Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Um encontro com homens que trocam amor, suporte e afeto

Segunda, 22 de julho de 2019
Da

por Arthur Stabile


Eram 20 homens, entre a maioria jovem e alguns mais velhos, em uma roda de conversa, ou melhor, um ponto de reencontro consigo mesmo através das experiências contadas pelos demais e lembranças do seu próprio passado

Encontro acontece quinzenalmente no CCSP, com próximo para o dia 4 de agosto | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

Difícil tratar de afeto entre homens para quem não teve em sua vida a presença de um pai. Falo de pai no modo mais bruto da palavra, aquele cara que te gerou junto com sua mãe. Estou na estatística dos quase 40% de lares brasileiros comandados por mulheres, segundo o Ipea. Convivi desde o princípio da vida mais com meus avós maternos do que com minha mãe, quem trabalhava para garantir com que eu fosse quem sou hoje. Meu pai? Nunca nem vi.

Deixando essa pequena introdução de lado, justamente a mim coube a missão de tratar de afeto com homens para a Ponte. Abracei a ideia de acompanhar o 5º encontro Ressignificando Masculinidades. Sugeri a pauta, estava curioso com o que um amigo fazia ali entre os organizadores. Não sabia do poder de análise, de reencontro em que entraria ao longo de duas horas deste domingo (21/7) no CCSP (Centro Cultural São Paulo), começo da zona sul da capital paulista, ainda que mais considerada área central.

Um grupo de 20 homens sentados, contando sobre suas vivências, sentimentos, sensações e as ausências que sentiam. Muitos citaram como a relação com o pai afetou suas vidas. Mais no sentido ruim trazido pela palavra, de afeto negativo, de trazer traumas, pavores, instabilidade psicológica, do que o sentido carinhoso de afeto, de acolhimento, segurança, amor.

Senti uma conexão comum: todos ali perceberam tais dificuldades como também querem entender o que as motiva. Querem dar um passo e mudar pequenas coisas que atingem os outros. A ideia é afetar dando suporte, carinho, mostrando que os traumas estão ali, não deixarão de estar, e cada um desses homens deve seguir trabalhando para que esta roda de afeto traumático acabe. Vai além de sermos bons pais no futuro.

Havia ali gente como eu, que nunca nem sequer tinha visto o rosto da figura masculina que te trouxe para essa existência. Que nem sabia seu nome, como eu sei, mas nunca usei essa informação para nada além de gravar na mente: ó, o nome dele é tal. E foda-se, nada além. Vida que segue. Não tem nem um significado para mim. Outros contaram os efeitos causados por relações mais complicadas. De caras que se foram quando estes homens de hoje eram garotos. Cinco, seis anos. Reapareceram outras duas, três vezes na vida deles. Alguns até mais. Ainda assim, uma presença esporádica que destacava ainda mais o poder daquela ausência constante na vida. Órfãos de pais vivos, como um participante definiu bem.

Grupo troca experiências e sensações para discutir como a masculinidade tóxica os afeta | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

Fatos simples, como trocar olhares, elogiar uns aos outros, agradecer por uma fala carinhosa, afetuosa, se tornam barreiras. Com amigos, inclusive. Diversas vezes tratou-se disso no encontro. Justamente este roteiro de olhar, elogiar, foi a dinâmica de início. É desconfortável quebrar a barreira. Você fica vulnerável. O sentimento é de invasão daquela fortaleza de masculinidade, de que o homem inabalável não pode ser atingido. Mais um trauma da masculinidade. Um simples beijo no rosto no amigo quando se era adolescente, interpretado pelo padrasto como uma fraqueza – e indicativo e que eu poderia ser gay, na interpretação dele -, surge na mente como um exemplo claro. E sinal do quão intensa é esta relação tóxica cobrada entre homens.

Olhar para o fundo do olho do outro era a tarefa. Parece simples, mas não é. Uma pessoa que você nunca viu, ter que elogiá-la? Como fazer isso com outro homem, a quem não se deve demonstrar fraquezas? Você será afetado uma hora ou outra. De novo pelo sentido negativo do termo. Não lembro de ter tido um tic tão grande para a sensação trazida por uma palavra quanto “afeto”. Talvez só por “homoafetividade”, também nesse encontro.

