Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sexta-feira, 12 de julho de 2024

O PPCUB DE BRASÍLIA E OS INTERESSES SOCIOECONÔMICOS EM DISPUTA

Sexta, 12 de julho de 2024

O PPCUB DE BRASÍLIA E OS INTERESSES SOCIOECONÔMICOS EM DISPUTA


Aldemario Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 12 de julho de 2024

“O Plano de ‘Preservação’ do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub) foi aprovado na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). O PPCub, Projeto de Lei Complementar nº 41, de autoria do Governo do Distrito Federal, tramitou em regime de urgência e foi analisado de forma açodada no plenário da CLDF, na tarde desta quarta-feira (19/6)” (fonte: metropoles.com).

O portal Metrópoles lançou uma série de reportagens para mostrar “... como o PPCub trai o próprio nome e, em vez de preservar Brasília, abre espaço para intervenções drásticas no Plano Piloto que desfiguram a capital federal do Brasil tal qual foi concebida e com as características que renderam o título de Patrimônio da Humanidade, concedido em 1987” (fonte: metropoles.com).

Em matéria do dia 19 de junho de 2024, o portal Metrópoles resumiu assim as mudanças negativas no Plano Piloto permitidas pelo PPCub: a) camping com tendas, trailers, barracas, comércios e restaurantes no fim da Asa Sul; b) aumento da altura, de três para 12 andares, de 16 prédios nos Setores Hoteleiros Norte e Sul; c) transformação de bolsões de estacionamento na Avenida W3 Sul em comércios e praças e d) construção de mais apartamentos às margens do Lago Paranoá, perto do Palácio da Alvorada.

A  , em um texto com forte densidade técnica, censurou o PPCub aprovado. Afirmou Marta Adriana: “Desenvolvimento local não é sinônimo de ocupação: a urbanização de Brasília entre 2013 e 2019 suprimiu a vegetação nativa fora das unidades de conservação e, assim, hoje temos que 61% do Cerrado remanescente suprimido foram substituídos por uso urbano. O verdadeiro desenvolvimento envolve, pelo menos, o suporte de evidências científicas que apontam aumento de calor na capital para o qual existem medidas de mitigação, porém, ignoradas na aprovação do PPCUB, como, por exemplo, a ampliação, manutenção e preservação do verde urbano, e a disponibilização de atividades produtivas fora da área tombada. Hoje, o verde é orientado por questões universais relacionadas às mudanças climáticas e aos serviços ecossistêmicos em áreas naturais e urbanas. Esteve presente desde a gênese do projeto da capital, associado à identificação de escalas, à característica bucólica e à transição do edificado para o não edificado. A história nos diz que o DF merece um território preservado e um futuro mais sustentável. No entanto, o PPCUB aprovado pela CLDF vai no sentido contrário desse histórico” (fonte: correiobraziliense.com.br).

Outras resistências partiram dos mais diversos segmentos da sociedade brasiliense. Eis alguns registros significativos:

“A secretária de Cultura do Distrito Federal à época em que Brasília recebeu o título de Patrimônio da Humanidade, Vera de Castro Chaves Pinheiro, hoje com 86 anos, demonstra preocupação e indignação com as alterações na capital federal previstas no Plano de ‘Preservação’ do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub), aprovado em 19 de junho de 2024./Citando o Oscar Niemeyer: ‘Você não pode falar em urbanismo com especulação imobiliária' ’, disse, em entrevista ao Metrópoles, gravada na terça-feira (2/7). ‘A diferença é esta: tem um grupo de idealistas e tem outros que são empresários e que querem só ganhar dinheiro’, declarou” (fonte: metropoles.com).

“MPDFT ajuizará ação direta de inconstitucionalidade contra PPCub/A promotora de Justiça Marilda dos Reis Fontinele conclamou a sociedade para se unir contra o PPCub, que ameaça a preservação de Brasília” (fonte: metropoles.com).

“Professores criticam PPCub: ‘Parece dialogar bem com interesses particulares’/Especialistas em arquitetura e urbanismo de Brasília criticaram PPCub em audiência pública no Senado Federal” (fonte: metropoles.com).

