Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Caos total no Hospital Getúlio Vargas de Recife. Vídeo e fotos mostram o que parece mais um hospital de guerra sob bombardeio

Quarta, 23 de janeiro de 2019

O vídeo acima mostra o caos no Hospital Getúlio Vargas, em Recife, Pernambuco. Gravado por Joaquim Dantas, do Blog do Arretadinho (DF) e editado (desfocando algumas imagens, para preservar pessoas, e retirando ruídos) por Paulo Tavares do Portal DFemFoco. Vídeo da madrugada, por volta das 2 horas, do dia 23 de janeiro de 2019.

A seguir, ouça o áudio do relato feito por Joaquim Dantas, o blogueiro de Brasília, a respeito do caos absoluto no Hospital Getúlio Vargas.


Abaixo, imagens chocantes com o "tratamento" dado ao brasileiro-cidadão-contribuinte no Hospital Getulio Vargas, Recife. Imagens dos dias 22 e 23 de janeiro de 2019, feitas por Joaquim Dantas, editor do Blog do Arretadinho, um blog de Brasília.







As duas imagens logo abaixo não mostram pessoas em situação de rua, mas acompanhantes de pacientes no Hospital Getúlio Vargas, em Recife, capital de Pernambuco. 

A saúde pública não é mercadoria

Quarta, 23 de janeiro de 2019
O conceito de estado mínimo trazido por Ibaneis para desmontar o SUS no DF privilegia a iniciativa privada e, principalmente, as empresas de seguros de saúde.


Do Metrópoles
Por Maria José Maninha*
Em maio de 2000, a Fundação Hospitalar do DF era extinta e incorporada à estrutura da Secretaria de Saúde (SES). Essa estrutura incorporava o modelo do Sistema Único de Saúde (SUS). Tal concepção e sua prática, apesar dos recursos escassos, trouxeram à capital federal um grau de excelência na sua prestação de serviços.
A rede, composta de hospitais regionais, um hospital terciário, centros de saúde, UPAS, e as unidades básicas é suficiente para o atendimento à população, apesar de todos os problemas existentes. Porém, ao longo do tempo, os sucessivos governos degradaram a sua capacidade assistencial, como também introduziram modelos de gestão que trazem no cerne da sua formulação e execução, a gradativa transferência de recursos públicos para o setor privado através das chamadas organizações sociais (OS).
O governador Ibaneis enviou um projeto de lei à CLDF, onde cria o Instituto de Gestão Estratégica da Saúde do DF (IGESDF), abrangendo as UPAS, Hospital de Santa Maria, Hospital Materno Infantil, Hospital Regional de Taguatinga e o Instituto Hospital de Base. Cria duas espécies de entes públicos: uma Secretaria de Saúde, que fará a gestão das chamadas ações básicas, com servidores públicos cuidando da assistência primária, vacinações, campanhas, alguns hospitais; e outra, o IGESDF, que se caracteriza como uma organização social, onde os servidores serão contratados pela CLT e sem concurso publico.
Não é demais lembrar que durante a campanha eleitoral, Ibaneis disse que revogaria a lei que criou essa aberração. Dois grandes crimes serão cometidos: primeiro, a estrutura física, tais como prédios, terrenos, equipamentos, maquinas, gráficas, etc, serão repassados à iniciativa privada num toque de mágica, destruindo décadas de trabalho e recursos financeiros. Dessa forma, o governo Ibaneis vai comprar os exames realizados por essas OS, utilizando os equipamentos do setor público.
E o segundo crime é criar modelos diferentes de contratação, carga horária e salários diferenciados para os novos servidores. O que há por trás de tudo isso? A melhoria do serviço e a eficiência no atendimento? Não! O modelo já implantado não diminuiu as filas e as dificuldades para marcação de consultas, exames e cirurgias. Exemplo é o caso do paciente L.M.L, que internado com cardiopatia grave no Instituto Hospital de Base, permaneceu ali por mais de 45 dias aguardando uma transferência para o Instituto do Coração (Incor).
Outros, conforme denúncias apresentadas ao Ministério Púbico, estão à espera por semanas e até meses aguardando cirurgias na área de ortopedia. Portanto, criar essa entidade, que não seja de caráter público, não é um modelo que resolverá os graves problemas do SUS no DF. A solução é investir imediatamente nas ações básicas, como feito em 1998, retirando a população das portas dos pronto-socorros e atendendo as famílias na sua área de moradia.
Mais servidores
Temos de equipar os hospitais e UPAS e contratar mais servidores através de concursos públicos. Nos países mais avançados, como Canadá e Inglaterra, entre outros, esse modelo é eficiente e tem qualidade, trazendo satisfação para a população. O conceito de estado mínimo trazido por Ibaneis para desmontar o SUS no DF privilegia a iniciativa privada e, principalmente, as empresas de seguros de saúde.

