sexta-feira, 10 de julho de 2026

Traidores do Brasil buscam apoio de Trump com venda do Brasil

Sexta, 19 de julho de 2026

Traidores do Brasil buscam apoio de Trump com venda do Brasil

Pedro Augusto Pinho*

Poderíamos pensar que o governo de Donald J. Trump (Nova Iorque, 1946), empresário e personalidade televisiva, é um problema dos estadunidenses. Mas a influência dos Estados Unidos da América (EUA) pelo mundo e, principalmente, no Brasil, onde tem um candidato a candidato para presidente da República e diversos candidatos a deputado federal e senador, nos obriga a refletir sobre seu significado e o real perigo para o nosso País.

Sua fala, em 8/8, após o encerramento da reunião dos chefes de governo dos Estados-membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), 39ª Reunião de Cúpula da OTAN, foi um verdadeiro acinte aos jornalistas presentes e a todos que, pelo mundo, tiveram que a assistir. A absoluta falta de compromisso com a verdade levou-o a afirmar que “o mundo já não ri dos EUA como ria há dois anos”, como se a vitória eleitoral sobre a vice de Joe Biden, estivesse marcada por dúvidas. No mínimo mostrou falta de compostura ao agredir ausentes.

Hoje, sim, os EUA já não tem a confiança da Europa, como este encontro da cúpula da OTAN demonstrou. Trump reclamou da falta de apoio europeu no conflito contra o Irã e classificou o atual caminho com a OTAN como “ridículo e unilateral”. Então o que foi fazer ali?

As gafes foram diversas desde o primeiro contato, ameaçando cortar o comércio com a Espanha e tornando a reivindicar a Groenlândia, território dinamarquês. Durante a conversa com jornalistas, no último dia, presidente estadunidense cometeu o ato falho ao se referir a Volodymyr Zelensky (que estava ao seu lado) como Putin, e também confundiu os países ao afirmar que um porta-aviões havia sido atacado pela “República Islâmica do Japão” (!), quando estaria se referindo ao Irã.

Ainda em relação ao ditador ucraniano, Trump o elogiou – “fez um trabalho incrível” e foi “muito eficaz na guerra” (em que foi derrotado?).

Em relação a seu próprio País, ou o presidente Donald Trump mentiu ou está pessimamente informado. Afirmou que os EUA teriam recebido US$ 19,2 trilhões de investimentos externos em “um ano” sob sua presidência, quando o próprio site da Casa Branca registra US$ 10,6 trilhões. E que “25 milhões de pessoas, acho que mais que isso” teriam cruzado a fronteira dos EUA durante o Governo Biden, sem que exista qualquer informação confiável a este respeito. Talvez porque sua campanha eleitoral contra Kamala Harris ainda não tenha, para ele, se encerrado.

A Fédération Internationale de Football Association (FIFA) foi fundada em 21 de maio de 1904, em Paris, e hoje tem sua sede administrativa na cidade de Zurique, na Suíça. Nestes 122 anos de existência enfrentou duas grandes guerras quentes e uma guerra fria, teve altos e baixos, como a grande maioria das associações, mas conseguiu realizar 22 Copas do Mundo de futebol.

Nos últimos anos, como consequência da invasão neoliberal financeira pelo mundo, tem sido alvo de suspeita sobre a lisura de suas decisões. Realmente, a corrupção que corre o mundo desde a década de 1980 – fruto das “desregulações financeiras” promovidas pela astúcia da Baronesa Thatcher de Kavesten (1925-2013), do Reino Unido, que puxou para seu lado o 40.º presidente dos EUA, o ator e porta voz da General Electric (GE) Ronald Reagan (1911-2004) – não encontra paralelo na História.

Estamos em tempo de Copa do Mundo, a segunda realizada em mais de um país. A anterior, de 2002, foi realizada em dez cidades da Coreia do Sul e dez do Japão, e concluiu com o pentacampeonato do Brasil, no Estádio Internacional de Yokohama, atual Nissan Stadium, no Japão.

E Trump mostrou a venalidade com que trata seus assuntos, tendo por vítima ou parceiro (?), o presidente da FIFA, Gianni Infantino. Na vitória dos EUA sobre a Bósnia-Herzegovina, o árbitro brasileiro, Raphael Claus, após revisar na tela a falta do atacante estadunidense Folarin Balogun, sobre o adversário Tarik Muharemovic, pisando no tornozelo deste, aplicou-lhe “Cartão Vermelho”, expulsando-o do jogo, com suspensão automática para a partida seguinte.

Trump ligou pessoalmente para Infantino pedindo a revisão da punição, chamando o árbitro brasileiro de suspeito e alegando que o lance não configurava falta, apenas dois jogadores colidindo em velocidade.

A FIFA, vergonhosamente, suspendeu por um ano a aplicação automática da punição, liberando Balogun para jogar contra a Bélgica. O Secretário de Estado Marco Rubio também se envolveu defendendo a decisão da FIFA cancelando a punição.

