Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Acordo firmado pelo MPDFT viabiliza playground na DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente)

Sexta, 24 de abril de 2026

Do MPDFT

Publicado: 24/04/2026

Parquinho inaugurado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente foi viabilizado com recursos de acordo firmado após atuação da Prodecon em defesa dos consumidores

A Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos do Consumidor (Prodecon) participou, nesta sexta-feira, 24 de abril, da inauguração de um playground instalado na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O espaço foi viabilizado por meio de acordo firmado entre o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Companhia Brasileira de Distribuição (Grupo Pão de Açúcar).

A iniciativa tem como objetivo tornar o ambiente da delegacia mais acolhedor para crianças e adolescentes atendidos no local. A presença de um espaço lúdico contribui para reduzir a ansiedade e o receio frequentemente associados ao contato com questões policiais e procedimentos desconhecidos. A medida também busca reduzir impactos emocionais comuns em situações de vulnerabilidade, como ansiedade, medo e estresse. 

O promotor de justiça Paulo Binicheski destacou que a ação reflete o papel de um Ministério Público resolutivo, voltado à obtenção de resultados concretos e céleres na defesa dos direitos sociais. Segundo ele, a prioridade é buscar soluções extrajudiciais eficazes, capazes de gerar benefícios diretos à população e evitar a judicialização desnecessária de demandas.

Agora é lei: Agressores de mulheres terão que usar tornozeleiras

Sexta, 24 de abril de 2026



Oi, ............, a luta vale a pena, e hoje quero celebrar com você conquistas importantes e falar sobre os próximos passos.

Agora é lei: Agressores de mulheres terão que usar tornozeleiras.

Nosso projeto sobre a obrigatoriedade de tornozeleiras para agressores de mulheres agora é lei. O presidente Lula sancionou o projeto de Lei 2942/2024, de minha autoria, agora passou a ser regra em todo o país o monitoramento eletrônico de agressores de mulheres.

O uso de tornozeleira eletrônica é uma medida protetiva eficiente, que salva a vida de mulheres. Seguiremos acompanhando a implementação da lei, monitorando para que ela seja de fato efetivada nos territórios.

Seminário sobre Financeirização e Sistema da Dívida terá palestra de Maria Lucia Fattorelli

Sexta, 24 de abril de 2026

Divulgação Maria Lucia.jpg


O seminário “Financeirização, Sistema da Dívida e os reflexos das fraudes do Banco Master para a classe trabalhadora” contará com a presença de Maria Lucia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida.

Uma das principais referências no debate sobre o sistema da dívida no Brasil e no mundo, Fattorelli possui trajetória reconhecida internacionalmente. Atuou como membro da Comissão de Auditoria da Dívida do Equador criada pelo presidente Rafael Correa (2007/2008) e da Comissão de Auditoria da Dívida da Grécia criada pelo Parlamento Helênico (2015). Assessorou a CPI da Dívida Pública na Câmara dos Deputados do Brasil (2009/2010), e a CPI da PBH Ativos S/A, que opera o esquema da Securitização, na Câmara Municipal de Belo Horizonte (2017). É autora de diversos livros e artigos.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Milei em seu pior momento

Quinta, 23 de abril de 2026

Milei em seu pior momento

A inflação perdura, o consumo despenca e o desemprego assombra. Em meio a escândalos, a retórica do presidente perde força – e ele nunca foi tão impopular. Mas esperar a implosão é arriscado: ultradireita só será vencida com alternativas






OUTRASPALAVRAS                          Direita Assanhada
Publicado em 23/04/2026
                 



















Por Fernando Rosso, no El Salto| Tradução: Rôney Rodrigues






Jorge Luis Borges dizia que os espelhos eram abomináveis, entre outras coisas, porque sempre devolviam uma ameaça. A suspeita inquietante de que o reflexo, a qualquer momento, pudesse começar a se independizar do corpo. Algo disso ocorre com o governo de Javier Milei. Ele mantém a pose, os gestos, a narrativa exaltada com que desembarcou na Casa Rosada. Mas o duplo já não obedece. O discurso avança por um lado e a experiência social por outro. Nessa separação começa o verdadeiro desgaste de um poder: formalmente não perde o comando, mas já não tem a capacidade de nomear o que acontece no país.

