Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

O início, o fim e o meio

Quarta, 19 de janeiro de 2022

O início, o fim e o meio

Por Felipe Quintas e Pedro Augusto Pinho.
Redação do Monitor Mercantil
Publicado no Monitor Mercantil em 18 De Janeiro De 2022


O Brasil, fora curtos momentos históricos, sempre foi uma colônia de estrangeiros

O espírito livre e rebelde de Raul Seixas e Gita nos inspiraram para o título destas considerações organizacionais brasileiras.

O ano de 2022, com eleições nacionais e estaduais, em momento de miséria, fome, doença, muita desesperança e pouca perspectiva, é ideal para surgimento de profetas, mágicos, vigaristas, pessoas sem saber nem pudor, prontas para açambarcar o que puder, da presidência da República à ocupação na Assembleia Legislativa.

O primeiro passo preventivo é o diagnóstico seguro, coerente, com bases factuais, dados corretos e fontes confiáveis. Com estas informações será possível elaborar o diagnóstico adequado, a luz das metodologias disponíveis.

Mas faltará a terapia que só o povo, consciente e mobilizado, com liderança verdadeiramente patriótica poderá proporcionar.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

Em meio a #Covid19, distrital do Novo faz convite aberto para Happy Hour

Terça, 18 de janeiro de 2022
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

Mesmo diante do agravamento da Pandemia da Covid, a distrital Julia Lucy (Novo), já em campanha para o pleito de 2022, foi até a cidade do Gama e em suas redes sociais, postou vídeo convidando os apoiadores a encontrá-la, às 19h30 horas, no Sarará Bar. O convescote já tem até embalagem de marketing: “Happy-hour com a Lucy”.


Por Chico Sant’Anna

A deputada distrital Julia Lucy (Novo) tem sorte de não ser uma parlamentar britânica. Caso contrário, poderia estar na mesma saia-justa do primeiro ministro da Grã-Bretanha, Boris Johnson. O chefe de estado de uma das nações mais poderosas do planeta, pode vir a perder o cargo por conta de festinhas e happy-hours que ele e sua equipe promoveram em plena Pandemia da Covid. Lucy vai pelo mesmo caminho. Ignora o risco que a nova onda da ômicron e promove publicamente happy hours. O último, foi no Gama, na sexta-feira, 14 de janeiro.

Leia também:

A distrital, já em campanha para o pleito de 2022, foi até aquela cidade satélite e em suas redes sociais, postou vídeo convidando os apoiadores a ir encontrá-la, às 19h30 horas, no Sarará Bar. O convescote já tem até embalagem de marketing: “Happy hour com a Lucy”. “Minhas atividades são políticas, transparentes e absolutamente dentro da lei. Estou tranquila” – diz a parlamentar.

Leia a íntegra

LUTA ANTIRRACISMO —Em dia de homenagens a Martin Luther King Jr., filhos pedem ação por reforma eleitoral

Terça, 18 de janeiro de 2022
Família de ativista racial dos Estados Unidos pede para que a população pressione o Congresso a aprovar propostas

Eloá Orazem
Brasil de Fato | Los Angeles (EUA) | 18 de Janeiro de 2022

O discurso mais famoso do ativista Martin Luther King Jr. começava com "eu tenho um sonho". No entanto, uma das falas mais poderosas do líder do movimento civil nos EUA, assassinado aos 39 anos em 1968, foi outra, e pôde ser ouvida um ano antes de sua morte.

Em 1967, o reverendo leu em alto e bom som o texto intitulado "Nos dê uma cédula". Nele, King Jr. diz às autoridades: "nos dê uma cédula eleitoral e nós não teremos mais que nos preocupar com o governo federal em relação aos nossos direitos básicos; nos dê uma cédula e nós encheremos o legislativo com homens de boa vontade".

As forças que disputam o Brasil

Terça, 18 de janeiro de 2022

Escrito por Pedro Augusto Pinho
18 Janeiro
A ignorância política é dos mais desejados objetivos dos poderes, em relação à população que dominam

Graças à ignorância política o cidadão abre mão da sua cidadania, pois desconhece seus direitos como pessoa humana e como pertencente a um Estado, isto é, à estrutura de poder que tem obrigações com ele.

São inúmeros os artifícios, fraudes, falácias de que se valem os poderes para que esta ignorância política seja a mais ampla e entranhada, firme e duradouramente, na mente das pessoas. E que não se misture com as habilidades operacionais, ou seja, o ignorante político é capaz de resolver complexos problemas técnicos, em qualquer área de conhecimento.

Isto constitui verdadeiro presente para os veículos de comunicação de massa, que saem entrevistando em centros de pesquisa, hospitais, universidades e divulgam de doutores, cientistas, professores platitudes, banalidades de corar de vergonha um analfabeto mandarete de vila perdida no interior do país.

Exemplo desta doutrinação, hoje, no início da terceira década do século XXI, é dizer que o maior perigo para o Brasil é o comunismo. E quantos dizem, repetem e afirmam com convicção esta sandice!

Procuremos entender quais as forças que disputam o poder no mundo e no Brasil, e de quais recursos elas dispõem e poderemos então nos posicionar em favor de nós mesmos: brasileiros trabalhadores, ou seja, desta maioria absolutamente expressiva, quase a totalidade nacional, que vive do seu trabalho e necessita estar apto para executá-lo e que a economia esteja necessitando desta contribuição permanentemente.

Até pouco mais da metade do século passado, anos 1960-1970, as forças que disputavam o mundo e o Brasil eram distintas das que nos pressionam agora.

