra as dilapidou com importações supérfluas. Prejudicou a industrialização e dissipou as divisas congeladas pelo Reino Unido, “em troca” de ferrovias obsoletas, do Século XIX.
41. O custo do golpe de 1954 foi muitíssimo mais alto: a entrega subsidiada da indústria ao controle do capital estrangeiro, o que inviabiliza, até hoje, o desenvolvimento. Isso só pode ser revertido através de transformações estruturais profundas.
42. De fato, a dependência do País não cessou de aumentar, desde a legislação dos pró-imperiais instalados com o golpe, a qual foi aplicada e ampliada por JK – outro que traiu os votos getulistas e iniciou a sequência de crises que até hoje persegue o País.
* – Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

Lava-Jato: Dirceu e empresário ficam calados durante depoimento à CPI da Petrobras


Segunda, 31 de agosto de 2015 
Ivan Richard - Repórter da Agência Brasil
Convocado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, o  ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, preso na 17ª fase da Operação Lava Jato, foi o primeiro a ser ouvido hoje (31), na série de depoimentos que a comissão marcou para esta semana em Curitiba, onde se concentram as investigações.
Orientado por seus advogados, Dirceu não respondeu às perguntas feitas pelos membros da comissão. O ex-ministro está preso desde o último dia 3, na carceragem da Polícia Federal (PF), na capital paranaense, acusado pelo Ministério Público Federal de comandar esquema de superfaturamento de contratos da Petrobras. O representante no Brasil da empresa italiana Saipem, João Antonio Bernardi Filho, segundo a prestar depoimento, também permaneceu em silêncio.

PPL expulsa a distrital Telma Rufino

Segunda, 31 de agosto de 2015
Do Jornal de Brasília
Diretório Nacional do PPL decide pela saída da distrital do partido e pedirá mandato na Justiça Eleitoral

Francisco Dutra
Por decisão unânime, a deputada distrital Telma Rufino foi oficialmente expulsa do PPL. O Diretório Nacional da sigla se reuniu ontem, em São Paulo, para julgar a permanência da parlamentar na sigla. Ao todo, 125 membros do partido participaram do encontro.

Telma Rufino é alvo de investigação da Polícia Civil do DF na Operação Trick. O ex-presidente regional do partido e ex-diretor do DFTrans, Marco Antônio Campanella também é citado no inquérito policial. Em resumo, a operação Trick investiga um suposto esquema criminoso para a captação de recursos públicos para campanhas eleitorais em 2014. Em uma das frentes, o grupo teria fraudado empréstimos do Banco do Brasil para captar dinheiro público.

Telma teria o direito a apresentar uma defesa por 30 minutos. Mas, segundo o secretário nacional do partido na Região Centro-Oeste, Roberto Bittencourt, a deputada não compareceu a reunião e nem enviou advogados. Diante do silêncio da parlamentar e as informações do inquérito da operação policial, todos os participantes votaram pela expulsão da distrital.

 “Para nós, ficou claro que a deputada se associou a uma organização criminosa. A nossa convicção foi crescendo a cada dia. A advogada nunca respondeu se Telma se associou ou não. Esse era o ponto central. E ela sempre tentou desviar a atenção e postergar  a discussão”, comentou Bittencourt.

Segundo o secretário nacional, a gota d’água foi nesta semana, quando a defesa tentou anular a reunião do Diretório na 24ª Vara Civil do  Tribunal de Justiça do DF.  A parlamentar alegou que estaria sendo perseguida dentro da legenda e que o processo de expulsão não corria regularmente. “O juiz negou o pedido e mandou que  discutíssemos o conteúdo da questão, no mérito”, afirmou Bittencourt.

Mandato
Mesmo com a expulsão do partido, Telma continua como distrital. A sigla, agora, tem 30 dias para requerer o mandato na Justiça Eleitoral. A deputada pode recorrer e permanecer na Câmara Legislativa, neste tempo. Mas, caso perca, Jaqueline Silva assume a cadeira de Telma.

Processos
1 A Câmara Legislativa arquivou os pedidos de cassação do mandato de Telma Rufino, por quebra de decoro.

2  Além da investigação por suposto envolvimento em fraudes para financiamento de campanha, Telma apareceria, em gravações telefônicas, favorecendo um grupo empresarial para a obtenção de terrenos.

3 Há também indícios de que ela tenha adquiridos diplomas falsos de graduação e pós-graduação. Tramita ainda na 15ª Vara Federal uma ação de improbidade de 2011. 

