
“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."
(Millôr Fernandes)
terça-feira, 6 de outubro de 2026
FICOU DE FORA —Após ser acusado de forçar companheira a abortar, Guto Zacarias (Missão) não consegue se eleger em São Paulo

REPRESENTAÇÃO —Keka Bagno será primeira mulher negra de esquerda na Câmara Legislativa do DF

segunda-feira, 5 de outubro de 2026
Löwy: Lula e a corrida pela virada
Löwy: Lula e a corrida pela virada

Michael Löwy em entrevista a Thiago Gama
Michael Löwy respondeu por escrito às perguntas desta entrevista quatro dias antes do primeiro turno. Quando escreveu que precisamos ganhar tempo, ninguém sabia ainda como terminaria a noite de domingo. Terminou com Flávio Bolsonaro em 47,03% dos votos válidos, 56.104.503 eleitores, e Lula em 45,16%, 53.879.538. Pouco mais de dois milhões de votos separam um do outro, e três semanas separam o país do dia 25 de outubro. No Congresso que toma posse em 2027, o PL terá a maior bancada que uma única legenda já teve desde 1988, com 121 deputados, e elegeu dezenove senadores de uma vez. A federação PSOL/Rede ficou a 185 votos de cumprir a cláusula de barreira no Espírito Santo, 1,49% onde precisava de 1,5%, e perdeu o fundo partidário e o tempo de televisão. Com ela caíram o PDT, o Avante, o Solidariedade. Dos dez partidos e federações que passaram a cláusula, um só é de esquerda.
O que fazer? —Esquerda deve ocupar seu lugar e falar seu nome claramente, diz Safatle sobre 2º turno
O QUE FAZER
Filófoso analisou resultados eleitorais e disse ao BdF que PT terá que fazer 'o maior trabalho político da história'
Brasil de Fato — São Paulo (SP)
Publicado originalmente no BdF de 4.out.2026 — 20h51
José Eduardo Bernardes
O filósofo Vladimir Safatle | Crédito: Arquivo pessoalEntre 2018 e 2022, afirmou o filófoso, foram as instituições que barraram os avanços da extrema direita no Brasil, como o Supremo Tribunal Federal e até o Congresso. Mas, para Safatle, “a gente não tem mais certeza nenhuma de institucionalidade democrática que possa suportar um governo Bolsonaro”.
“Não vai ter mais o sistema de contenção que o primeiro governo Bolsonaro teve. Quando o fascismo volta, como a gente está vendo com Trump, ele volta com muito mais força, muito mais força de destruição. Ele sabe muito bem onde estão os campos de resistência e ele trabalha nesse sentido”, completo
Ao analisar este terceiro mandato do presidente Lula, Safatle explicou que “a política foi para os extremos, só que o Brasil só tem um extremo, que é a extrema direita”.
“Não dá para a esquerda fazer esse papel mais. A esquerda tem que ocupar o seu lugar, tem que falar o seu nome claramente”, completa.
O filósofo faz uma relação importante sobre as recentes vitórias da esquerda no mundo e cita especificamente dois locais emblemáticos: Nova York, com a vitória de Zohran Mamdani, e a recente conquista do partido Die Linke, na prefeitura de Berlim, na Alemanha.
“O que os Socialistas Democráticos da América nos ensinam em Nova York? Eles apresentaram pautas substantivas, congelamento de aluguel. Nunca no Brasil uma prefeitura de esquerda fez congelamento de aluguel, e ele [Mamdani] fez em Nova York”.
Editado por: Lucas Estanislau
VITÓRIA FEMININA —Erika Hilton é reeleita com quase 1,6 milhão de votos e se torna a mulher mais votada da história para a Câmara

A marca supera a de Joice Hasselmann, eleita em 2018 com 1.078.666 votos. Hilton também multiplicou por mais de seis o resultado que teve em 2022, quando recebeu 256.903 votos.
HISTÓRICO —Fábio Félix é eleito deputado federal mais votado do Distrito Federal nas eleições de 2026

domingo, 4 de outubro de 2026
Quem controla o sistema de transporte do DF, e para quem?

Quanto à qualidade do transporte público, em 2026 o sucateamento do metrô ficou mais evidente com interrupções no serviço e redução na frota
Nesse sentido, um questionamento surge em meio aos problemas diários enfrentados pela população e às promessas de campanha: quem controla o sistema de transporte do DF, e em benefício de quem?
Eleições: A ameaça invisível das big techs
Eleições: A ameaça invisível das big techs

