Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Rollemberg e a Caipora (II). Não ouviu o conselho de Maria de Benício, agora é tarde. Entra no quarto ano de governo mais perdido do que nunca

Terça, 12 de dezembro de 2017


A Caipora não perdoa 

Por Taciano

Há um ano e mais dois meses, no exato dia de 12 de outubro da Graça do Senhor, aqui no Gama Livre, tivemos a ousadia de transmitir ao governador Rodrigo Rollemberg o conselho da velha negra, neta de escravos, Maria de Benício, que viveu nas terras de Itiúba, município da caatinga do sertão baiano.

Ensinei ao governador o que a simpática negra baiana me ensinou. Eu dei crédito às verdade que Maria de Benício dizia. Rollemberg, não. Assim, paga ele hoje um alto preço, mas um preço, é verdade, mais alto para o povo do DF. Rollemberg entra no quarto e último ano do seu governo mais perdido do que tabaréu ‘ariado’ pela Caipora nas serras da Itiúba do meu coração.

Perdido está na área da segurança pública;

Atabalhoado na área da educação;

Atrapalhado no setor dos transportes públicos;

Embaraçado, e embaraçando, na do meio ambiente;

Atropelado —e atropelando— na conservação da área tombada como Patrimônio da Humanidade;

Ariado e desastroso na condução, horrível, da saúde pública do povo de Brasília.

E tudo isso porque não ouviu o que Maria de Benício falou e que eu falei para ele.

Caipora havia e há nas matas  de Itiúba, antiga aldeia Tapuia cravada num vale entre serras e distante cerca de 370 quilômetros de Salvador.

Lá naquelas terras, a caipora fazia arte. Com seus pés para trás, e montada na sua montaria, um porco-do-mato, ariava as pessoas, fazendo-as ficarem sem rumo e sem direção.

E aí é que entra o conselho de Maria de Benício a mim, quando eu ainda criança. Dizia ela, fumando o seu cachimbo ou pitando o seu cigarrinho de fumo de corda, o famoso ‘bode’: Quando a Caipora lhe ariar, deixar você perdido nas matas, sem saber a direção, o rumo que tomar, mais do que rapidamente tire toda a roupa, fique completamente nu, e logo depois o mais rápido possível vista toda a roupa pelo avesso. Assim, você se reencontra, se apruma e toma novamente o rumo certo. Pronto! Tá salvo!

Em razão do conselho de Maria de Benício, e por o governador, naquele 12 de outubro de 2016, já se encontrar perdido há praticamente dois anos é que encerrei o texto daquele dia 12/10/2016, com o seguinte:

Rodrigo Rollemberg, rápido!

Vista as roupas pelos avessos.

Se oriente, rapaz!

E ele, infelizmente, com Caiporas mil dentro de seu governo, não atendeu ao conselho. Não foi rápido, não vestiu as roupas pelos avessos, não se orientou.

Tudo indica que continuará perdido até o último dia de mandato como governador, em 31 de dezembro de 2018. 

Se quiser, leia o texto de 12 de outubro de 2016: Rollemberg e a Caipora