Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sábado, 21 de março de 2026

Guerra impõe nacionalização da distribuição de combustíveis em nome do interesse público

Sábado, 21 de março de 2026

Do Pátria Latina
César Fonseca

A guerra está comprovando que a privatização da distribuição dos derivados do petróleo – gasolina e óleo diesel – foi erro estratégico, que prejudica a população, praticado pelos governos neoliberais Temer e Bolsonaro, vendilhões da pátria.

O presidente Lula, em nome do interesse público, tomou a decisão correta, nesta quinta-feira,12, de reduzir impostos sobre importação de combustíveis para evitar especulação dos preços em decorrência da guerra, como já ocorre em diversos pontos do território nacional.

Na ausência da distribuição estatal, que foi criminosamente privatizada pelos adeptos do neoliberalismo, adversários do consumidor, a saída lulista de emergência evita prejuízo maior para o poder de compra dos assalariados.

Ao mesmo tempo, ensina, didaticamente, que o mercado não se autorregula sem o controle do Estado na oferta do produto, como ocorria antes da privatização, evidenciando que se trata de pura fantasia esperar equilíbrio dos preços, quando o setor privado exerce a distribuição de forma monopolizada, especialmente, em tempo de guerra.

Em vez de defender o bolso do público, afetado pela guerra, os especuladores multiplicam os lucros privados, acelerando inflação, arrocho salarial, concentração de renda e desigualdade social.

REESTATIZAÇÃO JÁ

A BR Distribuidora, como empresa pública, exercia função essencial: defender o interesse público diante de situações críticas, como ocorre no momento: equilibrava os preços  para evitar especulação e desorganização do mercado.

Nesses momentos, os consumidores são os maiores prejudicados, porque não têm quem os defenda da sanha especuladora que desperta como oportunidade única do setor privado para aumentar os preços na distribuição, de forma oligopolizada.

Não há, nessa hora, autorregulação do mercado, mas, simplesmente, anarquia e corrida para ganhar mais no prazo mais curto possível.

Pior: quando terminar a guerra, estará dada outra situação conjuntural, diante da qual o governo, desarmado, não terá força para revertê-la sob pressão dos neoliberais.

FUNÇÃO REGULADORA DO ESTADO

Conviviam, no Brasil, antes da privatização total da distribuição, monopólios público e privado para a distribuição do produto em todo o território nacional continental, impossível de ser fiscalizado e controlado sem a ação estatal.

O controle público da oferta era exercido pela Petrobrás, com sua famosa marca, Distribuidora BR, enquanto o privado era formado por empresas privadas nacionais e mistas, ou seja, capital nacional associado ao capital estrangeiro, presente, no Brasil, desde os anos de 1920.

O monopólio estatal, quando estabelecido com a criação da Petrobrás, na Era Vargas, mudou, qualitativamente, a situação em favor do interesse nacional: exercia a extração do produto, que servia para proteger os consumidores, quando havia especulação.

O governo, ou segurava os preços ou baixava os mesmos, quando necessário, de modo a evitar acumulação de lucros exagerados pelos capitalistas, como monopólio privado.

O consumidor ficava, relativamente, protegido, porque detinha o poder da escolha.

Se o preço do monopólio privado subisse, desequilibrando o poder de compra do consumidor, este tinha a opção, com a existência da BR Distribuidora estatal, de escolher o preço mais barato ofertado pelo distribuidor estatal.

Essa situação de equilíbrio foi criada, principalmente, depois das crises do petróleo nos anos 1970.

Os governos militares estatizaram a distribuição, por meio da BR Distribuidora, ao lado das concorrentes privadas, que já existiam desde antes da criação da Petrobras.

Dessa forma, o mercado era controlado quanto à oferta e demanda do produto, graças ao controlador/regulador Estado.

ANTIREVOLUÇÃO NEOLIBERAL

Os neoliberais no poder, a partir de 2016, quando, com apoio dos Estados Unidos, derrubaram o governo nacionalista de Dilma Rousseff, mudaram essa situação, e tudo se tornou instável com a mudança das regras do jogo.

Começou com a alteração no princípio básico de que a formação de preços deveria se basear nos fatores internos de produção para a composição dos custos.

O Brasil, especialmente, com os investimentos estatais realizados pelo Governo Geisel, tornara-se autossuficiente na extração, produção, refinação e distribuição do produto.

Portanto, o governo nacionalista ficara livre para formar os preços do produto a partir das vantagens comparativas internas, que lhe garantia supremacia diante dos concorrentes.

O Brasil, dispondo da capacidade de produção e consumo, alcançadas por políticas nacionalistas, que se iniciaram na Era Vargas, conquistou soberania nacional – do poço ao posto.

ENTREGUISMO NACIONALISTA

No poder, os neoliberais antinacionalistas entregaram o ouro aos bandidos.

Começaram por vender, na bacia das almas, a Distribuidora BR, enquanto facilitou as importações de derivados, ao mesmo tempo em que estabeleceram prioridade para exportação de petróleo cru, reduzindo, drasticamente, o refino, já que partiram, também, para privatização de refinarias.

