Quarta, 22 de abril de 2026
Antissionismo e Antissemitismo: distinções didáticas
Criticar o sionismo é condenar um projeto político, não o povo judeu. Muitos sionistas influentes sequer são judaicos: a extrema direita, no Brasil, é um exemplo. E a principal força antissemita, hoje, é Israel – que dá continuidade a uma tradição do Norte global
Por Paulo Nogueira Batista JrPublicado 22/04/2026
Foto: Gaby Schutze
“O povo israelense e seu exército converteram-se em
rentistas do Holocausto”.
José Saramago
Volto a um tema que tem dado panos para manga. Qual o ponto essencial do debate sobre antissemitismo e antissionismo no mundo? Talvez seja a confusão desonesta e perigosa que os sionistas — um poderoso lobby transnacional — tentam fazer entres os dois fenômenos. A confusão é grande e tem sido manipulada para perseguir e assediar juridicamente críticos do sionismo e de Israel. Abundam acusações falsas de antissemitismo, feitas com o propósito de blindar Israel e o sionismo contra críticas não só legítimas, como também necessárias. Saramago, para citar um exemplo ilustre, foi acusado de antissemitismo pela frase citada em epígrafe.
No Brasil, há muitos intelectuais que escrevem com grande competência sobre esse tema — entre outros, Paulo Sergio Pinheiro, Reginaldo Nasser, Cláudia Assaf, Arlene Clemesha, Breno Altman, Glenn Greenwald e Bruno Huberman. Os três últimos são de origem judaica.
Apoiando-me em parte nas contribuições desses intelectuais, vou tentar esclarecer didaticamente a diferença entre antissemitismo e antissionismo, ainda que correndo o risco de resvalar para o óbvio ululante. Repisar o óbvio pode parecer desnecessário e ofensivo, reconheço. Mas, como dizia Nelson Rodrigues, o óbvio deve ser cultivado, pois ele sempre teve e terá inimigos implacáveis, refletindo uma mistura de burrice, ideologia e interesses escusos.