Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Suspeito —PT, PV, Rede, PCdoB e PDT protocolam pedido de afastamento do governador Ibaneis Rocha no STJ

Quarta, 28 de janeiro de 2026

Suspeito
PT, PV, Rede, PCdoB e PDT protocolam pedido de afastamento do governador Ibaneis Rocha no STJ

Partidos pedem apuração de possíveis crimes e improbidade administrativa do governador do DF na gestão do BRB

Brasil de Fato — Brasília
Redação

Representação foi protocolada na tarde desta segunda-feira (26) em Brasília | Crédito: Foto: Jorge Monicci

Mais cinco partidos de oposição ao Governo do Distrito Federal protocolaram nesta segunda-feira (26) o pedido de afastamento do governador Ibaneis Rocha (MDB) no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ação conjunta do Partido dos Trabalhadores (PT-DF), Rede Sustentabilidade (Rede-DF), Partido Democrático Trabalhista (PDT-DF), Partido Verde (PV-DF) e Partido Comunista do Brasil (PCdoB-DF) requer a apuração de possíveis crimes e atos de improbidade administrativa cometidos pelo chefe do Executivo em relação à gestão do Banco de Brasília (BRB), que tem o GDF como acionista majoritário e controlador da instituição bancária.

“Nós apresentamos ao STJ para que possam apurar as irregularidades que aconteceram e estão acontecendo no Distrito Federal com relação à tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, que ocasionou um prejuízo fenomenal ao DF”, ressaltou a presidenta de honra do PT-DF, Arlete Sampaio.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Por que a bolha de IA precisa estourar

Terça, 27 de janeiro de 2026

Por que a bolha de IA precisa estourar

A nova tecnologia vista pelo prisma da luta de classes. Como ferramentas potencialmente úteis são usadas para destruir empregos e serviços – e concentrar riquezas. Por que o colapso aproxima-se. Será possível salvar algo dos destroços?

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Por Cory Doctorow | Tradução: Antonio Martins
Sou escritor de ficção científica, o que significa que meu trabalho é criar parábolas futuristas sobre nossos arranjos tecnológicos atuais para questionar não apenas o que um dispositivo faz, mas para quem ele o faz e a quem ele se destina.

O que não faço é prever o futuro. Ninguém consegue prever o futuro, o que é bom, pois se o futuro fosse previsível, isso significaria que não podemos mudá-lo. Nem todos entendem a distinção. Pensam que os escritores de ficção científica são oráculos. Até mesmo alguns dos meus colegas vivem na ilusão de que podemos “ver o futuro”.

Além disso, há fãs de ficção científica que acreditam estar lendo o futuro. Parte dessas pessoas parece ter se tornado fanáticos por IA. Não param de falar sobre o dia em que sua engenhosa máquina de autocompletar vai despertar e nos transformar em clipes de papel , o que levou muitos jornalistas e organizadores de conferências confusos a tentarem me fazer comentar sobre o futuro da IA.

Gama: MPDFT obtém prisão preventiva de homem acusado de matar a própria mãe

Terça, 27 de janeiro de 2026


Do MPDFT

Segundo a denúncia, ele dirigia embriagado e, propositalmente, lançou o carro para fora da via

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) obteve, nesta segunda-feira, 26 de janeiro, a prisão preventiva de um homem denunciado por feminicídio. Enquanto dirigia, ele jogou o carro para fora da pista em alta velocidade com intenção de tirar a própria vida, mas acabou matando a mãe, que estava como passageira.