Só ficou no mercado distribuidoras privadas, com direito a importar e refinar, o que prejudicou a política de investimento da Petrobrás, para favorecer, sobretudo, distribuição de dividendos.

Aí já viu, né!

Somente Papai Noel acredita na lenda de que existe o livre mercado, que ele é autorregulado pela concorrência.

Fantasia neoliberal.

Os preços dispararam – e, igualmente, a inflação, enquanto os salários caíram – com os capitalistas privados em regime de monopólio tomando conta do galinheiro como verdadeiras raposas rapinando consumidores.

CONSUMIDOR GANHA EM REAL, MAS PAGA EM DÓLAR

Para piorar a situação, a Petrobras, dominada pelo pensamento neoliberal, antinacionalista, mudou a regra segundo a qual a formação dos preços deveria basear-se nas vantagens comparativas internas, substituindo-a pela regra alternativa antinacional: os preços passariam a ser formados pela média da cotação internacional baseada em dólar.

Os consumidores deixaram de pagar o preço dos derivados em reais para pagarem em dólares, conforme a regra antinacionalista fixada pela Paridade de Preços de Importação (PPI)

Enterraram a moeda nacional em favor da moeda estrangeira mais valorizada.

Crime neoliberal de lesa pátria.

O presidente Lula, ao vencer eleições em 2022, mudaria essa regra criminosa, restabelecendo poder da Petrobrás de formar preços a partir das vantagens comparativas dadas pelo petróleo nacionalizado, embora a distribuição dele tenha deixado de ser controlada pela BR Distribuidora, privatizada pelos neoliberais.

HORA DE MUDAR A REGRA ANTINACIONAL

A guerra cria novas circunstâncias, e, diante delas, faz-se necessário alterar as regras, impostas de fora para dentro, à revelia do governo que se pretende nacionalista, removendo práticas neoliberais antipopulares.

A decisão do presidente Lula de proteger o consumidor dos efeitos das regras imperialistas impostas pelo governo Trump, dos Estados Unidos, que passou a desrespeitar todas as regras internacionais, afirmando-se como verdadeiro fascista, coloca em discussão a necessidade de proteção do consumidor, por meio da reestatização da distribuição.

Por que Trump pode desrespeitar as regras e os demais países são obrigados a aceitar esse status quo imperialista?

Não basta a Petrobrás, apenas, produzir, por meio de regras fixadas pelo Estado.

Trata-se, também, de colocar o domínio estatal, novamente, no campo da distribuição, para evitar a farra privada do boi, que se aproveita da guerra para cobrar preços extorsivos do consumidor, totalmente, desprotegido.

Faz-se necessário priorizar o interesse público, limitando o interesse privado.

Se não tivesse havido a privatização da distribuição, o governo controlaria a distribuição pela BR Distribuidora estatal, como acontecia antes, quando emergia crises de oferta, sem precisar diminuir impostos de importação.

O interesse privado, no contexto da guerra, eleva a inflação, incontrolavelmente, justificando, em nome do interesse público, a intervenção estatal, URGENTE.

Como inexiste a saída da distribuição estatal, sob domínio da distribuição privada, a saída opcional de redução de impostos, apenas, sangra as finanças públicas, contribuindo, decisivamente, para aumentar déficits orçamentários, que justificam, aos olhos dos neoliberais, aumento dos juros para evitar aumento da inflação.

Trata-se de alternativa inconveniente, pois, com mais inflação, aumenta o arrocho salarial, a concentração de renda nas mãos dos especuladores e a ampliação da desigualdade social, inviabilizando industrialização e desenvolvimento econômico sustentável.


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Este artigo foi postado no Pátria Latina no dia 15 de março de 2026.

Júri no Distrito Federal condena acusado de matar própria mãe a 45 anos de prisão

Sábado, 21 de março de 2026

Imagem ilustrativa

Do TJDFT

O Tribunal do Júri de Águas Claras condenou Lauro Estevão Vaz Curvo a 45 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pelos crimes de homicídio qualificado contra sua mãe, de 94 anos, e fraude processual. 

Os jurados reconheceram quatro qualificadoras no homicídio — motivo torpe (ter perdido acesso aos rendimentos da vitima)meio cruel (uso de fogo)recurso que dificultou a defesa da vítima, tendo em vista as limitações físicas e de idade, e feminicídio — além da causa de aumento prevista quando o crime é praticado contra ascendente e quando a vítima é maior de 60 anos

Segundo a denúncia, o  réu teria provocado a morte da própria mãe por asfixia e ateado fogo no local, aproveitando-se das limitações físicas da vítima, que possuía mobilidade extremamente reduzida.

GUERRA É GUERRA? PETRÓLEO, PODER, AMBIÇÃO? OU CABE NEGOCIAÇÃO?

Sábado, 21 de março de 2026

GUERRA É GUERRA? PETRÓLEO, PODER, AMBIÇÃO? OU CABE NEGOCIAÇÃO?