Não podemos imaginar um sistema que criará a dicotomizção da medicina do pobre e da medicina do rico, como está previsto nesse projeto. Não dará certo. Quem tiver dinheiro, recorrerá aos seguros de saúde. Poucos estados brasileiros tiveram a desfaçatez e tamanho descaso com o SUS e com o sistema público de ensino como esse governador!
Ao invés de convocação extraordinária da Câmara Legislativa, sem nenhuma necessidade, o governador deveria ouvir as entidades representativas do funcionalismo e dar o tempo necessário para o debate sobre seus projetos. Não se entende por que tanta pressa! Deveria haver audiências públicas e debates! É preciso uma ação unificada dos movimentos.
*Maria José Maninha é ex-secretaria de Saúde do Distrito Federal e ex-deputada federal.

Mãe civilizadora


Janeiro
23 
Mãe civilizadora
Em 1901, no dia seguinte ao último suspiro da rainha Vitória, começaram em Londres suas solenes pompas fúnebres.
A organização não foi fácil. Merecia uma grande morte essa rainha que havia dado nome a toda uma época e tinha deixado exemplo de abnegação feminina vestindo luto, durante quarenta anos, em memória de seu falecido marido.
Vitória, símbolo do império britânico, dona e senhora do século XIX, havia imposto o ópio na China e a vida virtuosa em sua nação.
No centro de seu império, eram leitura obrigatória as obras que ensinavam a respeitar as boas maneiras. O Livro de etiqueta, de Lady Gough, publicado em 1863, desenvolvia alguns mandamentos sociais da época: era preciso evitar, por exemplo, a intolerável proximidade dos livros de autores com os livros de autoras nas prateleiras das bibliotecas.
Os livros só podiam se juntar se o autor e a autora estivessem unidos em matrimônio, como era o caso de Robert e Elizabeth Barrett Browning.

Eduardo Galeano, no livro “Os filhos dos dias”,
2ª edição, folha 37, editora L&PM.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Acusada de lavagem de dinheiro, Liliane Roriz é absolvida pelo Conselho Especial do TJDF

Terça, 22 de janeiro de 2019
                                                           Foto: CLDF

Do TJDF
O Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, por maioria, decidiu julgar improcedente a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e absolveu a ex-deputada Liliane Roriz do crime de lavagem de dinheiro apurado na operação “Aquarela”.
Segundo a denúncia do MPDFT, a deputada teria ocultado bens, os registrando em nome de sua filha, que seriam fruto de crime de corrupção passiva, praticado por seu pai, o ex-governador Joaquim Roriz, funcionários do Banco Regional de Brasília - BRB e os proprietários da construtora WRJ Engenharia de Solos e Materiais Ltda. O ex-governador teria recebido 12 apartamentos em Águas Claras em troca de obter, junto ao BRB, renegociação da dívida da construtora que foi responsável pelo empreendimento imobiliário onde estão situados os questionados apartamentos. 
A deputada apresentou defesa na qual alegou não ter cometido nenhum tipo de crime e que no processo não haviam provas que pudessem dar suporte às alegações do MPDFT. A defesa também argüiu questão preliminar, na qual requereu a remessa do processo para a 1ª Instância, tendo em vista o fim do foro por prerrogativa da acusada.
Quanto a questão preliminar, os desembargadores, por unanimidade, entenderam que, como o processo já estava apto para julgamento, a competência do Conselho Especial para julgá-lo deveria ser mantida, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.
No tocante ao mérito, a maioria dos desembargadores entendeu por absolver a ex-deputada, pois, no sentido do que foi alegado pela defesa, constataram que o MPDFT não logrou êxito em juntar provas suficientes a ensejar uma condenação. Apenas um dos magistrados entendeu que a ex-deputada deveria ser condenada.
Veja também:

Por que é preciso dizer não ao Projeto de Lei da Saúde no DF?

