Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quinta-feira, 9 de abril de 2020

A boa saúde

Abril
9
A boa saúde

No anos de 2011, pela segunda vez a população da Islândia disse não às ordens do Fundo Monetário Internacional.
O FMI e a União Europeia tinham decidido que os trezentos e vinte mil habitantes da Islândia deveriam assumir a bancarrota dos banqueiros e pagar suas dívidas internacionais na base de doze  mil euros por cabeça.
Essa socialização pelo avesso foi rejeitada em dois plebiscitos:
— Essa dívida não é nossa. Por que vamos pagar?
Num mundo enlouquecido pela crise financeira, a pequena ilha perdida nas águas do norte nos deu, todos nós, uma saudável lição de bom-senso.

Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias. 2ªEdição, 2012, página 123. L&PM Editores.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

#Coronavírus: “Saidinha” de Bolsonaro altera comportamento social do brasiliense

Quarta, 8 de abril de 2020
Por
Blog Brasília, por Chico Sant'Anna


Estudo da empresa In Loco mostra que desde o “passeio da morte”, feito pelo Presidente no domingo (29/3), muita gente na Capital Federal abandonou o isolamento contra o coronavírus.

Por Chico Sant’Anna

O passeio dominical do presidente Jair Bolsonaro, dia 29 de março, por Ceilândia, Taguatinga e Sudoeste, deixou marcas e alterou o comportamento social da população local. Embora o Distrito Federal venha apresentando os mais altos índices de isolamento social dentre as Unidades da Federação – atrás de Goiás e Rio Grande do Sul -, esses indicadores, após o périplo presidencial, apresentaram queda substancial, especialmente naquelas três localidades. É o que aponta levantamento elaborado pela empresa In Loco, que monitora pelo GPS a movimentação das pessoas que usam telefone celular.

A In Loco usa uma tecnologia que analisa o comportamento de localização de 60 milhões de brasileiros em todo o País. Ela permite mapear a movimentação de pessoas dentro de regiões específicas e medir quais apontam maior distanciamento social. Ou seja, aquelas que estão saindo de casa e não estão respeitando a orientação de permanecer em quarentena.


Refugiados sírios doam marmitas para idosos durante a pandemia em São Paulo

Quarta, 8 de abril de 2020
Da ONU Brasil
O casal Talal e Ghazal Al-Tinawi, refugiados vindos da Síria com seus filhos, sentiu no bolso a redução dos pedidos de delivery de comida árabe por conta da pandemia da COVID-19 em São Paulo, estado com mais casos da doença no Brasil. Mesmo assim, eles encontraram uma alternativa humana de contribuir para mitigar a transmissão do novo coronavírus.
“Chegamos no Brasil há sete anos e somos muito gratos ao povo brasileiro, que nos recebeu de braços abertos e nos apoiou sempre que precisávamos. Agora, chegou nosso momento de retribuir com o que temos de melhor: nossa comida árabe para quem mais precisa, as pessoas idosas”, disse Talal, engenheiro mecânico de formação.
O casal de refugiados sírios Ghazal e Talal prepara marmitas que serão doados para idosos de São Paulo. Foto: Riad Al-Tinawi
O casal de refugiados sírios Ghazal e Talal prepara marmitas que serão doados para idosos de São Paulo. Foto: Riad Al-Tinawi

Mais uma: MP alertou nesta quarta (8/4) a CLDF para inconstitucionalidade de lei sobre redução de mensalidades escolares

Quarta, 8 de abril de 2020
Do MPDF
Para o órgão, norma será anulada na Justiça e servirá apenas para gerar grave cenário de insegurança jurídica

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) recomendou à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) que suspenda a votação em segundo turno do Projeto de Lei nº 1079/2020, que permite a redução de 30% nas mensalidades escolares. A recomendação foi expedida pela Procuradoria-Geral de Justiça nesta quarta-feira, 8 de abril. Segundo o Ministério Público, a lei contém flagrante vício de inconstitucionalidade e, caso seja aprovada, criará expectativas inconsistentes para os indivíduos e para as instituições de ensino.

Traiçoeiro ataque à Petrobrás e ao Brasil. Denúncia aponta triste fim que aguarda a Petrobrás e o futuro do Brasil

Quarta, 8 de abril de 2020
Denúncia recebida nesta quarta (8/4/2020) de Pedro Augusto Pinho, a quem o Blog Gama Livre mais uma vez muito agradece. 

Caros amigos 

Não lhes envio um novo artigo. Encaminho a vocês uma denúncia e um fato grave. 

O que vocês lerão é um tiro fatal no desenvolvimento e até na existência do Brasil. Creio que a nenhum reste dúvida que tudo que me importa é o Brasil, minha Pátria. Mesmo minha família, não a vejo senão morando e se orgulhando da nacionalidade brasileira. Jamais fui morar ou a coloquei em situação de residir no exterior. 

A maior empresa brasileira, não somente pelos ativos físicos, suas instalações e suas construções, mas pelo seu saber, acumulado por gerações que, desde 1954, colocaram suas inteligências, dedicação, estudo, a serviço do que hoje é a mais competente empresa de petróleo do mundo: a Petrobrás. Não fosse o combate que sofreu, desde sua fundação e acelerado após o domínio da ideologia neoliberal no Brasil, seria o símbolo da capacidade de todos nós, o povo brasileiro. Ganhamos sucessivos “Oscar” de capacidade técnica, reconhecida pelas concorrentes. 