Pedro Augusto Pinho*


As guerras de hoje não são as de ontem, certamente não serão as de amanhã. Mas há motivos que, por incrível que pareçam, permanecem; demonstrando que os estágios civilizatórios em que se encontram os países são bem distintos.

No entanto, estes diferentes estágios civilizatórios estão muito mais voltados para as governanças internas do que para as relações internacionais.

É uma situação complexa, que ultrapassa as melhores análises dos comentaristas das mídias, o que acaba por levar a torcidas, como se fosse um jogo em disputa, muito diferente das reações à fria análise dos fatos.

A mais contundente demonstração está nos bolsonaristas desfilando com bandeiras de Israel. Será que algum, um só, um único dos participantes da passeata, saberia nos explicar a razão de portar a bandeira do Estado de Israel numa manifestação política partidária brasileira na Avenida Paulista, na capital do Estado de São Paulo?

O Estado de Israel é um estado belicoso. Desde sua criação, em 14 de maio de 1948, está em guerra contra os vizinhos. É claro que ele trouxe um desconforto ou desalento para os habitantes da Palestina, que certamente almejavam sua independência do Reino Unido, que lá exercia o governo como mandatário da Liga das Nações.

sexta-feira, 20 de março de 2026

O Brasil deseja a paz, mas está despreparado para a guerra

Sexta, 20 de março de 2026

O Brasil deseja a paz, mas está despreparado para a guerra
                  
“Não podemos confiar no fato de que, por sermos um país pacífico ninguém vai nos atacar” - Celso Amorim (Carta Capital, 19/02/2026)

Roberto Amaral* 

Maior país da América do Sul, com território de 8.510 km², partilhando fronteira com dez países, quinta maior população do mundo (215 milhões de habitantes), 80% urbana, 50% metropolitana, uma costa de 7.401 km (8.500 km se considerarmos as baías e suas reentrâncias), décima economia do planeta, o Brasil é, no entanto, incapaz de se proteger da cobiça internacional. 

Em um mundo em guerra, apresenta-se indefeso, apesar de sua posição estratégica no hemisfério. Indefeso quando é a maior costa do Atlântico Sul, largo corredor de rotas comerciais que levam  ao continente africano. Somos país e território militarmente indefeso, apesar de sermos um dos maiores produtores de alimentos de um mundo que conhece a fome. Ainda indefeso apesar da posse de recursos minerais estratégicos, entre os quais a segunda ou terceira reserva mundial de terras raras, cobiçada por todas as potências guerreiras, a começar, evidentemente, pelos EUA. Chama-se “terras raras” o conjunto de 17 elementos químicos, base de toda a moderna tecnologia, inclusive militar; delas carecem desde reatores de submarinos nucleares a baterias para veículos elétricos. 

Nosso país é indefeso porque ignora seu destino: sem projeto de ser, sem projeto de nação, sem projeto de país — o trágico mal de origem.

Em nome do Pai, do Filho e do Anarcocapitalismo


Sexta, 20 de março de 2026

Em nome do Pai, do Filho e do Anarcocapitalismo

História de uma conversão oportunista. Discurso político das big techs afasta-se da “eficiência” e “modernidade”, e busca amparo na… religião! Meta: evitar o controle público da internet – mesmo que seja preciso brandir o fantasma do Anticristo

OUTRASPALAVRAS                        Tecnologia em Disputa


Peter Thiel, bilionário do Vale do Silício, cofundador do PayPal e da Palantir. Registro na Conferência Bitcoin, em 7 de abril de 2022, em Miami Beach, Flórida. — Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell

Desde alguns anos venho acompanhando com atenção a trajetória de Peter Thiel e o papel crescente de empresas como a Palantir na transformação do poder tecnológico contemporâneo. Ao longo desse período, procurei observar como a expansão das plataformas digitais, da inteligência artificial e da análise massiva de dados passou a se entrelaçar cada vez mais com estruturas de segurança, inteligência e disputa geopolítica. O que se observa agora, no entanto, parece marcar um novo momento. A linguagem, os temas e o ambiente político em torno dessas figuras indicam que algo mudou de escala. É justamente essa mudança que torna o debate atual particularmente preocupante.

Quando a elite tecnológica começa a falar em apocalipse

Em março de 2026, enquanto governos discutem regulação da inteligência artificial, riscos nucleares e colapso climático em fóruns multilaterais, um dos homens mais influentes do capitalismo tecnológico contemporâneo reúne discretamente intelectuais, investidores e líderes religiosos para discutir outro tema: o Anticristo. Não se trata de uma conferência aberta nem de um debate acadêmico convencional. Os encontros organizados em torno de Peter Thiel ocorrem a portas fechadas e são destinados a um público cuidadosamente selecionado entre elites tecnológicas, acadêmicas e religiosas. O tema central dessas conversas não é apenas teológico. É político. A hipótese discutida é a de que o maior perigo para a civilização contemporânea poderia surgir sob a forma de um governo mundial legitimado pela promessa de impedir catástrofes globais.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Oficina de Retalhos Culturais, Ponto e Prosa. Dias 21 e 28 de março no Instituto Voar no Gama

Quinta, 19 de março de 2026


Gente, nos próximos dois sábados vai rolar a oficina
Retalhos Culturais: Ponto e Prosa 🎭

A proposta é bem especial: vamos misturar cultura, memória e prática pra criar indumentárias a partir de retalhos, técnicas manuais e muita troca de saberes 💛

Também vamos conectar tudo isso com o universo do teatro de bonecos…Pensando figurino, criação e identidade.