Segundo a denúncia do Ministério Público, o crime foi praticado contra mulher por razões da condição de sexo feminino em contexto de violência doméstica e familiar.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

O futuro que aguarda a civilização do homo sapiens

Segunda, 26 de janeiro de 2026

O futuro que aguarda a civilização do homo sapiens

PÁTRIA LATINA - PAPA DO DIA - segunda-feira, 26 de janeiro de 2026


Pedro Augusto Pinho*

O que fazer diante de sociedades cada vez mais injustas, racistas e autoritárias? O que fazer num mundo em que as crueldades humanas são exibidas em meio a uma repugnante impunidade pública? O que fazer face à “ordem” internacional selvagem em que a brutalidade da força é a única lei que prevalece? É uma época em que os Estados, tal como as aves Fênix da mitologia grega, erguem-se novamente dos escombros dos mercados globais enfraquecidos e lançam-se, como leviatãs geopolíticos enfurecidos, uns contra os outros em guerras tarifárias, invasões e chantagem. Mas são também esses Estados, essas “bestas magníficas” (Foucault), que centralizam a riqueza comum, as conquistas coletivas e os direitos de todos; então hoje eles são essenciais para sobreviver como sociedades. E, claro, apoiar novos direitos e justiça social emergentes das próximas lutas coletivas” (Álvaro Garcia Linera, vice-presidente da Bolívia (2006-2019), ¿Qué hacer? Telesur, 25/1/2026).

Duas mentes brilhantes, o diplomata José Maurício de Figueiredo Bustani (1945) e o economista Paulo Nogueira Batista Junior (1955) defenderam em artigo recente – “Se queres a paz, prepara-te para guerra”, Viomundo, 22/1/2016 – a necessidade de o Brasil se preparar para a inevitável guerra, onde serão amplamente usados armamentos nucleares e recursos digitais não tripuláveis, para defesa e para ataque. E concluem com a menção de Tucídides sobre a Guerra do Peloponeso: o clássico confronto de valores (o liberalismo) com o realismo no campo das relações internacionais: “Temos de nos opor a um novo diálogo de Melos”.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Igrejas evangélicas —R$ 1,5 mi em desvios: quem são os pastores suspeitos de ter ligação com a fraude no INSS

Domingo, 26 de janeiro de 2026

Igrejas evangélicas —R$ 1,5 mi em desvios: quem são os pastores suspeitos de ter ligação com a fraude no INSS

Relatório do Coaf indicou movimentações suspeitas para igrejas; CGU diz que igrejas eram usadas para lavagem de dinheiro

Brasil de Fato — Brasília DF)

Igrejas mencionadas nas investigações do Coaf receberam o ex-presidente Jair Bolsonaro em cultos

As igrejas evangélicas citadas nas investigações que apuram desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) receberam ao menos R$ 1,5 milhão de empresários ligados a essas operações. Levantamento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou movimentações suspeitas que envolvem lideranças religiosas, igrejas e empresários citados na CPI do INSS.

As movimentações aparecem nos nomes de 4 igrejas: Adoração Church (Pará), Assembleia de Deus Ministério do Renovo (Maranhão); Ministério Deus é Fiel Church (Sete Church), de São Paulo (São Paulo); e Igreja Evangélica Campo de Anatote, de Barueri (São Paulo).

De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), as igrejas evangélicas foram usadas ao longo dos desvios do INSS por suspeitos de desviar recursos de aposentados e pensionistas, como possível mecanismo para lavagem de dinheiro.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Assim os rentistas dissolvem a democracia

Sábado, 24 de janeiro de 2026

Assim os rentistas dissolvem a democracia

Desigualdade abissal exposta em Davos serve-se também de um abismo técnico. Sociedades e Estados decidem em ritmo analógico, mas riqueza social é capturada em velocidade quântica. Luta por soberania tem dimensão político-digital decisiva

OutrasPalavras                 Mercado x Democracia

Publicado no OutrasPalavras em 23/01/2026 às 19:55

OUTRASPALAVRAS
Por Ladislau Dowbor | Tradução: Antonio Martins

Quando Jack Welch transformou a General Electric de uma produtora de eletrodomésticos em uma “investidora” financeira, multiplicando lucros com uma base produtiva reduzida, ele influenciou uma profunda mudança na cultura empresarial norte-americana, generalizando o rentismo. No centro das empresas produtivas agora está o acionista .

