“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 29 de março de 2023

COMIDA DE VERDADE —Você sabe o que é alimentação ecológica? Entenda os benefícios para o nosso corpo e o planeta

Quarta, 29 de março de 20923

Conceito busca aproveitamento integral dos alimentos sem abrir mão de respeitar os processos da natureza - UNEafro Brasil

Movimento Slow Food é referência mundial na luta e articulação por uma comida que respeita a biodiversidade

Do Brasil de Fato
Talita Maciel
A alimentação ecológica não é só a
nossa escolha pelos alimentos

Você sabe o que é alimentação ecológica? A partir desse conceito, a comida é considerada um elo entre a nossa saúde e a saúde do nosso planeta. Considerar os benefícios e cuidados dessa concepção é essencial para um aproveitamento integral dos alimentos sem abrir mão de respeitar os processos da natureza.

"A alimentação ecológica não é só a nossa escolha pelos alimentos, mas o que a gente faz com esses alimentos. Então, é quando a gente faz o aproveitamento integral desse alimento, quando a gente faz uso não somente do fruto ou do tubérculo, que é convencionalmente utilizado, quando a gente prepara as folhas, as ramas, os talos, e agregamos nutricionalmente. Essas partes também têm um perfil nutricional que pode nos ajudar na nossa alimentação enquanto aproveitamos a energia solar, porque a planta faz uso de toda essa sinergia, tanto do sol, quanto dessa articulação com as plantas, com as águas, com o solo. Pensar a alimentação ecológica é pensar todas essas conexões", conceitua a nutricionista Bruna Crioula.

GOLPISMO —Alexandre de Moraes vai compartilhar dados de investigação com a CPI dos atos antidemocráticos

Quarta, 29 de março de 2023

Alexandre de Moraes recebe deputados distritais no STF - Antonio Augusto/Secom/TSE

Deputado diz que STF já chegou a financiadores intermediários e que agora visa identificar os "grandes"

Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 29 de Março de 2023

Os membros da CPI dos atos antidemocráticos se encontraram nesta quarta-feira (29) com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e solicitaram o compartilhamento de informações sobre as investigações que ocorrem no âmbito da Corte.

De acordo com os deputados distritais, o ministro se comprometeu com o compartilhamento de informações, com exceção dos dados que tenham caráter estritamente sigiloso e designou um juiz auxiliar para entrar em contato com o procurador da Câmara Legislativa do DF (CLDF).

“O ministro foi muito solícito conosco. Conversamos com ele sobre a necessidade que temos de compartilhamento de alguns dados e da importância do trabalho que está sendo realizado pela CPI” afirmou deputado Chico Vigilante (PT), presidente da CPI. Vigilante destacou ainda a celeridade do Judiciário após a tentativa de golpe do dia 8, com a prisões e afastamentos dos envolvidos ou colaboradores.

O deputado Fábio Félix (PSOL) também participou da reunião e destacou que as investigações do STF já avançaram na identificação dos financiadores intermediários e que agora visa apurar a participação dos grandes financiadores e planejadores da operação.“Ele [Alexandre de Moraes] falou que muita gente foi instrumentalizada para os atos do dia 8, como por exemplo cerca de 50 pessoas em situação de rua que foram levadas e pagas para estarem aqui, sendo a maior parte delas de São Paulo”, informou o distrital.

“A Esplanada deveria estar fechada. Então essa é a pergunta que os inquéritos estão fazendo e que a CPI também precisa fazer para chegar aos responsáveis pela omissão, pelos equívocos no planejamento e pelos crimes na operação de segurança”, disse Félix. De acordo com o distrital, o ministro explicou como ocorreram as prisões dos bolsonaristas e caracterizou que as manifestações antidemocráticas na frente dos quartéis já eram atribuídas como criminosas.

Alexandre de Moraes é o relator, no âmbito do STF, do processo que apura os atos antidemocráticos observados no DF, motivo pelo qual foi procurado pelos deputados da CPI. O pedido para o encontro foi do presidente da CPI Chico Vigilante.

Nesta quinta (30), a comissão realiza nova reunião na CLDF, com a a oitiva do tenente-coronel da Polícia Militar do Distrito Federal, Jorge Henrique da Silva Pinto, que tentou alertas seus superiores sobre a possibilidade de invasão dos prédios em Brasília no dia 8 de janeiro.


Edição: Flávia Quirino

Fonte: Brasil de Fato | Brasília (DF)

Aqui existiu uma selva

Março
29

Aqui existiu uma selva

Milagre na selva amazônica: no ano de 1967, um grande jorro de petróleo brotou do Lago Agrio.

A partir de então, a empresa Texaco sentou-se à mesa, guardanapo no pescoço e garfo na mão, e se fartou de engolir petróleo e gás durante um quarto de século, e cagou sobre a selva equatoriana setenta e sete bilhões de litros de veneno.

Os indígenas não conheciam a palavra contaminação. Ficaram conhecendo quando os peixes desandaram a morrer nos rios de barriga para cima, as lagoas ficaram salgadas, as árvores secaram na beira d’água, os animais começaram a fugir, a terra deixou de dar frutos e as pessoas passaram a nascer doentes.

Vários presidentes do Equador, todos eles acima de qualquer suspeita, colaboraram na tarefa, que foi desinteressadamente aplaudida pelos publicitários que a exaltaram, os jornalistas que a enfeitaram, os advogados que a defenderam, os especialistas que a justificaram e os cientistas que a absolveram.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os Filhos dos Dias’,
L&PM Editores,2ª edição, página 109.

terça-feira, 28 de março de 2023

Extinção do Estado Nacional — Projeto neoliberal

Terça, 28 de março de 2023
Passeata em defesa da educação pública (Foto: Rovena Rosa/ ABr)

A educação, como compreendida pelos nacionalistas brasileiros, nos dará independência e soberania

Do Monitor Mercantil
Pedro Augusto Pinho*

“O nacionalismo defende aquilo que é comum a todos, que une todos os compatriotas a despeito das suas diferenças. Ele tem seu núcleo na defesa e valorização da soberania nacional, isto é, a autodeterminação do País em todas as suas formas. O nacionalismo não é apenas um sentimento de bem-querer do Brasil, da nossa gente e das nossas coisas, pois entende que, para ser efetivo, deve se corporificar nos modos concretos de existência coletiva, para que as instituições e as relações sociais, políticas e econômicas não sejam artificialidades, mas expressões genuínas da alma brasileira, do Ser nacional” (Felipe Maruf Quintas, Nacionalismo Brasileiro: Fundamentos, Intérpretes e História, Editora Clube de Autores, 2023).