É um espaço pra quem gosta de criar com as mãos, experimentar e se conectar com a cultura popular.

quarta-feira, 18 de março de 2026

A crise Trump, segundo Varoufakis

Quarta 18 de março de 2026

A crise Trump, segundo Varoufakis


Serão atingidos, além do petróleo e gás, os centros financeiros, portos, aeroportos e a logística global do Golfo. O futuro está em aberto, e vem aí uma grande disputa política. As corporações jogarão a conta para as sociedades. Elas aceitarão pagar?


OUTRASPALAVRAS                   Geopolítica & Guerra

Publicado em 18/03/2026



Yanis Varoufakis, entrevistado por Chris Hedges | Tradução: Antonio Martins[1]

Quanto mais tempo a guerra com o Irã se prolonga, mais a economia global entra em crise. Os iranianos bloquearam o Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do suprimento energético mundial. 40% do petróleo importado pela China passa pelo Estreito. O petróleo bruto está agora acima de US$ 100 por barril, um aumento de 45% desde o início da guerra e continua subindo. Os preços da gasolina nos EUA subiram mais de 65 centavos de dólar por galão de querosene de aviação, e o diesel teve um aumento de 25%. Em algumas partes da Ásia, incluindo Tailândia, Paquistão e Bangladesh, já há escassez e longas filas em postos de gasolina. Repartições públicas nas Filipinas adotaram a semana de trabalho de quatro dias. O governo de Mianmar impôs dias alternados para dirigir.

O Japão, que depende do Oriente Médio para 90% do seu abastecimento de petróleo, está usando um recorde de 80 milhões de barris de petróleo desuas reservas, o equivalente a cerca de 45 dias de suprimento. A Índia, embora autorizada pelo governo Trump a comprar petróleo russo anteriormente sancionado, será particularmente afetada. Já sofre com uma grave escassez de gás natural liquefeito. Cerca de 84% do petróleo bruto e 83% do gás natural liquefeito que passam pelo Estreito de Ormuz têm como destino a Ásia. O fertilizante nitrogenado, que custava entre US$ 460 e US$ 480 por tonelada antes do início da guerra, subiu para US$ 520 a US$ 620.

Isso significa aumentos expressivos nos preços dos alimentos. E, uma vez esgotadas as reservas estratégicas de petróleo, o preço do barril pode facilmente subir para US$ 200 a US$ 300, desencadeando uma inflação devastadora e uma depressão global. As economias globais entrarão em colapso neste momento, desencadeando uma onda de agitação civil. Para agravar essa crise, duas potências nucleares estão em guerra: os Estados Unidos, com cerca de 5.000 ogivas nucleares, e Israel, com cerca de 300.

CORRUPÇÃO —Por unanimidade, STF condena deputados do PL por desvio de emendas parlamentares

Quarta, 18 de março de 2026

CORRUPÇÃO —Por unanimidade, STF condena deputados do PL por desvio de emendas parlamentares

Penas variam de 5 a 6 anos de reclusão em regime semiaberto e multa; parlamentares ficam inelegíveis

Brasil de Fato — Brasília (DF)
BRASÍLIA (DF)

Ministro Cristiano Zanin, relator da Ação Penal 2670. | Crédito: Rosinei Coutinho/STF

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou por unanimidade dois deputados e um ex-deputado do Partido Liberal (PL) por desvios de recursos públicos de emendas parlamentares. O julgamento foi concluído nesta terça-feira (17), com os votos dos quatro ministros do colegiado.

Oito pessoas eram réus nesse processo, entre eles, os parlamentares Josimar Maranhãozinho (MA) e Pastor Gil (MA), além do ex-deputado Bosco Costa (SE). Também respondem à ação penal, João Batista Magalhães, Adones Gomes Martins, Abraão Nunes Martins Neto e Antônio José Silva Rocha. Todos eles foram condenados pelo crime de corrupção passiva. Já o réu Thalles Andrade Costa, filho de Bosco Costa, foi absolvido.

Maranhãozinho recebeu a maior punição, por ter sido considerado o líder do esquema. Ele foi sentenciado a 6 anos e 5 meses de reclusão, em regime semiaberto, e multa de R$ 1.366.200. Por sua vez, Pastor Gil foi condenado a 5 anos e 6 meses, em regime semiaberto, e multa de R$ 151.800. Por se tratar de condenações em regime semiaberto, eles não perdem os mandatos de forma automática, devendo ser analisado pela Câmara dos Deputados.

terça-feira, 17 de março de 2026

Onde você guarda o seu estuprador?

