Segunda, 28 de setembros de 2026
Por que a ultradireita não tolera Nossa Senhora Aparecida

Um encontro pequeno em que cabe um país inteiro. Foi em outubro de 1717, números que somam o infinito. Três pescadores, João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia, gente humilde, lançaram suas redes nas águas do rio Paraíba do Sul em busca de peixes. A pesca, porém, nada trouxe. Até que a rede voltou com o corpo de uma pequena imagem de barro cozido, sem a cabeça. Lançada novamente, alguns metros adiante, encontraram a cabeça que se encaixava perfeitamente ao corpo de mulher. Depois disso, a pesca farta.
– Um milagre! – disseram.
Assim começou uma das mais profundas histórias culturais do Brasil, não a história dos conquistadores, reis, cardeais ou generais, mas a história de pescadores e de uma imagem resgatada do fundo do rio. Não era uma imagem inteira, perfeita, pronta para ser venerada, não vinha coberta de joias, era uma Nossa Senhora quebrada, escura como a cor dos mamelucos, preta como a cor dos escravizados. Surge o mistério de Aparecida. O barro antes do nome, vindo do rio dos pobres para alimentar a casa dos pobres. Só depois surgiu o santuário. Nasceu primeiro como devoção de poucas famílias, depois, de um povo inteiro.