Hoje, às vésperas de compor o novo Conselho de Administração da Petrobrás, os interesses do sistema financeiro e das economias e geopolíticas estrangeiras querem nos impor, por seus agentes no Brasil, um grupo de pessoas articuladas para sua destruição. 

Não há corporativismo, o que até seria saudável como o das Forças Armadas, há o desejo de continuar tendo o passaporte brasileiro e exibi-lo com orgulho. 

O perfil destas pessoas, que querem nos impor para a falência da Petrobrás e do Brasil, foi levantado por engenheiros, economistas, administradores, contadores e outros profissionais da Petrobrás. Assumo a autoria mesmo não tendo participado deste trabalho, pois, daqueles que conheço a história, as vejo corretamente retratados e confio na seriedade, competência e espírito de brasilidade dos autores. 

O que espero de vocês é a denúncia deste assalto ao Brasil e à sua maior empresa; aquela que pode ser o motor do novo ciclo de desenvolvimento como o que Brasil já conheceu no século passado. 

Vamos impedir que uma turma comprometida com objetivos opostos, que no mínimo exibem evidentes conflitos de interesse com nossa maior empresa, tome a Petrobrás. 

São as seguintes pessoas que serão indicadas, na próxima Assembleia Geral Ordinária (AGO) da Petrobrás, para compor o Conselho de Administração. 

1 - Eduardo Bacellar Leal Ferreira. Será o presidente do Conselho. Recondução. 

Informações Gerais: Almirante de Esquadra. Comandante da Marinha do Brasil até janeiro de 2019. 

A Marinha sempre teve destacada posição na Petrobrás, por muitos anos responsável pela área de Transportes da empresa. A estatal teve, na posição de Diretor e depois de Conselheiro, o Almirante Maximiano da Fonseca - um destacado líder e defensor. Os militares estão na origem da criação da Petrobrás e da sua sustentação ao longo dos anos, não abrindo nunca espaços para seus inimigos liberais ou para seus concorrentes. Última Esperança. Espera-se que rejeite os mandamentos da equipe econômica e siga os ditames que regulam o Poder Nacional.  

2 - Roberto da Cunha Castello Branco. Economista. Presidente da Petrobrás. Recondução. 

Informações Gerais: Não teve atuação brilhante, nem minimamente adequada, pois nada entende do ramo de petróleo. Ligado ao mercado de capitais e a bancos. Age exclusivamente preocupado com acionistas dos mercados e com a privatização da Petrobrás em fatias. Há evidente conflito de interesses. Não tem projeto algum de fortalecimento, expansão ou ampliação de atividades da empresa, nem mesmo de sua manutenção. 

3 - João Cox. Economista. Recondução. 

Informações Gerais: Claramente ligado a grandes empresas que disputam mercado com a Petrobrás. Está sendo indicado para vice-presidente do Conselho de Administração da Braskem e, agora, para continuar no Conselho da Petrobrás. Há evidente conflito de interesses pela sua explicitada ligação com a Brasken, empresa que incorporou de modo absolutamente suspeito a petroquímica estatal para seu controle, construindo um império à custa do patrimônio do povo brasileiro 

4 - Maria Cláudia Mello Guimarães. Engenheira de Produção. Nova indicação. 

Informações Gerais: Pela formação profissional seria boa indicação não fora suas ligações conflitantes com os interesses da Petrobrás. Diretora Executiva no Bank of America Merrill Lynch, ING Bank e BankBoston, liderando setores de Óleo & Gás, Mineração, Siderurgia e Energia. Hoje é Sócia da KPC Consultoria Financeira focada em gestão patrimonial. Recentemente atuou como Conselheira da Constellation Oil Services em Luxemburgo.  Há evidente conflito pelas suas ligações com grandes bancos que tem interesses na Petrobrás, e por ser sócia da empresa KPC, que tem sido contratada pela Petrobrás. 

5 - Omar Carneiro da Cunha Sobrinho. Economista. Nova indicação. 

Informações Gerais: Foi CEO da Shell Brasil, Shell Química e é membro do Conselho de várias empresas, dentre elas a Brookfield Properties Partners LP, empresa global acionista da NTS que fora da Petrobrás (sendo agora colocado à venda o restante das ações). Também é sócio sênior da Dealmaker Consultoria e Participações, especialista em fusões e aquisições. Consultor no mercado de óleo e gás, ligado a grandes grupos de energia (Conselheiro da Energisa). É evidente o conflito de interesses, no caso deste senhor é verdadeiro acinte. Era considerado, quando na ativa na Shell, o inimigo número 1 da Petrobrás. Esta companhia tentou de todas as maneiras possíveis obstar o acordo Brasil-Bolívia do início dos anos 1990 e depois fez tudo para impedir a concretização do negócio de gás com aquele país, clamado pela indústria do sudeste brasileiro. Adicionalmente vem respondendo processos do Ministério Público no Rio de Janeiro e em outros Estados da Federação. Quando na direção da Shell, liberou na revista da empresa, matéria extremamente agressiva à Petrobrás, atribuindo-lhe ineficácia, ineficiência e incapacidade para se situar bem no setor petróleo e gás. Tal foi o disparate, uma empresa concorrente estrangeira agredir a estatal, que o presidente da Petrobrás, Joel Rennó, escreveu ofício de protesto ao CEO mundial da Shell e suspendeu todas as negociações em curso com a multinacional no campo do desenvolvimento em tecnologias para águas profundas. 