“ ‘Interesses econômicos irresponsáveis’, diz senadora Leila sobre PPCub./Comissão de Meio Ambiente do Senado promove, nesta manhã, audiência pública sobre Plano de ‘Preservação’ do Conjunto Urbanístico de Brasília” (fonte: metropoles.com).

“Em debate na Universidade de Brasília (UnB), na tarde de quarta-feira (10/7), especialistas em arquitetura e urbanismo criticaram fortemente o Plano de ‘Preservação’ do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCub). A medida foi chamada de ‘perversa’ e associada a um ‘cheque em branco para se vender a cidade’ ” (fonte: metroples.com).

Vivemos, no Distrito Federal e no Brasil, em uma das sociedades mais desiguais do planeta. Paralelamente, como era de se imaginar, os índices de violências, opressões e discriminações, de todas as naturezas, são estratosféricos. Esse triste quadro não é obra do acaso, uma maldição dos deuses ou resultado da preguiça coletiva. Essas e outras mazelas das sociedades distrital e nacional decorrem da existência de poderosos mecanismos de concentração de riquezas (materiais e imateriais) em segmentos extremamente minoritários da população (0,1%, aproximadamente).

Um dado de especial relevo é que os referidos mecanismos socioeconômicos de produção de desigualdades e outras iniquidades são cuidadosamente inseridos na institucionalidade jurídica. Praticamente todos eles assumem a forma de normas constitucionais, legais e infralegais. Residualmente, em regra, as decisões judiciais chancelam esses interesses.

Portanto, não é possível escapar da constatação de que existe um conflito básico e fundamental nas sociedades organizadas em torno da apropriação da riqueza produzida. Não é o único, obviamente, mas é o principal. Ele é tão mais intenso e cruel quanto maior é a desigualdade observada.

Voltemos ao PPCub de Brasília. A aprovação desse Plano é um daqueles momentos incomuns em que os interesses em disputa em uma sociedade ficam claramente explicitados. Os interesses na maioria da população, na forma de preservação de espaços verdes e desenvolvimento sustentável, são confrontados com os interesses da especulação imobiliária mais agressiva. Poucas vezes o lucro a qualquer custo e a maximização inconsequente da acumulação de riquezas ficam tão evidentes.

Veja o seguinte registro, em matéria do portal Metrópoles do dia 27 de junho de 2024: “Com a permissão [no PPCub] para que lotes destinados a clubes a poucos metros do Palácio da Alvorada possam abrigar hotéis e apart-hotéis, as margens do Lago Paranoá poderão ter 9 mil novos apartamentos, quantidade equivalente às moradias de 12 superquadras do Plano Piloto juntas. Seria um novo bairro na área tombada, com 27 mil habitantes”.

Um dado adicional é muito emblemático: “Como clubes, os cinco imóveis do SCES têm valor estimado de R$ 150 milhões. Com a permissão para construção de apartamentos, esses terrenos serão hipervalorizados e passarão a R$ 1,4 bilhão” (fonte: metropoles.com).

Subsiste uma questão estratégica a ser abordada. Como se dá a representação política dos interesses em disputa na sociedade? Registre-se que PPCub de Brasília foi aprovado, na Câmara Distrital, em dois turnos, pelo placar de 18 a 6.

É curioso, para dizer o mínimo, que os interesses amplamente majoritários na sociedade tenham uma representação parlamentar tão limitada. Em 2022, escrevi um pequeno livro, com o título “Como escolher seu deputado”, que oferece algumas respostas para essa perplexidade.