Este artigo trata de tema raro nas discussões pelos meios de comunicação: o mais importante projeto neoliberal, qual seja, o fim dos Estados Nacionais. Pode-se afirmar que há interesse evidente dos capitais neoliberais em evitar este debate. Assim, os prezados leitores devem estar acostumados a encontrar alternativas ou opções de conteúdo político e ideológico mais evidentes: ditadura ou democracia, capitalismo ou comunismo, corrupção ou honestidade, racismo ou identitarismos etc.

Porém, desde 1980, ou seja, faz 43 anos que, de algum modo, os Estados Nacionais têm sido vítimas das agressões neoliberais. Vamos tratar, unicamente, do Estado que nos interessa, o Brasileiro. Este ataque é universal, mas as finanças apátridas sabem perfeitamente que as características nacionais são únicas e, embora debaixo de roupagens globais, em cada país é adotada estratégia de combate específica às características daquele Estado.

Em 1980 o governo era o último do período militar, do general Figueiredo. Mas, do ponto de vista neoliberal, apenas variava o discurso, as ações eram as mesmas no sentido desta demolição. Assim não haverá diferença entre os governos Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro. Mas como?, perguntará incrédulo leitor, acostumado a colocar as ideias entre esquerda e direita, democracia e comunismo, honestidade e corrupção.

Porque todos deram algum passo no sentido desta destruição ou, simplesmente, nada fizeram para a evitar ou desfazer ações já perpetradas. Sem dúvida as ações efetivadas por Fernando Cardoso, Temer e Bolsonaro foram mais intensas ou amplas, mas a campanha contra o Estado Nacional, identificado com o autoritarismo e a figura do último General Presidente, o pedido de liberdade, de democracia, muito ajudou ao desmonte que viria sob a Constituição Cidadã. Vejam caros leitores, como os usos de modismos políticos eram dirigidos, intencionalmente, pelo poder neoliberal nesta complexa, mas indispensável, batalha.

Da ação neoliberal contra soberania

Exemplo de Estado soberano e exitoso no Brasil é a empresa de economia mista criada no fim dos governos Vargas, que o suicídio deste Estadista Brasileiro garantiu a existência: a Petrobrás, Petróleo Brasileiro S/A. Neste ano, em processo de destruição, completando 70 anos de feitos únicos no mundo do petróleo, como o da produção em águas oceânicas ultraprofundas, a descoberta de petróleo abaixo da camada de sal no Oceano Atlântico e o mais amplo impulsionamento no desenvolvimento industrial e no bem-estar dos brasileiros.

Trazemos um caso, um “case study”, que deverá estar em todos compêndios de administração, como verdadeira aberração em negócios empresariais: a venda da Petrobrás Distribuidora BR.

A Distribuidora foi criada em 1971, pelo então presidente da Petrobrás e futuro presidente do Brasil, general Ernesto Geisel. Contou com a assessoria do economista, empregado da Petrobrás, Sylvio Massa de Campos, que foi o primeiro diretor Comercial daquela subsidiária da Petrobrás. Deste grande profissional transcrevemos parte de entrevista, em 2017, ao Portal da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet).

“Com a criação da BR Distribuidora, a Petrobrás estaria atuando em todas as etapas da indústria do petróleo, em estrutura empresarial análoga à das multinacionais, apropriando-se também de parte das margens de lucro desse segmento para financiar os vultosos investimentos nas áreas de exploração, produção e refino.”

“Nenhum país se desfaz de seus símbolos sem luta, apagando a memória de sua História, pois eles representam a quintessência de um povo que, com o saber técnico acumulado e a tipicidade de sua cultura, cria valores basilares, para o orgulho de seus cidadãos, no presente e para o futuro.”

“A Petrobrás e suas subsidiárias foram pensadas por brasileiros, criadas com apoio das Forças Armadas e desenvolvidas por seu corpo técnico, tendo a avaliação do mérito profissional a principal característica para a formação de seus quadros, sem trocas de favores, com rígido controle do Manual de Contratação, permanente auditagem interna dos negócios e ampla liberdade para contradizer ou denunciar qualquer fato estranho às normas. Causa vergonha e revolta assistir aos fatos recentes de corrupção dentro da empresa que, ao final, e talvez como causa planejada, servem para alimentar a desmoralização de sua respeitada história e o esquartejamento de sua estrutura empresarial.”

A BR Distribuidora, a segunda maior empresa brasileira, apenas menor do que a própria Petrobrás, foi vendida como imóvel. Incrível, porém verdadeiro.

O Conselho de Administração da Petrobrás aprovou a venda das ações ordinárias fixando o valor de cada ação em R$ 26. Em 11 de junho de 2021, a Petrobrás pediu à BR Distribuidora para realizar a oferta pública secundária da venda dos remanescentes 37,5% do capital social que detinha na Distribuidora. Há quatro anos, a Petrobrás vinha vendendo as ações da Distribuidora, sem levar em consideração o imenso valor da marca, ativo muito mais valioso do que os imóveis onde estocava e vendia os derivados de petróleo. Na realidade, a desestatização da Distribuidora já ocorrera em julho de 2019, quando a participação da Petrobrás foi reduzida de 71% para 41%.