6 - Ruy Flaks Schneider. Engenheiro. Nova indicação.

Informações Gerais: Em 1970 iniciou carreira no Banco Brascan de Investimento S.A., onde atuou como gerente de análise financeira, gerente e diretor de Marketing, Vice Presidente de investimentos e Vice Presidente de Mercado de Capitais, seguindo no Banco de Montreal S.A.-MontrealBank. Sua experiência, como se vê, é na comercialização de títulos financeiros. Mas tem em seu currículo a atuação em consultoria e fusões & aquisições na Schneider & Cia. Consultoria, Empreendimentos e Participações. Logicamente, levará para a Petrobrás o conflito de interesse entre o desenvolvimento da Companhia e seu apequenamento pela continuidade do desmembramento e alienação de ativos. Ou seja, não será mais um engenheiro na estatal mas o agente financeiro interessado na sua privatização. 

7 - Walter Mendes de Oliveira Filho, Economista. Recondução.

Informações Gerais: A quantidade de economistas, onde até os engenheiros são escolhidos pela experiência bancária, mais parece ser um Banco do que uma Empresa de Petróleo. Mas é demonstração da total dominação da Petrobrás pela área financeira do Governo. A experiência e dedicação do Walter de Oliveira Filho relaciona-se fortemente com o mercado de capitais e financeiras, sócio gestor da Cultinvest Asset Management e Diretor Executivo do Comitê de Aquisições e Fusões. Novamente se vê o conflito de interesses.

8 - Nívio Ziviani. Engenheiro. Recondução.

Informações Gerais: É um especialista em tecnologia da informação, sendo destacado acadêmico e empreendedor. Professor Emérito do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais. Poderia ser uma esperança, pela sua formação em engenharia, colocando-se contrário ao esfacelamento da tecnologia brasileira com as privatizações da Petrobrás. Certamente sabe que as partes que estão sendo vendidas comporão oligopólios e monopólios, privilegiando o lucro de multinacionais e entidades estrangeiras, jamais primando pelos interesses nacionais.

Além destes oito Conselheiros, haverá dois, escolhidos pelos acionistas minoritários e/ou independentes (sic) que não cumprirão o papel que fora pensado para tal tipo de conselheiros, que seriam pessoas interessadas na competividade e expansão da empresas como se fosse privada.  Seu papel estará alinhado com a privatização e o esfacelamento da estatal, jamais com um futuro empresarial brilhante. E um solitário e cerceado Conselheiro representante dos Empregados.

Triste fim aguarda a Petrobrás e o futuro do Brasil nas mãos de tais pessoas.

Antonov 124-100: Gigante da aviação traz máscaras da China para Brasília

Quarta, 8 de abril de 2020
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna


Essa é a terceira vez que o Antonov 124-100 pousa em Brasília. O avião chama a atenção pelo seu tamanho. Tem 65 metros de comprimento e 21 metros de altura até a ponta da sua cauda. Foto Inframerica

Além do inusitado do tipo de avião utilizado, o atraso de 24 horas na sua chegada trouxe apreensões. Ele estava previsto para chegar em Brasília um dia antes e deixou em suspense muita gente. A bordo, seis milhões de unidades de máscaras faciais, o que equivale a um peso de 40 toneladas.

Pousou na madrugada dessa quarta-feira, em Brasília, o segundo maior avião cargueiro do mundo: o Antonov 124-100. Como antecipado por essa coluna no dia 2/4 o cargueiro trouxe uma grande encomenda de insumos para prevenção a COVID-19. A bordo, seis milhões de unidades de máscaras faciais, o que equivale a um peso de 40 toneladas. Apesar da grande quantidade, a carga não foi importada pelo Ministério da Saúde, ou qualquer outro ente público. Trata-se de uma compra particular feita pela empresa goiana Nutriex, que investiu aproximadamente R$ 160 milhões de reais na compra.

O Dia do Jornalista (7 de abril) e a 'A censura política nos anos de chumbo'

Quarta, 8 de abril de 2020
Ontem, dia 7 de abril, foi o Dia do Jornalista. Hoje, dia 8 de abril, encontrei um artigo reproduzido pelo Blog Gama Livre no dia 31 de março de 2014. "A censura política nos anos de chumbo" é da lavra de Antônio Matos, jornalista, professor universitário e delegado de polícia do Estado da Bahia. A seguir, o artigo.