São dois basicamente, com alguma simplificação, os modelos de campanhas eleitorais proporcionais, com reflexos necessários no exercício dos mandatos. O primeiro tipo de campanha, caracterizado pelo “voto fisiológico" e/ou “voto clientelista”, está baseado: a) na contratação interesseira de cabos eleitorais; b) na “compra” de apoios de lideranças comunitárias e afins e c) na promessa de vantagens imediatas descoladas de políticas públicas e do equacionamento dos grandes problemas locais, regionais e nacionais. Esses e outros expedientes na mesma linha normalmente estão lastreados em volumes consideráveis de recursos pecuniários. O segundo tipo de campanha, caracterizado pelo “voto de opinião”, está fundado: a) em propostas programáticas; b) em trajetórias de vida que demonstram as habilidades técnicas e políticas para instrumentalizá-las e c) vínculos com os segmentos mais consequentes da sociedade. Nesses casos, recursos pecuniários mais significativos não são decisivos.

Normalmente, o primeiro tipo de campanha, baseada no "voto fisiológico" e/ou “voto clientelista”, resulta, se bem-sucedida, em um mandato parlamentar comprometido com interesses socioeconômicos minoritários bem definidos. São parlamentares que, em regra, oferecem sustentação política para a construção e manutenção de bilionários mecanismos de transferência de riquezas do conjunto da sociedade (mais de 99,9% da população) para uma minoria de privilegiados (menos de 0,1% da população).

Já o segundo tipo de campanha, baseada no "voto de opinião", resulta, se vitoriosa, num mandato parlamentar comprometido, em linhas gerais, com as causas populares e democráticas mais sensíveis e relevantes. Embora as visões programáticas possam ser mais liberais ou mais sociais, não existe um alinhamento quase que automático com as práticas e os interesses minoritários mencionados.

Para o caso da aprovação do PPCub de Brasília não parece ser necessário um grande esforço de análise para identificar o perfil das campanhas e mandatos da maioria parlamentar formada para chancelar o Plano.

Parece fora de dúvida que a conscientização, organização e mobilização dos interesses majoritários, populares e democráticos, das sociedades distrital  e brasileira são os caminhos para que os interesses minoritários da especulação imobiliária e afins não continuem dominantes nos espaços institucionais, os mecanismos de produção de desigualdades socioeconômicas sejam desmontados e um convívio social livre, justo, sustentável e solidário seja construído no Distrito Federal e no Brasil.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

PF diz que Abin atuou ilegalmente em favor de filhos de Bolsonaro

Quinta, 11 de julho de 2024
© Antonio Cruz/Agência Brasil

Agência teria sido usada para favorecer Jair Renan e Flávio Bolsonaro

Publicado em 11/07/2024 - Por André Richter - Repórter da Agência Brasil - Brasília

A Polícia Federal (PF) aponta que a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foi utilizada durante o governo de Jair Bolsonaro para favorecer dois filhos do ex-presidente.

Segundo a corporação, agentes que participaram do monitoramento ilegal buscaram informações sobre investigações envolvendo Jair Renan e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A conclusão está no relatório da investigação chamada de Abin Paralela, divulgada nesta quinta-feira (11) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após a retirada do sigilo do inquérito que apura do caso.

De acordo com a PF, um policial federal que atuava na agência foi designado para espionar Allan Lucena, ex-sócio de Jair Renan em uma empresa de eventos. O filho do ex-presidente é acusado de tráfico de influência e lavagem de dinheiro pelo Ministério Público.

Agentes de Abin paralela sabiam sobre minuta de golpe, indica PF



Quinta, 11 de julho de 2024
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Documento é parte de outra investigação cujo alvo é Bolsonaro

Publicado em 11/07/2024 - Por Felipe Pontes - Repórter da Agência Brasil - Brasília

Ao menos dois dos investigados presos nesta quinta-feira (11) na Operação Última Milha tinham conhecimento sobre a existência de uma minuta de decreto para promover um golpe de Estado, que poderia ser assinada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Última Milha, tocada pela Polícia Federal (PF), apura uma suposta estrutura paralela de espionagem montada na Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que teria como objetivo monitorar ilegalmente adversários pessoais e políticos do clã Bolsonaro.