Nada de surpresas
 
A deputada distrital Telma Rufino disse, em nota, que recebeu a notícia da expulsão do PPL com “tranquilidade” e afirma que “não foi surpreendida”. Para a deputada distrital, a decisão do Diretório do partido foi uma “manobra”, que, segundo a distrital, “deixa clara a perseguição que tem sofrido nos últimos meses”. A parlamentar se defende afirmando que  o partido “a julgou e condenou antes mesmo da conclusão das investigações”.
 
Desfiliação em massa não preocupa
 
Com a expulsão de Telma Rufino, o PPL prevê uma baixa no número de filados. Afinal, a deputada construiu um grupo de apoio expressivo dentro da legenda.
 
Em maio, quando o diretório nacional abriu o processo disciplinar contra a distrital, muitos presidentes de zonais da legenda publicaram uma nota de repúdio em favor de Telma.
 
“Nós queremos que esses militantes saiam do partido. Telma vendeu a ilusão de empregos e cargos para estas pessoas. Mas um partido não é um balcão de negócios”, declarou Roberto Bittencourt. De toda forma, o secretário nacional revelou que o partido se reorganizou e estima que as desfiliações sejam “pontuais”.
 
Água ou vinho
 
Também investigado pelo Polícia Civil, Campanella continua no PPL, mesmo afastado, No entanto, Bittencourt foi categórico ao afirmar que Campanella precisará em breve provar de forma convincente a inocência no caso. “Ele tem que demonstrar sem o mínimo de dúvida que a diferença entre ele e Telma é igual da água para o vinho”, arrematou.
 
Do ponto de vista de Bittencourt, os laudos da investigação policial não mostram de forma clara que Campanella estaria envolvido no susposto esquema criminoso.  O Jornal de Brasília tentou entrar em contato com Campanella por telefone, mas as ligações não foram atendidas até o fechamento desta edição.
 
Independentemente do desfecho em relação ao mandato de Telma Rufino, o PPL deve permanecer na base do governo.
 
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília

Mujica apaixona porque fala o óbvio: é preciso decência na política

Segunda, 31 de agosto de 2015 
Do El País Brasil 
Por  Felipe Betin
Aos 80 anos, a simplicidade do ex-mandatário uruguaio fascina uma juventude com novos valores e que exige mudanças

Leia outros artigos sobre José Mujica

José “Pepe” Mujica anda encurvado, devagar. Dirige um Fusca, veste um terno meio surrado, não corta a unha do pé, possui uma pança imensa e evita a todo o momento o contato visual. Sua fala é mansa, doce. Diz coisas óbvias, sensatas, que qualquer outro velho camponês poderia dizer. A última neste sábado, ao lado do ex-presidente Lula: “Os políticos devem aprender a viver como a maioria do país, não como a minoria”.
Suas palavras são pronunciadas, sílaba por sílaba, com a potência similar de um cisco no olho. Foram elas, acompanhadas de uma conduta pessoal que condiz com o que prega, que fizeram que esse ex-guerrilheiro, tão normal e tão humano, alcançasse a presidência do Uruguai em 2009 e o status de guru e filósofo internacional de toda uma geração. Sua simplicidade fascina, sua sabedoria assombra. Especialmente uma juventude com novos valores, menos materiais, e que exige mudanças. E tudo isso aos 80 anos de idade.
Mujica esteve no Brasil nesta semana e brilhou como um astro pop. Em tempos de tanta desilusão política, quase 10.000 jovens lotaram a concha acústica da UERJ —uma fã relatou ter chegado duas horas antes do ato para conseguir lugar, como em um concerto— apenas para ver um senhor normal, pacato, e escutar um show de sensatezes. Quase um sermão de avô. E a explicação para isso —a parte, claro, de que ele regularizou a maconha— é tão simples quanto suas palavras: existem determinados elementos do nosso cotidiano político que deixaram de ser naturais e se tornaram insultantes.
Só para ficar no âmbito da política brasileira: já não é natural que os cofres públicos de um país em desenvolvimento paguem 324.000 reais em 52 quartos de luxo e 17 carros para uma comitiva, como fez a presidenta Dilma Rousseff em Roma em 2013 para a missa inaugural do Papa Francisco. Ou que, em tempos de ajuste fiscal, haja uma fatura de 100.000 dólares em limusines nos Estados Unidos neste ano. É uma aberração que deputados, senadores e vereadores ganhem, somados todos os benefícios, quase 100.000 reais por mês, trabalhem três dias por semana e ainda perambulem com carros pretos de suas repartições pela cidade —e ainda querem proibir o Uber. Insulta ver Lamborghinis e obras de arte escondidas nas mãos de quem foi eleito para zelar pelo bem público.