Terça, 22 de janeiro de 2019
Por
Ex-diretora da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB. (2014-2018)

O Projeto de Lei (PL) encaminhado pelo Palácio do Buriti à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) fere o artigo 196 da Constituição Federal (CF/88) que afirma: “Saúde é Direito de Todos e Dever do Estado”. Outros países onde o direito à saúde é universal não pegaram atalhos, a exemplo do Canadá e Reino Unido, referências mundiais, mas julgo que o DF inicia uma contramão na história da saúde pública.
A CF/88 regulamentou em seu artigo 199 que é livre à iniciativa privada exercer no mercado suas ações; no entanto, essa será de forma complementar ao SUS, que por sua vez comprará serviços, preferencialmente das instituições filantrópicas e sem fins lucrativos. Proibida a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às instituições com fins lucrativos. E mais, que os serviços a serem comprados sejam somente aqueles que a rede pública não tiver condições de oferecer. Além disso, os contratos, convênios ou outros instrumentos jurídicos devem ser regulados pelas Secretarias de Estados e Municípios, conforme as diretrizes do SUS.
Portanto, como é do conhecimento de todos (as), o DF dispõem de uma rede física instalada considerável, de uma Escola de Medicina e Enfermagem de alto padrão, parcerias institucionais qualificadas e, principalmente, de um corpo de servidores abnegados, que há décadas sofrem com a precarização do seu processo de trabalho, com subtração e/ou uso indevido de verbas públicas, que levam ao descaso, ao sucateamento, e a crises permanentes na saúde pela falta de decisão política para a implantação real do SUS.
Logo, o que avistamos é a concepção clientelista da ação governamental, justificado pelas narrativas de que as OS são mais eficientes, econômicas e desburocratizadas na aquisição de insumos ao apoio de diagnósticos e terapêuticos. O que não é fato. Fato é a terceirização de sua responsabilidade constitucional. Mais grave, a subtração dos recursos públicos, que é irracional, portanto, um desserviço, prejudicando cada vez mais os pobres. A OS custa mais aos cofres públicos, pois é mais cara, com eficiência duvidosa e portas abertas à corrupção. O Rio de Janeiro e outras unidades federadas, exemplificam bem essa questão.
Investir somente em Hospitais desorganiza o sistema. Traz de volta o velho modelo centralizado nas especialidades médicas, nas condutas por vezes excessivas de gastos, com solicitação de exames ao apoio diagnóstico e terapêutico. Assim, seu incentivo é uma dupla porta ao acesso das ações e serviços de saúde, quando é necessário estruturá-lo a partir das Unidades Básicas de Saúde, vinculando-as aos demais pontos do sistema, formando Redes de Atenção Integradas. Ou seja, é preciso desenhar uma rede assistencial que promova a saúde e previna doenças.
Estudos realizados comprovam ser infinitamente mais custosa a lógica organizativa de sistemas de saúde tendo o hospital como porta de entrada, confirmando, assim, que a tão proclamada economia de recursos públicos não se justifica nem corresponde à verdade das intenções.
A inserção dos trabalhadores da saúde por regimes diferenciados, uns estatutários outros celetistas, regidos pelo mesmo processo de trabalho não é apenas porta aberta aos conflitos, como desestímulo ao crescimento de suas carreiras e indefinição de seu futuro, emprego, renda, salário e aposentadoria.  Em vez de enviar um Projeto terceirizando a responsabilidade de governar a saúde, o governador deveria optar por atitudes republicanas e corresponsáveis no ato de gerir o Aparelho de Estado. Destacaria em particular o respeito ao Legislativo e outros poderes do Estado, garantidos em cláusulas pétreas pela CF/88. O governador tem o dever de ofício de conhecer e compreender as interpelações da República Federativa do País.
