Terça, 14 de junho de 2022
Divulgação/Funai
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Assassinato de indigenista Maxciel Pereira dos Santos, em setembro de 2019, segue impune; viúva disse que não recebeu informações sobre investigação por parte da Polícia Federal
14 de junho de 2022
Ciro Barros, Rubens Valente
ESPECIAL: VALE DO JAVARI — TERRA DE CONFLITOS E CRIME ORGANIZADO
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O desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips abalou Maria*. Três anos atrás, ela e a filha estavam na moto de outro indigenista, seu marido Maxciel Pereira dos Santos, quando ele foi morto com dois tiros na nuca na Avenida da Amizade, a principal via pública de Tabatinga (AM). Ocorrido em setembro de 2019, o crime não foi esclarecido até hoje pela Polícia Federal do Amazonas.
O esforço das buscas pelos desaparecidos e a cobrança pública por justiça lhe trouxeram, além da tristeza, um questionamento inevitável. “Por que não fizeram o mesmo sobre o Max? Fiquei muito revoltada. Eu me coloco no lugar da família deles, mas por que deixar a gente de lado?”, perguntou em entrevista concedida à Agência Pública. Maria não é seu verdadeiro nome, ela pediu para não ser identificada dizendo querer evitar o assédio da cobertura jornalística.
Maria conta que conheceu Maxciel em 2015 em uma festa na cidade de Atalaia do Norte (AM). O ex-servidor da Funai assumiu a filha de Maria de outro relacionamento e os dois ficaram juntos até a morte de Max, como era conhecido. Quando ele morreu, o casal morava com a mãe dela e estava para se mudar para uma casa própria em Atalaia. Viviam do trabalho de Max, pois Maria, professora, tinha sido demitida e sua única renda vinha da venda de “Din Din” (também chamado de geladinho ou gelinho em outros cantos do país).
Reprodução/Arquivo pessoal
Viúva de Maxciel lamenta falta de mobilização diante do assassinato do marido
Ela lembra vividamente do dia em que o marido foi assassinado. Era 6 de setembro de 2019 e Max havia acabado de retornar da base de proteção da Funai no posto do Rio Curuçá. “Ele chegou por volta das 9 horas [da manhã]. Eu já estava pronta esperando, a gente pegou a baleeira e descemos o rio, fomos pra Tabatinga. Chegamos lá por volta da uma hora da tarde, fomos pra mãe dele. Saímos para comprar almoço e, quando a gente terminou de almoçar, fomos pra casa do irmão dele, onde a gente ficava hospedado. Ficamos lá descansando até às cinco e meia que foi quando eu senti fome e chamei ele pra ir jantar. Quando a gente saiu, foi coisa de dez minutos e aconteceu a tragédia”, relembra. A voz embarga na hora.