Palavras recentes do economista Sylvio Massa: “A logomarca BR Distribuidora Petrobrás vem sendo indevidamente, independente do instrumento legal aplicado, usada pela atual empresa (Vibra Energia), configurando que a Petrobrás participa de farsa junto ao publico consumidor, pois talvez os produtos ali comercializados não tenham origem na produção da própria Petrobrás. Um mau serviço prestado no posto pela atual empresa recai sobre a logomarca com o nome Petrobrás. Buscar a retomada da logomarca é um sinal de que a atual administração da Petrobrás dá o primeiro passo para resgatar esse patrimônio construído em confronto com as multinacionais.”

Não só o Estado Nacional se esvai, como se torna vítima e ator de ato farsante, de improbidade e imoralidade empresarial. É um triunfo neoliberal.


As agências reguladoras e o BC

Excertos de “Todas as agências e o Banco Central”, artigo de Vivaldo Barbosa escrito em 26/3/2023: “No governo Fernando Henrique, o neoliberalismo exacerbado praticado levou à instituição de diversas agências, chamadas reguladoras, que cuidariam de fiscalizar, acompanhar, fixar políticas para diversos setores de infraestrutura, de telefones, energia a petróleo e outros. Estas agências ficariam destacadas dos órgãos de governo e das orientações políticas e administrativas do Governo Central.”

“Seus dirigentes seriam nomeados pelo governo, algumas necessitando de aprovação pelo Congresso Nacional, mas teriam mandato fixo, não podendo ser destituídos ou demitidos pelo governo, nem pelo presidente. Teriam a incumbência de lidar com os gigantes da telefonia, energia, petróleo, financeiro e outros.”

“As agências que se destacam do governo, que se destacam das estruturas dos ministérios, perdem esse condão de ligação com os ministros, ou o tem mais atenuado, mais esmaecido, e, em consequência, com o presidente. Esta é a essência do projeto neoliberal implantado no Brasil: enfraquecer a autoridade do presidente da República, afastá-lo da sua linha de compromissos com a nação. É minar a democracia, transmitir a sensação de que pouco adianta o povo votar, pois as questões fundamentais da economia e da vida das pessoas serão decidas em outras esferas.”

“Na questão do Banco Central e dos juros, estas questões ficaram mais evidentes. Como o presidente Lula colocou o dedo na ferida e sentiu sua autoridade ser minada por gente sem a mínima autoridade ou legitimidade, clareou-se melhor este ambiente neoliberal de enfraquecimento da soberania, do poder do voto, da capacidade de governar do presidente.”

Como tirar a camisa de força neoliberal

Nestes mais de 40 anos, uma geração, de governos neoliberais ou coniventes, o brasileiro vem perdendo a noção de sua Pátria, de sua nacionalidade. Um dos porta-vozes neoliberal, o megafinancista George Soros (György Schwartz, ao nascer), afirmou que seu maior inimigo era o nacionalismo. Observem, leitores, não era o comunismo, que nem mais existe como força política, não eram os pobres e negros, que assombram a classe média, não eram os petistas, que são seus aliados em muitas ocasiões, mas aqueles que colocam sua Pátria como a maior referência, como objeto de seu trabalho e zelo.

Ser nacionalista é saber impor a vontade nacional. A República Popular da China (RPCh) nos dá um exemplo, não um modelo, para que reflitamos. Em sua história, ocorreu um século de humilhações, quando potências europeias, os Estados Unidos da América (EUA) e mesmo o asiático Japão tratavam os chineses como cães, como se lia em aviso à porta de clube inglês: “Proibida a entrada de cachorros e chineses”.

Imbuídos de forte nacionalismo, com aprofundado conhecimento da história e do idioma, a RPCh é hoje potência, talvez a maior do Planeta. Falta-nos, a nós brasileiros, em primeiro lugar o conhecimento de nossa história.

E nela encontraremos a luta permanente, não de direita e esquerda, não de operários e patrões, não de classe, onde por quase quatro séculos dominou a escravidão legal, mas de internacionalistas e liberais.

Surpreso? É esperado.

Como vê o brasileiro o historiador Capistrano de Abreu (1853–1927)? Um alienado: “Ligados pela comunidade ativa da língua e passiva da religião, moldados pelas condições ambientais de cinco regiões diversas, não se prezando, porém uns aos outros de modo particular — eis em suma a obra de três séculos” (Capítulos de História Colonial). E Pandiá Calógeras (1870-1934)? “O Brasil tem-se dedicado com o sentimento profundo de nunca perder sua individualidade, tanto espiritual como social, de um grande povo católico. Estamos íntima e inabalavelmente decididos a nunca deixar de ser o que somos” (Formação Histórica do Brasil) Um estúpido?!. E Gustavo Barroso (1888-1959)? “Proclamada a Independência, o primeiro cuidado de D. Pedro I foi tornar, pelos seus distintivos e uniformes, os soldados brasileiros completamente diferentes dos portugueses” (História Militar do Brasil). Um ser superficial.

E os marxistas brasileiros? Caio Prado Júnior (1907–1990): “A situação (brasileira) é efeito e causa da inconsistência política, da ineficiência em todos os setores e escalões da administração pública, dos desequilíbrios sociais, da crise econômica e financeira vinda de longa data e mal encoberta durante curto prazo por um crescimento material especulativo e caótico, da insuficiência e precariedade das próprias bases estruturais em que se assenta a vida do país” (A Revolução Brasileira). A foto está tirada, mas como foi construída esta paisagem?

Florestan Fernandes (1920–1995): “O êxito (da mudança) depende da congruência que existe entre a inovação e a situação social considerada. Nesse sentido, é possível facilitar a aceitação de um traço cultural novo e obter condições para seu funcionamento normal” (Mudanças Sociais no Brasil). Dependemos de boa vontade? Será isso? Ou apenas uma revolução violenta, com mortes em todas facções, corrigiria o Brasil?