Oras, é uma expressão tratada para a população LGBT+, nada além disso. Certo? Errado. É simplesmente o afeto entre homens. Héteros, gays, bissexuais, trans, o que for, entre homens. O sentido foi alterado com o tempo. Ganhou um sentido pejorativo para quem assim o vê. E quebrar esse preconceito com uma palavra é mais difícil do que apenas ouvir e entender o real significado.

Senti ali que ressignificar masculinidade, como é o nome do encontro, vai além de apenas beijar o rosto do amigo como cumprimento e se dizer descontruidão. Nossa, que homem seguro de si. Não, um abismo separa o lado tóxico, que a relação cobrada socialmente entre homens pede, da vivência saudável. Era para isso que logo de início olhamos uns para os outros e nos elogiamos. É um desconforto explicável.

Troca de afeto (positivo) aconteceu durante o encontro, com abraço após um dos integrantes desabafar | Foto: Arthur Stabile/Ponte Jornalismo

Retomando o início, é fato que não ter um pai me afetou, assim como os demais ali. Os que tinham essa referência, seguiam com relações secas, daqueles homens que pagavam colégio e considerava o ato como prova de amor. Tenho um padrasto, um padrinho, tive um avô, que se foi. Minhas referências masculinas estão aqui, estiveram presentes. No entanto, assim como os que tiveram pais ausentes ou presentes, mas dentro de suas fortalezas, criei também minhas próprias barreiras.

E é exatamente para derrubar estes muros que estes homens se encontram, trocam abraços, palavras, histórias. É para perceber que ficar dentro das fortalezas, nessa falsa segurança, te faz afetar negativamente a si próprio e aos outros. Um “eu te amo” para o amigo, parente, quem for, se torna um golpe na masculinidade, não um sentimento puro que se tem. É para pararem de racionalizar os sentimentos, é para poder senti-los da forma que são. Nada além disso.

domingo, 21 de julho de 2019

Para Manoel da Paraíba. #orgulhodonordeste

Domingo, 21 de julho de 2019
Publicado no Youtube em 21 de jul de 2019 por Alisson lopes

Ser paraibano é naturalidade, não é pejorativo

Domingo, 21 de julho de 2019

Ser paraibano é naturalidade, não é pejorativo
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro certamente não leu a obra de Gilberto Freyre, obra seminal sobre a formação da cultura brasileira, traduzida em diversos países; se o fizesse, talvez conhecesse melhor e respeitasse mais os “paraíbas”, como são chamados os nordestinos por aquela parcela dos cariocas que se acha melhor do que os outros.

Por Luiz Carlos Azedo - Correio Braziliense
Fonte: ContextoExato

Política, sexo e religião 

Clássico da sociologia brasileira, Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre, é uma obra polêmica desde sua primeira edição, em 1933, pois desnudou aspectos da formação da sociedade que a elite da época se recusava a considerar. Teve mais ou menos o mesmo impacto de Os Sertões, de Euclides da Cunha, lançado em 1902, a maior e mais importante reportagem já escrita no Brasil. Seu autor descreveu com riqueza de detalhes as características do sertão nordestino e de seus habitantes, além de narrar, como testemunha ocular, a Guerra de Canudos, no interior da Bahia, uma tragédia nacional.

Nas palavras de Antônio Cândido, o lançamento de Casa-Grande & Senzala “foi um verdadeiro terremoto”. À época, houve mais críticas à direita do que à esquerda; com o passar do tempo, porém, Freyre passou a ser atacado por seu conservadorismo. Essa é uma interpretação errônea da obra, por desconsiderar o papel radical que desempenhou para desmistificar preconceitos e ultrapassar valores desconectados da nossa realidade: “É uma obra surpreendente e esclarecedora sobre a formação do povo brasileiro — com todas as qualidades e seus vícios”, avalia Cândido. Consagrou “a importância do indígena — e principalmente do negro — no desenvolvimento racial e cultural do Brasil, que é um dos mais complexos do mundo.”
Leia a íntegra