No Brasil, temos imitadores bem-sucedidos como a 3G Capital, pertencente a Lemann, Sicupira e Telles, uma das maiores fortunas do país, com raízes no país, mas sede no paraíso fiscal de Luxemburgo. Vimos até onde eles podem chegar com o escândalo das Lojas Americanas. Michael Hudson ampliou a análise com o conceito de FIRE (Finanças, Seguros e Imóveis), resumindo as diversas formas atuais de extração de excedente social por meio das áreas de finanças, seguros e especulação imobiliária.

Brett Christophers é um dos principais contribuidores para a compreensão de como a extração de riqueza ocorre sem uma contribuição produtiva correspondente em sete setores: finanças, recursos naturais, propriedade intelectual, plataformas digitais, contratos de serviços, infraestrutura e renda fundiária.

Quando os loucos conduzem os cegos

Sábado, 24 de janeiro de 2026

Quando os loucos conduzem os cegos


Por Roberto Amaral*

“Não são apenas os vivos que nos atormentam, os mortos também. Le mort saisit le vif!”.
— Karl Marx, Prólogo à primeira edição de O capital.

Nascemos como território aberto: feitoria, praias, água, alimento e sombra para o repouso de corsários de todas as bandeiras; o mundo chegava para a aventura predatória dos séculos seguintes de apropriação da terra dada, a caça à natureza e aos homens, povos nativos preados e, com a Colônia, a escravidão de negros importados para o eito e a morte antecipada.

Bem mais tarde emerge, sem animação orgânica, uma ideia de povo em busca de nação, ausente o projeto de colonizador (com o qual não podia arcar a decadência irreversível do império lusitano); historiadores apressados referem-se às lutas travadas por portugueses, africanos escravizados, tropas de brancos pobres e indígenas escravizados como o início da construção de uma nacionalidade, nada obstante a impossibilidade de identificar a mínima consciência de pertencimento comum na expulsão da experiência do príncipe de Nassau (1654), modernizante em face da passividade portuguesa, ainda que não cogitasse de qualquer sorte de mobilidade social, ou da criação de mercado interno. Não havia uma nação a contrapor-se ao sonho holandês na América.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Crime de ódio —No mês de combate à intolerância religiosa, terreiro no DF é apedrejado. O terreiro é localizado no Gama

Sexta, 23 de janeiro de 2026

Crime de Ódio
No mês de combate à intolerância religiosa, terreiro no DF é apedrejado

Ataque ocorreu enquanto o espaço se preparava para iniciar ritualísticas

Brasil de Fato — Brasília (DF)
Luiza Melo

Terreiro atacado é localizado no Gama (DF)
| Crédito: Foto: Divulgação/Tenda Espírita Pai Benedito

O que deveria ser um momento de fé, silêncio e preparação espiritual transformou-se em cenário de medo e violência no último sábado (17). A Tenda Espírita Pai Benedito do Congo, terreiro localizado na cidade do Gama, no Distrito Federal, foi alvo de um ataque enquanto membros da casa realizavam a maceração de ervas e cantigas rituais. Pedras e tijolos foram arremessados contra o telhado da instituição.

De acordo com relatos da dirigente da casa, Lindaura de Melo, os integrantes começaram a chegar e se preparar para as liturgias religiosas, quando foram surpreendidos por um “estrondo ensurdecedor”. Segundo os depoimentos, o impacto foi tão forte que assustou não apenas quem estava dentro do terreiro, mas também moradores da vizinhança.