A censura política nos anos de chumbo

Segunda, 31 de março de 2014
Por Antônio Matos*
A censura política, sofrida pela imprensa brasileira após o golpe militar de 1964, era feita de duas maneiras: ou por meio de bilhetes/notas oficiais e telefonemas do Exército (e, mais tarde, da Polícia Federal), determinando quais os assuntos que deveriam ser noticiados ou com censores/policiais, revisando nas redações todo o material a ser publicado, a chamada censura prévia.
Além disso, havia ainda as ações intimidatórias, como os “convites” para que repórteres, redatores, produtores e editores comparecessem ao comando local da Região Militar do Exército, a fim de prestar esclarecimentos a respeito de notas, matérias e reportagens já publicadas e apontadas, pelos censores, como atentatórias à segurança nacional ou que tivessem provocado prejuízos à imagem das Forças Armadas.
Na Tribuna da Bahia, onde trabalhei desde a Escolinha TB – uma oficina criada por Quintino de Carvalho, para os repórteres que iriam trabalhar no jornal – em 1968, até junho de 1974, acho que a censura foi mais rigorosa do que a exercida pelo governo militar nos outros veículos de comunicação do estado.
Os motivos para isso estavam mais ou menos explicados: embora presidida por um empresário e ex-banqueiro Elmano Castro, a TB tinha como redator-chefe o conceituado jornalista Quintino de Carvalho, com larga experiência no “Jornal do Brasil”, ex-integrante do Partido Comunista Brasileiro e com atuação destacada em “O Momento”, jornal do Partidão na Bahia, diversas vezes empastelado pela polícia estadual, e que circulou em Salvador, de 1945 a 1957.
Quintino, que resgatara, no hoje extinto “Jornal da Bahia”, Misael Peixoto, chefe da diagramação – seu colega em “O Momento” e também antigo filiado ao PCB – comandava uma redação, em sua maioria, formada por esquerdistas de todos os matizes (radicais, atuantes, ideológicos, festivos e simpatizantes), jovens rebeldes e idealistas, basicamente com menos de 25 anos e recrutados nas faculdades de Biblioteconomia e Comunicação e de Direito.
Diante deste ambiente incendiário, cansei de ver, da minha carteira da chefia da Editoria de Esportes, bem em frente ao corredor, notadamente no ano de 1973, a chegada dos temíveis e pouco simpáticos censores, dirigindo-se arrogantemente, ao gabinete do redator-chefe, com as notas – muitas vezes, numa tira fina de papel – que sempre começavam com um vago “de ordem superior” e, em algumas ocasiões, chegavam a fixar o período da proibição.
Quando o assunto tinha a classificação “muito importante” pelos órgãos de repressão, era o próprio superintendente regional da Polícia Federal – no caso da Bahia, o coronel do Exército, Luiz Arthur de Carvalho – quem pessoalmente encaminhava às redações o que estava proibido ou o que deveria ser divulgado.
A censura era indiscriminada: proibia a publicação de uma epidemia de malária no Amazonas, de notícias relacionadas ao aniversário de nascimento do revolucionário russo Lenin, do discurso de um deputado, até a divulgação de uma nova lista de presos políticos apresentada por sequestradores para troca por algum embaixador feito refém. As determinações eram pouco questionadas e sempre atendidas, às vezes até com algum exagero.
A doutrina de Segurança Nacional – desenvolvida na Escola Superior de Guerra (ESG), pelo general Golbery do Couto e Silva – utilizava a repugnante censura sob a alegação de que assim estaria combatendo o comunismo, responsabilizado por uma propaganda subliminar do sexo, do amor livre, da obscenidade, das drogas, por meio da mídia, do teatro, do cinema e da música, para corromper a família e os costumes.
Em defesa também desta injustificável censura à imprensa, Gama e Silva, ministro da Justiça durante o governo Costa e Silva e redator do repressivo Ato Institucional número 5, procurou minimizar a intervenção do Estado na mídia. Usou um eufemismo, ao afirmar que eram apenas orientações para a redação dos noticiários e das publicações “dentro de um clima de respeito à autoridade”.
Felizmente, os tempos são outros. Não existem mais Golbery nem Gama e Silva. A censura política na imprensa – pelo menos, ostensivamente e de modo oficial – é coisa do passado. É bom lembrar que a liberdade da imprensa, inimiga dos ditadores, é fundamental para o desenvolvimento do país, pois incentiva o debate, amplia o acesso às informações e promove a troca de ideias.
*Antônio Matos é jornalista e delegado de polícia na Bahia.
Fonte: Site Política Livre

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Comentário do Gama Livre: A Tribuna da Bahia certamente foi o veículo de comunicação baiano mais censurado pelo golpe de 1964. Trabalhei (eu, Taciano Lemos de Carvalho) lá no início dos anos 70, quando a ditadura e a censura comiam soltas. Quantas vezes todo mundo da Tribuna se mobilizava para distribuir o jornal às bancas de revistas antes que o sistema repressor chegasse para empastelar o jornal na Rua Djalma Dutra, número 121? Além das censuras apontadas pelo autor do artigo acima (Antônio Matos) frequentemente chegavam "ordens" para não falar sobre, por exemplo, a crise do açúcar, a crise do café, a crise na lavoura da cana-de-açúcar. E, muitas vezes, a crise no abastecimento de carne. Ah, seu general Tomé de Souza, ex-superitendente nacional da Sunab, se eu te vejo nos dias de hoje...

A Light voltou a fazer publicidade em grande escala

Quarta, 8 de abril de 2020
Por
Helio Fernandes*

Há mais de 80 anos domina país. O presidente  da empresa era sempre uma potência. As festas maravilhosas, realizadas no palácio da São Clemente, (antes da autorização para construírem edifícios na Rua Aristocrática mostravam quem era quem no país. 

Só quem combatia a poderosa empresa, era o famoso Monteiro Lobato. Glorificado como autor de histórias infantis, combatia a Light e outras exploradoras do Brasil. 

Escreveu várias vezes: "Quando acordo, acendo a luz e já estou pagando royalties a essa empresa. Ligo o gás para fazer café e já estou pagando a uma outra multinacional, essa francesa. 