O outro astronauta

Eduardo Galeano no livro 'Os filhos dos dias'

sábado, 20 de julho de 2019

Relatório da ONU pede mudanças na forma como o mundo produz e consome alimentos

Sábado, 20 de julho de 2019
Da
ONU Brasil
Com a previsão de que a população mundial chegará a quase 10 bilhões em 2050, um novo relatório mostra que o sistema global de alimentos deve passar por mudanças urgentes para garantir que haja comida adequada para todos, sem destruir o planeta.
O relatório pede ajustes significativos na produção de alimentos, bem como mudanças no consumo das pessoas. Foto: ONU Meio Ambiente
O relatório pede ajustes significativos na produção de alimentos, bem como mudanças no consumo das pessoas. Foto: ONU Meio Ambiente
O “Relatório de Recursos Mundiais: Criando um Futuro Alimentar Sustentável” revela que enfrentar esse desafio exigirá o fechamento de três lacunas: uma “lacuna alimentar” de 56% entre o que foi produzido em 2010 e os alimentos que serão necessários em 2050; uma “lacuna de terra” de quase 600 milhões de hectares (uma área quase duas vezes maior que a da Índia) entre a área agrícola global em 2010 e a expectativa de expansão agrícola até 2050; e um “gap de mitigação de gases de efeito estufa” de 11 gigatoneladas entre as emissões esperadas da agricultura em 2050 e o nível necessário para atender o Acordo de Paris para o clima.

FutureSe ou VireSe? ou "Privatize-se". Sobre o desmonte das universidades públicas

Sábado, 20 de julho de 2019
A base foi Milton Friedman, segundo o MEC. Todas as políticas educacionais do mundo pensadas sob o trabalho desse autor fracassaram. Não há nada que indique que será diferente no Brasil.

Por 
Daniel Cara*

SOBRE O DESMONTE DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS

Estou acompanhando o lançamento do Future-se a distância, pois permaneço em incidência na ONU. Há riscos graves no projeto.
 
Siga o fio:


1) Missão: as universidades públicas brasileiras têm o desafio de expansão do ensino com qualidade - Harvard não é modelo: tem poucos alunos;

2) As alternativas de financeirização são menos elaboradas do que o receituário ruim da "Education Commission" de Gordon Brown. Estive aqui em NYC no lançamento deles em 2016. Em nenhum lugar do mundo funcionou. Um modelo pior não funcionará no Brasil;

3) A adesão ao projeto submeterá as universidades federais a riscos e mudanças de prioridades. Captar recursos será a meta. Universidade não é indústria e educação não é produto a ser comercializado. Patentes se resolvem com política comercial e industrial;

4) O aspecto mais perverso do projeto é utilizar o patrimônio acumulado das universidades públicas federais sob o modelo atual como moeda de troca para o modelo proposto. Ou seja: dilapida o que há de bom para determinar um modelo ruim e desigual;

5) O modelo é tão desigual que o MEC, na apresentação, repetiu reiteradas vezes que ele não gera desigualdades: repetindo uma mentira para virar uma verdade. Gera porque freia a democratização do acesso ao ensino superior;

6) O modelo chama-se "Future-se". Poderia ser "Vire-se" e "Privatize-se". A base foi Milton Friedman, segundo o MEC. Todas as políticas educacionais do mundo pensadas sob o trabalho desse autor fracassaram. Não há nada que indique que será diferente no Brasil;

7) O projeto do MEC falha em tentar alavancar a economia pela educação. O que alavanca a economia e a educação em conjunto é um projeto de desenvolvimento para o Brasil, algo impossível sob esse governo. Projeto exige articulação e planejamento;

8) Não sou contra startups. Mas não considero a roupagem millennial das "Pequenas e Médias Empresas" 'O' caminho. Doutorandos estão desempregados. Financiamento para novos negócios é bom, mas não é suficiente para destravar a economia. E o desemprego não é culpa dos doutores;

9) As Universidades brasileiras podem e devem fazer pesquisa aplicada, criar patentes, explorá-las. Inovação deve ser uma palavra resgatada do seu exílio utilitarista e virar um objetivo de pesquisa. O que não pode é fazer discurso leve para abandonar a educação superior pública;

10) Por último, o projeto freia a democratização das Universidades e cria meios de privatizar a gestão. Ajuda Bolsonaro a desconstruir um contrapeso ao seu governo, pois ataca a Ciência. "Future-se" pode ser um caminho para o pior Brasil desde 1889. Certamente é o pior desde 1988.
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Gama na rota de grandes eventos

Sábado, 20 de julho de 2019
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna
Além de ser uma das sedes do  Mundial de Futebol na categoria sub 17, a cidade agora será também a anfitriã do 4º Encontro Nacional Ecossocialista.