Especialistas dissecam ação dos EUA na Venezuela

Sexta, 23 de janeiro de 2026

Especialistas dissecam ação dos EUA na Venezuela

Em sua Doutrina de Segurança Nacional, Trump reforçou indiferença à soberania dos países, tratados como uma extensão de seu território

Publicado em 16/01/2026

Manifestação em frente ao consulado dos EUA em São Paulo no dia 5 de janeiro Foto – Paulo Pinto\Agência Brasil

A operação militar dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no sábado, 3 de janeiro, abriu um perigoso precedente na América do Sul. Para especialistas ouvidos pelo Jornal da Unicamp, os Estados Unidos estão em busca de “disciplinar governos” na região, e a Venezuela foi a primeira pedra do dominó de uma partida geopolítica calcada na renovação de objetivos imperialistas.

“A Doutrina de Segurança Nacional, divulgada em novembro passado pelo governo de Donald Trump, já atualizava em teoria suas preocupações com o avanço dos imperialismos na região, mas, a partir de agora, os temores certamente chegam a um novo patamar”, afirma Josianne Cerasoli, professora do departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp.

Vale destacar, segundo ela, que a Doutrina de Segurança se refere, em tom de ameaça, ao destino imaginado para o que denomina Hemisfério Ocidental. “A escolha que todos os países devem enfrentar é se querem viver em um mundo liderado pelos Estados Unidos, com países soberanos e economias livres, ou em um mundo paralelo, no qual são influenciados por países do outro lado do mundo,” diz trecho do documento.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Leonel de Moura Brizola, o brasileiro patriota derrotado pelos entreguistas.


Quinta, 22 de janeiro de 2026

Leonel de Moura Brizola, o brasileiro patriota derrotado pelos entreguistas.

Brizola com Dona Neuza e os filhos João Otavio, José Vicente e Neusinha (Reprodução)

Pedro Augusto Pinho*

Leonel Brizola, a maior liderança trabalhista brasileira, nasceu em Carazinho, distrito rural de São Bento, região noroeste do Rio Grande do Sul, em 22 de janeiro de 1922. Faleceu em 21 de junho de 2004. Foi a criança pobre que, com seu esforço, dedicação e muitos sacrifícios, conseguiu contribuir de modo importantíssimo para o Brasil.

Apenas Getúlio Vargas (1882-1954), uma inspiração para Brizola, menino rico que morreu pobre, teve tão grande importância em nossa história política. Mas ambos foram derrotados pelos escravagistas e entreguistas, que formam a maioria dos “homens públicos” no Congresso, no Poder Judiciário e no Executivo brasileiro, principalmente hoje, quando o único brasileiro a governar dois Estados, completaria 104 anos.

A vida deste líder deve servir de inspiração e exemplo para a juventude, sem escola pública de tempo integral, um ideal dos signatários do Manifesto da Escola Nova, de 1932, abraçado por Brizola sempre que foi governador, no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. E que hoje estaria contribuindo para juventude do Brasil e não para morrer na flor da idade, defendendo o crime organizado, o tráfico de drogas, e a marginalidade.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Em Davos, império, arrogância e… declínio

Quarta, 21 de janeiro de 2026

Em Davos, império, arrogância e… declínio

Brutalidade de Trump choca, mas não é raio em céu azul. Por décadas, mundo das corporações sequestrou a riqueza coletiva e zombou da democracia e dos direitos. Resultado: um sistema arcaico e cada vez mais indesejado, mas em crise aguda


OutrasPalavras                        Crise Civilizatória
Por Mariana Mazzucato 
Publicado 21/01/2026

Manifestantes protestam durante os trabalhos do Fórum Econômico de Davos


Por Mariana Mazzucato | Tradução: Antonio Martins

Enquanto o Fórum Econômico Mundial (FEM) se reúne em Davos sob o lema “Um Espírito de Diálogo”, os Estados Unidos assumiram o controle da infraestrutura petrolífera da Venezuela, instalando o que o presidente Donald Trump chama de administração norte-americana “indefinida” das reservas de petróleo do país, ao mesmo tempo que chantageiam países europeus com sua exigência pela Groenlândia. A desconexão entre o apelo do FEM ao diálogo e a agressão unilateral norte-americana é, no mínimo, chocante.