Claudius Ceccon
Título original: Gerrymandering Digital: Como as Redes anipulam Eleições no Brasil
(Publicado originalmente em 3/2/26)
Por Reynaldo Aragon e Eden Cardim* | Arte: Claudius Ceccon
A Eleição Invisível
A eleição brasileira de 2026 já começou — e ela não está acontecendo no território físico, mas no território cognitivo. Enquanto o debate público olha para pesquisas, candidatos e alianças partidárias, a disputa real se desenrola em outra camada da realidade: a arquitetura invisível das plataformas digitais, onde algoritmos e capital privado constroem aquilo que chamo de gerrymandering digital. Trata-se de uma técnica sofisticada, capaz de reorganizar o eleitorado não por regiões geográficas, como no gerrymandering clássico, mas por regiões emocionais, grupos de comportamento, padrões de vulnerabilidade psicológica e tendências de engajamento afetivo. Em vez de redesenhar distritos no mapa, as plataformas redesenham o mapa mental do país.
O funcionamento é simples e brutal. Cada pessoa, ao interagir nas redes, deixa um rastro contínuo de sinais: medos, crenças, preferências, horários de maior fragilidade, temas que provocam raiva, conteúdos que geram prazer imediato, assuntos que disparam indignação moral. Esses sinais são processados por algoritmos que segmentam milhões de indivíduos em distritos cognitivos, grupos invisíveis definidos não pela rua onde moram, mas pelo perfil emocional que apresentam. Assim, uma pessoa que engaja com vídeos de violência urbana, notícias policialescas e conteúdos religiosos tende a ser colocada em um distrito mental do medo. Esse distrito recebe, de maneira sistemática, um fluxo contínuo de mensagens sobre “caos”, “invasões”, “corrupção das instituições”, “guerra cultural” e “necessidade de força”. O objetivo não é informá-la — é manter seu estado emocional ativado para direcionar sua percepção política.
sábado, 3 de outubro de 2026
Brasil amplia Margem Equatorial com base em decisão da ONU
Brasil amplia Margem Equatorial com base em decisão da ONU
Nova área acrescida na Margem Equatorial brasileira para explorar petróleo equivale ao tamanho da Alemanha.

A inclusão é baseada em uma decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), que ampliou a plataforma continental brasileira.
A decisão foi aprovada nesta sexta-feira pela diretoria da ANP, agência reguladora da indústria do petróleo e vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Pela manhã, a Petrobrás anunciou a segunda descoberta de petróleo na Margem Equatorial.
Os 11 novos setores incluem 501 blocos de exploração. Essa nova área é equivalente ao tamanho de um estado como o Mato Grosso do Sul (357 mil km²) ou a um país, como a Alemanha. Os novos setores foram classificados pela ANP comoNova Fronteira Exploratória.
CARTA À MILITÂNCIA DO PSOL
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VOZES EM DISPUTA —‘A grande mídia pratica uma tirania contra as teses que interessam aos trabalhadores’, diz Beto Almeida sobre cobertura eleitoral

sexta-feira, 2 de outubro de 2026
CADÊ O DINHEIRO —Após espalhar faixas com questionamento sobre o BRB, manifestante é intimado pela Polícia Civil no DF

Saulo Dias Kalunga recebeu o documento da 38ª Delegacia de Polícia (38ª DP), que o convocou para uma oitiva na condição de “envolvido” na ocorrência policial. A intimação foi emitida nesta quinta-feira (1º) e determina que Saulo compareça à delegacia para prestar esclarecimentos nesta sexta (2). O documento não especifica qual fato está sendo apurado, nem faz referência às faixas, ao BRB ou à governadora Celina Leão (PP).
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
EM DISPUTA —PL e PP lideram ameaças à agroecologia no Congresso, enquanto PT e Psol encabeçam defesa, aponta estudo
em disputa
PL e PP lideram ameaças à agroecologia no Congresso, enquanto PT e Psol encabeçam defesa, aponta estudo
Articulação Nacional de Agroecologia mapeou propostas entre 2023 e 2026 e revelou polarização em torno do tema
Para financiar a agroecologia e o seu processo de transição, não basta adaptar superficialmente os instrumentos existentes | Crédito: Dowglas SilvaEm entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Sarah Luiza, do Núcleo Executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), conta que o levantamento teve como objetivo tornar o tema da agroecologia mais palatável para o público em geral e que essas pautas estão em disputa no Congresso atualmente. Luiza destaca que já faz quatro eleições que a entidade faz esse tipo de incidência. “O objetivo central é, de fato, colocar o tema da agroecologia, da alimentação saudável, do bem viver no centro do debate eleitoral, tanto no diálogo com as candidaturas quanto no diálogo com eleitores e eleitoras”, explica.
ARTIGO —O caso Maduro e Cília Flores sob a ótica do direito internacional
Não faz muito tempo, o continente passou por uma fase de golpes políticos em diversos países contra governantes legitimamente eleitos, tendo como instrumento o direito. Processos judiciais forjados e investigações parlamentares derrubaram governos no Equador, Brasil e Paraguai.
A SAÚDE NÃO VAI BEM —GDF retirou R$120 mi do Fundo de Saúde para investir no BRB até o dia 5 de outubro

quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Justiça mantém candidata com TEA em concurso do Corpo de Bombeiros do DF
A 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) decidiu manter no concurso público do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) uma candidata com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que havia sido eliminada após avaliação biopsicossocial. O colegiado entendeu que a exclusão foi baseada em justificativa genérica e determinou que ela continue participando das próximas etapas do certame até o julgamento final da ação.
A candidata concorre ao cargo de Enfermeira Emergencista nas vagas reservadas a pessoas com deficiência. Após ser aprovada nas provas objetiva, discursiva e no teste de aptidão física, ela foi excluída pela comissão responsável pela avaliação biopsicossocial, que concluiu pela incompatibilidade de sua condição com as atribuições do cargo. Inconformada, ela ingressou na Justiça para questionar o ato administrativo.
Ao analisar o recurso, o relator observou que a eliminação de candidato com deficiência em concurso público exige fundamentação específica, concreta e individualizada, capaz de demonstrar de forma objetiva a incompatibilidade entre a deficiência apresentada e as atividades do cargo. Segundo o desembargador, o parecer da comissão limitou-se a registrar a existência de característica associada ao TEA, sem explicar de maneira detalhada como essa condição impediria o exercício das funções de enfermeira emergencista.
O SUS e o Brasil na encruzilhada histórica outra vez
SUS
Por Gabriel Brito
Matéria Publicada no OutraSaúde em 29/09/2026




