Domingo, 26 de julho de 2026
Partido Liberal apresenta em São Paulo um show para rir, chorar e lamentar
Do PÁTRIA LATINA
PAPO DO DIA
Partido Liberal apresenta em São Paulo um show para rir, chorar e lamentar
Pedro Augusto Pinho*
No sábado chuvoso de 25/7/2026, na Arena Pacaembu, na capital do Estado de São Paulo, com a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, o Partido Liberal (PL), em convenção nacional, oficializou a candidatura do senador pelo Estado do Rio de Janeiro, Flavio Nantes Bolsonaro, nascido a 30/4/1981, à Presidência da República, foi um único candidato.
A Argentina, de luto pelo seu desempenho, dentro e fora dos “gramados”, nos campos onde foi disputada a Copa do Mundo de Futebol 2026, promovida pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), recém-encerrada, deve ter enviado seu presidente como para uma das missas de sétimo dia, que devem ser abundantes entre os portenhos.
O que deveria ser o ponto alto do evento foi realizado pela Inteligência Artificial (IA), com a imagem de Jair Messias Bolsonaro, em prisão residencial humanitária por questão de saúde, supostamente por estar indisponível qualquer verdadeira inteligência humana para um espetáculo festivo, mas de luto (!).
Lançado à Presidência por seu pai, é importante conhecer a carreira política daquele, deixando de lado a profissional pois há diversos fatos que não são comuns nas Forças Armadas, basta recordar a apreciação do ex-presidente General de Exército Ernesto Geisel sobre Jair Bolsonaro, em 1993, durante entrevista a pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV): “mau militar” e “caso fora do normal” dentro das Forças Armadas.
Jair Messias Bolsonaro ingressou na política partidária em 1988, como vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Em 1990, elegeu-se deputado federal e cumpriu sete mandatos consecutivos (28 anos), sempre tratando de pautas corporativas, beneficiando a família militar com recursos públicos, e temas conservadores e agressivos, como do “bandido bom é bandido morto”, em princípio voltado para segurança pública da classe média. Em 2018 vence a eleição para Presidente da República, lançado pelo Partido Social Liberal (PSL), hoje formando a União Brasil com o antigo Partido dos Democratas (DEM). Após a derrota na eleição de 2022, trama um golpe de estado contra as instituições, pelo qual foi julgado e condenado pela justiça após o devido processo legal, e se encontra hoje em prisão domiciliar humanitária.
Também a ex-primeira dama Michele Firmo Bolsonaro não compareceu, mas enviou um chocho e formal vídeo de apoio ao enteado. Nem um só, dos 29 partidos políticos registrados na Justiça Eleitoral, além do seu próprio, o PL, apoia ou promete apoio ao candidato oficializado. E, ainda mais grave, a chapa chegou ao evento incompleta, sem a definição do ou da candidato/candidata a vice-presidente, pois até o sexo é imprevisível.
Também nenhum programa de governo foi apresentado, até hoje, estes objetivos, se existem, não têm passado de velhas e surradas interjeições ou exclamações, até de baixo calão.
O presidente estrangeiro que compareceu realizou o que de melhor sabe fazer: ofendeu um juiz da Suprema Corte brasileira e dançou desajeitadamente no palco construído para o evento.
Pergunta-se, então, com toda seriedade: para que este show agora, antecipado, se o prazo da oficialização vai até 5 de agosto?
Porque a cada momento que passa mais fatos desairosos da vida do candidato são dados a conhecer e, já se sabe, novas bombas irão ser detonadas ao longo da campanha até o dia da eleição.
Mas o sagaz leitor pode contestar afirmando que Flavio aparece nas pesquisas em condição competitiva. E lhe repetirei, então, a lição que tive de experiente e respeitado homem de imprensa e propaganda, quando iniciava minha vida profissional, em jornal dos Diários Associados, aos 17 anos de idade.
A publicidade não vive de pesquisas eleitorais, disse-me aquele mestre, ela vive das propagandas que os clientes lhes solicitam. E para isso, estes clientes querem eficácia, ou seja, a propaganda deve conquistar consumidores dos produtos ou dos serviços que a empresa vende. Assim, quanto às pesquisas eleitorais, estes clientes só irão observar nos últimos instantes, no máximo a uns 30 dias da eleição. Por todo o período anterior, as agências podem se dedicar a fazer das pesquisas sua propaganda para captar os votos dos indecisos, não para ganhar credibilidade. E ainda estaremos, no mínimo até setembro próximo futuro, nesta fase de propaganda, de conquista de votos, não do retrato estatístico da realidade eleitoral.
Mas façamos um breve sumário de que já saiu até agora, os males provocados, e o que já se sabe sobre a bomba, que já existe, mas que se aguarda o melhor momento para detoná-la.
Águas passadas, mas com muita sujeira, que emperram os moinhos.
OS ESCÂNDALOS DO CANDIDATO
As denominadas “rachadinhas”, na verdade rombos ou crateras, ocorreram logo no início da sua vida política, que começou aos 21 anos de idade, como Deputado Estadual. Na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ), Flávio Bolsonaro permaneceu de 2003 até 2019, quando, sendo seu pai eleito Presidente da República, trocou, então, o Rio de Janeiro por Brasília, como Senador da República, cargo que encerra ainda neste ano.
Na ALERJ ele incentivou e ajudou a fazer deste órgão legislativo uma “casa da mãe joana” ou “casa de noca”, como se vê nestes últimos anos, inclusive o atual, onde foi necessária a interveniência do Poder Judiciário e numeroso participantes já foram condenados ou aguardam as diversas fases dos processos para se unirem aos ex-colegas.
O grande caso, com muitas ramificações, que ainda geram os mais diversos escândalos, envolvendo empresários, políticos, membros de todos os poderes, em diversos cargos, é a “maior fraude financeira da história do Brasil”, o Caso Master, ou, de seu maestro, guia e mentor, Daniel Bueno Vorcaro (Minas Gerais,1983).
As relações de Flavio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, na expressão do jornalista Octavio Guedes, da GloboNews, é de “broderagem”, isto é, “tomação de grana” com “esquema de favorecimento mútuo camuflado de amizade informal”. Ela surge com o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a “epopeia” do Jair. Mas “broderagem” que serve para mascarar interesses políticos e financeiros, sob o manto de uma falsa descontração cotidiana, é mais, são métodos de “gângsters”, conforme o brilhante comentarista da GloboNews.
A vinculação Bolsonaro-Vorcaro ainda trará novas apreensões ao candidato, senão o comparecimento a órgãos policiais e da justiça.
Outro desastre eleitoral é a subordinação de Flavio Bolsonaro aos interesses políticos e econômicos da Casa Branca e seu atual ocupante. Tanto que as taxações abusivas, sem qualquer respaldo no comércio, na economia, nas relações políticas do Brasil com os Estados Unidos da América (EUA), e dos próprios interesses empresariais de ambos países, estão sendo designadas “tariflavios”, ou seja, tarifas impostas pelo interesse do Flavio Bolsonaro, que tem até carta à autoridade estadunidense a justificando. Além de impatriótico é manifestação de um insciente, incompetente, inexperiente, inculto e ignaro parlamentar brasileiro.
Porém a imprensa ainda não aprofundou e denunciou adequadamente o íntimo relacionamento, desde o período de seu mandato na ALERJ, de Flavio com o Comando Vermelho (CV), classificado pelo presidente Donald Trump como “organização terrorista”. Este fato afastará ainda mais os neopentecostais da figura do candidato do PL, respingando por outros do mesmo partido e próximos a ele no Rio de Janeiro.
Enfim, se Michele Bolsonaro provocou tamanho pânico na campanha, pois atingia um ponto fragílimo dos misóginos bolsonaros, imagine o que ocorrerá quando a numerosa classe média religiosa e bolsonarista souber deste convívio íntimo de seus líderes com criminosos, também identificados como terroristas no exterior. Como no refrão do samba de Ary do Cavaco e Bebeto di São João, “Reunião de Bacanas”:
“Se gritar pega ladrão não fica um meu irmão
Se gritar pega ladrão, não não fica um”.
* Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, membro do Conselho Editorial do Pátria Latina.