Nessa esteira, é preciso e é chegada a hora do DF exercer a pedagogia da exemplaridade, sendo o farol que iluminará o fortalecimento do SUS, partindo de algumas medidas que considero essenciais, vejamos:
A- BARRAR de vez essa onda de privatização, evitando seu crescimento assustador, que compromete, seguramente, as funções essenciais da Secretaria de Saúde, indo na contramão dos valores e princípios organizativos do SUS: universalidade, integralidade e equidade. Não conceber o patrocínio do setor privado via mercado, planos e seguros-saúde, por meio de contratação coletiva para funcionários públicos, concepções de subsídios, inserções e renúncias de arrecadações fiscais e outros incentivos.
B- DEIXAR nas páginas do passado essa cantilena de que o SUS não funciona, é ineficiente e “travado” pela Lei de Responsabilidade Fiscal e de Licitação (8666). Para isso, há instrumentos de Gestão, com planejamento e programação, capazes de antever as situações e os problemas.
C- ZERAR o erro clássico de culpar os servidores pelos problemas históricos da Saúde, que não foram por eles criados. Ao contrário, há relatos de que muitos deles retiram do seu bolso recursos para comprar materiais básicos para não interromper o funcionamento das unidades em que trabalham. Se faz necessário vinculá-los, principalmente à rede básica, por concurso público e de forma dialógica, evitando tendões emocionais, problemas de saúde mental. Cuidar de quem cuida é premissa vital. A mesa de negociação com os servidores, para mediar as relações e valorização do trabalho, é uma das experiências exitosas que implantamos quando fui gestora da secretaria da atenção básica do MS e que pode ser replicada.
D- TOMAR a decisão política de inverter o atual Modelo de Atenção à Saúde – que está voltado para privilegiar a assistência individual-curativa, para indução ao consumo de procedimentos ao apoio diagnóstico, exames clínico-laboratoriais, leitos hospitalares, sobretudo de longa duração, que beneficia e enriquece, dia após dia, o setor empresarial do complexo médico-industrial.
Em direção contrária, é imperativo que se implante em todas as Regiões Administrativas as Estratégias de Agentes Comunitários e saúde da família (o que foi denominado - “Saúde em Casa”, para fortalecer a Atenção Básica e definir com clareza o perfil dos hospitais - em Rede Integrada, com isso, finalmente o SUS constitucional.
E- ABRIR mesa de negociação com os governos do Goiás, Minas Gerais e outros Estados da região para negociar o Ressarcimento à SES-DF pelos serviços prestados aos usuários, sobretudo daqueles que dispõem de planos privados de saúde.
F- FORTALECER os conselhos de saúde e, junto com eles, outras entidades do setor saúde (Universidades, Faculdades, Sindicatos), para debater os complexos desafios e conflitos que permeiam, décadas após décadas, o SUS no DF.
G - USAR do poder junto à bancada dos deputados federais (base de apoio), articulando, junto ao Governo Federal e ao Congresso, o fim da Emenda Constitucional 95, que congela os investimentos em saúde, educação e assistência social pelos próximos 20 anos. Aliás, ação do governo Temer e da bancada do MDB, partido do Governador. Os ajustes fiscais para as áreas essenciais ao desenvolvimento humano integrado, sustentável e saudável devem ser substituídos por alternativas à consolidação do SUS no DF, onde o mesmo seja verdadeiramente público, gratuito e de qualidade como reza a Constituição Federal.
Por essas e outras ações equivocadas, já sabemos o desfecho... Mais dores e mortes da nossa gente, enquanto rolam as negociatas e ameaças àqueles (as) que não colocam seus mandatos e valores à venda. Até porque os mandatos são delegações do povo, não vontades próprias.
Fonte: http://fatimasousa.com