Por Chico Sant’Anna
A cidade-satélite do Gama parece estar na moda e começa a sediar eventos nacionais. Depois da decisão de eleger o estádio do Bezerrão e, por consequência o Gama, como uma das sedes do Mundial de futebol na categoria sub 17, previsto para o período de 26 de outubro a 17 de novembro, a cidade agora será também a anfitriã do 4º Encontro Nacional Ecossocialista. Os ecossocialistas são uma tendência interna do Partido Socialista e Liberdade – Psol. Nos dias nos dias 27 e 28 de julho militantes de todo o país, que conjugam a ideologia socialista com a ambientalista, estarão lá reunidos.

As duas iniciativas são importantes para mostrar aos brasilienses e ao Brasil que Brasília não é só a Esplanada dos Ministérios e que existe vida ativa nos mais diversos campos nas cidades que não querem mais ser vistas como satélites.

Nos respeite, presidente! Ser paraibano, baiano, alagoano, pernambucano, piauiense, cearense, potiguar, sergipano, maranhense é motivo de orgulho

Sábado, 20 de julho de 2019
"Paraíbas" é uma expressão utilizada para se referir pejorativamente ao Nordeste como um todo. É uma vergonha que termos como esse e com esse tom sejam usados pelo presidente da República em referência ao Nordeste.

Eu sou baiana, nordestina sim, com muito orgulho. Tenho no sangue a luta dos meus antepassados: dos retirantes maltratados pela fome que o presidente diz não existir, de Marias Bonitas, dos negros escravizados, de Conselheiro, do povo de Canudos, das Chibatas, da resistência. Somos 2 de Julho e Revolta dos búzios. Somos Quitérias e Joanas.

No meu sangue também jorram as palavras de Castro Alves, os conselhos de Rui Barbosa, os versos de Patativa e ecos de uma cultura viva que teima em encantar. Portanto, nos respeite, presidente!. Ser paraibano, baiano, alagoano, pernambucano, piauiense, cearense, potiguar, sergipano, maranhense é motivo de orgulho. Vergonha mesmo é todo dia ouvir uma declaração escabrosa, insana, indecente por parte de um presidente. E os versos de Castro Alves ainda continuam atônitos dizendo: "Senhor Deus dos desgraçados, dizei-me vós Senhor Deus, se eu deliro ou se é verdade tanto horror perante os céus?" Resistiremos a vocês!

Palmira Heine*
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Palmira Heine nasceu em Salvador, em 1976. É graduada em Ciências Sociais, História e Letras. É doutora em Letras pela Universidade Federal da Bahia e atua como professora universitária na Universidade Estadual de Feira de Santana. Além de um vasto trabalho com relação a temas ligados ao estudo de teorias textuais e discursivas, área na qual atua como professora universitária, a autora também tem se dedicado a escrever poemas e livros infantis. 

Será neste domingo (21/7) a VI Caminhada nos Parques do DF — Gama

Sábado, 20 de julho de 2019

VI CAMINHADA NOS PARQUES DO DF - GAMA

1) Nome do Parque: Refúgio da Vida Silvestre Ponte Alta do Gama


2) Distância a ser percorrida (km): 1,8 Km


3) Tempo estimado: 3 horas e 25 Minutos
-Nível de esforço físico: Pesado

4) Características:

Trilha com declives acentuados, em situação de descida e subida, possui uma piscina natural conhecida como Meloso e a Cachoeira da Loca, haverá também momentos em que a caminhada se dará por dentro do Córrego da Serra.

5) Sobre o Parque:
Possui uma área de 136 ha, sendo a maior Unidade de Conservação do Gama, é rico em água tendo em seu interior o nascimento de várias nascentes que desaguam no Ribeirão Ponte Alta, afluente da Bacia do Corumbá.

Infelizmente se encontra hoje com uma grande porção invadida. Mas é detentor de uma beleza natural digna de pinturas e do ecoturismo.