O mundo viveu um período de expansão, de crescimento, desde o fim da II Grande Guerra. Três correntes procuravam conduzir este desenvolvimento socioeconômico: a capitalista, que tinha seu exemplo e orientação nos Estados Unidos da América (EUA), a socialista que tinha suporte nas ações da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e a terceira força, dispersa pela sua própria característica nacional, que tentara na Conferência de Bandung, na Indonésia, entre os dias 18 a 24 de abril de 1955, numa reunião de dirigentes e líderes asiáticos e africanos, articular a opção aos dois sistemas em aparente conflito.

Efetivamente não eram tão esquematizadas e simples as questões. Havia dentro do capitalismo dois grupos poderosos: o financeiro e o industrial. Do lado socialista havia as interpretações do socialismo, que buscavam na apropriação da ortodoxia marxista suas justificativas. Porém havia também soluções políticas que equilibravam o capitalismo com o fortalecimento dos trabalhadores, surgindo a socialdemocracia, a democracia cristã e outras correntes.

Como é óbvio, a bipolaridade ajudava aos EUA e à URSS e, consequentemente, tratavam de torpedear qualquer resultado positivo de Bandung e dos governos que procuravam a terceira via.

Hoje a situação é bastante diferente

As finanças, dentro do ideário político capitalista, foram vencedoras. Desde 1990 vem assumindo instituições internacionais, países e organismos multinacionais. Sua ideologia é o "mercado".

Ao "mercado" se opõe o poder nacional, que procura defender os habitantes de um país da sujeição a leis gerais, para as quais nada contribuíram ou não podem modificar.

Esta dualidade ficou absolutamente clara quando o megaespeculador Georges Soros, verdadeiro porta voz do "mercado", declarou que seu maior inimigo era o "nacionalismo".

Tratemos de aprofundar um pouco o que é "mercado" e o que significa "nacionalismo".

O "mercado" tem sua lei. Ela foi denominada "Consenso de Washington"; consenso de uma só pessoa, que sumarizou no decálogo as necessidades para tornar as finanças dona do mundo.

E passou a ser a verdade universal, abrangente, ilimitada, eclética e polivalente. Ou seja, para todos, o que não tem aplicação em lugar algum.

Consenso de Washington

O economista inglês John Williamson (1937-2021) desde 1968 trabalhou para as finanças inglesas. Nesta condição atuou no Fundo Monetário Internacional (1972-1974), no Banco Mundial (1996-1999) e lecionou em diversas universidades propagandeando o liberalismo financeiro. Com as desregulações dos anos 1980, as finanças entenderam que se deveria elaborar um conjunto de medidas para dar efetividade à "globalização". J. Williamson foi a pessoa de confiança que, ardilosamente, denominou Consenso de Washington, como se resultasse de um acordo, fruto de discussões que jamais ocorreram. Todos estavam em Washington para receber o "Decálogo", divulgá-lo e defendê-lo.

Já "nacionalismo" se direciona a quem está ao abrigo de uma nação, da mesma cultura, valores, história, que dá coesão aos habitantes, que se denominam cidadãos.

Temos, assim, de um lado apátridas, de outro cidadãos.

Estas são as opções do século XXI. Porém tão grande clareza não deixaria espaço para o poder do dinheiro. Então as finanças fazem o que sempre souberam fazer: corrompem e deturpam os fatos.

Corrompem o idioma, tirando o significado das palavras, prejudicando as comunicações, corrompem os valores fazendo do dinheiro o bem maior das pessoas, corrompem o trabalho tirando dele toda dignidade, toda a contribuição para sociedade, corrompem as famílias e as amizades fazendo de cada um o inimigo do outro, a competitividade sobrepondo as relações com o irmão, o colega, o vizinho, o amigo.

Corrompem a administração da justiça, como se vê nas decisões contraditórias e desvinculadas da própria legislação.

E dominam todas as mídias para construir uma realidade que não se vê, que se distancia do real e faz surgir o ambiente paranoico, hostil, que se constata no dia a dia de todas as sociedades.

Acaso é razoável entender, como ação normal, as pessoas entrarem nas agências bancárias, nos fins de semana, para inutilizarem os caixas eletrônicos? Independentemente da avaliação que se tenha da espoliação que os bancos, atores do sistema financeiro, apliquem nos clientes e usuários, são as pessoas comuns, que usam os caixas eletrônicos e não os bancos que são prejudicadas.

O domínio das finanças tem degradado a vida humana em todos os locais, em todas as camadas econômicas, sociais, culturais, e atingindo o psicossocial das pessoas. É o mundo artificial de um dinheiro que nem existe.

Podemos distinguir três categorias de ativos.

Ativos Reais. O Produto Interno Bruto (PIB) dos países que em 2020 foi estimado em 85 trilhões de dólares estadunidenses (USD). São imóveis, veículos, equipamentos domésticos, grãos, minérios, petróleo.

Ativos Financeiros. Deveriam representar ativos reais, mas são papeis de dívidas e representativos de bens estimados pelos aplicadores em mercados especulativos. As ações de empresas têm uma parte de seu preço fixado por critérios arbitrários como liquidez negocial, rendimento, demanda do papel etc. Na mesma base monetária dos Ativos Reais, estes seriam avaliados em USD 390 trilhões.

Derivativos. Papéis que derivam de outros papéis, como hipoteca de hipoteca, milésimo saco de milho ou barril de petróleo de um único efetivamente produzido. Estima-se haver 25 mais papéis derivativos do que bens efetivos. Ou seja, nas mesmas condições anteriores ter-se-iam USD 2.125 trilhões.

Estes valores só não são maiores pelo controle que a Federação Russa, países nacionalistas, como Cuba, Venezuela, Vietnã, Coreia do Norte, impõe a suas moedas, e pelas reservas da República Popular Chinesa.

Porém sempre haverá incerteza, a inquietação do dia seguinte, desde o trabalhador, que pode não mais encontrar trabalho, ao rentista que vê desaparecer suas aplicações de um dia para outro.