Combate à corrupção: MPF amplia análise de transparência de recursos repassados às organizações sociais de saúde

Terça, 22 de janeiro de 2019
Ranking da transparência divulgado pela CGU no ano passado não abrange verbas repassadas a essas organizações

Do MPF

O Ministério Público Federal (MPF) em Pernambuco (PE) instaurou novo procedimento administrativo com a finalidade de fiscalizar a qualidade das informações de transparência fornecidas pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) e pelas organizações sociais de saúde, de 2010 a 2018. O MPF também instaurou outro procedimento para acompanhar a alimentação dos portais da transparência da SES e das organizações em 2019. A responsável pelo caso é a procuradora da República Silvia Regina Pontes Lopes.

ABDV (Associação Brasiliense de Deficientes Visuais) faz manifestação pela acessibilidade na Rodoviária do Plano Piloto amanhã (23/1)

Terça, 22 de janeiro de 2019
Fontes:  ABDV — Associação Brasiliense de Deficientes Visuais
e Portal Gama Cidadão




Ato pacífico está marcado para as 09 horas desta quarta-feira (23/1), na Plataforma C da Rodoviária, próximo a saída do Metrô.


A ABDV Associação Brasiliense de Deficientes Visuais realiza nesta quarta-feira (23/01), na Rodoviária do Plano Piloto, uma manifestação em prol da acessibilidade no transporte público e terminais de ônibus. O ato tem caráter pacífico e acontecerá às 09h e às 18h no terminal rodoviário central. O objetivo é chamar atenção para a necessidade do uso do piso tátil para as pessoas com deficiência terem seus direitos de ir e vir respeitados e da urgência na adequação dos ônibus e terminais. Visando dar visibilidade as suas demandas, e conscientizar sobre a necessidade do cumprimento das Normas de acessibilidade nos espaços públicos. Além da Manifestação, haverá distribuição de panfletos à população.
De acordo com o diretor de comunicações da ABDV, “a luta por conscientização das pessoas é necessária, pois o piso tátil é de uso exclusivo, e não tem lugar para ambulantes transitarem. E necessário que a população entenda a real necessidade desse espaço por que é ele que conduz as pessoas com deficiência visual ao seu destino”, justifica.
Não são apenas os passageiros que sofrem com a ausência do Estado no maior terminal rodoviário da capital do país. Comerciantes reclamam da concorrência desleal de ambulantes e da completa ineficiência da Agência de Fiscalização (Agefis) para repreendê-los.
Contatos:
Denise, presidente da ABDV (61) 98114-6610
Justino, vice-presidente da ABDV (61) 98164-5565


Foto/Reprodução

USP: molécula pode ajudar a combater insuficiência cardíaca

Terça, 22 de janeiro de 2019
Estudo é do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de SP

Por Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil
Uma molécula desenvolvida no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) poderá aumentar a qualidade e a expectativa de vida das pessoas que sofrem de insuficiência cardíaca – hoje em torno de cinco anos para grande parte deles. A nova molécula – feita pelo ICB em cooperação com a Universidade de Stanford, dos Estados Unidos – abre caminho para novos medicamentos capazes de frear a evolução da doença de maneira mais eficaz do que os já disponíveis.

Militares golpistas são presos na Venezuela por se rebelarem contra o governo

Terça, 22 de janeiro de 2019
Por Agência Brasil* 
As Forças Armadas da Venezuela anunciaram hoje (20) a captura e prisão de um grupo de soldados que se rebelou contra o governo. Segundo os oficiais, será aplicada a “força da lei”. Em comunicado, os militares informam que os “rebeldes” eram oficiais da Guarda Nacional Bolivariana e são suspeitos de roubar um lote de armas de guerra e sequestro de quatro agentes.

Patrimônio dos 26 mais ricos do mundo equivale ao da metade mais pobre

Terça, 22 de janeiro de 2019
Relatório da Oxfam mostra que patrimônio dos 26 mais ricos do mundo equivale ao dos 3,8 bilhões mais pobres - Arquivo/Agência Brasil

O dado foi divulgado pela organização Oxfam

Por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil
As 26 pessoas mais ricas do mundo detêm a mesma riqueza dos 3,8 bilhões mais pobres, que correspondem a 50% da humanidade. Os dados, referentes a 2018, fazem parte do relatório global da organização não governamental Oxfam, lançado hoje (21), às vésperas do Fórum Econômico Mundial, que se inicia amanhã (22) em Davos, na Suíça. Os números indicam que a riqueza está ainda mais concentrada, pois, em 2017, os mais ricos somavam 43.