Durante meses, a situação governamental viveu de uma promessa simples, brutal e eficaz: suportar para sair. A pedagogia do sacrifício. Aguenta a liquefação das rendas, a poda dos gastos, a demolição da obra pública, com a expectativa de uma recompensa futura. Aquele contrato precário dependia de uma condição: que a realidade oferecesse alguma evidência de redenção. Essa evidência era, acima de tudo, a inflação. Enquanto o índice desacelerasse ou, pelo menos, se mantivesse estável, o sofrimento poderia ser contado como uma algo transitório.




O dado da inflação de março caiu como uma lasca no centro do discurso oficial. O Índice de Preços ao Consumidor subiu 3,4% no mês, acumulou 9,4% no primeiro trimestre e 32,6% em 12 meses. Os preços regulados subiram 5,1%, impulsionados por transporte, tarifas e educação. Não se trata do velho incêndio inflacionário argentino, mas sim de um golpe político preciso: o governo havia feito da desinflação seu certificado de legitimidade. O próprio Milei reconheceu nestes dias “problemas econômicos” e pediu “paciência”, sinal de que a autossuficiência de outrora começou a rachar.

A inflação, além disso, deixou de ser a única ou a principal linguagem do mal-estar. A última pesquisa da Universidade de San Andrés mostrou, no final de março, que os baixos salários e a falta de trabalho passaram a encabeçar as preocupações sociais. É um deslocamento decisivo. Se a uma inflação que nunca termina de ir embora como problema se somam a renda e o emprego, entra em discussão o sentido completo do programa econômico.

Esse sentido se torna cada vez mais difícil de defender no terreno da economia real. Em fevereiro, a indústria manufatureira caiu 8,7% em relação ao ano anterior e 14 dos 16 ramos terminaram em baixa; o acumulado do primeiro bimestre marcou uma contração de 6%. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego chegou a 7,5% no quarto trimestre de 2025. O consumo, esse plebiscito silencioso que se vota todos os dias no carrinho de supermercado, também não acompanha: as vendas no varejo caíram 0,6% em relação ao ano anterior em março e completaram onze meses consecutivos em retrocesso, segundo a câmara que reúne as pequenas e médias empresas. A cena é conhecida: equilíbrio de laboratório, esfriamento produtivo, mercado interno exausto, recomposição muito parcial para setores muito delimitados.

A pesquisa da Tendencias publicada em abril deu números a essa deterioração cotidiana. 41,3% dos entrevistados disseram que não conseguem chegar ao fim do mês; apenas 15,3% afirmam que conseguem poupar. Entre as principais preocupações aparecem também aqui os baixos rendimentos, a pobreza e a corrupção.

Toda política de ajuste duro acaba escrevendo seus efeitos na vida cotidiana. No caso de Milei, esse texto já não se lê de forma abstrata. Lê-se no transporte e na obra social dos aposentados (PAMI). Na Área Metropolitana de Buenos Aires (a maior concentração urbana do país), a Secretaria de Transporte teve que anunciar uma transferência complementar às empresas de ônibus para evitar uma maior deterioração do serviço, em meio a uma dívida que fontes do setor situam perto de 95 bilhões de pesos [80 milhões de euros] e a frequências que continuaram longe do normal. No PAMI (Programa de Atendimento Médico Integral), o quadro é ainda mais brutal: dívida com prestadores de cerca de 500 bilhões de pesos [417 milhões de euros], greve de 72 horas de médicos de família e dentistas, e uma transferência oficial de 150 bilhões de pesos [125 milhões de euros] para tentar normalizar o conflito.