Não se enganem com as opções da mídia que repetem os interesses das finanças: o mal que efetivamente assombra a Nação vem das finanças, do capital sem pátria, depositado em não países, ou paraísos fiscais.

Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

Fonte: Pravda

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Itens relacionados

Jovens do Gama terão oficinas gratuitas de redes sociais, fotografia e DJ

Terça, 18 de janeiro de 2022


Evento itinerante Empreender Criativo oferece capacitação para 225 moradores da região administrativa do Gama. Inscrições vão até 23 de janeiro pelo site www.even3.com.br/empreendercriativo

Cada vez mais presente no mercado, o empreendedorismo criativo baseia-se na busca de realização pessoal e felicidade dos empreendedores, transformando suas paixões em negócios. A partir desse conceito, o evento de capacitação itinerante Empreender Criativo desembarca na região administrativa do Gama a fim de preparar jovens a partir de 16 anos por meio de três oficinas profissionalizantes gratuitas: Informática com Ênfase em Redes Sociais; Fotografia; e Disc Jockey (DJ).

Realizado pela entidade sem fins lucrativos Associação Luta pela Vida, o projeto tem como foco despertar o público para o empreendedorismo e incentivar a abertura de microempresas individuais (MEI). Desta forma, o Empreender Criativo beneficiará, nesta etapa do Gama, 225 pessoas: 100 no curso de informática, 100 no de fotografia e 25 no de DJ.

Editorial da AEPET: As vendas das refinarias RLAM, REMAN e SIX foram péssimos negócios

Terça, 18 de janeiro de 2022

EDITORIAL: As vendas das refinarias RLAM, REMAN e SIX foram péssimos negócios
17 Janeiro

Rosângela Buzanelli, votou contra todas estas vendas e enfrentou os abutres do conselho

As vendas das refinarias RLAM, REMAN e SIX foram péssimos negócios para a Petrobrás. A Petrobrás vendeu as refinarias na hora errada, num período em que o mercado de combustíveis estava retraído pela pandemia. Mais ainda, vendeu num momento em que os preços internacionais do petróleo estavam em baixa, devido a disputas geopolíticas entre Rússia, Arábia e Estados Unidos. A Petrobrás vendeu por preços ínfimos em relação ao seus valores reais, vendeu por preços baseados puramente no fluxo de caixa, sem levar em conta o mercado cativo de fornecimento de combustíveis garantido pela venda conjunta dos ativos logísticos associados às refinarias. A RLAM foi vendida por um valor 45 a 50% inferior à estimativa do cenário-base calculado internamente pela Petrobrás, considerando uma projeção de estabilização dos preços de petróleo a U$35 por barril. A subavaliação também foi apontada pela XP Investimentos e Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep). O seguro dos ativos das refinarias feito pela Petrobrás até 2025 prevê um valor superior aos preços de venda, não incluindo os ativos dos terminais, como tancagens e oleodutos vendidos conjuntamente.

O mercado de combustíveis alcançado pela RLAM, 14% do mercado nacional, principalmente os estados da Bahia e Sergipe, e outros na região norte e nordeste, sequer foi levado em consideração. A mesma coisa aconteceu com o mercado da REMAN que atende toda região norte e o Maranhão e representa aproximadamente 6% do mercado nacional de combustíveis. A Petrobrás perdeu imediatamente este mercado, e coloca em risco também a perda do mercado do Centro-Oeste do Brasil. Para penetrar novamente nestas regiões, a Petrobrás terá que investir em logística um valor substancialmente maior que o valor de venda das refinarias. Em outras palavras, a diretoria executiva e o conselho de administração atual da Petrobrás desistiram deliberadamente destes mercados por decisões ideológicas.

As vendas das refinarias foram péssimos negócios para os acionistas. Afetarão o fluxo de caixa líquido anual da Petrobrás na ordem de 3% a 5%, enquanto os dividendos distribuídos imediatamente com os valores de venda das refinarias não passaram de 2,5% do total de dividendos distribuídos anualmente. Do preço de venda, boa parte deverá ficar retido num fundo de garantia do passivo ambiental, enquanto o restante foi distribuído como dividendos para os acionistas. Nenhum centavo foi usado para abatimento de dívida ou reinvestimento. Ou seja, as vendas atenderam apenas os anseios dos acionistas minoritários, representados atualmente por abutres no conselho de administração.

As vendas das refinarias foram péssimos negócios para a Bahia e região norte porque retiraram totalmente a Petrobrás do mercado. A Petrobrás não tem mais penetração nesses mercados porque vendeu conjuntamente todas as logísticas associadas às refinarias. A RLAM foi vendida com o Terminal Madre de Deus e todos os oleodutos de petróleo e derivados, que integram a rede da refinaria ao Complexo Petroquímico de Camaçari e todos os quatros terminais no estado: Candeias, Itabuna, Jequié e Madre de Deus. A REMAN, os terminais e três portos de recebimento e entrega de derivados aos quais se liga foram também vendidos conjuntamente. Definitivamente, não haverá a garantia da isonomia de fornecimento às distribuidoras porque se havia um monopólio estatal, agora existe um monopólio privado sem qualquer controle do Estado ou da ANP. Ou seja, toda logística, terminal, tancagem, dutos nestas regiões ficaram com empresas financeiras, que sem competição com eventual outro produtor de combustíveis, maximizaria os preços. Em outras palavras, aos consumidores restarão a volatilidade e os altos preços dos combustíveis.

As vendas das refinarias foram péssimos negócios para o Brasil, porque foi apenas a troca de um fornecedor estatal por um único fornecedor privado na região, sem qualquer controle do Estado, levando definitivamente a perda da competitividade na cadeia de fornecedores. Os compradores não são produtores diretos de petróleo no Brasil ou em outra região. São empresas financeiras que comprarão petróleo ou derivados a preços internacionais, reduzindo a margem de lucro no processamento nas refinarias, e contabilmente no fornecimento para as distribuidoras. Logo, ocorrerá um lucro contábil mínimo, pagamento mínimo de impostos e preços máximos dos derivados.