A intervenção dos EUA na América Latina pode estar assumindo novas formas, mas a apropriação da infraestrutura petrolífera ecoa antigas apropriações de recursos. Enquanto os participantes de Davos analisam as nuances do “capitalismo de partes interessadas” [stakeholder capitalism], as antigas regras da política de poder e da extração de recursos estão sendo ativadas novamente.

Em 2019, o historiador holandês Rutger Bregman desvendou o espetáculo de Davos com precisão cirúrgica: “Impostos, impostos, impostos. Todo o resto é conversa fiada.” Com essas nove palavras, ele expôs o abismo entre a retórica e a realidade, entre a linguagem da prosperidade compartilhada e a prática da concentração de riqueza.

Falta de médicos no Hospital Veterinário Público do DF impacta atendimento a animais abandonados e famílias vulneráveis


Quarta, 21 de janeiro de 2026

Desligamento de veterinários aumentou espera por serviço; 55% dos lares no DF têm animal de estimação

Do Brasil de Fato — Brasília (DF)

Hospital Veterinário Público de Taguatinga é referência no atendimento gratuito a cães e gatos e atende uma população crescente de tutores no DF.| Crédito: Lúcio Bernardo Jr./Agência Brasília

Referência no atendimento público a animais, o Hospital Veterinário Público do Distrito Federal, localizado em Taguatinga, voltou ao centro do debate público após denúncias de precarização no atendimento devido ao desligamento de profissionais da unidade. A saída de cinco médicos veterinários ocorre em um cenário já marcado por longas filas, relatos de espera excessiva e alta demanda por serviços gratuitos de saúde animal, fundamentais para milhares de famílias do DF.

Dados da Secretaria do Meio Ambiente e Proteção Animal (Sema-DF) e da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan) indicam que 55% dos lares do DF possuem ao menos um animal de estimação. Ao todo, são cerca de 837 mil pets distribuídos em aproximadamente 679,7 mil residências, o que evidencia a dimensão da demanda por políticas públicas estruturadas na área de saúde animal.

Racismo, discurso de ódio e extrema direita: por que os terreiros lutam e não recuam

Quarta, 21 de janeiro de 2026

Encruzilhadas exigem posições em diálogo com as lutas históricas por democracia, direitos e políticas públicas

Do brasil de fato —Brasília (DF)
21.jan.2026 -
Francisco Nonato do Nascimento Filho


Povos de terreiro conquistaram políticas públicas no Brasil no último período| Crédito: Freepik

No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, os terreiros brasileiros saem às ruas para denunciar os efeitos estruturais do racismo religioso e enfrentar o avanço do discurso de ódio da extrema direita, representado pelo bolsonarismo. A data é marcada pela presença e pelo legado ancestral da saudosa Mãe Gilda de Ogum, fundadora do Axé Abassá de Ogum, vítima de racismo religioso, cuja memória inspira a resistência e fortalece a luta dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana.

A luta e a presença ancestral de Mãe Gilda de Ogum constituem fundamento necessário que impulsiona, em todo o país, iniciativas voltadas ao fortalecimento dos coletivos de terreiro e à incidência institucional, com o objetivo de garantir a promoção de políticas públicas específicas de enfrentamento ao racismo religioso. Dados sistematizados em 2025 indicam que 80% dos terreiros no país já sofreram algum episódio de racismo religioso, violência física ou material.