6) Ponto de encontro: Quadra de Esportes da Vila Roriz

7) Links de evento no Face e do grupo no Whatsapp.








A intrusa

Eduardo Galeano no livro 'Os filhos dos Dias'
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Obra de Hedda Sterne

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Exposição de Lia do Rio no Museu da República em Brasília provoca reflexão sobre o tempo; com entrada gratuita, foi aberta em 2 de junho e vai até 25 de agosto

Sexta, 19 de julho de 2019
Lia do Rio

Mostra inédita na capital reúne 37 obras da artista plástica consagrada no Rio de Janeiro; entrada é gratuita.

A exposição “Tempo em Suspensão” - aberta em 2 de junho, no Museu da República - provoca o olhar do espectador sobre presente e o efêmero. E o convite é um mergulho na natureza, transformada em obra de arte a partir das mãos da artista plástica Lia do Rio.

A mostra, gratuita, conta com 37 obras, entre colagens, vídeos, instalações. E fica na cidade até 25 de agosto. Com peso importante na arte contemporânea, as obras de Lia do Rio transcenderam às últimas quatro décadas e inspiram gerações.

Uma das principais matérias-primas usadas por Lia são folhas secas, que se transformam em reflexões sobre vida, morte, transformação, tempo e atemporalidade. “Não estou falando de ecologia, tem a ver com o ser humano. Eu acredito que todas as problemáticas mundiais que envolvem sobrevivência estão nessa incapacidade de se perceber natureza”, elucida Lia.

Uma das grandes surpresas é também um dos trabalhos mais atuais da artista: uma instalação batizada de “Porvir”, que, segundo Lia, é uma impressão do amanhã, onde a pessoa perceberá e se sentirá no futuro.

A curadoria da exposição é assinada pelo artista visual e escritor Bené Fonteles. “A originalidade da obra de Lia reside na forma dela se apropriar dos resíduos naturais e lhes dar nobreza estrutural. As mais significativas são as que ela ressignifica os materiais para conceder a elas potência poética”, afirma Bené.

Essa não é a primeira vez de Lia em Brasília. A artista já expôs em eventos da capital em outras ocasiões, como na UnB, em 1991, e, no próprio Museu Nacional da República, em 2013, onde, inclusive, tem em acervo a obra “Possibilidades”, que é feita de esqueletos de folhas. 

Sobre a artista
Lia do Rio Cardoso Costa nasceu em São Paulo e mora no Rio de Janeiro desde os dez anos de idade. Em 1958 inscreveu-se na cadeira de Pintura da Escola Nacional de Belas Artes, da UFRJ, onde se formou em 1963. Em 1982, ingressou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage onde permaneceu até 1985. Suas pinturas, porém, adquiriram tridimensionalidade e passaram a se assemelhar com janelas, que logo foram assumidas como material principal de suas obras. Enquanto recolhia janelas jogadas na rua, sentiu-se atraída pela riqueza e potencial de outros materiais descartados, passando a trabalhar no próprio espaço em que eram encontrados, organizando-os em formas ditadas pelo local, o que fez a escala aumentar consideravelmente. Ao ser convidada para exposições, reciclava estas formas para dentro da galeria.  Mais informações em:

Serviço
O que: exposição “Tempo em Suspensão”
Data: até 25 de agosto de 2019
Horário: das 9h às 18h
Local: Museu Nacional da República, Setor Cultural Sul, Lote 2, Esplanada dos Ministérios
Entrada: franca
Classificação indicativa: livre

Veja parte do que está exposto: https://www.youtube.com/watch?v=QSsuPgzidFY
Veja o convite da artista: https://youtu.be/RMfImbDakDE  

Operação Caixa de Pandora: A promotora do MPDF Deborah Guerner e seu marido, Jorge, são condenados por extorsão ao ex-governador José Roberto Arruda

Sexta, 19 de julho de 2019
Do MPF

A Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) condenou, nesta quinta-feira (18), a promotora do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) Deborah Guerner e seu marido, Jorge Guerner, pelo crime de extorsão contra o ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Por maioria de votos, os desembargadores absolveram os réus Leonardo Bandarra, Cláudia Marques, Durval Barbosa e Marcelo Carvalho. A decisão atende em parte os pedidos feitos pelo Ministério Público Federal (MPF) em ação penal.