A nossa representante no conselho de administração da Petrobrás, Rosângela Buzanelli, votou contra todas estas vendas, e enfrentou os abutres do conselho. Em seus votos, mostrou a cada membro do conselho as suas responsabilidades pelos péssimos negócios realizados e os impactos na Petrobrás e no Brasil, e apontou para negligência e as decisões ideológicas em cada votação do CA.

Agora, chegou sua hora de se posicionar se as vendas das refinarias foram péssimos negócios para a Petrobrás, acionistas, povo brasileiro e para o Brasil.

Posicione-se, vote 1000, vote Rosângela Buzanelli.
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

O Nacionalismo extraviado

Segunda, 17 de janeiro de 2022
EBC

17 Janeiro
Escrito 
por Paulo Timm

Sobretudo após a morte de Brizola, perdeu-se a defesa do nacionalismo no cenário político-ideológico nacional

À Zé Maria Rabello, in memoriam

Os mais velhos, octogenários —ou quase, como eu— que viveram os tensos anos do pós-guerra até o golpe de 1964, se ressentem, hoje, da ausência de debates e correntes políticas em defesa da soberania nacional. Não obstante, naqueles idos, como se depreende da Carta Testamento de Vargas e do discurso de despedida do Pres. João Goulart, ainda em território nacional, o nacionalismo era uma das fortes tendências no espectro das forças progressistas do país.

Leonel Brizola preservou este sentimento profundo de defesa dos interesses nacionais, mas acabou ironizado diante de sua persistente denúncia das "perdas internacionais." Mesmo aqueles que se sensibilizavam —e ainda se sensibilizam— com a leitura do livro "Veias Abertas da América Latina", de Eduardo Galeano, ou equivalentes para outros países e continentes do Terceiro Mundo, expressão que também desapareceu, como o de Franz Fannon, parece que não atinavam na importância do discurso brizolista. Mas ele insistia e fui testemunha de sua tentativa, feita no primeiro encontro dele com seus seguidores, no Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, em 1980, logo após o dia em que ele chorou a perda da sigla PTB, de incluir o "Nacionalismo" na nova sigla a ser criada, que seria o PDT.

REAJUSTE JÁ PARA TODOS OS SERVIDORES PÚBLICOS

Segunda, 17 de janeiro de 2022

A CUT-DF faz o alerta: sem reajuste desde o início do governo Bolsonaro e em luta incansável contra a Reforma Administrativa, servidores públicos de todo o país iniciam uma série de mobilizações referentes à campanha salarial da categoria, que exige a recomposição da inflação acumulada nos últimos três anos.


Amanhã (18/01) começa a agenda de lutas do conjunto de trabalhadoras e trabalhadores do funcionalismo, que vão entregar a Pauta de Reivindicações para o Governo.


Às 10h, a mobilização é em frente ao Banco Central e às 14h, os militantes se reúnem em frente ao Ministério da Economia (Bloco P).


As entidades que representam a categoria, dentre as quais o Sinpro-DF se encontra, planejam ainda outras atividades para o mês de fevereiro.


Fonte: SINPRO-DF

2022: ANO DE CENTENÁRIOS E DÉCADAS DO PÁTRIA LATINA A COMEMORAR

Segunda, 17 de janeiro de 2022
Pedro Augusto Pinho*

Neste ano o Brasil comemora o bicentenário da Independência. Para esta efeméride, há pouco o que festejar. Embora tenha sido produzido para nossa Pátria, pelo talento do Patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva, o primeiro Projeto para o Brasil, a mesquinhez e covardia dos Bragança impediram, com o golpe na Constituinte de 1823, sua efetivação. 

Os melhores momentos da construção nacional, a Era Vargas e seu prosseguimento com os governos militares de Médici e Geisel, estão atualmente em processo de total liquidação. Quer pela total displicência administrativa, quer pela intencional alienação aos interesses financistas estrangeiros. 

Para dar consistência a nossa afirmação confrontemos duas pesquisas sobre os gastos com necessidades básicas da população, realizados em 1939 (início dos programas de Getúlio Vargas) e 1952 (quando Vargas retorna eleito à Presidência). Seria muito oportuno se o IBGE atualizasse esta pesquisa para 2022. 

Incluem-se nas despesas básicas os gastos com a alimentação, habitação, vestuário, transporte e saúde, foram pesquisadas seis capitais, relacionando a percentagem das receitas dos trabalhadores com suas despesas básicas: 


Apenas em Curitiba e na Capital Federal, em 1939, os ganhos dos trabalhadores cobriam suas despesas, nas outras capitais eles viviam nas mãos de agiotas ou deixando dívidas. Com as políticas de Vargas, em 13 anos, esta situação reverteu (Guerreiro Ramos, A Redução Sociológica, MEC – ISEB, RJ, 1958). 

A esta política de Vargas dá-se o nome nacional-trabalhista. Uma construção ideológica nacional, que seus opositores, os “0,5% ricos” da população, com os “1,5% que vivem bem”, como os habitantes de Escada (Pernambuco) no “Um discurso em mangas de camisa”, de Tobias Barreto, publicado no Jornal do Recife, em 1877 (textosdefilosofiabrasileira.blogspot.com/2014/07/um-discurso-em-mangas-de-camisa.html) tudo fizeram e fazem para destruir. 

Desta semente dois frutos completam um século em 2022: Leonel de Moura Brizola (22/01/1922-21/06/2004) e Darcy Ribeiro (26/10/1922-17/02/1997). O primeiro, engenheiro, líder nacionalista, o único político eleito pelo povo para governar dois Estados diferentes em toda História do Brasil, o segundo, gênio da antropologia e da pedagogia, cientista político, professor e senador, genial exegeta do nosso País. 