A “minuta do golpe” é alvo de um outro inquérito, que tem como alvo o ex-presidente Jair Bolsonaro e assessores próximos. As duas investigações tramitam sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Com apoio do MPDFT, PCDF prende policial penal suspeito de corrupção

Quinta, 11 de julho de 2024

Do MPDFT
O Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional (Nupri) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) participou da Operação Rottura da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que resultou na prisão temporária de um policial penal nesta quarta-feira, 10 de julho. O agente é suspeito de facilitar a entrada ilegal de objetos e celulares no Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo Penitenciário da Papuda. O policial também é investigado por corrupção e por integrar facção criminosa, além de planejar a fuga de integrantes da organização.

A ação tem o objetivo de combater a corrupção e a atuação de uma célula do crime organizado dentro das unidades prisionais. Por meio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), vinculada ao Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor), e com o apoio do Nupri, a investigação teve início após a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape) apreender substâncias entorpecentes e um aparelho celular dentro do sistema prisional.

O suspeito é investigado por introduzir materiais proibidos nas celas, colaborar com os internos, comprometer a segurança do sistema prisional e planejar a fuga de internos mediante o pagamento de altos valores, que chegavam a R$150 mil por preso.

Também foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão na residência do policial penal, em Planaltina de Goiás, e outro residência associada às transações financeiras entre os presos e o suspeito, localizada no Riacho Fundo II/DF.

'Justiça perfeita seria a minha irmã aqui', diz ministra Anielle Franco sobre avanço no caso Marielle

Quinta, 11 de julho de 2024

Chefe da pasta da Igualdade Racial celebrou
prisões, mas ponderou limite que investigações podem
chegar

"Demoramos seis anos para identificar que uma pessoa que acolheria a minha família estava, na verdade, envolvida com a não investigação e a não elucidação do crime" - Valter Campanato/Agência Brasil
Espero é que a Mari nunca seja esquecida, que o legado dela permaneça aí por muitos e muitos anos

Nesta semana, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados deu início à escuta dos depoimentos de testemunhas no processo contra o deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ), acusado pela Polícia Federal de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, em 2018. Além dele, seu irmão Domingo Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, é acusado de estar por trás do crime. Os dois foram presos em 24 de março deste ano.

Em entrevista ao programa Bem Viver desta quarta-feira (10), a ministra da Igualdade Racial Anielle Franco, irmã da vereadora assassinada, comenta que, embora o avanço nas investigações do caso seja considerada uma vitória, não é o caso de se falar em justiça. "É difícil falar se chegou ao final ou não, porque, para mim, a justiça perfeita seria a minha irmã aqui, seria ela no segundo mandato dela", afirma.

"Mas eu não sei te dizer de verdade se a gente chegou ao fim ou não. Porque, se demoramos seis anos para identificar que uma pessoa que acolheria a minha família estava, na verdade, envolvida com a não investigação e a não elucidação do crime, eu não sei o que te falar", diz, em referência à Rivaldo Barbosa. O ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro é o terceiro réu do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), ao lado dos irmãos Brazão.

"Eu sei que tem um avanço de um trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público Federal, Estadual... Eu sei que tem um avanço enorme. Eu acho que tem o retorno de um governo democrático também", diz. "O que eu espero é que a Mari nunca seja esquecida, o que eu espero é que o legado dela permaneça aí por muitos e muitos anos."

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Justiça condena Distrito Federal a indenizar vítima de abuso policial

Quarta, 10 de julho de 2024
Imagem Ilustrativa

Do TJDF

A 8ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal julgou procedente a ação de indenização por danos morais movida por um cidadão contra o Distrito Federal. O caso, ocorrido em março de 2023, envolveu uma abordagem policial desproporcional que resultou em agressões físicas e verbais ao autor da ação. O  réu foi condenado ao pagamento de R$ 10 mil, por danos morais, devido ao comportamento excessivo dos policiais durante a ocorrência.

Segundo o processo, o autor relatou que foi agredido fisicamente por policiais militares na Avenida Contorno, no Núcleo Bandeirante/DF, após ser acusado de desacato. Imagens do incidente, amplamente divulgadas na internet e na televisão, mostraram o autor sendo golpeado no rosto por um policial, o que resultou  em sua queda ao chão. A defesa do Distrito Federal argumentou que o autor havia desrespeitado os agentes e agido com deboche, mas não conseguiu provar que as ações dos policiais foram justificáveis.