Terça, 17 de março de 2026

Onde você guarda o seu estuprador?

“Mandato da masculinidade” torna homens suscetíveis a praticar violência. Gozo não é sexual; é de poder. E o machismo cotidiano é a argamassa do estupro. O silêncio e o “passar de pano” são onde se nutrem as violências sistemáticas contra as mulheres

OUTRASPALAVRAS                    Feminismos
Por Danú Gontijo


Publicado originariamente no OUTRASPALAVRAS em16/03/2026 às 18h07

Foto: William Heick

Diante de tantos casos de estupro que abarrotaram a mídia estes dias, me vi tomada de muita raiva. Uma adolescente de 17 anos foi estuprada coletivamente pelo ex-namorado e seus comparsas. O estupro de uma senhora de 71 anos pelo motorista do ônibus, uma criança de 12 anos tendo estupros diários chancelados pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O estupro, inclusive, de uma freira de 82 anos, assassinada em seguida. Não sou de xingar, mas nesses momentos me vem um sonoríssimo “filhos da puta” à cabeça. Só que não poderia haver equívoco maior. Esse xingamento é só mais um sinal de como a nossa linguagem é patriarcal. Estupradores não são filhos da puta, muito menos filhos da mãe. São filhos do patriarcado, porque são o ápice da expressão patriarcal em todo seu horror.


Lembro de um cartaz de uma manifestante divulgado em foto pelo Mídia Ninja: “Estupradores são filhos saudáveis do patriarcado”. Uma amiga me corrigiu: “são filhos diletos do patriarcado”. É verdade, porque filhos saudáveis do patriarcado são quase todos os homens. E mulheres também, por certo, como a juíza que instigava uma criança estuprada que acabara de completar 11 anos de idade a seguir com a gravidez: “Você pode aguentar mais um pouquinho?”. Essa é bem filha dileta do patriarcado. Mas aqui quero falar dos homens.

Wikifavelas: As sementes de Marielle Franco

Terça, 17 de março de 2026

Wikifavelas: As sementes de Marielle Franco

OUTRASPALAVRAS                                   Feminismos
Por Caique Azael

Em 2018, manifestação por justiça no caso Marielle Franco, no Rio de Janeiro, reunia milhares na Cinelândia/ Pablo Vergara

Desde 2018, o dia 14 de março nunca mais foi o mesmo. São oito anos desde a brutal execução de Marielle Franco, então vereadora pelo PSOL no Rio de Janeiro, e Anderson Gomes, seu motorista. Em 2026 temos um elemento novo na história: finalmente, após anos de muita pressão popular, em particular das lutas que sua família travou ao longo do caminho, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle e escancarou um ecossistema do crime que persiste no estado do Rio de Janeiro.

I. Justiça como atitude além da condenação

Desde 2018, acompanhamos a multiplicação de vozes, homenagens e lutas em memória de Marielle Franco. No Dicionário de Favelas Marielle Franco, acompanhamos a história de Sementes que Ecoam em vários espaços: há aquelas que trilham o bom combate no parlamento, como a própria viúva de Marielle, Monica Benício, vereadora da cidade do Rio, legislando na mesma casa em que Marielle legislou por dois anos antes de ser morta; ou no poder executivo, como a irmã de Marielle, Anielle Franco, atual Ministra da Igualdade Racial do Brasil; mas também há milhares de sementes espalhadas pelos movimentos sociais, universidades, instituições de pesquisa ou grupos diversos, produzindo movimento e mobilizando outros mundos todos os dias.

Para todas as sementes, o julgamento que ocorreu no último mês não foi apenas o fim de um rito jurídico, mas uma resposta a um ciclo de violências que persiste todos os dias em nosso país. Uma mulher, negra, favelada, socialista, bissexual, mãe, defensora dos direitos humanos… foi morta, a tiros, no exercício de seu mandato parlamentar, em uma das maiores metrópoles do mundo. Que tipo de fissura esse crime produz na democracia brasileira? Como a execução de Marielle é um analisador da situação do nosso país?

segunda-feira, 16 de março de 2026

Patrimônio público —Justiça do DF suspende lei de Ibaneis Rocha que autorizava uso de terras públicas para reforçar o BRB

Segunda, 16 de março de 2026

Patrimônio público
Justiça do DF suspende lei de Ibaneis Rocha que autorizava uso de terras públicas para reforçar o BRB

Decisão liminar aponta falta de transparência em plano estimado em R$ 6,6 bilhões

16.mar.2026
Brasília (DF)

Lei sancionada por Ibaneis Rocha que autorizava o uso de terras públicas para reforçar o Banco de Brasília foi suspensa | Crédito: Agência Brasil


A 2ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal concedeu, nesta segunda-feira (16), uma decisão liminar que suspende a execução da Lei Distrital nº 7.845/2026. A legislação, sancionada pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) na última terça-feira (10), autorizava o uso de bens públicos e de empresas estatais para reforçar o patrimônio do Banco de Brasília (BRB) em meio a uma crise financeira.

