domingo, 11 de outubro de 2026

APOIO DE 3 MILHÕES —Corregedor do TSE derruba decisão de Nunes Marques e mantém canal ‘Exército do Lula’

Domingo, 11 de outubro de 2026

APOIO DE 3 MILHÕES
Corregedor do TSE derruba decisão de Nunes Marques e mantém canal ‘Exército do Lula’

Criado pelo deputado federal André Janones, canal do WhatsApp reúne mais de 3,5 milhões de seguidores

Brasil de Fato  — Rio de Janeiro
11.out.2026

Mobilização em São Paulo pela reeleição de Lula levou 1 milhão às ruas 
Crédito: Ricardo Stuckert

O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva, derrubou neste domingo (11) a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, que suspendeu o canal “Exército do Lula”. A plataforma foi criada no WhatsApp pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O canal registra, neste domingo, mais de 3,5 milhões de seguidores.

No sábado (10), Vilas Bôas Cuêva, relator do processo, pediu que Flávio Bolsonaro, autor da ação, apresentasse esclarecimentos sobre o pedido em 72 horas. Na decisão, o corregedor-geral eleitoral considerou que a petição não tinha elementos suficientes para a suspensão do canal, sendo necessárias informações adicionais, por exemplo, sobre as irregularidades atribuídas a cada conteúdo citado na petição. O ministro também pediu a indicação sobre a possível sobreposição, com pedidos similares em outros processos.

Desconsiderando a posição do corregedor-geral, o presidente do TSE proferiu decisão neste domingo (11) sobre o mesmo tema e determinou a suspensão do canal. A censura, pela decisão de Kassio Nunes Marques, deveria permanecer até a homologação do resultado do segundo turno.

Vilas Bôas Cuêva, ao ser citado da movimentação de Nunes Marques, determinou, em caráter preliminar, o retorno do canal e a submissão do tema à apreciação do plenário do TSE. De acordo com Bôas Cueva, a questão deve ser analisada com base em “procedimento mais cauteloso”.

“No caso, a suspensão do canal não representa providência meramente instrumental de fiscalização do plano de conformidade. Trata-se de restrição direta ao funcionamento de um meio de comunicação eleitoral, com efeitos imediatos sobre o exercício da liberdade de expressão”, escreveu o magistrado.

Alegações de Flávio Bolsonaro

Segundo Flávio, a estrutura usa o canal para distribuir “missões” de compartilhamento de publicações e teria empregado recursos públicos de campanha em impulsionamento de propaganda negativa.

O candidato do PL pede a cassação do registro ou diploma de Lula e do vice Geraldo Alckmin e a declaração de inelegibilidade dos responsáveis pelas supostas condutas abusivas.

Reação

André Janones comemorou a decisão pela permanência do canal Exército do Lula. “Caiu a censura. O canal do Exército do Lula fica. […] Ninguém cala a voz de um povo quando ele se une.”

Durante ato em São Paulo, antes da segunda decisão de Vilas Bôas Cuêva, o presidente Lula criticou a decisão do presidente do TSE. “Não vamos aceitar intromissão indevida da Justiça Eleitoral na eleição.” O presidente considera que a iniciativa de Janones está de acordo com as regras eleitorais.

“Nós não vamos permitir que seja fechado um canal que um deputado que está pedindo para pessoas que querem votar em mim para participar de um canal do Exército Lula. Não é possível que a Justiça Eleitoral não queira um comportamento civilizado, republicano, de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça”, declarou.


Editado por: Monyse Nunes