Sábado, 17 de março de 2012
Da revista Época
Por que Carlinhos Cachoeira atemoriza hoje todo o espectro partidário – do DEM ao PT
O bicheiro goiano Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos
Cachoeira, tornou-se conhecido nacionalmente como um dos protagonistas
do primeiro grande escândalo da era do PT no governo federal, revelado
por ÉPOCA em 2004. Dois anos antes, Cachoeira negociara com Waldomiro
Diniz, assessor do então deputado José Dirceu (chefe da Casa Civil do
governo Lula), contribuições para campanhas políticas de candidatos do
PT nas eleições em 2002, como Benedita da Silva, no Rio de Janeiro, e
Geraldo Magela, no Distrito Federal. Também fizera gravações em vídeo
das negociações. Com a chegada do PT ao Palácio do Planalto, Cachoeira
passara a cobrar uma retribuição na forma de um contrato na área de
loterias com a Caixa Econômica Federal, não fora atendido e resolvera
dar o troco: forneceu suas informações sobre o caixa dois petista ao
Ministério Público Federal. Depois do caso Waldomiro, Cachoeira
submergiu e passou a dizer que se afastara do ramo de jogos para se
dedicar exclusivamente a negócios na área farmacêutica. Há três semanas,
descobriu-se que Cachoeira continuou na ilegalidade e ativo como nunca.
Ele foi preso durante a Operação Monte Carlo, deflagrada pela Polícia
Federal (PF), como o líder de uma quadrilha que operava máquinas
caça-níqueis em Brasília e em Goiás.
No momento, Cachoeira passa seus dias no presídio federal de segurança
máxima de Mossoró, Rio Grande do Norte, e negocia um acordo de delação
premiada com o Ministério Público Federal para reduzir sua provavelmente
extensa pena. É uma perspectiva que assusta gente de todo o espectro
político, por causa das conexões de Cachoeira com vários partidos. Sua
prisão já causou abalos à reputação de alguns políticos de primeiro
escalão, como o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO). Ao
grampear Cachoeira, a PF descobriu que ele mantinha conversas
telefônicas regulares com Demóstenes, um promotor de carreira que se
tornou um dos parlamentares campeões de projetos na área de segurança
pública e ficou conhecido como um dos mais ferrenhos críticos do PT no
governo. Depois da revelação das conversas com Cachoeira, Demóstenes
admitiu uma relação de amizade com o bicheiro, de quem recebera uma
geladeira e um fogão importados, mas negou saber que ele continuasse na
contravenção. Demóstenes disse também que só conversava “trivialidades”
com Cachoeira.