A decisão atende a uma ação popular movida por figuras da oposição, incluindo Ricardo Cappelli, Rodrigo Rollemberg, Cristovam Buarque, Rodrigo Dias e a deputada distrital Dayse Amarílio (PSB-DF).

Na decisão, o magistrado determinou que o Governo do Distrito Federal se abstenha de praticar qualquer ato de implementação das medidas previstas na lei, especialmente a transferência de imóveis pertencentes ao próprio DF ou a empresas públicas, como a Terracap, a CEB e a Caesb, para o banco.

Na sentença, o juiz criticou a forma como o governo tentou enfrentar o problema financeiro do banco. Segundo ele, há uma “confusão gerencial” entre o Distrito Federal e o BRB. Embora o governo local seja o acionista majoritário, a instituição financeira possui autonomia administrativa e regras próprias de funcionamento.

domingo, 15 de março de 2026

O que a Reforma Sanitária ensina ao Brasil



Domingo. 15 de março de 2026

O que a Reforma Sanitária ensina ao Brasil

Há 40 anos, em meio a lutas sociais, país assistia à 8ª Conferência de Saúde. O que permitiu este feito histórico, que deu origem ao SUS? Por que Outra Saúde vai resgatá-lo agora, diante de crise prolongada e às vésperas de uma eleição decisiva?

OutraSaúde

Créditos: Revista Radis

Em um mês de março, há 40 anos, acontecia um evento que mudaria os rumos da vida política e social brasileira. Não simplesmente por ter dado as bases para o que viria a ser o Sistema Único de Saúde (SUS) – o que já seria extraordinário. Mas a 8ª Conferência Nacional de Saúde, que aconteceu em Brasília entre os dias 18 e 21 de março de 1986, conseguiu ir além. Mostrou que mesmo em tempos brutos é possível construir força política para ensejar grandes mudanças.

A história da Reforma Sanitária não é conhecida pelos brasileiros. Pouco se conta sobre como foi possível criar um sistema de saúde dessas proporções. Quase ninguém sabe que seu projeto era ainda mais ousado, mas começou a ser dinamitado logo a partir de seu nascimento, porque “a saúde como direito de todos e dever do Estado” entrava na Constituição no mesmo momento em que o Brasil abria-se ao neoliberalismo.

Essa história – e suas contradições – começa a ser descrita e debatida pelo Outra Saúde a partir de agora. No ano em que seu grande marco, a 8ª Conferência Nacional de Saúde (carinhosamente conhecida como Oitava), faz quatro décadas, queremos resgatar seu espírito de criação coletiva e participação popular e investigar o que ela tem a dizer ao Brasil de 2026. Seu ímpeto e sua criatividade têm muito a ensinar em um ano como este.

Covid, 6 anos: anjos da memória e do esquecimento

Domingo, 15 de março de 2026

Covid, 6 anos: anjos da memória e do esquecimento

Em um 12 de março, morria a primeira vítima da pandemia no Brasil. Quem se lembra? Em Manaus, ergue-se sinistra homenagem: uma estátua de costas ao cemitério onde foram enterradas 4.679 pessoas, mortas por falta de ar. A quem restará resgatar sua história?

OutraSaúde

Foto do dia 07 de outubro de 2025, tirada durante a instalação do memorial às vítimas da covid-19 na entrada do cemitério municipal Nossa Senhora Aparecida, em Manaus. Créditos: Mariana Cabral Campos.
Título original:

Manaus entre os anjos da memória e do esquecimento

Leia também:

Exatamente seis anos atrás, no dia 12 de março de 2020, morria na zona leste da cidade de São Paulo a primeira vítima da covid-19 no Brasil: Rosana Aparecida Urbano, diarista de 57 anos, falecida no mesmo hospital em que visitou sua mãe no dia anterior. Até 2023 somaram-se 700 mil mortes por covid-19 reportadas, vítimas do projeto negacionista do ex-presidente Jair Bolsonaro que transformou o país com o maior sistema público de saúde do mundo em um laboratório a céu aberto, no qual estratégias comprovadamente falsas – como a “imunidade de rebanho” ou o “tratamento precoce” – deixaram rastros de destruição.

Ainda em 2021, os esforços investigativos da Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (ou CPI da Pandemia) recomendaram o indiciamento de dezenas de pessoas ligadas ao governo Bolsonaro. Os últimos atos de relevância foram o anúncio, pelo Ministério da Saúde, da criação do “Memorial da Pandemia de Covid-19”, no Rio de Janeiro, e a instauração do Grupo de Trabalho dedicado ao aprimoramento das estratégias brasileiras de resposta às emergências de saúde. É marcante, porém, que nenhuma dessas iniciativas tenha se traduzido ainda em iniciativas tangíveis .