A educação, como compreendida pelos nacionalistas brasileiros Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, que nos dará independência e soberania. É a razão dos nomes destes grandes políticos estar fora da história, das edições, dos discursos neste período neoliberal.

Lembremos que José Gaspar de Francia, El Supremo, ao falecer em 20 de setembro de 1840, deixou o Paraguai sem um único analfabeto. As potências colonizadoras precisaram unir três países sul-americanos e o grande império onde o sol nunca se punha para destruir seu País.


*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, é o atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet).

Argentina: não há como resgatar sistema financeiro mundial

Terça, 28 de março de 2023
                                           Alberto Fernández (foto Xinhua)

Do MONITOR MERCANTIL
27 de março de 2023

A mídia financeira insiste em taxar de falida a Argentina do presidente Alberto Fernández. Em discurso na 28ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo Ibero-americanos em Santo Domingo, República Dominicana, neste final de semana, o presidente argentino contra-atacou: “Como vão as coisas, com tanta concentração financeira, com tantos jogos especulativos, devemos entender que não deve haver mais resgate do atual sistema financeiro. Devemos mudar isso drasticamente.” A realidade, continuou, é que “a globalização está em crise, parece frágil, e o capitalismo financeiro faz tremer a economia”.

Os comentários de Fernández clamam pela implementação das propostas do Instituto Schiller para uma nova arquitetura de segurança e desenvolvimento e o apelo da presidente do Instituto, Helga Zepp-LaRouche, para uma conferência internacional de emergência para reorganizar o sistema financeiro falido.

Em reportagem do Monitor Mercantil neste final de semana, Lorenzo Rocco, do Departamento de Economia e Gestão da Universidade de Pádua, afirmou que é improvável que o Credit Suisse seja o último grande banco europeu a cair sob pressão durante a atual crise. “Ainda podemos ver grandes consequências para outros bancos”, disse Rocco.

A situação internacional, disse Fernández, “é caracterizada por níveis elevados e insustentáveis de endividamento que condicionam o crescimento de nossas nações. As taxas de juros e sobretaxas que o Fundo Monetário Internacional impõe aos países endividados são abusivas”. É necessário, portanto, “aumentar a transparência das instituições financeiras internacionais e lutar por um maior acesso a facilidades de crédito para promover o crescimento e o desenvolvimento e não a especulação”.

«Quem não está sentado à mesa do banquete, faz parte do menu»

Terça, 28 de março de 2023

Perspectivas para uma África financeiramente soberana


A África está em crise — tal como o resto do Mundo, mas África está particularmente mal preparada para enfrentar a crise:

  •  com uma dívida pública externa que voltou a atingir recordes, num momento em que os bancos centrais dos países do Norte aumentam continuamente as taxas de juro;
  •  com sistemas monetários cuja rigidez ou a predisposição para a inflação paralisam a acção política;
  •  e, por fim, com zonas do continente minadas por diversos conflitos.


Do

Mas uma crise também pode abrir horizontes — as perturbações económicas e financeiras actuais podem representar um momento potencialmente favorável a reformas monetárias fundamentais. Da mesma forma, a crise energética, aliada à necessidade mundial de energia verde, poderia constituir uma nova base de negociação para África.

A segunda edição da Conferência sobre a Soberania Económica e Monetária de África decorreu em Dacar, de 25 a 28 de outubro de 2022, sob o tema «Como enfrentar a crise sócio-económica: desconectar e ressarcir». Na esteira da primeira edição (Tunes, novembro de 2019), os/as participantes tentaram por um lado analisar as condições monetárias e económicas que os países do Sul enfrentam, em particular em África, e por outro lado tentaram conceber estratégias para as ultrapassar. A tónica foi posta nas respostas pan-africanistas e internacionalistas à actual crise sócio-ecológica, baseadas em abordagens económicas heterodoxas, conforme detalhado nas apresentações de Howard Stein, da Universidade de Michigan, e Ingrid Kvangraven, do King’s College. O colapso das políticas públicas inspiradas pela economia mainstream/neoclássica é uma conclusão amplamente partilhada.

A conferência foi transmitida em linha e teve tradução simultânea em francês e inglês; reuniu uma centena de investigadores/as, activistas e representantes de organizações nacionais e internacionais. Os debates debruçaram-se sobre o conceito de desconexão, sobre as falhas do sistema financeiro mundial e seu papel na crise ecológica, bem como sobre a necessidade de ressarcimentos globais. [1]

A desconexão não é apenas uma utopia intelectual, mas também uma necessidade primordial para obter verdadeiras mudanças


1. A necessidade de desconexão

O conceito basilar que animou a conferência foi o de «desconexão», desenvolvido pelo economista franco-egípcio Samir Amin no seu livro La Déconnexion. Pour sortir do système mondial [A Desconexão. Para Sair do Sistema Mundial], publicado em 1985. O conceito inscreve-se na teoria da dependência, de origem principalmente latino-americana. Esta teoria procura explicar as desigualdades do desenvolvimento económico — a polarização — entre o centro do sistema capitalista e a periferia. No centro desse sistema, o Estado e a burguesia local dominam o processo de acumulação interna, enquanto na periferia as lógicas de acumulação económica estão submetidas a forças externas e às suas exigências. Face a esta situação, a desconexão, tal como foi formulada por Amin, consiste numa reconfiguração das relações económicas entre os países periféricos e os países do centro. Este processo não implica uma autonomização, mas antes a procura de um desenvolvimento autocentrado na periferia, graças a políticas centradas no objectivo de obter um domínio cada vez maior das condições de acumulação interna, ou seja, das políticas que permitam submeter as lógicas globais às prioridades domésticas.