PATRIMÔNIO CULTURAL —Justiça determina que Iphan e Ibram criem protocolo de atuação para combate ao furto de bens culturais brasileiros

Quarta, 10 de julho de 2024
Arte: Comunicação/MPF

Segundo ação do MPF, pelo menos 2.200 bens do patrimônio histórico já foram subtraídos do território nacional

Do MPF
A Justiça Federal no Rio de Janeiro determinou, em ação do Ministério Público Federal (MPF), que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e a União criem, em 180 dias, um protocolo de comunicação e atuação junto a instituições públicas e privadas para prevenir e reprimir o furto e o tráfico de bens do patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Também foi determinado aos réus que, no mesmo prazo de 180 dias, atualizem as listas de bens culturais desaparecidos e cadastrem essas listas na base de dados da Interpol. Segundo a decisão da Justiça, o Ibram deve ainda implementar o inventário nacional dos bens dos museus até o final do primeiro semestre de 2025. As medidas foram determinadas pela Justiça Federal em caráter liminar, durante audiência realizada em 3 de julho, com parte do andamento do processo.

A ação do MPF foi ajuizada após investigação que constatou a negligência dos órgãos de fiscalização na prevenção de danos e na condução de políticas públicas de documentação e guarda segura de acervos. Além disso, ficou clara a falta de articulação desses órgãos, em nível nacional e internacional, e de ações para identificar os criminosos e repatriar os bens que são ilicitamente levados para fora do país.

terça-feira, 9 de julho de 2024

SÓ NO CARTÃO —Tribunal Regional Federal barra projeto do GDF para que ônibus deixem de receber em dinheiro

Terça, 9 de julho de 2024

Decisão proíbe ampliação de linhas com pagamento eletrônico exclusivo até que seja implementada a solução tecnológica

Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 09 de julho de 2024

Passageiros enfrentam filas pra recarregar cartão mobilidade na Rodoviária do Plano Piloto - Foto: Valmir Araújo - Brasil de Fato DF

Desde o dia 1º de julho, o Governo do Distrito Federal (GDF) iniciou um processo que exclui a possibilidade do pagamento em dinheiro para passageiros de 52 linhas de ônibus do transporte público. No entanto, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) suspendeu a ampliação das linhas de ônibus que não vão receber mais dinheiro em espécie como forma de pagamento, frustrando os planos do GDF de acabar com essa possibilidade até o final do ano.

A suspensão se deu a partir de um pedido da Seccional do Distrito Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/DF), que desde maio acionou a Justiça argumentando que a mudança proposta pelo GDF para a forma de recebimento das passagens infringia direitos constitucionais, dificultando o acesso da população, especialmente a mais vulnerável, ao transporte público.

A OAB/DF moveu uma Ação Civil Pública (ACP) com o objetivo de revogar as portarias que determinavam que o pagamento da tarifa de transporte público no DF deveria ser realizado exclusivamente por meios eletrônicos, a partir de 1º de julho de 2024, mas a 13ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, rejeitou o pedido e manteve a medida.

Mapa Social da Saúde: uma ferramenta a serviço da população

Terça, 9 de julho de 2024

Instrumento permite acesso em tempo real a dados, solicitações e procedimentos realizados pelo SUS

Do MPDF

A Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão (PDDC) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) tem percorrido todas as regiões administrativas do DF promovendo reuniões com as redes locais de saúde para apresentação do Mapa Social da Saúde. E o resultado que tem se observado nesses encontros é que a ferramenta vem fazendo a diferença na vida dos gestores e da população da capital federal.

É o caso do servidor público Antônio Edilson Lima, da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF), que durante o encontro da PDDC realizado no final de junho, em Ceilândia, ressaltou a utilidade do Mapa Social para o monitoramento das ações de saúde pela população. Ele conta que conheceu a ferramenta enquanto fazia uma especialização em governança do Sistema Único de Saúde (SUS) e que se aprofundou no tema no curso de formação para novos conselheiros regionais de saúde, oferecido pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e SES/DF.