O Anjo marca o lugar

Firmou-se como símbolo da pandemia no Brasil a cidade de Manaus, palco de uma das faces mais marcantes da crise pela abertura de covas coletivas em 2020 e pelo esgotamento dos suprimentos de oxigênio que resultou na morte por asfixia de pelo menos 40 pessoas. O caso foi um dos focos principais das investigações realizadas pela CPI da covid-19, que revelou depoimentos e documentos que comprovaram a negligência do Centro de Coordenação das Operações do Comitê de Crise da covid-19 (CCOP), então responsável pela resposta federal à pandemia, e dos demais órgãos competentes.

Educa por Elas —Justiça barra tentativa do GDF que poderia tirar conteúdo de violência contra a mulher das escolas

Domingo, 15 de março de 2026

Educa por Elas
Justiça barra tentativa do GDF que poderia tirar conteúdo de violência contra a mulher das escolas

Executivo alegou "vícios de ordem formal" e que iniciativa usurpa atividade privativa do governador

Brasil de Fato — Brasília (DF)

Justiça determinou a constitucionalidade da matéria | Crédito: Divulgação/TJDFT

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) rejeitou uma ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo Governo do Distrito Federal (GDF) em lei que institui programa voltado à disseminação de conteúdo sobre violência contra a mulher nas escolas.

A norma, sancionada em 2024, capitaneada pela deputada Doutora Jane (Republicanos), institui o programa Educa por Elas, que torna obrigatória a inclusão de conteúdos relativos à prevenção de violência contra a mulher nas instituições de ensino públicas e privadas do DF.

sábado, 14 de março de 2026

ERIKA HILTON É A PRIMEIRA MULHER TRANS A PRESIDIR A COMISSÃO DA MULHER DA CÂMARA FEDERAL

Sábado, 14 de março de 2026

Erika Hilton — Foto de Zeca Ribeiro/ Câmara dos Deputados

ERIKA HILTON É A PRIMEIRA MULHER TRANS A PRESIDIR A COMISSÃO DA MULHER


https://www.gamalivre.com.br/2026/03/erika-hilton-e-primeira-mulher-trans.html


Na última quarta-feira (11), a nossa deputada federal Erika Hilton foi eleita a nova presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres na Câmara. Esse é um momento histórico na luta pela inclusão de mulheres trans na política. https://tinyurl.com/mvjth6jm

 

ERIKA HILTON PROCESSA RATINHO E SBT POR TRANSFOBIA

Erika Hilton pediu ao Ministério Público Federal que investigue o Ratinho e o SBT por falas transfóbicas feitas pelo apresentador ao comentar a eleição da parlamentar como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. https://tinyurl.com/zxk7zmpz

 

CÂMARA APROVA PROJETO DE FERNANDA MELCHIONNA QUE PREVÊ USO DE TORNOZELEIRA ELETRÔNICA PRA AGRESSOR DE MULHER

A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou o projeto da deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) em coautoria com Marcos Tavares (PDT-RJ), que permite ao juiz determinar o uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressores quando houver risco para a mulher em casos de violência doméstica. https://tinyurl.com/bdw9bxdp

Pedro Pinho: A governança brasileira e as eleições de outubro

Sábado, 14 de março de 2026
Esta ilustração, de 1905, do cartunista estadunidense Louis Dalrymple é atual. Tio Sam gigantesco, com um pé na América do Norte e o outro na América do Sul, e, na mão, o porrete com a inscrição “Doutrina Monroe”

Artigo postado originalmente no VIOMUNDO, de 13 de janeiro de 2026

Por Pedro Augusto Pinho*

Neste início de ano, as pesquisas de intenção de voto visando às eleições de outubro de 2026 ainda não merecem muita credibilidade. Porém, já se vislumbra algum desinteresse no pleito, o que não deveria acontecer, já que ele ocorrerá num mundo em guerra.

E por quê?!

Porque mesmo geograficamente longe do Brasil, esta guerra toca no petróleo.

Não se pode dizer que é mais uma disputa, pois ela começou na década de 1960, quando os consumidores ocidentais perderam o controle sobre as reservas de petróleo e passaram a tentar o domínio com uma “transição energética”. Transição que é, verdadeiramente, uma “regressão energética”.

É muito importante que o leitor esteja bem informado sobre a questão energética, pois ela definirá a capacidade do país, qualquer que sejam seus recursos naturais, de ter ou não autonomia decisória.

Os valores que utilizaremos são os divulgados por estas duas fontes:

sexta-feira, 13 de março de 2026

Impacto —Estudantes da UnDF apontam risco de evasão e aumento no tempo de deslocamento com transferência de campus

Sexta, 13 de março de 2026

Impacto
Estudantes da UnDF apontam risco de evasão e aumento no tempo de deslocamento com transferência de campus

Medida considerada arbitrária pela comunidade acadêmica envolve aluguel de R$ 110 milhões

Brasil de Fato — Brasília (DF)
13.mar.2026

Estudantes da UnDF denunciam falta de diálogo e risco de evasão após decisão de transferir cursos | Crédito: Agência Brasília

Estudantes da Universidade do Distrito Federal Jorge Amaury (UnDF) reivindicam ao Governo do Distrito Federal (GDF) a suspensão imediata da transferência de cursos do Campus Norte para um prédio alugado do Centro Universitário Iesb, localizado em Ceilândia. A medida, tomada sem consulta a professores e alunos, envolve um contrato de aluguel estimado em mais de R$ 110 milhões por cinco anos.