A fortuna dos bilionários aumentou 12% em 2018, o equivalente a US$ 900 bilhões, ou US$ 2,5 bilhões por dia. A metade mais pobre do planeta, por outro lado, teve seu patrimônio diminuído em 11% no mesmo período. Além disso, desde a crise econômica iniciada em 2007, o número de bilionários dobrou no mundo, passando de 1.125 em 2008 para 2.208 no ano passado. O relatório indica ainda que os homens têm 50% mais do total de riqueza do mundo do que as mulheres.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

O risco de um conflito bélico com a Venezuela

Segunda, 21 de janeiro de 2019

Por 
Salin Siddartha
Neste momento, o Brasil tende a atuar como um agente de confronto aos governos latino-americanos que se opõem aos Estados Unidos da América. As visitas de John Bolton, Mike Pompeu e Mauricio Macri ao nosso país se traduzem como ordem expressa de Washington no sentido de conclamar o Presidente da República Jair Bolsonaro a aliar-se com a Colômbia, Argentina e demais governos de direita da América Latina para derrubar Nicolas Maduro e desestabilizar Cuba e Nicarágua, com um enfrentamento agressivo ao que estes dois países representam na configuração geopolítica atual.

De fato, já se verifica um risco de conflito armado com a Venezuela, o qual pode evoluir por etapas ou acontecer, simultaneamente, em táticas híbridas de combate. Em princípio, um possível boicote nas exportações brasileiras de alimentos pode acarretar um maior surto de fome naquele país sem que seja necessária uma intervenção de nossas tropas, embora não possam ser descartadas ações de guerrilha muito localizadas e pontuais, com sabotagens fisicamente destrutivas, realizadas por intermédio de aplicações de forças de operações especiais.

É triste atestar que, apesar de nossa relação comercial com a Venezuela ainda apresentar um superávit de mais de meio bilhão de dólares, nosso comércio bilateral já foi muito mais lucrativo antes de Michel Temer embarcar no apartheid ideológico imposto pelo mercado financeiro internacional à Venezuela. Até 2015, tínhamos um lucro comercial anual de 5 bilhões de dólares em uma balança de pagamentos que envolvia um pouco mais de 6 bilhões de dólares. Essa queda acontece em troca de uma substituição de parceria comercial com os Estados Unidos, altamente deficitária para nossa economia. Em suma, estamos perdendo divisas em prol de um posicionamento ideológico que não só não enche a barriga do brasileiro, mas também esvazia o estômago de nossos irmãos venezuelanos. Em caso de um boicote mais severo de nossa parte, ainda azedaremos um prejuízo historicamente sem par proporcional, mesmo que, na atualidade nosso lucro comercial ainda seja menor do que antes era.

Destarte, adversamente ao que se possa esperar, os venezuelanos são vistos pela espionagem dos Estados Unidos como um povo difícil de submeter-se a uma rendição, visto que já demonstraram historicamente um aguerrido espírito de luta e se encontram belicamente mais bem municiados do que nós brasileiros. Acrescente-se que o nacionalismo chavista impregnou, nas forças armadas deles e naquela população, um sentimento antiestadunidense tão forte, que agrupa recursos de heroísmo suficientes para desencorajar ataques que possam vir a ser bem sucedidos no interior daquele território.

Encarado por outro aspecto, o claudicante assessoramento prestado por extremistas de direita a Donnald Trump faz com que o Presidente norte-americano trilhe, muitas vezes, por um terreno desconhecido e aventureiro, ao qual empresta uma visão patologicamente preconceituosa e racista em relação aos latino-americanos.

  O equívoco de análise e assessoramento à Casa Branca dos serviços de previsão de confronto da sessão para a América do Sul talvez não tenham dimensionado a contento que, se os Estados Unidos impuserem uma guerra à Venezuela, é certo que China e Rússia se envolverão diretamente ou indiretamente e, na última hipótese, fornecerão financiamento, armas, treinamento, tecnologia militar e apoio logístico ao Governo de Maduro. É que a China possui interesses comuns com o regime bolivariano, o que acarretará a ingerência dela e, provavelmente, da Rússia em proteção aos seus negócios naquela nação. Seria uma reação de defesa para com seus aliados no Continente.