Mas fez-se a justiça divina. A Bélgica goleou os EUA por quatro a um, ficando o país do corruptor fora da Copa.

Mas o pior de Trump ocorre nesta segunda semana de julho de 2026: retomar a guerra contra o Irã.

A guerra contra o Irã, como contra os palestinos, os libaneses, os sírios, os jordanianos, os iraquianos e outros povos do Oriente Médio e da África é o projeto sionista, empreendido desde a criação do Estado de Israel, da formação do Estado Judeu. Para não me acusarem de antissemita, que não o sou em absoluto, dou desde logo um dado irrespondível. Ao ser criado, o Estado de Israel ocupava 20.770 km², hoje ocupa 29.400 km² por invasão aos vizinhos e pelo genocídio que eliminou milhares de palestinos.

E o único aliado de Benjamin Netanyahu é Donald Trump.

Após inúmeras mortes, desorganização e caos econômico na Europa, nos EUA e por todo mundo, pelas oscilações do preço e pela falta do petróleo, a proposta de paz que atende a todos é a volta à situação anterior à agressão de Israel e dos EUA ao Irã, com o assassinato do líder religioso Aiatolá Ali Khamenei, que nesta semana está sendo sepultado.

E não existe um Tribunal Internacional com força para punir estes dois assassinos.

A consequência imediata da manifestação bélica da dupla Trump-Netanyahu já ocorreu: o aumento do preço do barril de petróleo nas duas principais bolsas mundiais: Londres (Brent) e Nova Iorque (WTI).

E, obviamente, a resposta iraniana foi o ataque às bases estadunidenses no Oriente Médio, existentes no Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque, num total de 36, fundamentalmente para garantir o petróleo para os EUA.

TRUMP E O BRASIL

As inconstâncias de Trump têm atingido o Brasil desde sua eleição. E, o que é quase inacreditável, tem sido mais nefastas para seu próprio país do que para o Brasil. Com as taxações, os produtos brasileiros chegam mais caros nos EUA e os estadunidenses os podem não comprar, se forem diretamente para o comércio, ou nem mesmo importarem se forem para a indústria.

O volume de transações comerciais entre o Brasil e os EUA foi de US$ 75 bilhões, em 2023, de US$ 127,6 bilhões, em 2024, US$ 94,3 bilhões, em 2025, e neste primeiro semestre de 2025, foi de US$ 36,4 bilhões, trazendo a perspectiva de ser o menor neste quadriênio.

Como as exportações brasileiras são majoritariamente de produtos primários, não foi difícil encontrar onde os colocar. Mas esta não é uma questão do Trump mas da Nova República que largou o projeto de industrialização do Brasil que vinha desde o Governo Vargas.

A prova de que estas medidas também atingem os EUA está nas reuniões para revisão das taxações contarem além de pessoas do governo e empresários brasileiros com empresários estadunidenses.

Mas surpreendentemente, há um candidato a candidato a Presidente do Brasil, e, o que é pior, com asseclas candidatos ao Senado e à Câmara dos Deputados que levaram, no dia em que se comemora a Independência do Brasil, 7/9/2025, a bandeira dos EUA para a Avenida Paulista, na capital do Estado de São Paulo, que o jornal nova-iorquino The New York Times estimou ter as dimensões de uma quadra de basquete, e portavam bandeiras estadunidenses e do Estado de Israel.

E este candidato a candidato se apresentou na Audiência Pública, em Washington, promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), sobre a sobretaxa de 25% estabelecida por Trump. Foi um completo vexame, a ponto de ser repreendido pela Mesa Diretora do evento. Ele estava absolutamente deslocado naquele ambiente, não soube se comportar e, ainda mais, os empresários brasileiros que lá compareceram ficaram temerosos de que as negociações em curso fossem prejudicada pela atuação deste candidato a candidato, senador da República, pelo Rio de Janeiro.

Nossa preocupação deve ser o Presidente dos EUA e o que sua inconstância e venalidade podem provocar de dano a nossa Pátria, já sabendo que há um grupo, que é apelidado de bolsonarista, que cumpre aqui suas diretrizes, a revelia do interesse nacional brasileiro, e ainda pretende ter novamente a presidência do Brasil.

E o atual presidente que fique atento. Colocaram uma casca de banana na sua caminhada: a Resolução nº 575, de 17/6/2026, assinada por Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Diretor de Regulação do Banco Central do Brasil (BACEN), que colocará o dólar estadunidense como moeda nacional sem precisar passar pelos controles cambiais estabelecidos para o próprio BACEN. Ou seja, adeus à soberania monetária, que com a energética são os pilares da verdadeira soberania nacional.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro do Conselho Editorial do Pátria Latina.


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Este artigo foi postado originariamente no Pátria Latina de 09 de julho de 2026