A comunidade acadêmica afirma ter sido pega de surpresa com o anúncio logo após o retorno das férias. Embora o movimento estudantil defenda a expansão da universidade para regiões como Ceilândia, eles questionam a retirada de cursos já existentes e a falta de planejamento para os alunos matriculados.

Na última quarta-feira (12), estudantes, professores e servidores também debateram o tema durante uma assembleia geral extraordinária realizada no Campus Norte da UnDF. O encontro discutiu informações gerais, votação da pauta de reivindicações, além da possibilidade de deflagração de greve. Entre os pontos da reunião estavam ainda a criação de uma comissão de greve, definição de um calendário de mobilização.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Cuba: a agressão e os riscos de omitir-se

Quinta, 12 de março de 2026

Cuba: a agressão e os riscos de omitir-se

Trump impõe garrote vil a Havana. Após mais de 60 anos de bloqueio, objetivo agora é impor a fome, para forçar país a por-se de joelhos. O Brasil fará algo? História mostra: silêncio e concessões a potências agressoras não evitam tragédias

OUTRASPALAVRAS                Geopolítica & Guerra

Foto: Miguel Díaz-Canel

Roberto Amaral*

Em 1938, regressando de Munique, onde fora negociar com Adolf Hitler, o primeiro-ministro Neville Chamberlain declara ao Parlamento britânico haver conquistado o que denominava como “a paz para o nosso tempo”. Enganado ou não, enganava os ingleses e despistava o mundo, em especial o mundo europeu, mal saído da Primeira Guerra Mundial e já se vendo ameaçado por um novo conflito para o qual não estava preparado, como se veria logo depois.

Eram tempos de medo, dominados pela retórica do pacifismo para enfrentar as ameaças do rearmamento alemão comandado pela ascensão do nazifascismo. Ao entregar os Sudetos (parte da então Tchecoslováquia) à Alemanha como compensação pela promessa de Berlim de não reivindicar mais territórios (mote da doutrina do “espaço vital”, que tudo justificava), a monarquia decadente aplainava os avanços das tropas de Hitler: o “acordo de paz” é firmado em 1938 e, já em 1939, a Polônia era invadida. Avança a guerra que a Inglaterra, não podendo enfrentar, tentava não ver, simplesmente ignorando a agressão que vinha a galope.

É história contada. Aquele não era, porém, o primeiro recuo, nem seria o último registro nos conflitos do século passado e nos conflitos de nossos dias, ensinando que nem sempre a estratégia do passo atrás, anunciando outro passo atrás, é a melhor arte da guerra dos que se veem ameaçados por agressores mais poderosos. O agressor sempre avança onde há menor custo. Como ensinavam os argonautas, “navegar é preciso”.

Quando se entrega tudo, ou quase tudo, chega-se a um ponto em que não há nada mais a entregar, nem mais ninguém para resistir, como lembra Bertolt Brecht: “Primeiro levaram os comunistas… Depois os social-democratas… Depois vieram me levar, e não havia mais ninguém para protestar”. O silêncio da comunidade internacional em face da política dos EUA não é neutro. A indiferença ante a dor de suas vítimas, países e povos é escolha.

quarta-feira, 11 de março de 2026

MPDFT recomenda medidas para reduzir déficit de profissionais na saúde do DF

Quarta, 11 de março de 2026

Recomendação orienta nomeação de enfermeiros e técnicos aprovados em concurso e realização de novo certame para médicos de família para reduzir a sobrecarga na rede

Do MPDFT

As Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus) e Regionais de Defesa dos Direitos Difusos (Proreg) do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) expediram recomendação para que a Secretaria de Saúde (SES) adote medidas para reduzir o déficit de profissionais na rede pública de saúde. O documento é de 24 de fevereiro e a pasta tem 30 dias para informar as providências a serem tomadas.

A recomendação leva em conta o diagnóstico da situação da capacidade instalada e dimensionamento da força de trabalho, que aponta déficit reconhecido pela SES em relação a enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos de saúde da família. De acordo com o MPDFT, esse contexto pode causar, entre outros aspectos, a interrupção dos serviços, sobrecarga assistencial e não conformidades sanitárias.

Considerando que há concursos vigentes para os cargos de enfermeiros e técnico de enfermagem, com candidatos aprovados em cadastro reserva aptos à nomeação, o MPDFT orienta que a SES apresente, em articulação com a Secretaria de Economia (SEEC), um cronograma detalhado de nomeação desses profissionais para ampliação da cobertura assistencial. O planejamento deve discriminar os profissionais por categoria, região de saúde e unidade, com prioridade para locais com maior risco assistencial.