domingo, 27 de setembro de 2026

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL EM 2026: ONDE O LADRÃO SE FAZ DE POLÍCIA.

Domingo, 27 de setembro de 2026

ELEIÇÃO PRESIDENCIAL EM 2026: ONDE O LADRÃO SE FAZ DE POLÍCIA.



Artigo de Pedro Augusto Pinho*

 

Vivemos momentos muito difíceis no Brasil, após o golpe neoliberal financeiro aplicado na sucessão do Presidente Geisel, em março de 1979.


Alguns fatos são bastante evidentes, como o do udenista maranhense José Sarney (1930), que foi apoiador dos governos militares de 1964 a 1985, ser o condutor da “redemocratização”, presidindo o Brasil durante a elaboração da Constituição de 1988.


Outro fato bastante estranho foi do professor universitário em São Paulo, o carioca tido como socialista, Fernando Henrique Cardoso (1931), presidir por dois mandatos sucessivos o Brasil, 1/1/1995 a 2003, obtido por reforma constitucional, e ter alterado a Constituição e diversas leis para privatizar o Estado, implantando o sistema neoliberal no País, o que não era objetivo da “Constituição Cidadã”.


Na eleição para presidente, em outubro de 2026, concorrem 12 candidatos; mas a verdadeira disputa se trava entre o interesse dos Estados Unidos da América (EUA), representado pelo seu Secretário de Estado Marco Antonio Rubio (1971), apoiando Flávio Nantes Bolsonaro (1981), e Luiz Inácio Lula da Silva (1945) que ocupará pela quarta vez a Presidência do Brasil.


Fosse tão evidente esta situação, este artigo apenas estaria registrando um fato político. Mas o poder da mídia no Brasil, quase inteiramente submetida aos proprietários e gestores das plataformas e meios digitais e virtuais de comunicação estrangeiros (Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Larry Ellison, Bill Gates, Larry Page, Sergey Brin, Michael Dell, Jensen Huang) deforma, desinforma e submete-nos, a nós, brasileiros, a verdadeira imposição cognitiva de seus interesses.


O que Donald Trump e a mídia estão lhe vendendo? Que as eleições no Brasil não são seguras e Flávio Bolsonaro repercute como se essa insegurança devesse ao governo atual, do Presidente Lula.


Mas examinemos os fatos.


A quem está entregue a condução desta eleição de outubro de 2026? Aos Ministros do Superior Tribunal Eleitoral (STE). E quem são eles?


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é composto de, no mínimo, sete membros, sendo eles: três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF); dois ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ); e dois ministros dentre advogados indicados pelo STF e nomeados pelo presidente da República (art. 119 da CF/1988).


Os presidente e vice-presidente são, respectivamente, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, ambos designados para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), de onde vem sua designação para o TSE, por Jair Bolsonaro, respectivamente em 2020 e 2021. O terceiro representante do STF é o paulista Antonio Dias Toffoli (1967), designado por Lula, em 2009, que teve sob seu julgamento no STF diversas decisões muito controvertidas, culminando com negócios com Daniel Bueno Vorcaro (1983), atualmente preso. A situação de Dias Toffoli é atualmente bastante precária e quem pode lhe dar acolhida não será, definitivamente, Lula, mas, muito provavelmente, Fábio Bolsonaro.


São também Ministros do TSE, por coincidência todos paulistas, representando o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, e, como advogados nomeados pelo Presidente da República: o professor Floriano Peixoto de Azevedo Marques Neto, e, a única mulher, Estela Aranha.


Embora não esteja levantando qualquer suspeita sobre a integridade de qualquer dos membros titulares enunciados, a vinculação dos oriundos do STF é muito maior com os Bolsonaro do que o Lula. E são o presidente e o vice-presidente.


Não seria maior o peso de um país, como os EUA, do que o de um candidato e de um partido político que nem é o de maior representação no legislativo brasileiro?


Nos últimos dias surgiram dois fatos de possíveis repercussões eleitorais.


Em 25 de setembro de 2026, o Governo Federal publicou a Medida Provisória que proíbe totalmente a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa (as chamadas bets) e cassinos online no Brasil.


E, postada em redes sociais, o PL 2.623/2007, já arquivado, que retirava de Nossa Senhora da Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O autor deste Projeto de Lei é o paulista, pastor evangélico, professor e político brasileiro, atualmente filiado ao Progressistas (PP), e deputado federal por Mato Grosso, Victório Galli Filho.


Nas redes sociais estes fatos têm ganhado muito destaque pelas campanhas de Lula e de Fábio Bolsonaro.


Concluindo, uma reflexão sobre as pesquisas de intenção de voto.


Há cerca de quatro décadas, meu trabalho levou-me a conhecer e fazer amizade com um profissional de pesquisa de opinião, muito conceituado em seu meio. Dele recebi uma aula inesquecível. “Faltando seis meses ou mais para as eleições, podemos elencar os candidatos de acordo com o interesse de quem financiar o trabalho. Mas, ao se aproximar da eleição, não podemos cometer erros, pois nosso trabalho é permanente e as eleições só ocorrem a cada dois anos. Quem mantém a agência quer vender seu produto e nosso trabalho é ajudá-lo, para o que exibimos nossa competência técnica”.


Parece que já não mais vigora esta condição. Colocar em empate técnico Lula e Fábio Bolsonaro é forçar a barra, principalmente a 10 dias da eleição. O que me leva a cogitar que a farsa eleitoral “denunciada” pelos EUA já está definida, os principais interessados “comprados” ou “vendidos”, e o povo irá fazer, mais uma vez, papel de bobo.


Recordando num parágrafo nossa história. O Brasil que viu chegar as caravelas de Cabral era habitado por pouco evoluídos silvícolas. A antropologia ainda não nos deu respostas para esta situação. E o Brasil iniciou sua vida de Estado como colônia e com escravidão, só encerrada com as primeiras leis de novembro de 1930, assinadas por Getúlio Vargas. Por quase 260 anos, a família Bragança foi a dona do Brasil. Ainda hoje tem um Deputado Federal, eleito pelo Partido Liberal (PL) de São Paulo, com sobrenome Orleans e Bragança.


Vê-se a falta que nos faz a Instrução Pública, como em 1932, vinte e seis intelectuais colocaram suas assinaturas no “Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova” e, passado quase um século, continua sem resposta do Estado Brasileiro.

 

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.