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

IA: A China tem outro projeto

Terça, 20 de janeiro de 2026

IA: A China tem outro projeto

Assumir, até 2030, liderança na nova tecnologia. Empregá-la para transformar a economia e as relações sociais. Apostar em códigos abertos, e no comando público. Quebrar monopólios. Exame da estratégia chinesa, a partir de seus documentos

OutrasPalavras                  Tecnologia em Disputa
Publicado 20/01/2026

Como qualquer observador dos temas digitais está cansado de saber, a inteligência artificial deixou de ser apenas uma tecnologia disruptiva para se tornar o epicentro de uma disputa geopolítica e geoeconômica que redefine as relações de poder no século XXI. Enquanto o mundo observa e os Estados Unidos tentam manter sua liderança, a China executa silenciosamente uma das mais ambiciosas estratégias nacionais da história recente: transformar-se na líder mundial de IA até 2030. Mas o que exatamente o país asiático busca com essa corrida tecnológica? Como veremos, a resposta vai muito além de inovação ou competitividade.

Durante duas décadas após a crise financeira asiática de 1997, a economia global prosperou com base numa sinergia simples: os Estados Unidos dominavam o software, a China fabricava o hardware. Essa complementaridade beneficiou ambos enormemente e impulsionou o crescimento mundial. A partir do primeiro governo Trump, Washington começou a usar a dominância de suas empresas em software para conter a ascensão chinesa, forçando a China a desenvolver substitutos próprios. Com escala, talento e recursos financeiros, o país asiático tem todas as condições para alcançar seus objetivos de autonomia tecnológica. Paradoxalmente, essa pressão americana está motivando a China a impedir justamente a emergência de dominância de sistemas ou plataformas em novas tecnologias como a IA por parte das empresas de tecnologia dos EUA — exatamente o que os investidores ocidentais esperavam conquistar.

Transformação como política de Estado

Em 2017, o governo chinês lançou o documento estratégico “New Generation Artificial Intelligence Development Plan” (AIDP), que estabeleceu marcos ambiciosos e cronologicamente precisos. Em 2020, a ideia principal seria alcançar paridade tecnológica com os líderes globais em IA, tornando a inteligência artificial um novo motor de crescimento econômico para a China.

Portal do MPDFT orienta pais sobre como identificar e enfrentar a violência infantil

Terça, 20 de janeiro de 2026


Plataforma reúne informações sobre identificação da violência, denúncia e fortalecimento dos vínculos familiares

Pais de crianças e adolescentes podem contar com uma nova ferramenta com informações para identificar sinais de violência, saber como agir e conhecer a rede de proteção. O Portal Criança e Adolescente, lançado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em dezembro de 2025, foi criado para fortalecer a garantia de direitos.

A plataforma apresenta mudanças de comportamento que podem indicar situações de risco e orienta sobre as providências a serem adotadas. A denúncia é garantida por lei, e todos os canais oficiais asseguram o sigilo. Ao denunciar, o responsável aciona uma rede integrada que atua na proteção da criança, do adolescente e da família. Pelo portal, também é possível consultar o fluxo simplificado desse atendimento.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A espantosa vitória da desigualdade

Segunda, 19 de janeiro de 2026

A espantosa vitória da desigualdade

Os bilionários tornaram-se cada vez mais fortes, na política e na mídia. Porém, em todo o mundo, vastas maiorias apoiam a redistribuição da riqueza. Como esta vontade é sequestrada? O que ela diz sobre a urgência de novo horizonte político?

OutrasPalavras                   Crise Civilizatória

Publicado 19/01/2026



Por George Monbiot | Tradução: Antonio Martins

Há um problema político do qual todos os outros derivam. É a principal impulso a Donald Trump e seus iguais, e a causa central da chocante fraqueza de seus oponentes, da polarização que dilacera as sociedades, da devastação do mundo natural. Numa frase: a riqueza extrema concentrada em um pequeno número de pessoas.

O fenômeno pode ser quantificado. O Relatório Mundial sobre a Desigualdade (WIR) de 2026 mostra que cerca de 56.000 pessoas – 0,001% da população mundial – detêm três vezes mais riqueza do que a metade mais pobre da humanidade. Isso se dá em quase todos os países. No Reino Unido, por exemplo, 50 famílias possuem mais riqueza do que 50% da população junta.