A deterioração material machuca. Mas a deterioração simbólica pode ser ainda mais letal para um governo que chegou envolto em uma moralina purificadora. Milei venceu prometendo dinamitar a casta, expor os privilegiados, varrer os conchavos. Por isso os escândalos não caem sobre uma superfície neutra: caem sobre o centro mesmo de sua legitimidade. O caso de Manuel Adorni — ex-porta-voz presidencial, atual chefe de Gabinete —, investigado por suposto enriquecimento ilícito, já não funciona como uma anedota de palácio. A Justiça confirmou novos elementos — além da forma duvidosa de aquisição de imóveis — ligados a viagens a Aruba com sua família e a gastos sob exame. O governo respondeu com blindagem, mas blindar já não equivale a fechar. Às vezes equivale a encapsular o problema para que fermente por dentro. Paralelamente, o escândalo dos créditos hipotecários do Banco Nação a funcionários e legisladores da situação terminou de furar o roteiro moral do governo.

Em outro momento, o mileísmo teria tentado liquefazer tudo isso no turbilhão digital. Esse recurso também mostra sinais de esgotamento. O relatório da consultoria Ad Hoc sobre março resumiu o problema com uma definição: Milei “fecha outro mês com negatividade”. O relatório aponta que a crise comunicacional de Adorni foi o fato político do mês e que as menções ao funcionário septuplicaram em relação a fevereiro; além disso, registra que o enquadramento governista sobre a última ditadura militar e o aniversário do golpe de 24 de março (que vai do negacionismo do genocídio à “teoria dos dois demônios”) perdeu protagonismo até mesmo no ecossistema que costumava ser mais hospitaleiro para a comunidade libertariana. Em outras palavras: o governo ainda ocupa o centro da conversação digital, mas já não o faz em seus próprios termos. Sua “rua online”, que soube funcionar como caixa de ressonância e força de choque, mostra sinais de exaustão. A maquinaria de produzir clima continua ali, mas já não tem o monopólio do ânimo.


As pesquisas acompanham esse deslocamento. A AtlasIntel para a Bloomberg registrou em março uma aprovação presidencial de 36,4% e uma desaprovação de 61,6%, o pior dado para Milei desde sua chegada ao poder. Na política, os números importam menos pelo que fotografam do que pelo que permitem. A perda do medo, da expectativa e da centralidade que mantinha aliados disciplinados e observadores expectantes faz com que todo o sistema comece a farejar fragilidade. A decadência de um governo não se mede apenas pelo que cai. Mede-se também pelo que ele não consegue convocar como antes. Milei conseguiu durante meses impor uma sensibilidade: irreverência, velocidade, provocação, desprezo pelas mediações. Essa sensibilidade já não organiza o clima nacional. Ele perdeu a iniciativa e aquela pequena eletricidade que lhe permitia transformar cada tropeço numa demonstração de força.

Nesse quadro, também dentro do universo opositor se registram movimentos interessantes. Algumas medições recentes mostram um quadro mais competitivo entre o peronismo e A Liberdade Avança, com uma queda da imagem presidencial e um crescimento de referências opositoras. Entre elas, a Frente de Esquerda e, de modo particular, Myriam Bregman, aparecem como sintomas de uma busca. Não porque a esquerda tenha resolvido sozinha o problema da representação das grandes maiorias nem porque esteja diante de uma tradução automática do mal-estar social. Mas sim porque, num cenário de frustração com a situação e de desconfiança com as oposições tradicionais, sua ascensão relativa aponta algo politicamente importante: há um setor da sociedade que começa a olhar com menos prevenção e mais atenção para aqueles que nomearam desde o início o caráter regressivo, cruel e elitista deste experimento, e agiram nesta esteira

Essa novidade não resolve por si só o problema da alternativa. Mas modifica o diálogo. Milei foi sustentado durante bastante tempo por uma espécie de chantagem histórica: isto ou o retorno do passado. Essa fórmula perde rendimento quando o presente se torna áspero demais e quando, além disso, a oposição tradicional também não consegue representar uma saída vigorosa e, sobretudo, programaticamente consistente.

