Sábado, 26 de setembro de 2026
Acusação: Marco Jacobsen
Por Altamiro Borges
O Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina (Indec) divulgou nesta quinta-feira (24) dados aterrorizantes sobre o aumento da miséria no país presidido por “El Loco” Javier Milei – que serve de “inspiração” ao fascista Flávio Bolsonaro. Segundo o estudo, a pobreza atingiu 32,3% da população no primeiro semestre deste ano, um aumento de 4,1 pontos percentuais no período. O mais alarmante na pesquisa, porém, é a situação das crianças na nação vizinha.
De acordo com a pesquisa, a pobreza hoje atinge 44,5% das crianças argentinas de até 14 anos. Desse grupo, 10,8% vivem na indigência. Na população em geral, esse índice é de 7,5%. O Indec considera pobres os adultos que não conseguem pagar uma cesta básica de cerca de US$ 340. O valor inclui alimentos, outros bens e serviços. Já os indigentes são as pessoas cuja renda não cobre nem a cesta básica apenas de alimentos – que hoje tem um custo avaliado em US$ 150.
Ainda segundo o instituto, o aumento da pobreza acompanha a alta da inflação das empresas entre o fim de 2025 e o início de 2026. Já a atividade econômica caiu 1,4% em julho ante o mesmo mês do ano anterior e o mercado de trabalho registrou uma grave piora, com desemprego de 7,9%, o maior nível desde 2021. Segundo o Indec, metade da população economicamente ativa trabalha na informalidade e cerca de 30 mil faliram desde que Javier Milei chegou ao poder.
Para o jornal La Nación o aumento da pobreza decorre principalmente da alta da inflação e da queda do rendimento dos trabalhadores desde o final de 2025. A consultoria ExQuanti, citada pela reportagem, projetou que o número de pobres cresceu em cerca de 2 milhões de argentinos no primeiro semestre deste ano – de 13,4 milhões no final do ano passado para 15,4 milhões. La Nación estima que a Argentina tenha hoje cerca de 4,1 milhões de crianças pobres de zero a 14 anos.
“Milei é um ótimo exemplo”, diz chefona bolsonarista
Apesar da devastação da economia, com o vertiginoso aumento da pobreza, a “motosserra” de Javier Milei ainda possui admiradores no Brasil. Na semana retrasada, em um seminário do grupo Esfera, em São Paulo, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no covil de Jair Bolsonaro e coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou na maior caradura: “Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”.
No sentido diametralmente oposto, o presidente Lula lamentou, em entrevista à TV Record, a situação do povo argentino sofrido. Ele inclusive chorou ao vivo ao tratar do assunto:
“Ontem a Janja me mostrou que uma senhora que se diz chefe econômica da campanha do Flávio disse que, se eles ganharem, vão aplicar no Brasil as políticas econômicas do Milei. Como assim? Vocês vão botar a sociedade brasileira para comer carne de jumento? Na Argentina estão comendo carne de jumento porque as pessoas não têm dinheiro para comprar carne. Lá, o Milei cortou retirada de idosos de 80 anos, que hoje moram na rua, comem lixo e morrendo com depressão. Cortou o dinheiro da educação e tem universidade sem água para os alunos beberem. A mortalidade infantil aumentou porque as mães não têm o que dar para seus filhos comerem.