A máfia das OSs e a privataria na saúde pública. Nova fase da Operação Maus Caminhos cumpre mandados de prisão e buscas. Alvo da operação é o grupo do senador e ex-governador do Amazonas Omar Aziz (PSD). Mulher dele foi presa hoje

Sexta, 19 de julho de 2019
Em imagem de 2017, publicada no site Ataque aos Cofres Públicos e no Diário do Amazonas, o senador Omar Aziz e o dono da OS Novos Caminhos, o médico Mouhamad Moustafa
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Do MPF
Batizada de operação Vertex, a ação tem como alvos principais pessoas físicas e jurídicas ligadas a ex-governador e senador do Amazonas; medidas também foram cumpridas em São Paulo e Brasília

Nova fase da Maus Caminhos cumpre mandados de prisão e buscas no AM

A pedido do Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas e da Polícia Federal, a Justiça Federal determinou a realização de prisões e buscas no âmbito da quinta fase da operação Maus Caminhos, intitulada operação Vertex. Estão sendo cumpridos nesta sexta-feira (19) mandados de prisão e de busca e apreensão, além de diversos mandados de bloqueios de contas e sequestro de bens.

As medidas estão sendo cumpridas pela Polícia Federal em Manaus, Brasília e São Paulo. Os investigados na presente fase são pessoas físicas e jurídicas ligadas a um ex-governador do Amazonas, atualmente senador pelo estado [Omar Aziz]. No inquérito que deu origem à operação Vertex são investigados os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e pertinência a organização criminosa.
As investigações que culminaram na quinta fase da operação Maus Caminhos foram iniciadas a partir de inquérito instaurado em 2016, no Supremo Tribunal Federal (STF), e acompanhadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Isso ocorreu por haver indícios de cometimento de crimes por envolver um parlamentar federal, com foro privilegiado.
Após o julgamento da Questão de Ordem na Ação Penal n. 937, no qual o STF limitou a extensão do foro por prerrogativa de função, o inquérito foi declinado para a Seção Judiciária do Amazonas. Nesse sentido, a investigação foi assumida pelo MPF no Amazonas, em conjunto com a Polícia Federal.
A operação Vertex decorreu de requerimentos à Justiça Federal formulados pelo MPF a partir de maio de 2019. Na ocasião, o MPF requereu e a Justiça Federal determinou a realização de prisões, buscas e sequestro de bens dos investigados.
Com as investigações que culminaram na operação Vertex, Ministério Público Federal e Polícia Federal complementaram os elementos de prova produzidos em outras fases da operação Maus Caminhos e identificaram novos indícios do possível cometimento de crimes pelos investigados. Após a conclusão do inquérito policial pela PF, todo o material será encaminhado para análise do MPF, que vai decidir sobre o ajuizamento das ações cabíveis.
Acesse o site da Operação Maus Caminhos:
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Sugestão do Gama Livre. Leia também:

Operação Maus Caminhos: Dono de OS que desviou milhões da Saúde é condenado a 15 anos de prisão; ele estava por um triz para empurrar seu negócio no DF


OS: Facebook é multado em R$ 111 mi por descumprir quebra de sigilo em investigações da Operação Maus Caminhos (AM)

O primeiro turista das praias cariocas


Eduardo Galeano. Livro Os Filhos dos Dias. L&MP Editores

quinta-feira, 18 de julho de 2019

O assalto ao FGTS rumo à destruição do BNDES

Quinta, 18 de julho de 2019
JOSÉ CARLOS DE ASSIS*


Você acha que Bolsonaro é muito bonzinho quando promete liberar o acesso total a contas ativas do FGTS e do PIS/Pasep? Você aplaude quando ele critica o sistema de remuneração do FGTS em razão de taxas de juros muito baixas? Você acha que o FGTS, sendo dinheiro do povo, não deveria ser emprestado pelo BNDES a grandes empresas? Você acha que os recursos do FGTS deveriam ser democratizados, destinados só a pequenas empresas?