Era tão combatido que ao entrar na luta pela existência de petróleo no Brasil, foi tão hostilizado que não deu mais pra ficar vivendo em seu país.

PS- Foi morar na Suíça, naturalmente exilado, mantendo contato com o Brasil através de um artigo semanal que publicava.

RODRIGO MAIA: "NÃO COLOCO EM VOTAÇÃO O IMPEACHMENT DE BOLSONARO"

Mesmo sendo presidente da Câmara não tem poderes para decidir sozinho. Precisa explicação ou justificação, saber se é  constitucional.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Justiça Federal acolhe pedidos do MPF e MP estadual e suspende privatização da saúde em Barra do Garças (MT)

Terça, 7 de abril de 2020
Do MPF
Decisão, em tutela de urgência, será mantida até decisão posterior do juízo
Arte retangular sobre foto de Temis, deusa da justiça, segurando uma balança, símbolo da justiça. Está escrito na cor amarela a palavra decisão
Arte: Secom/PGR
A Justiça Federal em Barra do Garças (MT) acatou o pedido feito pelos Ministérios Públicos Federal (MPF) e Estadual (MP/MT) e suspendeu, em tutela de urgência, os efeitos do Edital de Chamamento Público e todos os atos decorrentes celebrados, incluindo o contrato, pelo município de Barra do Garças (MT) com Instituto Social Saúde Resgate a Vida. O contrato previa a privatização da gestão e administração dos serviços e ações de saúde do Hospital Geral Milton Pessoa Morbeck e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Dr. Marcelo de Moura Paes Lemes. O valor total do contrato previsto era de R$ 32.660.812,92.

CORONAVÍRUS: Cortes na ciência comprometem resposta à covid-19 no Brasil

Terça, 7 de abril de 2020
Da Deutsche Welle*

Pandemia atinge país em meio a cenário de falta de verbas e corte de bolsas, que deixam laboratórios obsoletos e levam à fuga de cérebros. Dependência da importação de equipamentos também dificulta combate ao vírus.

Recentes cortes interromperam um ciclo de expansão de investimentos em ciência e tecnologia no Brasil

A fila de 16 mil testes para covid-19 no Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, expõe a vulnerabilidade de um país que escolheu não investir em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) nos últimos anos. A pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil em meio a um cenário de cortes de bolsas de pesquisa, defasagem tecnológica dos laboratórios e desmoralização das universidades.

Relatório da OMS aponta déficit de 6 milhões de profissionais de enfermagem no mundo

Terça, 7 de abril de 2020
Da
ONU Brasil
Relatório lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em parceria com o Conselho Internacional de Enfermeiras (ICN, sigla em inglês)) e a iniciativa Nursing Now mostra que atualmente existem pouco menos de 28 milhões de profissionais de enfermagem em todo o mundo.
Entre 2013 e 2018, os números aumentaram 4,7 milhões. Mas isso ainda deixa um déficit global de 5,9 milhões – com as maiores lacunas encontradas em países de África, Sudeste Asiático e da região do Mediterrâneo Oriental (da OMS), além de algumas partes da América Latina.
Enfermeiras no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Ministério da Saúde
Enfermeiras no Hospital da Lagoa, no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Ministério da Saúde

Presente especial para o Dia Internacional da Saúde.

