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(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 6 de abril de 2016

As 10 empresas que controlam 40 mil outras

Quarta, 6 de abril de 2016
Do Esquerda.Net
Um estudo recente sobre as redes formadas pelos acionistas comuns entre as 150 maiores empresas do mundo veio comprovar resultados de um trabalho anterior, que mostrou que 146 acionistas controlam 40% do valor total das empresas.
5 de Abril, 2016

Foto de Nick Ares/Flickr
A professora de Ciências Políticas e Sociologia da Universidade Complutense de Madrid, Reyes Herrero López, estudou as redes formadas pelos acionistas comuns entre as 150 maiores empresas do mundo. A lista dos 10 investidores mais importantes está representada na figura abaixo, feita com base da descrição do artigo de Reyes Herrero López feita por Narciso Pizarro no blog de economia El Salmon Contracorriente. Em primeiro lugar da lista está o fundo norte americano BlackRock, considerado o maior gestor de ativos do mundo.
 
Os 10 investidores mais importantes a nível mundial, segundo o trabalho de Reyes Herrero López.
Em cada lugar do ranking descrevemos o número total de empesas participada por cada uma, uma forma de visualização da importância dos maiores investidores. Além disso, vários destes grupos de investidores participam nas mesmas empresas, sendo, no fundo, acionistas uns dos outros.

Reyes Herrero López obteve resultados semelhantes com os de um estudo publicado em 2011 por Stefania Vitali, James B. Glattfelder e Stefano Battiston, apesar de ter usado metodologias e bases de dados originais diferentes. Estes autores publicaram na conceituada revista PLOS ONE um trabalho (disponível aqui) em que pesquisaram extensivamente a relação entre os proprietários das 43.060 maiores empresas multinacionais do mundo.
O primeiro estudo teve como fonte a base de dados OSIRIS e usou dados de 2012, o segundo recorreu à base de dados Orbis em 2007. No trabalho mais antigo, os investigadores, economistas e estatísticos, procuraram as interligações entre as multinacionais mundiais. E, tal como o estudo recente, revelaram que um pequeno grupo de atores económicos – sociedades financeiras ou grupos industriais – domina a grande maioria do capital de dezenas de milhares de empresas no mundo.

Vitali, Glattfelder e Battiston estudaram as cadeias de participação em capital de uma empresa noutra e encontraram 1.006.987 cadeias de relações de propriedade entre 600.508 atores económicos que incluem mais de 40.000 multinacionais e outros agentes que não estavam incluídos na lista inicial de empresas. Descobriram que 737 acionistas, 0,123% de todos os acionistas, controlam 80% do valor das empresas mundiais de as mais de 43.000 companhias multinacionais.

Além disso, 147 desses acionistas, 0,024% do número total de acionistas, controlam 40% do valor total destas empresas. Por fim, neste grupo de 147 multinacionais, 50 grandes detentores de capital formam aquilo a que os autores chamam uma “super entidade”. Nela encontram-se principalmente bancos: o britânico Barclays à cabeça, assim como as “stars” de Wall Street (JP Morgan, Merrill Lynch, Goldman Sachs, Morgan Stanley...). Mas também seguradoras e grupos bancários franceses: Axa, Natixis, Société générale, o grupo Banque populaire-Caisse d'épargne ou BNP-Paribas. Os principais clientes dos hedge funds e outras carteiras de investimentos geridos por estas instituições são por conseguinte, mecanicamente, os donos do mundo. Não só existe um alta concentração de controlo, como os acionistas estão extremamente conectados entre si.

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