Justiça reverte absolvição de acusado de tortura na ditadura militar

Terça, 28 de março de 2023

Ministério Público Federal recorreu contra decisão de anistiá-lo

Por Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro
Publicado pela Agência Brasil em 27/03/2023 - 23:50 

O desembargador federal Paulo Cesar Morais Espírito Santo, da Primeira Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) acatou, nesta segunda-feira (27), o recurso do Ministério Público Federal (MPF) para mudar a sentença da Justiça Federal, tornando réu o sargento do Exército Antonio Waneir Pinheiro de Lima. O militar foi acusado de, em 1971, sequestrar, manter em cárcere privado e estuprar Inês Etienne Romeu na chamada “Casa da Morte”, em Petrópolis, região serrana do Rio. O local era um centro clandestino de detenção durante a ditadura militar.

Em 2017, Antonio Waneir havia sido absolvido sumariamente dos crimes de tortura e estupro. O magistrado da 1ª Vara Criminal de Petrópolis entendeu que o réu “estava amparado pela Lei da Anistia”. Com a decisão, a ação penal retorna à primeira instância e volta a tramitar.

No voto, o desembargador do TRF2 votou “no sentido de dar provimento ao recurso do MPF para reformar a sentença proferida pelo juízo de 1ª instância, afastando a absolvição sumária do réu em decorrência de extinção de punibilidade por força da Anistia, concedida por lei e determinar o prosseguimento da ação de tortura e estupro na Casa da Morte”.

Durante o julgamento do recurso do Ministério Público, o TR2 lembrou que o Brasil não pode anistiar crimes contra a humanidade. E mesmo que a Lei da Anistia (Lei nº 6683, de 1979), embora tenha sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, viola disposições da Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH), da qual o Brasil é signatário.

“[…] o Estatuto de Roma, do qual o Brasil igualmente é signatário, estabelece que os crimes contra a humanidade não são alcançados pela prescrição e nem pela anistia e observou que, em decorrência desse acordo, foi decretada e sancionada a Lei nº 12.528, de 2011, que instituiu a Comissão Nacional da Verdade”, explicou, na ocasião, desembargadora federal Simone Schreiber.
Cárcere

Militante da organização VAR-Palmares, que lutava contra o regime militar (1964 – 1985), e falecida em 2015 de causas naturais, Inês Etienne é reconhecida como a única sobrevivente da chamada Casa da Morte.

Segundo o processo, Inês Etienne Romeu foi levada à força e mantida por seis meses na Casa da Morte, até ser transferida, em novembro de 1971, para o Presídio Feminino Talavera Bruce, em Bangu, zona oeste do Rio, onde permaneceu até 1979, quando foi solta.

Edição: Marcelo Brandão

Movimentos sociais atribuem ataques a escolas a discurso de ódio

Terça, 28 de março de 2023
                                     © Fernando Frazão/Agência Brasil

Ação violenta de hoje [ontem] foi precedida por briga e ofensas racistas

Por Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil - São Paulo — Publicado pela Ag. Brasil em 27/03/2023 - 17h30 

É preciso debater a proliferação de discursos fascistas e de ódio para conter a violência que chega às escolas, avalia a Campanha Nacional pelo Direito à Educação (CNDE). O movimento, que reúne organizações da sociedade civil, emitiu uma nota lamentando o ataque ocorrido nesta segunda-feira (27) na Escola Estadual Thomazia Montoro, na zona oeste da capital paulista. Um estudante de 13 anos de idade matou uma professora a facadas e feriu mais três docentes e dois alunos.

“É importante ressaltar que o aumento de ideias e comportamentos fascistas, de extrema direita entre a população, de uma cultura de ódio, xenofobia e intolerância em suas mais variadas formas, contribuem diretamente para um cenário propício a atitudes cada vez mais violentas na sociedade, seja nas escolas, ou fora delas”, destaca a análise do movimento.

Para a CNDE, o problema é complexo e não será resolvido apenas com medidas de “segurança”. “O debate sobre a violência nas escolas não pode se limitar à segurança pública”, enfatiza o texto. “ A violência contra as escolas é reflexo de um conjunto de problemas estruturais na sociedade brasileira que têm sido amplificados por comportamentos e atitudes diametralmente opostos à construção de uma cultura de paz”, acrescenta.

segunda-feira, 27 de março de 2023

Sem limite de juros, população sofre com as altas taxas do sistema financeiro

Segunda, 27 de março de 2023


Notícia do Portal G1 nesta segunda-feira (27) traz uma série de dados do relatório de acompanhamento fiscal da Instituição Fiscal Independente (IFI), mostrando que as linhas de crédito consideradas “ruins” e “caras” (como o cheque especial e os juros do cartão de crédito) foram as que mais cresceram no mês de janeiro, quando comparadas ao ano passado. Publicado em 15 de março, o relatório mostra, por exemplo, que quem atrasa o cartão de crédito pode pagar, em média, 182% ao ano (se parcelar o pagamento) ou 411% ao ano (se entrar no rotativo), enquanto quem recorre ao cheque especial pode pagar juros médios de 132% ao ano (mas esse número pode passar dos 1000%).

A notícia conclui que ao invés da população estar conseguindo crédito barato para financiar um carro ou casa própria, as pessoas estão pegando dinheiro caro para pagar outras dívidas. Este é mais um resultado desta política de juros altos, que só nos leva ao aumento do endividamento e da inadimplência. Precisamos lutar pela aprovação do PLP 104/22, que vai limitar os juros de quaisquer contratos a 12% ao ano, ou o dobro da Selic, o que for menor, facilitando o acesso ao crédito para todos e todas e alavancando o crescimento do Brasil!

Acesse www.auditoriacidada.org.br/limitedosjuros, saiba mais sobre o projeto e vote na enquete oficial da Câmara! Seu apoio é fundamental!

#LimiteDosJurosJá #TemQueVirarLei

Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida





MAIS VISTOS DA SEMANA











Veja às 19h de hoje (27/3) O QUE O 'BANCO CENTRAL' INDEPENDENTE TEM ENTREGADO À SOCIEDADE? Participe da LIVE da Auditoria Cidadã da Dívida

Segunda, 27de março de 2023

Auditoria Cidadã da Dívida (ACD)

É daqui a pouco,  às 19 horas.