É possível acompanhar o crescimento de suas fortunas. Em 2024, segundo dados da Oxfam, a riqueza dos 2.769 bilionários do mundo aumentou em US$ 2 trilhões .O gasto global total com ajuda internacional no ano passado foi projetado em, no máximo US$ 186 bilhões – menos de um décimo do aumento em suas riquezas. Os governos nos dizem que “não podem arcar” com mais investimentos públicos. No Reino Unido, os bilionários ficaram, em média mais de 1.000% mais ricos desde 1990. A maior parte de sua riqueza deriva de imóveis, heranças e finanças. Em outras palavras, eles ficaram tão ricos às nossas custas.

Brasil: a Defesa necessária contra Trump

SEGUNDA, 19 DE JANEIRO DE 2026

Brasil: a Defesa necessária contra Trump

A guerra chegou à América do Sul. Mas Forças Armadas brasileiras estão concebidas como extensão do Pentágono. Transformá-las, preparando-as à defesa da soberania e livrando-as do combate ao “inimigo interno”, precisa estar na agenda nacional

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A capacidade militar do Brasil, desde a Segunda Guerra Mundial, é concebida como extensão do poderio do Pentágono. Uma nova conflagração generalizada se desenha e, seja qual for o seu desenrolar, obedecendo ou contrariando Washington, seremos afetados.

Se, na melhor hipótese, forem usadas armas convencionais a carnificina se prolongará por tempo indeterminável. Na pior, armas nucleares encurtarão a guerra e o resultado será inimaginável.

Nas últimas décadas, orientações de nossa Defesa Nacional (DN) foram reescritas sem novidades substantivas. Consistem em generalidades e truísmos sobre o quadro geopolítico acompanhadas de proposições rotineiras das Forças Armadas.

Esses documentos mostram a DN como matéria da alçada militar. Revelam que as armas mais complexas são importadas e o desenvolvimento de tecnologia própria não acompanha o ritmo frenético dos grandes atores internacionais. Parcerias tradicionais são preservadas. As fileiras estão prontas para preservar a Lei e a Ordem e cumprir múltiplas funções. Finalmente, concluem que a DN estaria melhor, não fosse a avareza do Estado.

sábado, 17 de janeiro de 2026

A política externa do império: projeção e produto de sua história

Sábado, 17 de janeiro de 2026

A política externa do império: projeção e produto de sua história

Por Roberto Amaral *

Nada do que estamos assistindo é estranho à história da formação da sociedade estadunidense, marcada pela violência da colonização, que é a semente de suas relações com o mundo, dos tempos ingleses e espanhóis dos primeiros aventureiros até aqui: animus de beligerância à beira da barbárie sem descanso, que, aos olhos da humanidade de hoje, apenas se aprofunda, pragmaticamente desapartada de limites éticos ou de cuidados semânticos, aposentado o vencido cinismo liberal do discurso “politicamente correto”.

O
 big stick permanece a postos; variável é tão-só a fala.


O far west não é um só momento da saga dos pioneiros. É uma ideologia de expansão e domínio. É o direito (ou a força que se transforma em direito) que se legitima pela efetividade. Ou, para usar termos mais amenos, que se efetiva pela sua naturalização. Frantz Fanon já nos falou sobre a alienação do colonizado, reproduzindo como seus os interesses do colonizador. Há pouco nos foi dado conhecer as incursões mais ou menos bem-sucedidas de políticos brasileiros de extrema-direita obrando junto à Casa Branca contra interesses nacionais. Igualmente são públicas as tratativas de plantadores de soja e exportadores de carne negociando, em nosso nome, em Washington, o tarifaço de Trump.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A Pax Americana: o império sem máscara

Sexta, 16 de janeiro de 2026



Artigo de Roberto Amaral*

A Pax Americana: o império sem máscara

“Vamos recuperar nosso quintal”
— Peter Hegseth, Secretário de Guerra dos EUA

Há escassa novidade por trás dos fatos: raramente o processo histórico se manifesta de forma tão coerente, clara e reveladora como nos últimos eventos que se abateram, se abatem e por muito tempo ainda se abaterão sobre a Venezuela e a América do Sul (passando pelo Brasil, ninguém se iluda), prolongando a tragédia do país vizinho, levado à miséria por ser naturalmente rico.

