Domingo, 20 de setembro de 2026
“Eles sabem que explodem crianças”
Um texto dos diretores de NAZA, documentário que expõe o genocídio palestino em sua banalidade obscena. Na obra, soldados de Israel revelam a frieza da escolha dos alvos, quase todos civis. Consagrada em Veneza, obra estreia no Brasil em 1º/10
Matéria postada no OutrasPalavras de 17/09/2026 às 18h49
Funeral coletivo dos membros das famílias Hassayna e Abu Sharia que morreram em um ataque israelense em 2023 e cujos restos foram recuperados dos escombros, de acordo com a Defesa Civil de Gaza, na cidade de Gaza, em 4 de agosto de 2026 (AP Photo/Jehad Alshrafi)
Vencedores do Oscar de 2025, por co-dirigirem No Other Land, (junto com os palestinos Basel Adra e Hamdan Ballal), os cineastas Yuval Abraham e Rachel Szor, dissidentes políticos em Israel, acabam de alcançar outro feito. Em 10 de setembro, ao estrear no Festival de Veneza, seu filme mais recente, NAZA, foi aplaudido por 26 minutos – algo nunca ocorrido antes, em 83 edições do evento. Dias mais tarde, obteve o Prêmio Especial do Júri.
NAZA retrata a banalidade do mal em Israel. O conceito foi cunhado em 1963 por Hanna Arendt para descrever o extermínio dos judeus, praticado muitas vezes não por nazistas convictos – mas por alemães comuns, pessoas cinzentas que obedeciam ordens de modo acrítico. Em novo sinal de como os dois genocídios se parecem, Yuval e Rachel identificam agora a mesma atitude em soldados de inteligência de Israel, que conseguiram entrevistar sob promessa de anonimato. Eles “realizavam a vigilância, calculavam quantas pessoas inocentes seriam mortas em cada casa e davam sinal verde para bombardear famílias inteiras”, afirmam os diretores, numa entrevista ao Guardian.