A live desta semana vai abordar o que o Banco Central tem entregado à sociedade desde sua “autonomia”, aprovada em 2021 por meio da Lei Complementar 179/2021, em plena pandemia, sem o devido debate e com flagrantes inconstitucionalidades.

O que aconteceu na economia brasileira desde então? Qual tem sido o papel do Banco Central na recessão que enfrentamos? Além da política monetária de juros altos que vem fortemente sendo criticada por autoridades da área, como o vencedor do prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, o que mais o BC tem entregado para a sociedade?
 
Afinal, o que a independência do Banco Central (BC) trouxe de positivo para a população brasileira? É isso o que vamos debater na próxima live da ACD, segunda-feira (27), às 19h, com a presença da coordenadora nacional Maria Lucia Fattorelli e do nosso economista, Rodrigo Ávila. É ao vivo, no Facebook e no canal da ACD no Youtube. Esperamos você!

Mês da Mulher: Imposto de Renda não incide sobre pensões alimentícias

Segunda, 27 de março de 2023


A decisão tomada pelo STF em 2022 beneficia, majoritariamente, as mulheres.

Do STF
Em decisão de junho de 2022, o Supremo Tribunal Federal (STF) afastou a incidência do Imposto de Renda (IR) sobre valores recebidos a título de alimentos ou de pensões alimentícias, decorrentes do direito de família. A decisão foi tomada, por maioria de votos, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5422, ajuizada pelo Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).

Um dos aspectos abordados no julgamento foi o fato de que, na maioria dos casos, a guarda dos filhos menores é concedida à mãe. Assim, a incidência do Imposto de Renda sobre a pensão alimentícia acaba por afrontar a igualdade de gênero, pois penaliza mais as mulheres - que, além de criar, assistir e educar os filhos, ainda devem arcar com os ônus tributários dos valores recebidos.

Bitributação camuflada

Prevaleceu o voto do relator, ministro Dias Toffoli, no sentido de que as parcelas não se configuram como renda nem como proventos da pessoa que as recebe. Para o relator, a legislação provoca uma bitributação camuflada e sem justificação legítima, violando, assim, a Constituição.

Mês da Mulher: empregada com contrato temporário também tem direito à licença-maternidade

Segunda, 27 de março de 2023


O STF garantiu o direito ao benefício a uma professora contratada pelo Estado de Santa Catarina.

Do STF
Decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), de junho de 2005, assegurou o direito à licença-maternidade a uma professora grávida de oito meses, contratada no regime temporário. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 287905, o colegiado observou que foram celebrados sucessivos contratos temporários com o mesmo empregador entre fevereiro e dezembro de 1997. Este é um dos precedentes que formaram a jurisprudência do Tribunal nesse sentido.

No julgamento, a Turma negou provimento ao recurso interposto pelo Estado de Santa Catarina contra decisão do Tribunal de Justiça estadual (TJ-SC) que havia assegurado à professora o usufruto da licença-maternidade, com todas as vantagens decorrentes do artigo 7º, inciso XVIII, da Constituição Federal e do artigo 10, inciso II, alínea "b", do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Esse último dispositivo proíbe a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante, desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto.

MPDFT quer restabelecimento de atendimento odontológico nas unidades de internação

Segunda, 27 de março de 2023

Ação pede que serviço volte a ser oferecido em até 120 dias

Do MPDF
A Promotoria de Justiça de Execução de Medidas Socioeducativas (Premse) ajuizou, em 6 de março, ação civil pública para obrigar o Distrito Federal a restabelecer o funcionamento dos consultórios odontológicos das unidades de internação. Os jovens não têm acesso a atendimento odontológico desde 2018, embora todas as unidades tenham consultórios e equipamentos.

Na ação, a Premse pede que o atendimento seja restabelecido em até 120 dias. Além de realizar as reformas necessárias nos consultórios e a manutenção nos equipamentos, o Distrito Federal deve também providenciar dentistas e técnicos para atender os jovens em cumprimento de medida socioeducativa.

De acordo com a Premse, existe grande demanda reprimida por atendimento odontológico nas unidades de internação. Os jovens são orientados a resistir à dor ou a usar analgésicos. A demora pode mesmo levar ao agravamento da condição de saúde dos adolescentes.

Processo: 0701348-98.2023.8.07.0013

Eleições 2020: hackers que invadiram sistema do TSE tornam-se réus

Segunda, 27 de março de 2023

Além de obter dados sigilosos de servidores e publicá-los na intranet, o grupo tentou prejudicar o funcionamento do aplicativo e-Título no dia da votação

Do MPDF
A Justiça Eleitoral aceitou denúncia contra quatro envolvidos na violação do sistema de informática do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2020. Junto com um adolescente, os quatro participavam de grupos hackers responsáveis por ataques cibernéticos realizados a partir de outubro daquele ano.

Os quatro responderão por associação criminosa. Três deles também são réus pelos crimes de invasão de dispositivo informático; desenvolver ou introduzir programa capaz de alterar sistema de dados do serviço eleitoral; e corrupção de menores. Desses, dois respondem, ainda, pelo crime de promover desordem que prejudique os trabalhos eleitorais.

Brasil tem mais de 270 animais exóticos que ameaçam biodiversidade

Segunda, 27 de março de 2023
                                           Foto: Vitor Abdala/Agência Brasil

Espécies são monitoradas desde 2005 e incluem grande variedade

O Brasil convive com 272 animais exóticos invasores em seus diversos ecossistemas, segundo base de dados do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental. A organização não governamental monitora, desde 2005, espécies consideradas exóticas por não pertencerem originalmente àquele local e invasoras porque se reproduzem e se espalham, de forma descontrolada, ameaçando a biodiversidade da área.