“Foi no curso que tive a oportunidade de conhecer, de fato, o Mapa Social da Saúde, e passei a usar e divulgar para familiares e amigos, percebendo ali a utilidade da ferramenta a favor do controle social”, conta Antônio. “Acredito que toda e qualquer iniciativa que possa favorecer a transparência e a participação da população são super válidas”, completa.

Oncologia: MPDFT cobra esclarecimentos à SES por descumprimento de acordo

Terça, 9 de julho de 2024

GDF deveria priorizar realização de exames e tratamentos voltados aos pacientes oncológicos. O MPDFT aguarda informações para tomar medidas cabíveis

Do MPDF

A 3ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus) pediu esclarecimentos à Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES/DF) por descumprimento do acordo interinstitucional que trata da assistência oncológica no Distrito Federal, tendo em vista que a pasta não está cumprindo vários itens do documento. O principal é relacionado ao tempo de espera na fila para atendimento. Para a primeira consulta, o paciente precisa esperar mais de 100 dias. O ofício foi enviado à Secretaria, em 5 de julho, e o prazo para resposta é de 30 dias.

Em reunião realizada nesta segunda-feira, 8 de julho, a pedido da SES, foram informadas à Prosus as primeiras medidas tomadas para cumprimento do acordo, especialmente em relação à ampliação do número de vagas para consultas em oncologia clínica nos hospitais da rede.

De acordo com a SES, houve a retomada do número de vagas oferecidas para a radioterapia no Hospital Regional de Taguatinga (HRT); o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) apresentou as mudanças adotadas para o centro de infusão de quimioterapia do Hospital de Base (HBDF); e o Hospital Universitário de Brasília (HUB) voltou a disponibilizar vagas para primeira consulta em oncologia clínica.

A promotora de justiça Hiza Carpina destaca que as providências informadas ainda são insuficientes para equalizar a oferta de tratamento e as demandas para tratamentos oncológicos no Distrito Federal. “Vamos aguardar o prazo do ofício, que é de 30 dias", pontua.

CED 08 DO GAMA SURPREENDE E EMOCIONA COM O ESPETÁCULO “CORPO FECHADO”

 Terça, 9 de julho de 2024

Professor Valdeci Moreira desenvolve trabalho de teatro periférico e antirracista com alunos

Por Juan Ricthelly

Na manhã do dia 03 de Julho, por volta das 9h30 uma plateia de convidados, professores e alunos do CED 08 do Gama assistiram um espetáculo dirigido pelo já conhecido Diretor de Teatro Valdeci Moreira, que também desempenha o papel de professor de Artes na mesma escola. 


O espetáculo em questão tinha como título “Corpo Fechado”, com texto desenvolvido pelo diretor da peça junto com o ‘homo gamensis’ Lelê Teles, contando no elenco com quatro estudantes negros que nunca haviam atuado,  uma trilha sonora sensivelmente marcante e em total sintonia com a atuação dos atores, que tiveram apenas dois meses de ensaio e preparação antes da estréia.


De início uma das marcas do diretor Valdeci Moreira salta aos olhos dos presentes, que é a ‘estética de terreiro’ com fortes raízes nos cultos de matriz africana, invocando a ancestralidade do povo negro, a força dos orixás e a africanidade, por meio da ‘oralitura’ que consiste em valorizar a histórias contadas por meio da oralidade, que é a forma que muitos povos recorrem para compartilhar os seus conhecimentos e valores ao longo das gerações.


Quem já acompanha o trabalho desenvolvido no Espaço Semente é capaz de fazer essa conexão facilmente, mas “Corpo Fechado” deu um passo além em relação aos espetáculos anteriores, mergulhou na pauta antirracista de forma tão profunda que foi impossível qualquer dos presentes não se emocionar ao longo da apresentação, não sendo poucas as pessoas que chegaram às lágrimas, incluindo este que vos escreve.


