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(Millôr Fernandes)

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Greve na UnDF chega ao fim após acordo com nova reitoria e o GDF


Sexta, 8 de maio de 2026

EDUCAÇÃO PÚBLICA
Greve na UnDF chega ao fim após acordo com nova reitoria e o GDF

Professores e alunos retomam atividades na terça-feira (12), mas seguem cobrando mudanças na gestão

Brasil de Fato — Brasília (DF)
8.maio.2026

Assembleia marcou a aprovação do termo negociado entre representantes da categoria e a administração da universidade. | Crédito: Kissila Mendes/SindUnDF

Após 48 dias de paralisação, professores e estudantes da Universidade do Distrito Federal Professor Jorge Amaury Maia Nunes (UnDF) decidiram encerrar a greve em assembleia realizada nesta quinta-feira (7). A retomada das atividades está prevista para a próxima terça-feira (12), após a assinatura de um termo de acordo firmado com a nova reitora, Fernanda Marsaro dos Santos, e o Governo do Distrito Federal.

A decisão representa um avanço nas reivindicações da comunidade acadêmica, embora o movimento destaque que pontos considerados prioritários ainda dependem de encaminhamentos definitivos. A categoria aceitou o acordo com a expectativa de que as pendências administrativas e políticas sejam debatidas em uma mesa permanente de negociação e em Grupos de Trabalho (GTs) específicos.

O fim da paralisação está vinculado à formalização de compromissos, entre eles a unificação da carreira do Magistério Superior e a revisão de decretos relacionados à estrutura de governança da universidade. Para docentes e estudantes, a substituição de Simone Benck por Fernanda Marsaro foi decisiva para restabelecer o diálogo entre a gestão da universidade e a comunidade acadêmica.
Vigilância e autonomia

O presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade do Distrito Federal (SindUnDF), Louis Blanchet, destacou que o encerramento da greve não representa o fim das cobranças. Segundo ele, existem pontos técnicos e institucionais que precisam de encaminhamento imediato para garantir o funcionamento adequado da universidade.

“Sem prejuízo do encerramento da greve, chamamos atenção para os pontos que demandam encaminhamento urgente por parte da gestão: a celeridade na composição dos Conselhos Superiores com 70% de docentes, conforme previsto na LDB, e a necessidade de suspensão imediata das eleições para Reitoria e revisão de todas as irregularidades existentes no processo eleitoral”, pontuou.

O dirigente também reforçou a necessidade de diálogo sobre o calendário de reposição das aulas e a organização dos espaços físicos, buscando evitar o esvaziamento do Campus Norte. Para Blanchet, a estruturação dos colegiados e coordenações de curso é essencial para que as decisões institucionais deixem de ser centralizadas no Poder Executivo.

A vice-presidente do SindUnDF, Kissila Mendes, avaliou o saldo da greve como “muito positivo” e destacou o alto índice de mobilização e de sindicalização da categoria. “A nossa pauta inicial não pedia a exoneração da reitora, mas a gente achou que realmente foi uma solução interessante para que ao menos consiga começar os diálogos, porque isso não era possível com a antiga reitoria.”

Segundo ela, o contexto vivido no Distrito Federal exigiu uma mobilização intensa para garantir que a universidade cumprisse seu papel social com autonomia. “É muito importante a gente mencionar que a luta não acabou, principalmente a nossa luta salarial para a gente entrar na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no ano que vem e as eleições de fato aconteçam de uma forma justa”, analisou.

Kissila também celebrou uma conquista direta para o corpo discente: a garantia de que os alunos matriculados em unidades que sofreram mudanças contratuais possam concluir seus cursos nos campos de origem. “É uma vitória muito positiva que vai demandar ainda muito planejamento futuro, mas principalmente para os estudantes que estão no campus, é a vitória de que eles se formem”, completou.
Desafios e o aluguel milionário

Movimento estudantil promete manter articulação contra gastos com estrutura privada e defender ampliação da assistência acadêmica. Crédito: Jhoni Alvim/Estudante da UnDF

Apesar do otimismo com o diálogo aberto pela nova gestão, os estudantes mantêm uma postura crítica em relação a gastos que consideram abusivos. A presidente do Diretório Central Acadêmico (DCA), Bárbara Oliveira, afirmou que o movimento estudantil retorna às salas de aula com a “guarda alta”, especialmente no que diz respeito à transferência de cursos para Ceilândia.

“Sim, estamos voltando, com muitas vitórias, mas desafios importantes e pontos de pauta importantes não atendidos. Seguiremos na luta! A luta contra o aluguel milionário do Iesb não acabou!”, declarou.

A crítica se refere ao contrato de R$ 110 milhões firmado pelo GDF para a utilização de uma estrutura privada, medida que a comunidade acadêmica considera um desvio de recursos que poderiam ser destinados à construção de sedes próprias e ao fortalecimento da assistência estudantil. Para os estudantes, a ocupação de prédios públicos é uma questão de princípio para uma universidade que se propõe pública e gratuita.

O acordo firmado prevê que o GDF institua, em até 15 dias, um Grupo de Trabalho para revisar a Lei nº 6.969/2021, tratando de temas como carga horária docente e controle de frequência por meio do Plano Individual de Trabalho (PIT). Além disso, a suspensão do edital de eleições permitirá uma revisão focada na proporcionalidade entre os segmentos da comunidade acadêmica.

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Editado por: Clivia Mesquita