O governo de Milei atravessa seu pior momento porque se juntaram a ele as contas, os corpos e os símbolos. A inflação voltou a acelerar. O consumo se arrasta. O desemprego se mantém em níveis altos. O transporte range. O PAMI afunda numa crise socialmente obscena. Os casos Adorni e Banco Nação danificam o coração moral de uma administração que prometeu uma regeneração purificadora. E o universo digital, que era uma extensão de sua potência, transformou-se num campo mais instável e menos dócil. Mais do que uma soma mecânica de más notícias, trata-se da estrutura de uma decadência.

Essa estrutura produz uma consequência conhecida: o enclausuramento. Os governos que param de persuadir começam a se administrar como seita. Passam uma imagem de corte, de panelinha, de pequeno círculo sitiado. Veem conspirações por todos os lados. Reforçam a voz porque perderam a escuta. Tornam-se supersticiosos com os seus próprios slogans. Acreditam que ainda conduzem aquilo que mal conseguem comentar. O mileísmo começou a entrar nessa câmara de eco. E uma câmara de eco, por definição, não amplifica a realidade: ela a deforma.

Nada disso garante um desfecho favorável para aqueles que querem derrotá-lo. A história não distribui prêmios por desgaste alheio. Um governo pode cair em descrédito e, ainda assim, prolongar seu domínio e até causar mais dano se do outro lado não cristalizar uma força com programa, vontade e vocação transformadora. O pior erro seria ler a crise de Milei como substituta da tarefa política. Não basta que o espelho devolva fissuras.

Porque os governos se enclausuram em si mesmos quando já não podem oferecer mais do que seu próprio reflexo. E as sociedades começam a sair quando deixam de olhá-los com medo e passam a olhar umas para as outras. Aí, nesse movimento ainda disperso, ainda incompleto, ainda cheio de incerteza, pode estar a parte esperançosa desta história: mais do que a certeza de uma queda alheia, a lenta possibilidade de uma reconstrução própria.


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capa, crise na argentina, esquerda argentina, inflação argentina, Javier Milei,  Ultradireita na América Latina
















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Basta, porém, atravessar os muros de uma unidade socioeducativa para perceber que essa promessa não se sustenta integralmente. O que deveria ser um sistema pedagógico tornou-se, em grande medida, um sistema de contenção. E o que deveria ser exceção, a privação de liberdade, tornou-se regra.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

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“O povo israelense e seu exército converteram-se em
rentistas do Holocausto”.
José Saramago

Volto a um tema que tem dado panos para manga. Qual o ponto essencial do debate sobre antissemitismo e antissionismo no mundo? Talvez seja a confusão desonesta e perigosa que os sionistas — um poderoso lobby transnacional — tentam fazer entres os dois fenômenos. A confusão é grande e tem sido manipulada para perseguir e assediar juridicamente críticos do sionismo e de Israel. Abundam acusações falsas de antissemitismo, feitas com o propósito de blindar Israel e o sionismo contra críticas não só legítimas, como também necessárias. Saramago, para citar um exemplo ilustre, foi acusado de antissemitismo pela frase citada em epígrafe.

No Brasil, há muitos intelectuais que escrevem com grande competência sobre esse tema — entre outros, Paulo Sergio Pinheiro, Reginaldo Nasser, Cláudia Assaf, Arlene Clemesha, Breno Altman, Glenn Greenwald e Bruno Huberman. Os três últimos são de origem judaica.