Terça, 7 de abril de 2020

O SUS e a Atenção Básica de Saúde precisam continuar funcionando
Por
Fátima Sousa*
O Sistema Único de Saúde (SUS) precisa continuar funcionando em época de coronavírus e de distanciamento social. E é exatamente aí que entram os profissionais de saúde do Brasil. Mesmo com a possível exposição às doenças no trabalho, eles(as) são extremamente responsáveis, preparados(as) e solidários(as).
Eles estão sempre lá, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos hospitais, nas Unidades de Pronto Atendimentos (UPA), nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192), nos tantos outros pontos das Redes Integradas de Saúde, cuidando da saúde dos indivíduos, famílias e comunidades. E quando se deparam com situações adversas, fome, desastres, epidemias, pandemia, colocam-se na linha de frente, arriscando suas próprias vidas.
Quem trabalha com saúde tem uma missão, que é a de promover a saúde, enfrentando os seus determinantes e condições para assegurar a qualidade de vida para todas as pessoas nos mais diferentes territórios do país. Disso, esses profissionais não abrem mão. Há cerca de 5 milhões de profissionais de 14 categorias que trabalham com saúde no Brasil, pelo menos mais da metade desses, são do corpo da enfermagem e isto significa auxiliares, técnicos(as), enfermeiros(as) e obstetrizes.
Temos sempre que ter em conta que há pelo menos 45 mil equipes da Saúde da Família envolvendo mais de 282 mil Agentes Comunitários(as) de Saúde, os(as) quais, pela situação, devem evitar visitas domiciliares, e contatos diretos,  mas que podem  e devem orientar, informar, cuidar das famílias a eles(as) vinculados(as) pelos mais diversos canais de comunicação, a exemplo de correios eletrônicos, telefones celulares e mídias sociais, que já vem sendo utilizados por eles. Cabendo ao governo provê-los(as) de equipamentos tecnológicos e de proteção individual, preparando-os(as) para este desafiador momento e outros tempos que virão. Afinal, nesses 29 anos de trabalho, já se depararam com o cólera em 1991,[i] ebola em 2014[ii], dengue, em 2015 e 2016, anos marcados pelo pico crescentes (sorotipos 1, 2, 3 e 4)[iii], além da Chicungunha, Zika e da pandemia de Influenza A, causada pelo vírus H1N1, que chegou ao Brasil em junho de 2009. Assim, os ACS e demais profissionais das equipes do saúde da família, seguem salvando vidas e reduzindo danos.
Neste drástico momento é preciso que a rede de Atenção Básica de Saúde (ABS), seja ampliada e fortalecidapara que possa seguir funcionando, dando atenção de forma segura à população. Não podemos esquecer que há mais de 2,5 milhões de gestantes que precisam ser acompanhadas todos os meses. Há brasileirinhas e brasileirinhos que ainda não nasceram, mas precisam do apoio do SUS.
Se as gestantes precisam do pré-natal e parto, as crianças necessitam de imunização e acompanhamento no seu crescimento e desenvolvimento, além de uma ação rápida e precisa em pneumonias e diarreias.
Os hipertensos e diabéticos seguem suas rotinas de visitarem e receberem medicamentos e apoio nas UBS. Infartos, acidentes vasculares cerebrais, problemas de vesícula biliar, de cálculo renal e acidentes com ossos fraturados e com luxação, continuam a acontecer e daí, além das UBS, precisam de hospitais e exames complementares. Isto é, precisam dos profissionais de saúde.
O SUS não pode e não deve parar. Mas temos visto, lido e ouvido que sim, há UBSs que não estão atendendo como deveriam os(as) seus/suas “pacientes”. Isto se deve à decisão política? Falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI)? A população, se não se contaminar com o coronavírus, pode sofrer as consequências de um sistema que nas três últimas décadas, melhor, desde a sua criação, sofre ataques dos mais variados, principalmente pelas disputas do orçamento público pelo setor privado, cujo objetivo é o lucro, na contramão do SUS, que veio para assegurar o direito à saúde e vida. Há que trabalhar contra o coronavírus, assim como outros agravos e adoecimentos da sociedade, mas, há que colocar a Atenção Primária, a Estratégia Saúde da Família, e por consequência, o SUS em primazia.
Este é o desafio, como fazer com que em tempos de quarentena, isolamento e distanciamento social, o SUS chegue para todos(as), com cuidados redobrados para os(as) mais vulneráveis, para aqueles(as) em situações de riscos, e que lhe deem a segurança que o Estado está presente para dar um pouco de tranquilidade a quem fica de alguma forma doente?
Quem poderia ajudar a pensar e a levar adiante propostas, com levantamento de informações, a tomada de decisões estratégicas, o planejamento, a execução e avaliação das políticas públicas de saúde, são os(as) sanitaristas qualificados(as) que existem neste Brasil e que estão preparados(as) para contribuir com os(as) Secretários(as) de Saúde dos Estados (Distrital) e dos municípios, assim como já dão imensa contribuição ao Ministério da Saúde. Eles(as) estão esquecidos(as). Por que será?
Repito, sabemos sim que há um risco imenso em se expor nessas épocas onde há necessidade em se proteger. Mas é preciso que, com todo apoio e proteção, os profissionais de saúde continuem a dar sua imensa contribuição para o povo brasileiro.
Se pelo menos cerca de 48 milhões de brasileiros(as) tem planos de saúde, mais de 150 milhões dependem do SUS. Se os que tem planos podem, em muitos casos, ser atendidos ou falar por alguma forma via telemedicina com seus médicos, os outros dependem, exclusivamente, do funcionamento das unidades básicas, hospitais e demais pontos da Rede de Atenção no âmbito do SUS.
O coronavírus pode cobrar caro sua passagem pela terra. Dia 04 de abril morreu uma técnica de enfermagem e laboratório de 38 anos em Goiânia, uma profissional considerada competente, que estava na linha de frente e que não tinha nenhuma doença. Trabalhava em uma unidade de saúde pública da periferia da capital de Goiás e em um hospital privado. Em sua memória, e em memória de inúmeros(as) anônimos(as), seguiremos defendendo a gestão e vida do SUS.
Na Itália, já morreram 88 médicos contaminados por esse vírus. Faltam números do total dos profissionais de saúde que estão em quarentena ou que morreram por conta dessa pandemia. No Brasil, já sabemos que a conta passa dos milhares que foram afastados temporariamente.
E ainda há os mais vulneráveis, que precisam ter apoio em suas necessidades de saúde, pelo menos as básicas. E isso é responsabilidade dos governantes em todas as instâncias. Não devemos sair de casa, mas saúde não espera e nunca sabemos quando iremos precisar de atendimento. Os mais vulneráveis precisam encontrar acolhimento no SUS, sempre. O SUS foi feito por um esforço do povo e a ele deve servir, como direito fundamental.
[i] Cólera chega ao Brasil via Peru e se espalha por todo o país em 1991. Primeiro caso da doença contagiosa ocorre em abril, em Tabatinga (AM), chegando ao Rio no fim do ano. América Latina sofre epidemia, que contamina mais de 250 mil pessoas.
[ii] Após alguns meses de atraso, o Ocidente descobriu em 2014 que o Ebola havia voltado, mais forte do que nunca. Enquanto isso, mais de 6 mil pessoas morreram, a maior parte delas em três países africanos, naquela que é considerada a pior epidemia da doença desde sua descoberta. Em 2014, o Ebola fez vítimas pela primeira vez em outros continentes (até o Brasil teve seus casos suspeitos), gerando reação imediata de agentes de saúde, governos e laboratórios, que passaram a buscar um antídoto para o vírus
[iii] Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), entre 50 milhões e 100 milhões de infecções ocorrem a cada ano em mais de 100 países nos quais a dengue se apresenta de forma endêmica (no Mediterrâneo Oriental, no Sudeste Asiático, no Pacífico Ocidental e nas regiões tropicais da África e das Américas). Quase metade da população mundial corre o risco de infecção.