São animais pouco conhecidos do grande público, como o lagarto anolis-marrom (Anolis sagrei), a caranguejola (Cancer paguros) e o coral-sol (Tubastrea sp.), mas há outros mais famosos como os onipresentes cães (Canis familiaris), gatos domésticos (Felis catus) e pombos-comuns (Columba livia)

E eles chegam por aqui, trazidos pelo homem de diversas formas, seja acidentalmente por meio de navios e plataformas de petróleo, seja propositalmente, para servir como fonte de alimentação, como estoque para pesca/caça esportiva ou como animais de estimação.

domingo, 26 de março de 2023

TODAS AS AGÊNCIAS E O BANCO CENTRAL

Domingo, 26 de março de 2023

Vivaldo Barbosa

TODAS AS AGENCIAS E O BANCO CENTRAL

No Governo Fernando Henrique, o neoliberalismo exacerbado praticado levou à instituição de diversas agências, chamadas reguladoras, que cuidariam de fiscalizar, acompanhar, fixar políticas para diversos setores de infraestrutura, de telefones, energia a petróleo e outros.

Estas agências ficariam destacada dos órgãos de Governo e das orientações políticas e administrativas do Governo Central. Seus dirigentes seriam nomeados pelo Governo, algumas necessitando de aprovação pelo Congresso Nacional, mas teriam mandato fixo, não podendo ser destituídos ou demitidos pelo Governo, nem pelo Presidente.

Teriam a incumbência de lidar com os gigantes da telefonia, energia, petróleo, financeiro e outros.

A República brasileira é presidencialista, vencemos a parada na Constituinte, o Presidente é o chefe do governo da nação, é eleito pelo povo, desfruta de investidura popular, representa a soberania popular, cumpre mandato de Governo de acordo com seus compromissos assumidos perante o povo, a ele deve contas.

O Presidente delega a seus ministros as tarefas do cumprimento dos seus compromissos de governo, os Ministros falam pelo Presidente, estão investidos do poder a eles atribuído pelo Presidente, exercem em suas áreas a força e o poder da investidura popular do Presidente. Assim, podem dialogar com as diversas áreas da economia e outros setores da sociedade, inclusive os gigantes que atuam na economia, nacionais e internacionais, e fixar políticas para serem por eles seguidas.

As agências que se destacam do Governo, que se destacam das estruturas dos Ministérios, perdem esse condão de ligação com os Ministros, ou o tem mais atenuado, mais esmaecido, e, em consequência, com o Presidente.

Esta é a essência do projeto neoliberal implantado no Brasil: enfraquecer a autoridade do Presidente da República, afastá-lo da sua linha de compromissos com a nação. É minar a democracia, transmitir a sensação de que pouco adianta o povo votar, pois as questões fundamentais da economia e da vida das pessoas, em consequência, serão decididas em outras esferas. Pode-se dizer que isto é mais antidemocrático do que os esbirros inconsequentes do Bolsonaro e de seus amotinados e depredadores.

Na questão do Banco Central e dos juros estas questões ficaram mais evidentes. Como o Presidente Lula colocou o dedo na ferida e sentiu sua autoridade ser minada por gente sem a mínima autoridade ou legitimidade, clareou-se melhor este ambiente neoliberal de enfraquecimento da soberania, do poder do voto, da capacidade de governar do Presidente.

Convenhamos que um Presidente que não pode tocar nos juros, no câmbio e na moeda, como governar dentro do seu programa aprovado pelo povo de desenvolvimento, emprego, distribuição da renda e em defesa da economia nacional e da soberania? Como tratar a energia como questão estratégica, como evidenciado pela questão de guerra agora na Ucrânia, sem a Eletrobras?

O Trabalhismo e o Nacionalismo sempre tiveram visão muito clara sobre o respeito ao voto.

Como se sabe, a luta do povo brasileiro vai muito além de participar das eleições.

VIVALDO BARBOSA

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Vivaldo Barbosa foi deputado federal Constituinte e secretário da Justiça do governo Leonel Brizola, no Rio de Janeiro. É advogado e professor aposentado da UNIRIO

Jurista celebra "inédito" recurso da Defensoria na Justiça Militar em caso de estupro por PMs

Domingo, 26 de março de 2023

Antes do recurso, um dos PMs havia sido absolvido e o outro condenado a sete meses de prisão - Foto: Divulgação/SSP

Justiça Militar reverteu decisão de absolvição e condenou dois PMs por estupro em viatura no litoral de São Paulo

Igor Carvalho
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 26 de Março de 2023

No dia 20 de março deste ano, o Tribunal de Justiça Militar (TJM), atendendo um recurso da Defensoria Pública de São Paulo, decidiu condenar dois policiais militares pelo estupro de uma mulher, dentro de uma viatura, em São Vicente, no litoral paulista. O crime ocorreu em junho de 2019.

Antes do recurso, um dos PMs havia sido absolvido e o outro condenado a sete meses de prisão. O Ministério Público do Estado de São Paulo não recorreu da decisão, apesar das provas robustas e do depoimento da vítima.

Então, a Defensoria Pública entrou com recurso pedindo a revisão da sentença. Agora reformada, a decisão da Justiça Militar foi pela condenação de ambos a 16 e 7 anos de prisão.

Em entre vista ao Brasil de Fato, Paula Ravanelli Losada, procuradora do município de Cubatão e fundadora da Associação de Juristas pela Democracia (ABJD), classificou o recurso da Defensoria Pública como uma medida “inédita” e celebrou a decisão. “Fez-se justiça.”

Confira a entrevista na íntegra:

Brasil de Fato: A senhora entende que houve omissão do Ministério Público, quando não recorreu da primeira decisão do Tribunal de Justiça Militar?

Paula Ravanelli Losada: Com certeza, o juiz e o promotor erraram. O juiz ao absolver os policiais e o promotor de justiça (Ministério Público) ao se conformar com essa decisão absurda. Cabe ao Ministério Público mover a ação penal, por isso mais que uma omissão, ao deixar de recorrer da sentença absolutória, eu entendo que houve negligência do Ministério Público no exercício da sua função constitucional que é a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.

O quão rara é essa intervenção da Defensoria na Justiça Militar?

É inédita! Em geral, a Defensoria Pública atua na defesa dos réus e não das vítimas. Esse é justamente o papel do Ministério Público na ação penal. Porém, diante da ausência do Ministério Público, a Defensoria Publica teve que agir na defesa da ordem jurídica e de toda a sociedade.

O que a senhora achou da primeira decisão?

Considero ela absurda, um escárnio. Porém, acho mais legal você me perguntar o que eu acho da decisão do tribunal. Aí cabe a minha resposta.

E a decisão reformada?

A decisão do Tribunal de Justiça Militar que reverteu a absolvição e condenou os policiais só merece aplausos, pois fez-se justiça! Essa decisão abre um precedente importantíssimo, ao reconhecer a possibilidade de atuação da Defensoria Pública na defesa dos direitos e garantias individuais violadas pelo próprio Estado. Muito importante essa reparação, não apenas para a vítima, mas para todas as mulheres.

Edição: Vivian Virissimo

Economia: tudo o que falta mudar

Domingo, 26 de março de 2023

Economia: tudo o que falta mudar

Num seminário histórico, pensadores de relevo internacional reunidos pelo BNDES sugerem: país continua refém do rentismo. Juros impostos pelo BC são sabotagem. Mas há saída — em políticas que o ministério da Fazenda ainda resiste em adotar

OUTRASPALAVRAS


Publicado em OUTRASPALAVRA EM 24/03/2023 às 20:13 — Atualizado 26/03/2023 às 07:39

Imagem: Dana Schutz

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A íntegra às gravações ao seminário Estratégias para o Desenvolvimento no século XXI está disponível em dois vídeos [20/03 e 21/03]. O texto a seguir não se propõe a resenhar o evento, mas a destacar suas contribuições essenciais ao debate sobre a reconstrução nacional

A muralha de silêncio erguida para que o Brasil mantenha-se tão desigual e regredido foi vazada brevemente esta semana. Pensadores convidados pelo economista André Lara Resende sustentaram, num seminário promovido pelo BNDES(1) em 20 e 21/3, ao menos quatro ideias esperançosas, e contrárias à ortodoxia econômica que sufoca o país há muito. Num Ocidente mergulhado em crise civilizatória e acossado pelo fascismo, afirmam eles, um processo de reconstrução nacional com redução das desigualdades, desencadeado por aqui, pode ter repercussão global. O prestígio internacional de Lula é um catalisador muito potente.

Falta romper obstáculos. A taxa de juros obscena mantida pelo Banco Central em favor do rentismo é o primeiro – mas não o único. Ao invés de lançar sinais de bom-mocismo ao BC e aos oligarcas financeiros, o governo federal pode, por meio do ministério da Fazenda, fazer a sua parte. Significa multiplicar o investimento público, em duas direções complementares: serviços públicos e infraestrutura. Além de melhorarem as condições de vida da população, desfazendo a sensação de desamparo que alimenta o fascismo, estas ações são capazes de gerar milhões de postos de trabalho.

De onde virão os recursos? Não faltam ao Estado — que emite todos os anos centenas de bilhões de dólares não previstos no Orçamento, para pagar juros ao 0,1% — condições de financiar este movimento. Mas no seminário surgiu uma ideia suplementar. Num ambiente parlamentar fisiológico, em que cada mínima elevação do gasto público é negaceada por deputados e senadores em busca de “compensações” pelos seus votos, talvez um tipo específico de capital externo tenha papel acelerador. A visita de Lula à China, a ser remarcada, ajudará a testar a hipótese.


* * *

A ambição do seminário, de arejar um debate econômico marcado pelo marasmo e pelos dogmas, ficou clara já nas intervenções de abertura. André Lara Resende, em cujo currículo está a condição de cocriador do Plano Real, fez uma das provocações essenciais [veja no vídeo 1, entre 1h14m22 e 1h26m20]. Lembrou que a teoria não pode permanecer cega aos fatos novos e marcantes ocorridos nos últimos anos. Referia-se à criação maciça de dinheiro pelos Estados, para salvar o sistema financeiro na crise de 2008 e na pandemia. Este movimento não provocou inflação – frisou ele – e desmente a velha teoria quantitativa da moeda, base teórica usada como pretexto pelos bancos centrais do Ocidente para elevar as taxas de juros. Uma nova concepção, prosseguiu André, precisa rever o viés antiestatista, que marcou os anos do neoliberalismo, e perceber que a ação de um “Estado competente” tornou-se cada vez mais essencial para ativar as economias, livrá-las do peso do rentismo e voltá-las à realização dos objetivos éticos das sociedades. (Vale acompanhar uma exposição mais detalhada das ideias do economista, em aula seminal que ele proferiu na Unicamp, a convite da professora Simone Deos, em 2022).

A mudança nos rumos do debate macroeconômico, que tarda tanto em chegar ao Brasil, foi realçada na intervenção de Joseph Stiglitz, Nobel de Economia, que fez questão de vir ao seminário em pessoa e dialogou diretamente com Lara Resende [vídeo 1, de 1h26m30 até 2h06m25].“Há hoje a compreensão profunda de que os mercados, sozinhos, não solucionam os problemas das sociedades – nem os da economia”, frisou ele. Na revisão das velhas teorias, acrescentou, algumas mudanças estão ficando claras. Os países que seguiram o neoliberalismo estagnaram. E a crença no “trickle-down” – ou seja, a ideia de que o dinheiro despejado no topo da pirâmide social escorreria para o conjunto da sociedade – fracassou inteiramente. Ela só resultou em mais desigualdade. “É ótimo”, avançou o pesquisador, “que um novo governo Lula possa assumir sob os novos ares”.