“Corpo Fechado” adentrou em questões antirracistas do cotidiano sem necessitar invocar um academicismo forçado, que não poucas vezes soa incompreensível para quem mais precisa captar a mensagem.


Eram atores negros, jovens e estudantes de Ensino Médio de uma cidade periférica abordando o racismo do dia a dia, numa escalada que parte do racismo recreativo e vai até o genocídio do povo negro no último país do mundo a abolir a escravidão.


A quarta parede era explicitamente quebrada em meio ao texto, mas a verdade é que todos se sentiam dentro do espetáculo o tempo inteiro, em razão de sua conexão profunda e visceral com a realidade, o texto era dito para todos, mas a porrada contida nele parecia feita sob encomenda para cada um ali.


O racismo e todas as suas nuances presentes em nossa sociedade estavam lá, olhando na cara das pessoas como um espelho refletindo o seu lugar no meio disso tudo, vítima ou algoz? 


A peça “Corpo Fechado” é uma verdadeira aula sobre as questões sociais e o antirracismo, deveria ser obrigatória para todos os que ainda ousam cometer o crime de injúria racial e para policiais em formação, duvido que qualquer um que assista consiga sair do mesmo jeito que entrou.


A nossa expectativa é que não fique apenas no CED 08, aguardamos ansiosamente uma temporada no Espaço Semente e outros lugares do Distrito Federal.



FICHA TÉCNICA 

Direção:  Valdeci Moreira 

Dramaturgia: Lelê Teles e Valdeci Moreira 

Supervisão: Ricardo César

Elenco: André Crist, Artur Nunes, Geovana Yasmim, Miguel Crist. 

Figurinista - Luazi Luango

Fotografia: Ogan Luiz Alves

Cenógrafo: Valdeci Moreira

Iluminador: Valdeci Moreira

Arte: Ogan Luiz Alves

Realização: CED 08 DO GAMA

Data: 03 de julho

Horário: 09hs

Apoio: CED 08 do Gama

Ceiparque: um parque para Ceilândia chamar de seu

Terça, 9 de julho de 2024


Maior cidade do Distrito Federal, Ceilândia clama por mais áreas de lazer e entretenimento. O foco maior é pela constituição de um parque urbano que propicie mais conforto aos ceilandenses. Uma área já está no foco dos moradores que contam, inclusive, com um projeto para o parque.


Por Chico Sant’Anna
A secretaria de Desenvolvimento Urbano do DF está realizando em todo o Distrito Federal os debates sobre o futuro Projeto de Diretrizes e Ordenamento Territorial (Pdot) que definirá novas áreas a serem edificadas ou mantidas coo áreas verdes. Lideranças comunitárias da Ceilândia querem aproveitar esse processo para definir uma área para implantar um parque urbano na cidade, a maior do Distrito Federal, com 287 mil habitantes, segundo o último Censo. A proposta é que o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (Pdot), ora em estudo pelo governo do Distrito Federal, reserve uma área próxima ao Campus da UnB, naquela cidade. Os idealizadores entendem que esse parque urbano irá, inclusive, proteger a Árie JK, que passa ao fundo, de iniciativas de especulação imobiliária.

Os sóis que a noite esconde

 Os sóis que a noite esconde


No ano de 1909, nasceu Vitalino no Nordeste do Brasil.

E a terra seca, onde nada cresce, foi terra molhada, para que brotassem seus filhos de barro.

No começo foram brinquedos, que suas mãos modelaram para que acompanhassem sua infância.

E o passo do tempo transformou os brinquedos em pequenas esculturas, tigres e caçadores, lavradores com suas enxadas escavando a terra dura, os guerreiros do deserto alçando fuzis, as caravanas dos retirantes expulsos pela seca, os violeiros, as bailadoras, os namorados, as procissões, os santos...

E assim os dedos mágicos de Vitalino contaram a tragédia e a festa de sua gente.

Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’. 2ª edição, 2012, página 221. L&PM Editores.