*Fátima Sousa — Paraibana, 40 anos dedicados a saúde e a gestão pública; 
Professora e pesquisadora da Universidade de Brasília;
Enfermeira Sanitarista, Doutora em Ciências da Saúde, Mestre em Ciências Sociais; 
Doutora Honoris Causa;
Implantou o ‘Saúde da Família’ no Brasil, depois do sucesso na Paraíba e em São Paulo capital; 
Implantou os Agentes Comunitários de Saúde;
Dirigiu a Faculdade de Saúde da UnB: 5 cursos avaliados com nota máxima;
Lutou pela criação do SUS na constituinte de 1988;
Premiada pela Organização Panamericana de Saúde, pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde.

BANQUEIROS SEQUESTRARAM TODO O DINHEIRO DO BRASIL E GUARDARAM EM NOVA IORQUE

Terça, 7 de abril de 2020
Do Blog Política Econômica do Petróleo




* BANQUEIROS SEQUESTRARAM TODO O DINHEIRO DO BRASIL E GUARDARAM EM NOVA IORQUE

* CDL/BH EXIGE DINHEIRO CIRCULANDO E SEM JUROS

* A CULTURA DA PREGUIÇA DE UMA ELITE COLONIZADA SERÁ ROMPIDA?



Por Wladmir Coelho

1 – A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte – CDL/BH – lançou a campanha Juros Zero para “sensibilizar” os bancos públicos e privados a promoverem linhas de crédito sem juros para socorrer o setor produtivo fundamentando este pedido nos elevados lucros das instituições financeiras.

2 – A iniciativa do CDL/BH reúne alguns aspectos importantes manifestando o seu presidente, Marcelo de Souza e Silva, uma intenção em promover não somente um socorro ao comércio, mas ampliado à indústria apelando inclusive ao sentimento patriótico dos banqueiros.

3 – Esta campanha do CDL/BH representa uma iniciativa no mínimo diferenciada das elites econômicas revelando inclusive uma cisão entre as parcelas da burguesia descobrindo o setor comercial a sua condição nacional e desta a necessidade de revisão do processo de dependência econômica inequivocamente o passo seguinte de uma campanha como esta aspecto já experimentado na história.

4 – A Federação do Comércio de Minas Gerais, no início dos anos 50, elaborou a partir dos trabalhos do professor Washington Albino a Tese Mineira do Petróleo defendendo a estatização total da exploração petrolífera como forma de garantir os meios necessários ao desenvolvimento industrial autônomo e deste a ampliação do mercado interno. Neste ponto, permitam-me, vou acrescentar uma impressão do próprio autor da citada tese de quem fui aluno e sou discípulo a respeito do interesse da Federação na instituição do monopólio estatal do petróleo: “foi um ato de patriotismo.”

5 – Destaco o fato patriotismo considerando este a partir do entendimento da realidade nacional necessitando para sua concretização o rompimento com aspectos culturais considerando a condição da classe dominante brasileira de  aliada ao imperialismo cuja principal característica é não fazer exigências revelando-se, desta forma, como subordinada, colonizada, ou melhor, uma espécie de delegada destes interesses no Brasil encontrando-se historicamente acostumada a simplesmente copiar tornando-se desta forma preguiçosa e incapaz de criar.

6 – A alienação cultural de nossa classe dominante oculta o entendimento da realidade social incluindo neste processo de alienação as forças repressivas notadamente seus chefes simbolizados de forma evidente na figura dos generais entreguistas e seus ritos ditos patrióticos na prática meios de legitimação da dominação imperialista.

7 -  Esta elite consome não somente a Disneylândia, o hamburguer, a música, a roupa, mas embutido nesta condição não criativa encontra-se o pensamento da classe dominante imperial igualmente consumido nas formas de organização do trabalho, da educação, do acesso aos direitos sociais configurando esta limitação criativa existente nas classes dominantes do Brasil o distanciamento do entendimento das causas associadas a dominação externa impedindo uma reflexão e desta a elaboração clara de uma proposta de um projeto nacional de desenvolvimento econômico relacionando-se este ao necessário rompimento com a subordinação imperialista.

8 – A crise econômica detonada a partir da pandemia do COVID-19 surge neste momento como espécie de terremoto no centro econômico e fim do mundo na periferia surgindo deste quadro adequações do capital internacional agora muito mais violento com relação a destruição da mínima possibilidade de concorrência aprofundando, desta forma, a destruição de qualquer obstáculo a sua reprodução.

9 – Desta realidade surgem os bancos e fundos de investimentos internacionais em sua condição de portadores das dívidas acumuladas ao longo dos últimos anos através da especulação pura e simples resumidos na farsa da recompra dos papeis pelos próprios emitentes criando a euforia da cocaína dos cassinos também chamados de bolsas de valores.

10 – Para a continuidade deste jogo dos grandes do centro do capitalismo é necessário retirar da periferia o que for possível e mais um pouco criando nestes a correta sensação de morte naqueles setores, embora participantes da orgia das bolsas, necessitam, para este fim, continuar minimamente a produção e venda de seus produtos no atacado e no varejo.

11– O sistema bancário brasileiro, todo ele associado e dependente do internacional, recebeu seus trilhões de reais do sr. Paulo Guedes e pede mais, mais e segue enviando tudo ao exterior comprando os títulos da sede do império faltando aqui na terra o necessário para o financiamento da produção e vendas no comércio.

12 – A elite colonizada agora começa a perceber que não passa disso e desesperada ensaiou o apoio aos pequenos e endividados da classe média através de carreatas da morte com frases amparadas no velho e conhecido racismo, mas percebeu o quanto era ridículo salvar de uma crise internacional a economia brasileira através da venda de ovos de páscoa ou abertura dos botequins.

13 – Neste momento a elite nacional – ou seu segmento produtivo e comercial – começa a perceber a necessidade de rompimento com seus irmãos do setor financeiro utilizando para este fim um discurso ainda tímido da redução dos juros ou apelar ao patriotismo como forma de salvar a economia nacional.

14 – Surgem aqui duas questões a primeira diz respeito ao necessário rompimento com o discurso colonizado da desregulamentação do setor financeiro exigindo a presença do Estado  não somente não somente em sua condição de doador de recursos do trabalhador aos bancos ao modo do modelo defendido pelos srs. Guedes e Bom Rapaz Maia, mas responsável pelo planejamento econômico e deste da produção algo próximo, principalmente nestes tempos de crise aguda, de uma economia de guerra entendendo esta à necessária planificação da economia.

15 – O segundo refere-se a superação do conceito de patriotismo associado a reprodução  da defesa dos interesses imperialistas e legitimação da prática da subordinação cultural exigindo, esta atitude,  a valorização da criatividade através do financiamento público da pesquisa e inovação tecnológica, da garantia dos recursos do povo às  escolas e universidades públicas, a garantia dos direitos sociais incluindo o trabalho e introdução de instrumentos democráticos, incluindo a representação dos trabalhadores, no processo de elaboração do planejamento econômico.

16 – A elite econômica brasileira sonhou até ontem em viver de renda em confortáveis mansões de papelão e gesso em Miami, contudo a forma de exploração do imperialismo sofre alterações implicando em necessária resposta de cunho soberano e intervencionista constituindo este fato em verdadeiro rompimento com a velha e carcomida fórmula imperialista.      

Pandemia e socialismo

Terça, 7 de abril de 2020
por Prabhat Patnaik [*]


Doentes da Gripe Espanhola, 1918.
















Diz-se que numa crise todos se tornam socialistas; os mercados livres passam a ocupar um lugar secundário, em benefício dos trabalhadores. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, quando o racionamento universal foi introduzido na Grã-Bretanha, o trabalhador médio tornou-se mais bem nutrido do que antes. Da mesma forma, as empresas privadas são mandatadas para produzir bens para o esforço de guerra, introduzindo assim um planeamento de facto.

Algo do género está a acontecer hoje sob o impacto da pandemia. Em país após país há uma socialização da saúde e da produção de alguns bens essenciais, a qual se afasta apreciavelmente da norma capitalista – e quanto mais grave é a crise, maior é o grau de socialização. Assim, a Espanha, o segundo país europeu mais atingido depois da Itália, nacionalizou todos os hospitais privados para enfrentar a crise: todos eles estão agora sob o controlo do governo. Até mesmo Donald Trump está a orientar empresas privadas para produzirem bens urgentemente necessários durante a pandemia. Endurecer o controle governamental sobre a produção não caracteriza apenas a China do presente; marca também a política dos EUA, para não mencionar vários países europeus.

OMS alerta sobre afrouxar medidas contra coronavírus cedo demais

Terça, 7 de abril de 2020
Segundo a organização, manutenção de restrições pode evitar recaídas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) não tem uma recomendação geral para países e regiões afrouxarem as medidas que visam a desacelerar a propagação do novo coronavírus, mas fez um alerta para que as restrições não sejam retiradas cedo demais, disse um porta-voz da entidade nesta terça-feira (7).
"Uma das partes mais importantes é não abandonar as medidas cedo demais para não ter uma recaída", disse o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, em entrevista virtual.
"É como estar doente e se você deixar a cama cedo demais e sair cedo demais, você corre o risco de uma recaída e de ter complicações", acrescentou.

Operação Faroeste: MPF denuncia desembargadora do TJBA, advogados e empresário por venda de decisões judiciais

Terça, 7 de abril de 2020
Do MPF, publicado nesta terça (7/4)
Para o MPF, em ao menos três ocasiões, magistrada vendeu decisões. Vantagens indevidas chegam a R$ 4 milhões
Arte retangular com fundo preto escrito denúncia na cor branca
Arte: Secom/PGR
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou, nessa segunda-feira (6), à Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), seu filho e outras três pessoas envolvidas. Investigados na 5ª fase da Operação Faroeste, eles são acusados de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro, por envolvimento na negociação e venda de decisões judiciais proferidas pela magistrada. A vantagem indevida negociada chegou a R$ 4 milhões, dos quais, R$ 2,4 milhões teriam sido efetivamente pagos à desembargadora por intermédio de seu filho.