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A austeridade de Mujica representa o contrário disso tudo. Ele dá um show de normalidade ao mesmo tempo em que toda essa normalidade acaba virando um show. “Um presidente não deve se confundir com um monarca”, disse neste sábado. Tão óbvio, né? Mas no Brasil talvez isso aconteça porque todo mundo vive num palácio: do Planalto, dos Bandeirantes, da Liberdade, da Guanabara...
Quando presidente, Mujica doava parte de seu salário, continuava a viver em sua chácara na periferia de Montevidéu, ia de Fusca para o trabalho, não usava gravata —às vezes nem sapato!— e ainda abria as portas do palácio presidencial no inverno para os moradores de rua. De quebra, apoiou a regularização da maconha, a liberalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo —já não é normal no Uruguai que as mulheres estejam proibidas a fazer o que querem e que as pessoas não possam se amar livremente, mas isso é papo para outro dia.
E não nos façamos de bobos: Mujica se identifica como um socialista, não renega suas origens de esquerda. Mas suas palavras são carregadas de uma sensatez tão sincera —perdão pela insistência— que até mesmo um conservador desprevenido acaba caindo na sua rede. Por exemplo: "Os estudantes tem que se dar conta que não é só uma mudança do sistema, é uma mudança de cultura, é uma cultura civilizatória. E não tem como sonhar com um mundo melhor se não gastar a vida lutando por ele. Temos que superar o individualismo e criar consciência coletiva para transformar a sociedade", disse na UERJ.
A notícia boa é que as pessoas estão, finalmente, cada vez mais seguras desse seu estado de saco cheio. Vários analistas e estudos coincidem que os protestos, estejam eles travestidos de esquerda (junho de 2013) ou de direita (2015), são claros ao repudiar o tipo de conduta dos políticos. Basta ver a quantidade de compartilhamentos nas redes sociais do Brasil de fotos do primeiro-ministro inglês David Cameron indo trabalhar de metrô. Dez entre dez analistas políticos vêm repetindo desde 2013: a cabeça do brasileiro mudou, mas os políticos ainda não entenderam isso. "O Brasil que foi às ruas é um país que quer que o político ande de ônibus, que seja igual ao que ele é", já explicava o cientista político Alberto Carlos Almeida, diretor do Instituto Análise, naquela época.
José Mujica e a prefeita de Madri, Manuela Carmena. / elvira megías (Ahora Madrid)
Mujica representa essa mudança de mentalidade não apenas no Brasil, mas no mundo todo. E já não está sozinho. A Espanha, que viveu massivos protestos em 2011 e só agora começa a sair da crise econômica, já colheu alguns frutos nas eleições municipais deste ano, ao eleger prefeitos e prefeitas de plataformas cidadãs nas principais capitais do país. Todos e todas com o mesmo perfil de Mujica. O caso de Madri é o mais emblemático. Em seu primeiro dia de trabalho, a prefeita e ex-juíza Manuela Carmena, de 71 anos, foi capa dos jornais por ir ao trabalho de metrô. Cortou salários, cargos, carros oficiais e outros privilégios. "Jamais poderia imaginar que os jovens depositariam suas esperanças em uma avó já aposentada como eu", chegou a dizer.
Existe um certo mal-estar generalizado e a juventude, do Brasil e de todo o mundo, pede o fim de “tudo isso que está aí”. Uma geração com novos valores e hábitos mais austeros que seus pais, que prefere viajar e compartilhar um carro ao invés de pagar caro por um. E o curioso é que, como nos casos de Mujica e Carmena, às vezes buscam a regeneração política nos cabeças brancas porque não se encontra quem entendeu o recado nem entre as novas lideranças. Afinal, não se trata de pegar em armas e mudar todo o sistema. A revolução que exigem é silenciosa: se chama decência.

Amargo e doce, suave suspiro: Adeus Mariem Hassan

Segunda, 31 de agosto de 2015
A grande voz da música Haul (Música tradicional do Sahara Ocidental) e mundialmente conhecida como A Voz do Deserto, deixou-nos prematuramente no dia 22 de agosto aos 57 anos na sua Jaima (tenda típica Saharaui feita de peles de camelo e ovelha) em Tindouf, nos campos de refugiados na Argélia. Por Né Eme.