sábado, 14 de dezembro de 2013

Adiamento da obrigatoriedade de itens de segurança em carros novos preocupa 3ª Câmara do MPF

Sábado, 14 de dezembro de 2013 
 Do MPF
Ofício enviado à Secretaria Nacional do Consumidor pede manifestação que possa exprimir o ponto de vista da defesa do consumidor
 
A 3ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal, que trata de consumidor e ordem econômica, está preocupada com a notícia de que o governo cogita adiar para 2015 a obrigatoriedade de airbag e freios ABS em 100% dos carros novos, o que estava previsto para janeiro próximo. Nesta sexta, 13 de dezembro, o coordenador da Câmara, Antonio Fonseca, enviou ofício à secretária Nacional do Consumidor, Juliana Pereira, pedindo manifestação que possa exprimir o ponto de vista da defesa do consumidor. 
No documento, Antonio Fonseca afirma que tal ideia é iniciativa do Ministério da Fazenda e se baseia principalmente em preocupações com a meta inflacionária. Mas, para ele, a questão não pode ser avaliada estritamente pelo lado econômico, considerando que o adiamento fere seriamente os direitos do consumidor. “Esses itens de segurança já são obrigatórios na Europa e nos EUA há mais de 10 anos; e pesquisas comprovam que seu uso pode reduzir os acidentes fatais em 50%”, pondera.
 
Para o coordenador, os argumentos econômicos também não parecem os mais sólidos e certamente não justificam os riscos sociais assumidos com o adiamento. “É preciso frisar que a medida que instituiu a obrigatoriedade dos dois itens é de 2009 e previu um escalonamento para a adoção pela indústria.” Ele explica que, em janeiro de 2013, 60% da frota já contava com esses itens e os 40% restantes equivalem aos carros de mil cilindradas, que as classes C e D costumam adquirir, e que assim continuarão mais expostas a acidentes por outros dois anos.
 
Fonseca finaliza o ofício afirmando que a 3ª Câmara não pode consentir com essa medida tão em cima da hora e solicita à Secretaria Nacional do Consumidor uma manifestação "que possa exprimir o ponto de vista da defesa do consumidor, em questão que não pode ser avaliada estritamente pelo lado econômico, e com base em expectativas pouco firmes, que podem, pelo contrário, causar insegurança no setor produtivo”.