País soberano — ao menos no formalismo arcaico do direito internacional, sem forças de efetividade, portanto inútil, como é hoje a ONU, reduzida a mero fórum de debates sem consequência —, a República Bolivariana da Venezuela caminha de volta ao quadro colonial dos maus tempos espanhóis. Paga a pena de abrigar o maior estoque de reservas de petróleo bruto do mundo, nada menos que 303 bilhões de barris (cerca de 1/5 das reservas mundiais), superando Arábia Saudita e Irã. E superando, de longe, os EUA (detentores de algo entre 45 e 55 bilhões de barris), o que começa a explicar muita coisa.

ESTADO FEDERADO E UNITÁRIO. VARGAS E LULA. DEMOCRACIA E PARTICIPAÇÃO.

Sexta, 16 de janeiro de 2026

ESTADO FEDERADO E UNITÁRIO. VARGAS E LULA. DEMOCRACIA E PARTICIPAÇÃO.

Pedro Augusto Pinho

“Os dois grandes pontos de diferença entre uma Democracia e uma República são, primeiro, a delegação do governo, na última, a um pequeno número de cidadãos eleitos pelos restantes; segundo, a maior quantidade de cidadãos e a maior esfera de território sobre o qual a última se pode estender.
O efeito da primeira diferença é, por um lado, refinar e ampliar os pontos de vista do público, filtrando-os através do meio de uma assembleia escolhida de cidadãos, cuja sabedoria pode discernir melhor o verdadeiro interesse do seu país, e cujo patriotismo e amor da justiça terá menor probabilidade de sacrificar esse interesse a considerações temporárias ou parciais. Com tais normas, pode muito bem acontecer que a opinião pública, expressa pelos representantes do povo, seja mais consonante com o bem público do que se fosse expressa pelo próprio povo, reunido para o efeito. Por outro lado, o efeito pode ser inverso. Os homens de temperamento faccioso, com preconceitos locais, ou com desígnios sinistros, podem, por meio da intriga, da corrupção ou de outros meios, começar por obter os sufrágios, e em seguida trair os interesses, do povo.
A questão resultante é saber se as repúblicas pequenas são mais favoráveis do que as grandes à eleição dos guardiões adequados do bem-estar público; e é claramente decidida em favor das últimas por causa de duas considerações óbvias.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

O Irã que você não vê

Quarta, 14 de janeiro de 2026

O Irã que você não vê

Multidões tomam as ruas para apoiar governo que resiste à ameaça de Trump. Livro revela, em profundidade, riquezas, impasses e desafios de um país que se orgulha de cultura singular, da história que a constituiu e de sua autonomia preservada


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Por Natalia Maia Calfat

MAIS:
O texto que você lerá após a apresentação é o prefácio de
Por dentro do Irã, de Media Benjamin
Uma publicação da Autonomia Literária, parceira editorial de Outras Palavas

Evite a Amazon. “Por dentro do Irã” pode ser obtido diretamente no site da Editora Autonomia Literária

De súbito, fez-se o silêncio. Desde 28 de dezembro, os jornais do Ocidente reportavam, com entusiasmo e expectativa crescentes, a onda de protestos que ganhava corpo no Irã. A radicalização de alguns deles, que resultou em queima de mesquitas, cinemas e centros comerciais, foi vista como um prenúncio. Um regime que, apesar de suas contradições, desafiou por cinco décadas o supremacismo orgulhoso do Ocidente, aparentava estar nas cordas. Mas a partir desta segunda-feira (12/1) a crescente euforia deu lugar ao ocultamento.