Não encontraria facilidade para ser concretizada qualquer atitude belicosa do Brasil á Venezuela, por mais que seja instada por categórico apoio de Donnald Trump. Ainda que uma invasão protagonizada pelas Forças Armadas brasileiras na Venezuela venha a ser bem sucedida, seu epílogo seria demasiadamente demorado, dadas as condições no cenário de combate no país vizinho.

Tudo se daria em um teatro de incursões tão sacrificante, que a vitória de Pirro se corporificaria em perdas lamentáveis para um país como o Brasil, de tão grande vulto e compostura mundial. O prejuízo a amargar seria deveras destrutivo em todos os sentidos. E tudo sairia a um preço econômico, político e social muito caro e perigoso para as consequências nacionais de nossa própria independência. (Pior ainda: tudo pretextado a título de uma patriotada que servisse para justificar nosso compromisso com os princípios defendidos pelos EUA  neste hemisfério.)

De mais a mais, qualquer reação carreada para esse objetivo terá de acarretar o fechamento da fronteira de Roraima com a Venezuela; nesta hipótese, aquele Estado brasileiro passaria por sérios problemas advindos das relações ilícitas praticadas promiscuamente entre autoridades políticas brasileiras, militares, empresários, contrabandistas, traficantes, chineses e venezuelanos. É que Roraima está mergulhada em uma das mais densas gosmas fétidas produzidas pela corrupção neste quadrante da América. Por si só, isso torna muito difícil uma invasão com tropas brasileiras à Venezuela, que detém os cordões titiriteiros capazes de manipular, com certa mestria, os papéis a serem jogados por meio de escandalosa chantagem de repercussão internacional suficiente para comprometer nossa Nova República quase que por inteira.

Atente-se do mesmo modo que metade da energia elétrica consumida em Roraima é produzida na Venezuela e que os 50% restantes custam 5 vezes mais caro do que aquele Estado brasileiro paga para ser suprido pela energia elétrica fornecida a nós pelos venezuelanos. No caso de uma guerra, ficaríamos, de imediato, sem abastecimento de energia, o que inviabilizaria a própria incursão de nossos combatentes àquele país. Outrossim, metade de Roraima depende do contrabando de ouro, diamante, gasolina e diesel da Venezuela, afora a venda de produtos de primeira necessidade para a máfia dos chineses e militares brasileiros que contrabandeiam para a Venezuela. São pessoas de ambos os países que enriqueceram em torno de 3 mil vezes nestes últimos 3 anos (elas não vão querer largar essa situação privilegiada tão facilmente – Roraima perderia muito mais que a Venezuela).

Igualmente nesse contexto, a Venezuela não está sozinha. Ela tem, hoje, 15 nações e povos indígenas parentes habitando na Amazônia roraimense. São gentes detentoras de dupla nacionalidade emparedadas naquela região. Ademais, encontram-se quase 2 vezes mais brasileiros vivendo na Venezuela do que venezuelanos vivendo no Brasil, mesmo na conjuntura migratória por que passa a Venezuela nos últimos 3 anos. Segundo o Relatório Internacional de Migração, divulgado pelo Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais (DECA). Os dados oficiais apontam 6.119 imigrantes do Brasil vivendo naquela nação (brasileiros que lá têm vida estabelecida e moram com suas famílias, ou sobrevivem do garimpo naquelas terras), enquanto o número de venezuelanos vivendo no Brasil é de 3.515 pessoas. Isso levando-se em conta que o número de venezuelanos que migraram para nosso país aumentou cerca de mil por cento durante este período levantino de três anos. Os dados informam também que apenas 53,2% daqueles nossos vizinhos que cruzam a fronteira em Roraima se instalam aqui, os restantes 46.8% se destinam a outros países, onde se fixam.

Portanto, por mais que Washington conclame Jair Bolsonaro a uma operação armada para derrubar o governo de inspiração chavista, a estultícia de um presidente brasileiro desavisado esbarraria no capacitado preparo do Alto Comando das Forças Armadas do Brasil. Elas sabem avaliar riscos e o fazem preventivamente com um sistema de informação e inteligência quase impecável. É um exercício a que nossos militares se dedicam diuturna e cotidianamente, e com muito brio.

Cruzeiro-DF, 21 de janeiro de 2019

SALIN SIDDARTHA