Apoiando-me em parte nas contribuições desses intelectuais, vou tentar esclarecer didaticamente a diferença entre antissemitismo e antissionismo, ainda que correndo o risco de resvalar para o óbvio ululante. Repisar o óbvio pode parecer desnecessário e ofensivo, reconheço. Mas, como dizia Nelson Rodrigues, o óbvio deve ser cultivado, pois ele sempre teve e terá inimigos implacáveis, refletindo uma mistura de burrice, ideologia e interesses escusos.

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Organização divulgou nesta terça relatório global sobre 144 países

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil
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Rio de Janeiro
Gideon Markowicz/Proibida reprodução

A organização de direitos humanos Anistia Internacional acusa Estados Unidos, Israel e Rússia de ataques predatórios contra o multilateralismo, o direito internacional e a sociedade civil, em seu relatório anual A situação dos direitos humanos no mundo, divulgado nesta terça-feira (21). O documento traz uma avaliação sobre 144 países.

De acordo com a secretária-geral da organização, Agnès Callamard, os predadores políticos e econômicos, "e aqueles que lhes facilitam a vida", estão sentenciando o fim do sistema multilateral, não porque ele seja ineficaz, mas porque não está a serviço de sua hegemonia e controle.

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"Os EUA precisam ouvir essa voz justa e encerrar imediatamente o bloqueio e as sanções" afirmou o porta-voz, Guo Jiakun

Brasil de Fato — Pequim (China)
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Lula e Xi Jinping buscam articulação internacional contra o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, em meio à crise energética no país caribenho

A China voltou a cobrar nesta terça-feira (21) o fim do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba e manifestou apoio à declaração conjunta de Brasil, México e Espanha sobre a crise humanitária no país caribenho. A posição foi apresentada em Pequim pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun.

O posicionamento dos três países, divulgado em 18 de abril, expressa preocupação com o agravamento das condições de vida em Cuba e defende medidas urgentes para aliviar os impactos da crise sobre a população.

Ao comentar o tema, Guo afirmou que cresce a oposição às sanções contra Havana e defendeu que Washington reveja sua política em relação à ilha.

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Posição de “Procedimento” na Penitenciária Feminina do Amapá | Crédito: MNPCT

A Coordenadoria da Penitenciária Feminina (Copef), única unidade prisional destinada a mulheres no Amapá, é palco de violações de direitos humanos, conforme relatório acessado com exclusividade pelo Brasil de Fato do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (MNPCT), órgão de peritos do governo federal. O documento foi produzido com base em uma inspeção feita em junho de 2025. O relatório, publicado na última sexta-feira (17), revela um cenário de precariedade que afeta diretamente a vida das custodiadas, incluindo gestantes.

Segundo o documento, a instituição utiliza spray de pimenta de forma recorrente como forma de punição. Na penitenciária uma mulher foi a óbito em 2025, com indícios de ter sido submetida por diversas vezes ao spray de pimenta em momento de extrema fragilidade de saúde, de acordo com o documento da expedição que pretendia verificar as melhorias solicitados ainda em 2020. O Ministério Público do Amapá investiga o caso a pedido da MNPCT.

“Duas custodiadas faleceram em agosto de 2025, sendo uma delas com relatos de exposição repetida ao spray de pimenta em quadro de fragilidade de saúde”, aponta a perita do MNPCT, Ronilda Vieira Lopes.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

PRECEDENTE PERIGOSO —Venda de empresa brasileira que atua com terras raras a americanos é ‘afronta à nossa soberania’, diz especialista

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Luiz Paulo Siqueira alerta para risco de mobilização no Congresso na direção de flexibilizar licenças para mineradoras

BRASIL DE FATO — São Paulo (SP)
20.abr.2026

Mineração Serra Verde é considerada a única operação fora da Ásia a produzir, em escala, os quatro elementos magnéticos essenciais de terras raras | Crédito: Divulgação/Serra Verde

A empresa brasileira Serra Verde, que atua com mineração de terras raras no município de Minaçu (GO), foi adquirida pela empresa USA Rare Earth (Usar), mineradora estadunidense, em negociação equivalente a cerca de US$ 2,8 bilhões. A compra foi anunciada nesta segunda-feira (20) pelas companhias.

Em entrevista ao Conexão do BdF, da Rádio Brasil de Fato, Luiz Paulo Siqueira, membro da Coordenação Nacional do Movimento pela Soberania Popular da Mineração (MAM), aponta que o interesse principal nas terras raras é bélico. “O que está em jogo nessa obtenção hoje é como amplia o poder direto do governo norte-americano no controle das jazidas de terras raras em território nacional, o que é uma afronta a nossa soberania”.

Chacina do DF: soma das penas passa de 1.200 anos e marca julgamento histórico

Segunda, 20 de abril de 2026

Sob o olhar emocionado de familiares e da população presente no Plenário, sentença encerra julgamento histórico que detalhou plano brutal motivado por ganância patrimonial

Após seis dias de julgamento, foi encerrado na noite deste sábado, 18 de abril, o júri popular que condenou os cinco acusados da maior chacina da história do Distrito Federal. No total, as penasLeitura da sentença somaram mais de 1.200 anos. O conselho de sentença acolheu a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e condenou os réus por homicídios qualificados, roubos, ocultações e destruições de cadáver, extorsões mediante sequestro, fraude processual, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.

A sentença histórica foi lida sob forte comoção, após uma maratona jurídica que detalhou o planejamento e a execução cruel de dez pessoas da mesma família. O crime foi classificado pelo Ministério Público como um verdadeiro “familicídio”, motivado pela tentativa dos réus de se apossarem de uma chácara avaliada em R$ 2 milhões e valores em espécie das vítimas. O promotor de Justiça Nathan Neto destacou o grau extremo de violência e frieza ao exterminarem um núcleo familiar inteiro.

domingo, 19 de abril de 2026

Fleury: A saúde na construção democrática do Brasil

Domingo, 19 de abril de 2026

Fleury: A saúde na construção democrática do Brasil

Contribuição da Reforma Sanitária vai muito além do SUS. De raiz comunista e forte caráter de movimento, ela formula estratégia contra-hegemônica, cria conceitos teóricos e forma novos sujeitos políticos. Aí mora sua vitalidade – ainda útil para as lutas de nosso tempo

OutraSaúde


Manifestação do movimento Nenhum Serviço de Saúde a Menos em 11 de agosto de 2017. Manguinhos, Rio de Janeiro, Brasil. Fonte: revista Saúde em Debate

Por Sonia Fleury, na revista Trabalho, Educação e Saúde

Interrogar um campo singular como um ‘caso exemplar’, uma ‘hipótese’, um momento de uma estrutura que pode assumir diferentes configurações, em suma, como um ‘caso particular do possível’ (isto é, mergulhar no caso particular, mas com um método de construção de objeto), é dotar-se dos meios de escapar à tendência à universalização do caso singular e levantar questões gerais a propósito do caso particular constituído como tal, em suma, tratar a história como um imenso laboratório de variações experimentais.
(Bourdieu, 2015, p. 18)

A celebração dos quarenta anos da 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), realizada em março de 1986, nos convida a refletir sobre como as lutas pela universalização do direito à saúde — organizadas sob o slogan ‘Saúde é Democracia; Democracia é Saúde’ — conformaram o conteúdo político e a arquitetura institucional da democracia brasileira. Mesmo após a pandemia de covid-19, quando o Sistema Único de Saúde (SUS) foi amplamente reconhecido como a maior inovação democrática, ainda ficaram pendentes as respostas a importantes questões: como foi possível a materialização desse projeto, formulado por um movimento social, o Movimento Sanitário, em um contexto de ditadura e implementado sob um regime de austeridade? E para além do SUS, que outras contribuições a saúde coletiva conseguiu imprimir à construção democrática que ainda não foram devidamente reconhecidas?