Se você acha tudo isso, me desculpe, você se comporta como um manipulado em economia. Até justifico sua posição porque, no fundo, você não tem fonte de informação imparcial sobre essas coisas. A televisão e os jornais dão números secos, não as causas por detrás deles. Na verdade, a mídia imbeciliza a população. Ainda pior é que do lado dos chamados economistas progressistas há uma espécie de preguiça coletiva em esclarecer esses temas.

Mentiras e Corrupção São Características Neoliberais

Quinta, 18 de julho de 2019
Plataforma de petróleo da Petrobras - Divulgação/Petrobras

Por
Pedro Augusto Pinho
O administrador Salim Mattar, dono da locadora de veículos Localiza e quarto maior doador para a campanha de apoiadores de Jair Bolsonaro, foi nomeado Secretário de Privatizações, a convite do ministro Paulo Guedes. No tosco vernáculo, que parece uma característica do governo atual, em evento patrocinado pelo Itaú Unibanco, Mattar afirmou:

"Me apontem (sic) uma só estatal eficiente. Não existe", e respondeu em seguida ao acrescentar que empresas eficientes não precisam de monopólio, em clara referência à Petrobras.

O desconhecimento do assunto sob sua gestão parece ser outra característica deste governo, pois há quase 22 anos não mais existe monopólio para o petróleo no Brasil, extinto pela Emenda Constitucional nº 9, de 09/11/1995, e pela Lei nº 9.478, de 06/08/1997.

Mas não param aí as mentiras sobre aquela que foi a maior empresa do Brasil e indutora do desenvolvimento científico, tecnológico, industrial e da engenharia nacional, além de geradora de milhares de empregos, diretos e indiretos, e da apropriação pelo Estado e pelos cidadãos brasileiros da renda petroleira.

Transcrevemos informações precisas do depoimento do economista Claudio da Costa Oliveira na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS), da Câmara dos Deputados, em 10/07/2019.

Afirmou Claudio Oliveira:

"A mãe de todas as mentiras foi a de que a Petrobrás estava quebrada, ou com sérios problemas financeiros. Desta mentira surgiram diversos filhotes:
-Filhote Número Um: a Petrobrás não pode mais investir, pois uma empresa quebrada não pode investir:

-Filhote Número Dois: a Petrobrás deve diminuir sua dívida, pois uma empresa quebrada não tem capacidade de pagar os juros da dívida;

-Filhote Número Três: a Petrobrás tem que vender ativos para pagar esta dívida, pois uma empresa quebrada não tem recursos".

Quantos erros, quanta falsidade, quanto estímulo à corrupção!

O administrador Mattar deveria responder a perguntas que surgiriam como consequência lógica das acusações à Petrobrás: em que ano a Petrobrás ficou insolvente? quando ela faliu?

Três indicadores foram apresentados, logo no início da exposição, pelo economista Claudio Oliveira: liquidez corrente, saldo de caixa e geração operacional de caixa.

A Liquidez Corrente (LC) é o índice que relaciona o que se tem a receber e a pagar. Se for igual a um, a empresa está equilibrada, ou seja, o que tem e o que deve são do mesmo valor. Se for superior a um, significa que a empresa está com folga para pagar dívidas, para investir e distribuir dividendos.

No período de 2010 a 2018, apresentado por Oliveira, a Petrobrás sempre teve LC superior a 1,5, chegando a 1,9 em 2010 e 2017, ou seja, em nenhum momento ela esteve quebrada, sempre sobrou dinheiro. E de quanto foi o montante deste dinheiro? 

No mesmo período, 2010 a 2018, em bilhões de dólares estadunidenses (USD), os Saldos de Caixa (SC) foram sucessivamente: 17,7; 19,1; 13,5; 15,9; 16,7; 25,0; 21,2; 22,5 e 13,9. Para avaliar estes saldos, nada melhor do que compará-los com outras empresas de petróleo que tenham atuação global, ou seja, de multinacionais petroleiras.

Verifiquemos como se comporta a Petrobrás (PB) em comparação com duas grandes empresas estadunidenses de petróleo: Exxon Mobil (EM) e Chevron CH).