E, entre tais gigantes, completam décadas: Alberto Guerreiro Ramos e os 40 anos do falecimento. Além da primorosa análise da organização e da administração pública brasileira, nos deixou roteiros seguros para investigação sociológica. O baiano Guerreiro Ramos morreu no exílio, ao fim voluntário, em Los Angeles (Califórnia, EUA), em 06/04/1982, com 66 anos. E 20 anos do surgimento do Portal Pátria Latina, editado pelo baiano Valter Xéu. 

Cuidemos de comentar a longevidade do Pátria Latina

Em fevereiro de 2002, ainda impresso, sai, no primeiro número, artigo do jornalista Beto Almeida sobre a “Comunicação e cultura versus tirania do mercado”. Era a certidão de nascimento de um órgão de imprensa que daria a visão do mundo pelos olhos brasileiros. Antecipava a verdadeira batalha que os países travam neste século XXI, não entre si, porém com o dominador global — “mercado”. 

“À luz da redução sociológica, toda produção estrangeira é, em princípio, subsidiária” (Guerreiro Ramos); e por que? Porque só entendemos o mundo a partir de nossa realidade. O baiano Milton Santos (1926-2001) dizia que a plataforma de onde via o mundo era seu país. 

Pátria Latina é a voz integradora dos povos porque transmite suas plataformas. Não vê o mundo como “mercado”, o vê com os seres humanos, cidadãos, que têm na sua cultura a lente de observação. 

É uma coincidência feliz este encontro de pensamentos baianos no Pátria Latina. No fundamento da informação fidedigna, não escamoteadora, não parcialmente ideologizada, como quase toda comunicação de massa no Brasil, quando não dirigida ostensivamente do exterior nos canais virtuais, estão as plataformas nacionais. 

A redução sociológica é ditada não somente pelo imperativo de conhecer, mas, igualmente, pela necessidade social de uma comunidade. E a realidade social não é um conjunto desconexo de fatos, ao contrário, é dotada de sentido, permeada de valores. 

O mundo que conhecemos e onde agimos é da complexa e quase infinita trama de referências e interesses. 

O Pátria Latina traz os fatos não as especulações, as análises não a doutrinação. E aí sua duradoura permanência. 

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, se orgulha de colaborar com o Pátria Latina.

Ministério da Saúde cancelou compra de 14 milhões de testes de antígeno em 2021; exame está em falta hoje no país

Segunda, 17 de janeiro de 2022

Por Diego Junqueira, de São Paulo / Repórter Brasil | 17/01/22

Tribunal de Contas da União afirma que pasta demorou cinco meses entre idas e vindas para abrir um pregão eletrônico, que acabou cancelado. Órgão de controle critica a não implementação da testagem em massa no combate à Covid

A oferta de testes rápidos de antígeno para Covid no SUS poderia ter sido maior caso o Ministério da Saúde tivesse efetivado a compra de 14 milhões de exames em 2021, cujo processo começou em março e se arrastou por mais de cinco meses até ser cancelado. Com o surto da variante ômicron, algumas cidades enfrentam hoje escassez de testes — tanto nos postos de saúde como em farmácias e laboratórios.

O processo de aquisição destes exames foi marcado por falhas internas e “idas e vindas” entre dois departamentos do ministério na elaboração dos documentos para o pregão eletrônico, que nunca chegou a ser aberto. O caso foi investigado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que verificou “lentidão” neste e em outros processos de compra de insumos urgentes para o combate à Covid (como medicamentos e ventiladores pulmonares). 

Artigo de luxo: país recebeu cerca de 115 milhões de testes rápidos de antígeno até o final de 2021, sendo a maior parte para serviços privados de saúde (Foto: Breno Esaki/Agência Saúde DF)

O órgão de controle também afirmou haver desconhecimento dos servidores da pasta em relação aos procedimentos internos para a realização de pregões eletrônicos, segundo relatório da área técnica publicado em dezembro. 

DESIGUALDADE: Aumento anual na riqueza dos bilionários atinge maior índice já registrado, diz Oxfam

Segunda, 17 de janeiro de 2022
O patrimônio dos 10 homens mais ricos do mundo é maior do que a soma de 3,1 bilhões de pessoas mais pobres.

Concentração de renda disparou durante a pandemia; revelação dos dados coincide com início do Fórum Econômico Mundial

Thales Schmidt
Brasil de Fato | São Paulo (SP)
17 de Janeiro de 2022

A concentração de renda atual do mundo é comparável aos índices registrados durante o "auge do imperialismo ocidental no início do século 20" e tem ligações com o histórico da escravidão. Esse foi o destaque do relatório da Oxfam "A Desigualdade Mata", pesquisa da ONG que traz dados sobre a acumulação de recursos e afirma que, ao mesmo tempo que 17 milhões de pessoas morreram de covid-19 e 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza, os dez homens mais ricos do mundo dobraram suas fortunas.

A publicação coincide com o início do Fórum Econômico Mundial, uma reunião anual de líderes políticos, bilionários e representantes da sociedade civil que ocorria na pequena cidade de Davos, na Suíça, e que atualmente acontece de maneira remota.

Nesta segunda-feira (17), começa o que a organização do evento descreve como uma série de apresentações "visionárias" sobre o estado do mundo. O evento conta com a participação de líderes europeus, presidentes, o secretário-geral da ONU e empresários como Bill Gates e Adar Poonawalla, diretor e herdeiro da fabricante de vacinas indiana Serum.


Apontando para uma concentração de renda também registrada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, Credit Suisse e Fórum Econômico Mundial, a Oxfam destaca que, desde o início da pandemia, um novo bilionário surgiu a cada 26 horas.

O clube dos 2.775 bilionários que existem no mundo aumentou seu patrimônio durante a pandemia mais do que nos últimos quatorze anos, diz a Oxfam. O patrimônio dos 10 homens mais ricos do mundo é maior do que a soma de 3,1 bilhões de pessoas mais pobres.

"Este é o maior aumento anual na riqueza bilionária desde o início dos registros. Isso está acontecendo em todos os continentes. Ele é possibilitado pela disparada dos preços do mercado de ações, uma explosão de entidades não regulamentadas, um aumento no poder de monopólio e na privatização, juntamente com a erosão das taxas e regulamentos de impostos corporativos individuais e dos direitos e salários dos trabalhadores. Todos auxiliados pela utilização do racismo como arma", afirma a pesquisa.

A pesquisa "A Desigualdade Mata" também comparou a viagem espacial de Jeff Bezos com o "momento icônico de Maria Antonieta 'que comam brioches'". O fundador da Amazon foi com seus amigos ao espaço em seu "foguete de luxo" enquanto "milhões morriam desnecessariamente debaixo dele porque não tinham acesso a vacinas ou não podiam comprar comida".

Oxfam comparou Jeff Bezos com Maria Antioneta


Apartheid vacinal e propostas de soluções

O ano de 2021 foi marcado por um "vergonhoso apartheid vacinal" que derrubou a ideia que surgiu no início da pandemia de que todos "estávamos todos no mesmo barco", diz a ONG. Os imunizantes "foram desde o primeiro dia trancafiadas atrás de uma barreira de lucro privado e monopólio".

"Em vez de vacinar bilhões de pessoas em países de baixa e média renda, criamos bilionários das vacinas, à medida que as empresas farmacêuticas decidiam quem viveria e quem morreria", diz o texto.

Para enfrentar a situação, a Oxfam sugere uma série de medidas como a tributação imediata dos ganhos dos super-ricos, o investimento em um sistema de saúde universal e gratuito, a garantia de renda para todos, investimento em programas contra a violência contra mulheres, estabelecer limites para a concentração de mercado e garantir o direito à sindicalização para trabalhadores.

"Um imposto único de 99% sobre o aumento repentino nos lucros decorrentes da Covid-19, apenas entre os 10 homens mais ricos, geraria US$ 812 bilhões", destaca a Oxfam.

Edição: Arturo Hartmann

ONU: Especialistas independentes pedem fim da criminalização de defensores de direitos humanos no Brasil

Segunda, 17 de janeiro de 2021
Legenda: Vista geral de uma sessão no Conselho de Direitos Humanos da ONU, com sede em Genebra —Foto: © Jean-Marc Ferré/ONU

Da ONU Brasil

17 janeiro 202

Especialistas independentes das Nações Unidas enviaram um comunicado ao governo brasileiro pedindo o fim da criminalização de defensores de direitos humanos no país, especificamente membros das comunidades rurais quilombolas no estado do Maranhão.

A relatora especial sobre a Situação de Defensores de Direitos Humanos, Mary Lawlor, e a presidente do Grupo de Trabalho de Especialistas sobre Afrodescendentes, Dominique Day, pediram ao governo que proteja a defensora e os defensores de direitos humanos Anacleta Pires da Silva, Joércio Pires da Silva e Elias Belfort Pires, do Quilombo Santa Rosa dos Pretos, em Itapecuru Mirim, Maranhão.

Estudo alerta para altos níveis de depressão entre trabalhadores de saúde da América Latina

Segunda, 17 de janeiro de 2022
Unsplash/Dmitry Schemelev —Saúde mental dos profissionais de saúde da América Latina foi afetada de forma muito negativa após a pandemia.

ONU News
17 janeiro 2022

Pesquisa liderada pela Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, revela que muitos desses profissionais têm pensamentos suicidas; pandemia está por trás da situação; avaliação envolveu médicos e enfermeiros em 11 países da região. 

A pandemia de Covid-19 tem contribuído para índices elevados de depressão entre profissionais de saúde da América Latina. Uma pesquisa liderada pela Organização Pan-Americana da Saúde, Opas, mostra que os níveis de stress psicológico e até mesmo de pensamentos suicidas também estão altos.

domingo, 16 de janeiro de 2022

Rosa Luxemburgo e a dívida como instrumento do imperialismo

Domingo, 16 de janeiro de 2022

Rosa Luxemburgo e a dívida como instrumento do imperialismo


16 de Janeiro por Eric Toussaint

[103 anos atrás, Rosa Luxemburgo foi morta a tiro e o seu corpo atirou-se ao Canal Landwehr de Berlim. No entanto, ela não pôde ser apagada da história, pois a sua vida e obra são extremamente relevantes na nossa busca de um mundo melhor. Reimprimimos este artigo para prestar homenagem ao seu legado que continua a inspirar milhões ainda hoje - CADTM]

No seu livro A Acumulação do Capital [1], publicado em 1913, Rosa Luxemburgo [2] dedicou um capítulo inteiro à questão dos empréstimos internacionais [3] para mostrar como as grandes potências capitalistas da época utilizavam os créditos concedidos por seus banqueiros aos países da periferia para exercer o domínio econômico, militar e político. O seu foco principal foi analisar o endividamento dos novos Estados independentes da América Latina após as guerras de independência de 1820, bem como o endividamento do Egito e da Turquia durante o século XIX, sem esquecer a China.

Ela escreve seu trabalho durante um período de expansão internacional do sistema capitalista, tanto em termos de crescimento econômico como de expansão geográfica. Nessa altura, na social-democracia de que fazia parte (o Partido Social Democrata Alemão e o Partido Social Democrata da Polônia e da Lituânia – territórios partilhados entre o Império Alemão e o Império Russo), um número significativo de líderes socialistas e teóricos apoiavam a expansão colonial. Este foi particularmente o caso na Alemanha, França, Grã-Bretanha e Bélgica. Todas estas potências tinham desenvolvido os seus impérios coloniais em África, principalmente no final do século XIX e início do século XX. Rosa Luxemburgo se opunha totalmente a esta orientação e denunciava a pilhagem e destruição colonial das estruturas tradicionais (muitas vezes comunitárias) das sociedades pré-capitalistas através da expansão do capitalismo.


 

Rosa Luxemburgo manifestava a sua oposição a estes mesmos líderes socialistas quando afirmavam que esta fase expansionista de forte crescimento do capitalismo demonstrava que o capitalismo tinha ultrapassado suas crises periódicas, a última das quais tinha ocorrido no início da década de 1890. Rosa Luxemburgo denunciava esta visão, que dava uma falsa interpretação do funcionamento do sistema capitalista. Rosa se opunha ainda mais veementemente porque esta visão de uma parte influente da liderança social-democrata serviu de base e justificação para uma atitude de crescente colaboração com os governos capitalistas da época [4].

Live da Auditoria Cidadã da Dívida nesta SEGUNDA (17/1): Por que sobra dinheiro para juros e falta para o reajuste de servidores?

Domingo, 16 de janeiro de 2022

Nesta segunda-feira (17), a live da ACD [Auditoria Cidadã da Dívida] debate a falta de reajuste aos servidores federais que poderá culminar em greve unificada logo no início de 2022. Há cinco anos sem qualquer reposição salarial, a maioria dos servidores do Executivo vem protestando diante da pretensão do governo em conceder reajuste em 2022 apenas para carreiras da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Se sobra tanto dinheiro para os juros da dívida, por que não há para o reajuste de todos os servidores?

Para falar sobre o Ato Público “Negocia Já” (18/1) e relacionar a importância de se incluir a Auditoria da Dívida na pauta de reivindicações de servidores públicos, a coordenadora nacional Maria Lucia Fattorelli conversa com Fabiano dos Santos, diretor da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário e Ministério Público da União (Fenajufe) e do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal no Estado de São Paulo (Sintrajud).

Participe com a gente e fique por dentro deste importante tema!

Assista ao vivo a partir das 19h, no Facebook e no canal da ACD no Youtube.

NEOLIBERALISMO: “LIBERDADE” PARA QUEM?

Domingo, 16 de janeiro de 2022

Portal Pátria Latina, com informações do Le Diplomatic Brasil
Postado em 16/01/2022
NEOLIBERALISMO: “LIBERDADE” PARA QUEM?

Estátua de Adam Smith, em Edimburgo (Wikimedia)

Por André Peixoto de Souza

Le Monde Diplomatique — No âmbito da pretensa liberdade, até a propriedade privada é uma teorização sob encomenda. Até porque é necessário grande esforço intelectual para ligar liberdade a propriedade privada, ou seja, puro exercício retórico, mero discurso.

Liberdade: palavrinha deturpada, essa. Usam-na como bem entendem, confundindo os seus limites políticos, jurídicos e econômicos. Demarco território advertindo que não falarei do direito de liberdade, garantia fundamental, nem das liberdades historicamente conquistadas, senão, apenas, da liberdade no viés econômico do assim chamado liberalismo econômico, pautado no livre mercado, no livre comércio, na livre iniciativa, na livre pactuação (contratos), no laissez-faire — “deixe fazer”, nessa categoria que retorna intensa ao debate contemporâneo, seja através da sua originalidade e classicismo, o liberalismo, seja em sua novel roupagem, o neoliberalismo.

A economia política clássica inaugurou a sistematização do assunto. A bíblia do liberalismo (de 1776) anotou expressões basilares: juntamente com “curso natural” aparecia “perfeita liberdade”, consagrando-lhes um tom iluminista e (jus)naturalista, como se a natureza exigisse essa tal liberdade econômica. Todavia, importaria, antes de tudo, definir natureza; mas ela vem como pressuposto — afinal, Smith era professor de filosofia moral na Escócia do século XVIII. Compreensível (e até dispensável), portanto, o caráter de natureza ali empregado.

Seja como for, a liberdade pugnada por Smith era essa individual, atrelada a interesses econômicos. É o que se depreende de certas passagens: “o preço de monopólio é em qualquer ocasião o mais alto que se possa conseguir. Ao contrário, o preço natural, ou seja, o preço da livre concorrência, é o mais baixo que se possa aceitar…” “… o preço de mercado dessa mercadoria logo subiria ao preço natural. Isso ocorreria, ao menos, onde reinasse plena liberdade”[1].

Na ontogênese do liberalismo, moderno por definição, residia o favorecimento da liberdade em contraposição ao regime absolutista. Mas esse é o aspecto político. Retornemos à questão econômica: burgueses, no auge do mercantilismo, queriam ser livres para escolher livremente as suas relações. Proponho uma releitura dessa premissa histórica: burgueses, no auge do mercantilismo, queriam ser livres para escravizar africanos e matar indígenas, para usurpar colônias e acumular capital, sem prestar contas ao Estado nem pagar impostos. Mediante Estado mínimo e morticínio de pessoas legitimava-se a classe burguesa ao poderio econômico, substituto do aristocrático —desde as teses lockeanas—, compondo-se, assim, o novo Estado burguês. Esse é o discurso liberal: liberdade do indivíduo (do burguês; jamais do indígena ou do africano, ou depois do operário destituído de capital); direitos naturais como vida, propriedade, contratos, razão, vontade, prosperidade para o burguês. Insisto: toda essa “liberdade” para quem?

No século XX, quando a teoria econômica “atualizou” a escola, chamando-a agora de neoliberalismo, um Nobel de Economia escreveu curiosidades sobre a matéria. Seu trabalho mais conhecido, O caminho da servidão (de 1944), misturou caoticamente socialismo com liberalismo, liberalismo com comunismo, socialismo e nazi-fascismo, invocando Hitler e sua suposta máxima: “basicamente, nacional-socialismo e marxismo são a mesma coisa”. Ora, convenhamos, se Hitler realmente disse isso, o ignorante aqui é Hitler, e não Marx. Na mesma linha, notemos essa passagem do Nobel: “o socialismo foi aceito pela maior parte da intelligentsia[2] como o herdeiro aparente da tradição liberal”. Não, absolutamente não. Para os socialistas sempre esteve claro que o socialismo divergia radicalmente do liberalismo. Se para os liberais isso não estava claro, o problema (e a ignorância) era deles.

Nara, Dilma, o mar, mulheres que nunca foram Amélias

Domingo, 16 de janeiro de 202




Neste fim de semana de verão carioca que teve metade do janeiro de chuvas, eis que duas mulheres, surpreendem, como é seu feitio, se não a província, ex-capital mas, definitivamente, o país do carnaval, na cidade berço da bossa nova.

Nara Leão que estaria completando 80 anos, vem até nós numa produção perfeita e emocionante sobre sua brilhante carreira de cantora que desafiou padrões e seu comportamento livre de viver a vida e até enfrentar general.

Dilma surge nas águas do mar, o mesmo mar que inspirou os amigos de Nara, nos anos 60, e de onde o Brasil exportou a tal bossa Nova. É uma senhora com filha e netos a se banhar nas águas aparentemente mansas, mas já enfrentou torturas e quiçá repressão fardada em momentos de maré braba.

Nada disso é segredo. Dilma presidiu o Brasil e foi golpeada. Nara era a tal pobre menina rica e se aventurou até a cantar com os compositores do morro. Viveu as críticas mas nunca se intimidou. Pra completar, o cronista Joaquim Ferreira dos Santos publicou artigo maravilhoso sobre a musa Nara, dizendo o quanto ela era a mulher de verdade. Sim, aquela Amelia alardeada pela letra machista, em irônica gozação do comunista Mário Lago, a tal mulher de verdade, cujos méritos se limitavam ao labor doméstico e ao seu posto de serviçal que jamais reclamaria de seu companheiro e muito menos de um estado repressivo ou um movimento golpista fosse de origem militar ou não.

Pois não é que Dilma e Nara se encontraram no mar e fico imaginando o grau de cronologia que o destino feminino busca por estas plagas acometidas ultimamente por tantos revezes, justamente quando é dia de luz onde as trevas ameaçam imperar? Pra mim, é uma conspiração do universo fêmeo luminoso. A série que assisti ontem e hoje tem cinco capítulos e me emocionou muito. Quanto a figura da ex-presidente na praia me trouxe o inquieto estado de observação do quanto a coragem pode ser nossa aliada na exposição de corpos, vozes ou idéias. As verdadeiras Amélias se mostram e enfrentam generais. Apesar dos índices de feminicídios, nossas artistas e políticas, mães e filhas, avós e netas, escrevem histórias nos mares em que seguimos navegando. Um viva a cada brasileira que luta para sobreviver e proteger sua família. Cida Torneros

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Cida Torneros é jornalista aposentada e edita no Rio de Janeiro o Blog Vou de Bolinhas.

Neste domingo (16/1) tem Negodai no Nonato Rocks Bar, no Gama

Domingo, 16 de janeiro de 2022

"Domingo tem Negodai!"

  *NONATO ROCKS BAR*

✅Feira Permanente do Gama-DF
✅16 janeiro
✅14 horas
✅ Música ao vivo
✅ Negodai tocando o melhor da MPB, POP ROCK e GROOVE

Chega lá!!!

Bolsonaro bloqueou 82 jornalistas e oito veículos de comunicação

Domingo, 16 de janeiro de 2022


Da Abraji —Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
Publicada no site da Abraji em 12.01.2022

Pedro Teixeira
Se preferir, beba direto na fonte clicando aqui

liberdade de expressão

acesso à informação

Bolsonaro bloqueou 82 jornalistas e oito veículos de comunicação

Dos 315 bloqueios no Twitter contra profissionais de imprensa registrados pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) até 11.jan.2022, 291 foram realizados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), seus filhos que também ocupam mandatos eletivos, ministros e secretários especiais de Estado, além de parlamentares que compõem a base de apoio do atual governo. O chefe do Executivo lidera a lista de bloqueadores, tendo distribuído 82 vetos.

Na visão do Twitter, a rede social não precisa interferir na decisão de autoridades de bloquearem usuários, “já que o recurso é prerrogativa de quem usa a rede social e é uma situação que não se desenrola pelo Twitter, mas sim por pessoas que utilizam a plataforma”. A declaração foi dada ao Núcleo Jornalismo, em matéria publicada na terça-feira (11.jan.2022), por Hugo Rodriguez Nicolat, diretor de Políticas Públicas do Twitter na América Latina. A reportagem tomou como base o monitoramento de bloqueios feito pela Abraji desde set.2020.

Em tutorial publicado no Youtube, a gigante da tecnologia afirma que o bloqueio pode ser usado por usuários para evitar ver postagens rudes, maldosas, sem senso, inadequadas ou perturbadoras. Jornalistas ouvidos pela Abraji afirmaram que foram bloqueados por criticar o presidente, por sua atuação como profissional de imprensa ou sequer sabem o motivo da represália.

“Eu não faço ideia do que motivou o bloqueio, mal ‘tuíto’ e não me lembro de ter marcado Bolsonaro em alguma publicação. Talvez tenha algo a ver com o trabalho da Brazilian Report, mas a empresa não foi bloqueada”, conta Gustavo Ribeiro, fundador do veículo que entrega um panorama do Brasil ao público estrangeiro e um dos 152 jornalistas bloqueados por 41 autoridades de Estado.


Autoridades que bloquearam jornalistas mapeadas pela Abraji

No total, são 315 bloqueios até o dia 12.jan.2022*