Em 2012, a Chevron teve SC de 20,94 bilhões USD, contra 13,52 da Petrobrás e 9,58 da Exxon Mobil; em 2013, tiveram respectivamente 16,25 (CH), 15,87 e 4,65 (EM); mas a partir de 2014 até 2017 a Petrobrás sempre superou os SC destas duas gigantes do petróleo. Em 2014, a CH teve 12,79 e a EM 4,62; em 2015, respectivamente, 11,02 e 3,71; em 2016, 6.99 e 3,65 e, em 2017, 4,81 e 3,20. A falência jamais ocorreu.

Comparemos agora a Petrobrás, além das duas estadunidenses, com a maior empresa anglo-holandesa, a petroleira Royal Dutch Shell (DS), na geração operacional de caixa. Geração Operacional de Caixa (GOC) significa a tão desejada eficiência empresarial, pois é fruto das receitas e despesas diretamente decorrentes das atividades da empresa. Também deste resultado se tem o já observado indicador de liquidez.

Confrontemos o período no qual a Petrobrás foi mais atacada pelas forças que a querem destruir, das "jornadas de junho" (2013) ao impeachment da presidente Dilma Rousseff (2015/2016) e o governo Temer (2016/2017).

Em bilhões de USD temos, ano a ano:

2013: EM (44,90); DS (40,44); CH (35,01); Petrobrás - PB (26,30)

2014: EM (45,10); DS (45,04); CH (31,50); PB (26,20)

2015: EM (30,30). DS (29,81); PB (25,90). CH (19,50)

2016: PB (26,10); EM (22,10); DS (20,62); CH (12,90)

2017: DS (35,65); EM (30,10); PB (27,11); CH (20,52).

Ressalta aos olhos de um administrador e mesmo de um investidor o comportamento homogêneo e equilibrado da Petrobrás, mantendo um padrão estável e significativo de receitas operacionais, em face das maiores petroleiras do mundo, cujas oscilações representam até mais de 200%.

Voltemos ao competente e preciso depoimento de Claudio Oliveira na Comissão da Câmara dos Deputados apresentando um de seus slides.

"Depois de 2016, a Companhia passou a adotar uma política de preços assassina, com o povo e com a economia brasileira, chamada PREÇO DE PARIDADE DE IMPORTAÇÃO que significa adicionar ao preço interno nas refinarias estrangeiras (especialmente as estadunidenses do Golfo do México), o preço internacional do combustível mais o frete até o Brasil, sua internação em nosso País, mais os custos com seguro, risco cambial e lucro" 

"ISTO É UM ABSURDO. NENHUM PAÍS OU EMPRESA NO MUNDO ADOTA ESTE TIPO DE POLÍTICA. NA VERDADE ESTAMOS FAZENDO CARIDADE PARA AS REFINARIAS AMERICANAS. QUAL EMPRESA MUNDIAL FAZ CARIDADE PARA AS EMPRESAS BRASILEIRAS? ALÉM DAS REFINARIAS AMERICANAS, DOS TRADERS E DOS PRODUTORES DE ETANOL, QUEM MAIS ESTÁ LUCRANDO COM ISTO? QUEM ESTÁ PAGANDO, NÓS SABEMOS, SÃO OS CONSUMIDORES BRASILEIROS E A ECONOMIA BRASILEIRA QUE PERDE SUA COMPETITIVIDADE".

E esta questão das mentiras sobre a situação da Petrobrás e esta política vergonhosa do preço para os derivados produzidos no Brasil dão suporte para o verdadeiro objetivo político do governo e da direção da Petrobrás: eliminar a empresa que é um verdadeiro símbolo da eficiência, da capacidade nacional e orgulho dos brasileiros, como demonstram todas as pesquisas realizadas pelas mais diferentes empresas sobre opinião pública.

Destruir a Petrobrás, desejo de todas as petroleiras estrangeiras e países colonizadores do Brasil, desde sua criação por Getúlio Vargas (levado ao suicídio), encontra no governo Bolsonaro, na atual composição do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional, com a omissão das Forças Armadas seu momento de maior oportunidade.

E logo os brasileiros, os caminhoneiros, os passageiros de ônibus urbanos, qualquer dona de casa que use o gás para cozimento alimentar verificarão quão prejudicial para suas vidas e para segurança nacional foi sua omissão diante do projeto de destruição daquela maior empresa brasileira, criadora de tecnologia e desenvolvimento nacional.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado