Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quinta-feira, 5 de março de 2026

‘Recursos militares dos EUA serão colocados à prova em poucos dias’, diz analista chinês

Quinta, 5 de março de 2026

‘Recursos militares dos EUA serão colocados à prova em poucos dias’, diz analista chinês

Professor da Universidade de Fudan analisa os objetivos estratégicos da agressão estadunidense e israelense ao Irã

Brasil de Fato — Pequim (China)
5.mar.2026
Mauro Ramos

“Após sete dias de conflito, ou seja, daqui a poucos dias, os recursos militares reais dos EUA serão colocados à prova: saberemos se Washington tem munição suficiente para sustentar a ofensiva contra o Irã, e se essa pressão é capaz de forçar Teerã a aceitar condições humilhantes de rendição. Se o conflito não for encerrado, será mais um desastre”.

A análise é do professor Shen Yi, da Escola de Relações Internacionais e Assuntos Públicos da Universidade de Fudan, em entrevista ao Brasil de Fato.

Enquanto o conflito escala, analistas questionam os planos e até mesmo a capacidade dos Estados Unidos de sustentar a agressão contra o Irã a longo prazo. Especialistas sul-coreanos consultados pelo portal Chosun, por exemplo, aventaram nesta semana a possibilidade de que sistemas de defesa antimísseis estadunidenses posicionados na Coreia do Sul sejam transferidos para a Ásia Ocidental (Oriente Médio), caso a operação, batizada de “Fúria Épica”, se prolongue.

Entre os equipamentos que poderiam ser realocados estão as baterias de mísseis Patriot, o sistema THAAD instalado no condado de Seongju, na província de Gyeongsang do Norte, e os drones de reconhecimento MQ-9 Reaper, estacionados na Base Aérea de Gunsan desde o ano passado. A instalação do THAAD em Seongju, em 2017, gerou protestos de moradores locais, além de uma forte oposição da China, que considerou o equipamento uma ameaça direta à sua segurança.

Nesta quarta-feira (4), a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter destruído justamente um segundo sistema THAAD estadunidense na região, com mísseis de precisão lançados por sua Força Aeroespacial, deixando-o inoperante. Na véspera, o radar do sistema THAAD localizado na base de Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos, também havia sido destruído. O próprio chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, havia alertado Trump, antes do início dos ataques, sobre os riscos de uma campanha prolongada e sobre o esgarçamento dos estoques estadunidenses de munição de precisão e interceptores.

O professor Shen Yi é uma das vozes mais respeitadas da China na análise de política internacional. Especialista em relações sino-estadunidenses e estratégia global, ele conversou com o Brasil de Fato sobre os desdobramentos e debates sobre a agressão estadunidense-israelense ao Irã.

A China tem defendido o direito do Irã de proteger sua soberania e integridade territorial diante dos ataques não provocados lançados pelos Estados Unidos e Israel, que resultaram na morte de, pelo menos, 1.045 pessoas segundo dados do Irã, entre elas a da principal liderança do país, o Aiatolá Khamenei, entre outros altos dirigentes. O tema esteve presente na abertura das Duas Sessões, as principais reuniões políticas anuais da China, quando o porta-voz do Congresso Nacional do Povo, Lou Qinjian, foi questionado sobre os ataques ao Irã e sobre o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo Trump.

“Nenhum país tem o direito de controlar os assuntos internacionais, de decidir o destino de outras nações, de monopolizar as vantagens do desenvolvimento, muito menos de agir de forma arbitrária e unilateral no cenário mundial”, respondeu o porta-voz.

Na entrevista, o professor ainda discute os possíveis cenários futuros resultantes da agressão, incluindo a possibilidade de que o Irã se torne um novo ‘Vietnã’ e descarta as acusações de que a China estaria fornecendo armamentos ao Irã.

Confira a entrevista na íntegra a seguir:

Brasil de Fato: Como você avalia o impacto desta agressão dos EUA e Israel ao Irã para os países envolvidos da região da Ásia Ocidental?

Shen Yi: Se tentarmos analisar essa operação pela teoria clássica do equilíbrio de poder, simplesmente não conseguimos explicá-la. Segundo essa teoria, uma potência como os Estados Unidos, atuando como árbitro ou equilibrador externo, deveria preservar a estabilidade regional, mantendo uma relação equilibrada entre os diferentes atores. O próprio Nixon, em entrevista após deixar a Casa Branca nos anos 1970, afirmou que o verdadeiro interesse estadunidense no Oriente Médio era garantir que Israel mantivesse relações diplomáticas estáveis com os países árabes, gerando paz e estabilidade na região.

Esta operação, no entanto, vai na direção oposta. Israel justifica os ataques como uma ação preventiva contra uma suposta ameaça iraniana. Mas não há evidências de que o Irã estivesse preparando ataques contra forças militares estadunidenses na região.

O que testemunhamos é, possivelmente, o maior conjunto de assassinatos políticos contra líderes de um Estado soberano legal na história moderna. Pela minha leitura, esta operação não se parece com as intervenções militares estadunidenses do pós-Guerra Fria.

O objetivo real, do lado de Israel, é desmembrar o Irã e provocar seu colapso, nos moldes do que ocorreu na Síria, empurrando o país para um modelo de guerra civil em que diferentes grupos étnicos se voltem uns contra os outros, paralisando o país. Isso abriria caminho para a implementação do chamado plano do “Grande Israel”. E os EUA acabariam presos nessa armadilha: quanto mais a situação se aprofundar, mais tropas Washington terá de comprometer, inclusive forças terrestres, repetindo o caminho do Vietnã nos anos 1960, quando o que começou como operações especiais escalou para uma guerra de grandes proporções.

É importante destacar que os ataques aconteceram justamente quando os EUA e o Irã estavam em negociações, e o próprio lado iraniano sinalizava que havia progresso nas conversas. Israel e os EUA traíram essa abertura diplomática. A consequência mais grave dessa traição não é para a reputação de Washington, mas para todos os iranianos que defendiam o diálogo como caminho. Eles perderam credibilidade e espaço político dentro do próprio país.

Vários analistas têm apontado que uma invasão terrestre seria um enorme erro estratégico, dadas as condições geográficas e o tamanho do Irã. Mas quero explorar o lado militar mais concreto: há discussões, inclusive nos EUA, sobre se eles teriam armamento suficiente para continuar com a agressão ao Irã, e que Washington cogitaria transferir armamentos posicionados na Coreia do Sul para o Oriente Médio/Ásia Ociental. Ao mesmo tempo, o Irã demonstra uma capacidade de resposta considerável. Qual é sua avaliação militar da situação?

O Irã não é o primeiro desafio em que os EUA enfrentam limitações na cadeia de suprimento de munição. Já vimos isso na Ucrânia: nem os EUA nem seus principais aliados da Otan conseguiram manter o ritmo de fornecimento de projéteis exigido por uma guerra convencional de longa duração. É paradoxal, mas foram os projéteis sul-coreanos que se tornaram a fonte mais importante de suprimento à Ucrânia durante o conflito.

O mesmo cenário se repetirá no Irã. O próprio Estado-Maior dos EUA enviou uma nota ao presidente Trump antes do início da operação, alertando que os estoques de munição estadunidenses são limitados. Para entender o que isso significa, é preciso recuar no tempo. Na era Kennedy, a estratégia de defesa dos EUA previa capacidade para travar duas guerras e meia simultaneamente. Com Nixon, essa capacidade foi reduzida para uma guerra e meia. Hoje, os EUA mal conseguem sustentar uma guerra completa. Antes de outubro de 2023, os EUA chegaram a transferir 300 mil projéteis de artilharia dos estoques de Israel para a Ucrânia, porque simplesmente não conseguiam produzir o suficiente.

A atual capacidade dos Estados Unidos, especialmente em termos de produção de munição, não é a dos EUA que conhecíamos nos anos 1980, 1990 ou durante a Guerra Fria. No conflito do Kosovo, os EUA bombardearam a antiga Iugoslávia por 78 dias. Depois de duas ou três semanas, já haviam lançado mais de 2.500 mísseis de cruzeiro Tomahawk. Quando os estoques se esgotaram, pediram ao fabricante que abrisse duas linhas de produção adicionais e compravam os mísseis assim que saíam da fábrica. Não creio que os EUA de hoje tenham essa capacidade.

Isso significa que, após sete dias de conflito, ou seja, daqui a três ou quatro dias, os recursos militares reais dos EUA serão colocados à prova: saberemos se Washington tem munição suficiente para sustentar a ofensiva contra o Irã, e se essa pressão é capaz de forçar Teerã a aceitar condições humilhantes de rendição. Se o conflito não for encerrado, será mais um desastre.

O Irã dispõe de uma tática assimétrica muito eficaz contra Israel: lançar drones e mísseis em pequenas quantidades, de forma aleatória, dia após dia. Não é necessário causar grandes danos em cada ataque. Basta obrigar Israel a suspender sistematicamente suas atividades econômicas e sociais. Se essa pressão durar mais de um ou dois meses, o impacto sobre a economia e a sociedade israelense será devastador. Foi exatamente o que começou a acontecer durante os doze dias de confronto de mísseis entre Israel e Irã em junho de 2025.

É cedo para projeções, mas o Irã parece estar atacando com eficácia as bases militares da região pela primeira vez, e há relatos de que os EUA já reposicionaram aeronaves em Chipre e movimentaram um porta-aviões para fora da zona de conflito. O que podemos esperar?

Israel e os EUA provavelmente apostavam em dois cenários. O primeiro: após a eliminação de Khamenei e dos principais comandantes militares, a oposição iraniana tomaria as ruas e assumiria o poder, consumando uma revolução colorida por via aérea em questão de dias. Esse cenário claramente não se materializou.

O segundo cenário é mais complexo. Os ataques produziram dois efeitos concretos: o Irã ficou sem um líder supremo, atualmente governado por um conselho enquanto aguarda a eleição de um novo aiatolá, mas o sistema institucional não entrou em colapso. O Irã não repetiu o que aconteceu com o Hezbollah libanês, cuja estrutura de comando foi desmantelada pelos ataques israelenses em 2024, paralisando toda a cadeia de controle.

Mas o Irã é diferente. Seu desenho institucional prevê exatamente esse cenário: a descentralização antecipada do poder. O ministro das Relações Exteriores iraniano declarou recentemente algo muito revelador: o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica está, de fato, num estado sem controle efetivo. O que isso significa na prática? Que os funcionários do governo iraniano atualmente visíveis, mesmo aqueles considerados pró-EUA ou dispostos a dialogar com Washington, não conseguem controlar a situação interna do país e, especialmente, não conseguem controlar a Guarda Revolucionária. Isso transforma o Irã no adversário que mais dá dor de cabeça aos EUA: um Estado com capacidade para fazer guerra de guerrilha.

A situação fica ainda mais delicada quando se observa que os EUA e Israel esperavam que o Irã se fragmentasse como a Síria. Mas no Irã nunca existiram, como na guerra civil síria, forças armadas antigovernamentais maduras e capazes de controlar territórios específicos. O que houve foram situações parecidas com revoluções coloridas: cidadãos comuns mobilizados, somados a grupos de destruição e infiltração enviados por Israel ou outras forças políticas. Esses grupos, nos distúrbios que ocorreram no Irã do final do ano passado ao começo deste ano, foram expostos e basicamente eliminados antes mesmo do início dos ataques. E, pelo que observo, até agora não se repetiu nenhum episódio como o do final do ano passado, com cidadãos nas ruas de províncias periféricas tentando tomar o poder. Ou seja, pela lógica dos próprios EUA e Israel, a máquina que mantém a ordem interna no Irã não entrou em colapso e não caiu num estado de paralisia só porque o topo foi decapitado.

O Irã declarou um período de luto de 40 dias. Acho que o ponto de virada na situação interna vai ser a eleição do novo líder supremo pelo conselho de especialistas. Quem vai ser eleito? Esse novo líder vai conseguir integrar de forma eficaz as forças militares e políticas internas e fornecer uma ordem estável? Isso vai se tornar um fator chave. O próprio Conselho de Relações Exteriores dos EUA, em relatório publicado em 1º de março, considerou improvável um colapso do regime iraniano, exatamente porque ele não depende de um líder ou de poucos linha-dura para se manter. É uma estrutura completa: tem forças armadas, tem religião, tem sociedade, tem sua própria economia e indústria. Tentar destruir esse tipo de estrutura com bombardeio ou invasão militar só gera um efeito de união, produzindo o resultado oposto ao pretendido.

O Ocidente certamente espera ver o governo civil iraniano, as forças de defesa e uma classe média urbana mais secularizada e pró-estadunidense ocupando uma posição mais dominante nesse processo. Mas o assassinato de Khamenei num ataque aéreo dos EUA e de Israel torna essa aposta muito difícil. Qualquer facção moderada, qualquer líder político iraniano disposto a negociar, vai ter enorme dificuldade em se manifestar publicamente enquanto a comoção e a necessidade psicológica de vingança dos cidadãos iranianos ainda não estiverem resolvidas.

E tem ainda outro ponto: se os dois lados sentarem para negociar, os EUA certamente vão apresentar um novo conjunto de condições ao novo Irã. Essas condições vão ser mais moderadas ou mais severas do que as da época de Khamenei? Do lado estadunidense, se querem construir uma narrativa de vitória, certamente vão apresentar condições ainda mais duras. E do lado iraniano, qualquer líder que aceite condições mais humilhantes do que as vigentes quando Khamenei foi morto vai ser visto como fantoche dos EUA. A história moderna prova que cidadãos com convicções nacionalistas geralmente não aceitam líderes abertamente apoiados por forças políticas externas.

Há bastante especulação sobre o papel da China neste conflito. Esta semana, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, desmentiu rumores de que o Irã estaria prestes a fechar um acordo de compra de mísseis supersônicos chineses. O Irã integra a Organização de Cooperação de Xangai e migrou do GPS para o sistema de navegação chinês Beidou. O que você tem a dizer sobre os rumores e como avalia o impacto da aproximação entre China e Irã nesta situação?

O representante da China no Conselho de Segurança da ONU, Geng Shuang, disse uma vez, ao negar que a China fornecia ajuda militar à Rússia: “Se a China realmente tivesse feito o que vocês acusam, a linha de frente do conflito Rússia-Ucrânia não estaria como está hoje”. Esse argumento se aplica igualmente ao Irã.

A cooperação entre China e Irã não tem nenhuma dimensão conspiratória. A política externa chinesa é clara: não escolhemos lados, não temos interesse em disputas por procuração, e não somos a União Soviética da Guerra Fria nem os EUA do pós-Guerra Fria. Guerras por procuração simplesmente não fazem parte da nossa política.

Do ponto de vista concreto: todos os mísseis que o Irã lançou até agora foram desenvolvidos com tecnologia própria. Os EUA impõem controles de exportação e sanções ao Irã há décadas, monitorando rigorosamente qualquer transação global com o país. Washington tem tentado encontrar evidências comprometedoras contra a China há muito tempo, e nunca as encontrou, porque não existem.

A posição da China está claramente expressa na ligação do chanceler Wang Yi com [Sergei] Lavrov [chanceler russo]: queremos a aplicação do direito internacional, o retorno à ordem internacional e o fim das hostilidades por meios pacíficos. A China joga limpo. Nossa posição é que o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, incluindo o assassinato de seu líder supremo, viola todas as regras e todo o direito internacional. É inaceitável. O mais urgente é restaurar a paz e garantir que os países do Golfo mantenham a serenidade e a soberania sobre seus próprios destinos.

A Organização de Cooperação de Xangai é, em essência, uma plataforma de cooperação antiterrorista, não uma aliança militar. O Brics também não é uma aliança militar: é um foro de governança global, baseado em parcerias estratégicas sem obrigações políticas ou militares vinculantes. A China não tem interesse em disputar com os EUA uma guerra de influência no Oriente Médio. Esse jogo não tem vencedores. Nunca teve.


Editado por: Nathallia Fonseca



CRISE DO PETRÓLEO?
Ataques ao Irã não devem afetar a segurança energética da China, dizem analistas




Rentismo, teu nome é solidão

Quinta, 5 de março de 2026

Rentismo, teu nome é solidão

Em meio à desigualdade brutal, maiorias vivem o inferno do trabalho massacrante e sem futuro, da pobreza e do impossível desfrute coletivo. Mas também os ricos, ainda que opulentos, debatem-se em competição por dinheiro e vidas sem sentido

Por Ladislau Dowbor

Look at all the lonely people…
Beatles, 1966

Título original:
A erosão da sociabilidade: resgatando a colaboração e o convívio

Algumas coisas vão muito além da América Latina, elas nos dizem respeito como seres humanos. Certamente precisamos de uma análise social geral, mas como nos sentimos nesta sociedade, como indivíduos, como famílias, como bairros ou comunidades, também é essencial para nosso bem-estar. Isso vai muito além da economia e das lutas de classes. Envolve pessoas sentadas em ônibus ou no metrô, longas horas para ir a escolas ou empregos, um cenário desanimado de pessoas grudadas em seus smartphones. Os beneficiados nem sempre estão melhor: filas de carros, cada um com um indivíduo impaciente e irritado com o trânsito. Quanta lentidão, considerando que muitos compraram o carro entusiasmados com números impressionantes de velocidade que ele pode alcançar em segundos. Em São Paulo, a perda média diária de tempo no transporte chega a 3 horas, e mais de 5 para pessoas mais pobres que vivem nas periferias. Você poderia estar estudando, fazendo algo útil, passando tempo com sua família. Bem, o PIB sobe, então temos mais carros e mais tempo desperdiçado. A velocidade média dos automóveis em São Paulo caiu para 14 quilômetros por hora, e mais carros estão chegando. Mais PIB. Uma cidade se paralisar por excesso de meios de transporte é até curioso. Shanghai e Beijing têm cada uma mais de mil quilômetros de linhas de metrô. São Paulo tem 104.

Isso, é claro, é apenas um aspecto da nossa reorganização social. Nascemos com cerca de 33 mil dias pela frente, é o nosso capital mais precioso, o tempo das nossas vidas. O que fazemos com ele? Correndo atrás de mais dinheiro? Pesquisas sobre como nossa qualidade de vida está correlacionada com nossa prosperidade financeira são interessantes: se você é muito pobre, cada quinhentos reais a mais por mês faz uma enorme diferença, alimentando melhor seus filhos, melhorando sua casa e assim por diante. O dinheiro na base – a base aqui é cerca de dois terços da população, com enormes diferenças entre países – é radicalmente mais útil e produtivo do que o dinheiro no topo. Quando você alcança o que Tom Malleson chama de “uma vida confortável e florescente”, a felicidade dependerá não de mais dinheiro, mas da vida familiar, amigos, ambiente cultural, a sensação de estar fazendo algo útil, o que podemos chamar de uma vida socialmente rica. O resto, passar a vida acumulando mais dinheiro, mais milhões, hoje em dia ainda mais bilhões, não tem a ver com uma vida rica, mas com ego. Muitas pessoas só conseguem sentir que estão subindo se conseguirem empurrar outras pessoas para baixo ou olhar para elas de cima. Na verdade, para onde estamos indo? Nosso capital do tempo está voando.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Governo brasileiro enviará a Cuba alimentos e insumos para a produção agrícola

Quarta, 4 de março de 2026

AJUDA HUMANITÁRIA

Governo brasileiro enviará a Cuba alimentos e insumos para a produção agrícola


Governo brasileiro e organizações sociais reforçam cooperação com Cuba frente ao bloqueio dos EUA

Brasil de Fato — Havana (Cuba) 



0 governo do Brasil anunciou que enviará, nesta semana, um carregamento de alimentos e insumos destinados à produção agrícola em Cuba, no âmbito de um programa de cooperação bilateral. A informação foi divulgada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, durante a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, que começou na última segunda-feira (2), em Brasília (DF).

O ministro esclareceu que os insumos serão adquiridos em território brasileiro com recursos fornecidos pelo próprio governo e, posteriormente, disponibilizados à ilha caribenha.

“O Brasil vai enviar, nesta semana, uma ajuda a Cuba para a compra de insumos destinados à produção agrícola. Essa compra será feita no Brasil. Nós vamos disponibilizar os recursos. Também enviaremos alimentos a Cuba”, afirmou Teixeira ao ser questionado pela agência de notícias Prensa Latina.

terça-feira, 3 de março de 2026

Curso da ACD sobre o Sistema da Dívida continua recebendo inscrições

Terça, 3 de março de 2026


Conheça o curso “O Sistema da Dívida no Brasil e a Necessidade de Auditoria Integral”. 🌟 Com ele, você poderá aprofundar seus conhecimentos e contribuir com a mobilização social em defesa da transparência e da justiça.

Participe, faça parte desta corrente! As inscrições para a nova turma já estão abertas! Veja as informações abaixo:

Desenvolvido pela coordenadora nacional da ACD, Maria Lucia Fattorelli, o curso é baseado na Cartilha da ACD, material essencial para compreender as bases do Sistema da Dívida e propor soluções que garantam o uso correto dos recursos públicos. 💪📘

Durante 4 meses, você terá acesso a aulas semanais que abordam:

📊 como os mecanismos financeiros alimentam o endividamento público sem contrapartida em investimentos sociais;
🏦 o papel do Banco Central e da dívida dos estados na perpetuação desse sistema;
⚖️ as consequências sociais e econômicas do Sistema da Dívida;
✊ a importância da auditoria integral e da mobilização popular para reverter esse cenário.

Mundo desinformado conduzido por pedófilo senil e um genocida

Terça, 3 de março de 2026

Mundo desinformado conduzido por pedófilo senil e um genocida

Pessoas transitam receosas pelas ruas do Oriente Médio, norte da África e mesmo das cidades no sul da Europa. Por que esta situação de medo e perigo?

Em primeiro lugar pela desinformação que se divulga pela imprensa e redes de convivência neste século. E qual a causa desta unanimidade? Todas têm os mesmos donos, os gestores de ativos que se formaram com a desregulação financeira da década de 1980, que se concluiu com a constituição da globalização, o decálogo denominado Consenso de Washington (1989). Consenso entre quem?

Entre estes gestores de ativos: BlackRock (US$ 11,5 trilhões), Vanguard (US$ 8,7 trilhões), Fidelity (US$ 4,2 trilhões), State Street (US$ 4 trilhões), Morgan Stanley (US$ 3,3 trilhões) e outros menos votados.

domingo, 1 de março de 2026

Caso master: Vice-governadora do DF processa estudantes por críticas a rombo no BRB

Domingo, 1º de março de 2026

Caso master
Vice-governadora do DF processa estudantes por críticas a rombo no BRB

Jovens do coletivo Kizomba enfrentam ação judicial de R$ 30 mil após manifestação

Brasil de Fato — Brasília (DF)

A vice-governadora Celina Leão move ação judicial contra três estudantes, pedindo R$ 30 mil após protesto. | Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Do Brasil de Fato
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), entrou com ação judicial contra três estudantes do movimento de juventude Kizomba. O processo no valor de R$ 30 mil alega danos morais em razão de uma manifestação realizada por jovens que questionaram a gestão do BRB e a tentativa de compra do Banco Master pelo governo.

A ação ocorre em meio a críticas sobre o rombo financeiro de R$ 12 bilhões que afetaria serviços públicos essenciais, como saúde e educação, e gerou ampla repercussão entre movimentos estudantis e partidos políticos.

Os estudantes participaram de um ato público com cartazes contendo frases como “Crime Master”, “Quem vai pagar a conta?”, “Fora Ibaneis” e “Fora Celina Leão”. A manifestação foi organizada para chamar atenção sobre o escândalo do Banco Master e suas consequências para o patrimônio público do Distrito Federal. Integrantes do movimento afirmam que se tratou de uma manifestação política legítima, protegida pela liberdade de expressão, um direito constitucional garantido a todos os cidadãos brasileiros.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

24 ANOS DE PÁTRIA LATINA


24 ANOS DE PÁTRIA LATINA

18 de fevereiro de 2026


O mundo entrava no século XXI com uma terrível farsa: o 11 de setembro de 2001 e a queda das torres gêmeas em Nova Iorque. Vinte anos já se haviam passado com o mundo conquistado pelo capitalismo financeiro e as desregulações que apenas lhe beneficiavam. Em Havana, jornalistas reunidos por Fidel Castro discutiam o que fazer pela pátria comum, a latino americana.

Era um início da oposição se formando ao fim da história, ao domínio neoliberal, que impunha o fim da industrialização e do trabalho, ao despertar do Sul Global, dos BRICS, da nova História da Ásia. Nascia também, em fevereiro de 2002, o Pátria Latina, em Cuba, e que se criaria no Brasil, a partir de então.

A Era dos Impérios, que tanto mal fizera à China, o século, que aquele mais de bilhão de pessoas denominava, das humilhações, cairia pelos seus próprios males, entre eles aquele que caberia ao Pátria Latina denunciar persistentemente: a falsa informação, a fake new.

O capitalismo, por seu turno, despia-se de camuflagens; revelava-se como escravagista: microempreendedor industrial (sic) e uber, pagando para o exterior, por absolutamente nada que dele recebesse!

Oriente médio —Com mais de 200 mortos após ataques, Irã anuncia fechamento do Estreito Ormuz e reivindica ‘direito de responder com toda a força’

Sábado, 28 de fevereiro de 2026

Com mais de 200 mortos após ataques, Irã anuncia fechamento do Estreito Ormuz e reivindica ‘direito de responder com toda a força’


Em resposta aos ataques, o Irã lançou uma ofensiva contra Israel e 14 bases militares dos Estados Unidos

Brasil de Fato — São Paulo (SP)
28.fev.2026
O Crescente Vermelho do Irã – que faz parte da organização humanitária internacional Cruz Vermelha – informou que pelo menos 201 pessoas morreram e 747 ficaram feridas após os ataques dos Estados Unidos e Israel, neste sábado (28). 

As ofensivas atingiram 24 províncias iranianas, e mais de 220 equipes de resgate foram mobilizadas para atuar nas áreas atingidas, onde as operações continuam.

As Forças de Defesa de Israel, por sua vez, afirmaram que cerca de 200 caças participaram da operação e atacaram aproximadamente 500 alvos em todo o Irã, incluindo sistemas de defesa e lançadores de mísseis. Segundo os militares, os bombardeios tiveram como objetivo estruturas consideradas estratégicas. Não se pronunciaram, porém, sobre o ataque à escola primária que vitimou ao menos 85 meninas.

Em entrevista à Al Jazeera, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, declarou que o país tem o direito de se defender. “Temos todo o direito, de acordo com o direito internacional, de nos defendermos com todas as nossas forças. É isso que as nossas forças armadas estão fazendo neste momento. Elas estão defendendo a soberania nacional e a integridade territorial do Irã contra este ato bárbaro de agressão”, disse Baghaei.

Quando o recuo vira destino

Sábado, 28 de fevereiro de 2026


Quando o recuo vira destino
 
“A inação diante de Cuba repete o erro fatal de Munique: apaziguar o agressor só adia a guerra e a torna mais devastadora — a história não perdoa os que se calam diante do fascismo renascente”.  
Gabriel Cohn (Cuba, a Espanha no século XXI)
 
     Roberto Amaral *

Em 1938, regressando de Munique, aonde fôra negociar com Adolf Hitler, o primeiro-ministro Neville Chamberlain declara ao Parlamento britânico haver conquistado o que denominava como “a paz para o nosso tempo”. Enganado ou não, enganava os ingleses e despistava o mundo, em especial o mundo europeu, mal saído da Primeira Guerra Mundial e já se vendo ameaçado por um novo conflito para o qual não estava preparado, como se veria logo depois.

Eram tempos de medo, dominados pela retórica do pacifismo para enfrentar as ameaças do rearmamento alemão comandado pela ascensão do nazifascismo. Ao entregar os Sudetos (parte da então Tchecoslováquia) à Alemanha como compensação pela promessa de Berlim de não reivindicar mais territórios (mote da doutrina do “espaço vital”, que tudo justificava), a monarquia decadente aplainava os avanços das tropas de Hitler: o “acordo de paz” é firmado em 1938 e, já em 1939, a Polônia era invadida. Avança a guerra que a Inglaterra, não podendo enfrentar, tentava não ver, simplesmente ignorando a agressão que vinha a galope.

É história contada. Aquele não era, porém, o primeiro recuo, nem seria o último registro nos conflitos do século passado e nos conflitos de nossos dias, ensinando que nem sempre a estratégia do passo atrás, anunciando outro passo atrás, é a melhor arte da guerra dos que se veem ameaçados por agressores mais poderosos. O agressor sempre avança onde há menor custo. Como ensinavam os argonautas, “navegar é preciso”.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Anielle Franco afirma que julgamento dos mandantes da morte de Marielle deixou o ‘bueiro do RJ aberto’

Sexta, 27 de fevereiro de 2026

Justiça

Anielle Franco afirma que julgamento dos mandantes da morte de Marielle deixou o ‘bueiro do RJ aberto’

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, a ministra da Igualdade Racial também falou sua gestão à frente da pasta

Brasil de Fato
27.fev.2026
Beatriz Drague Ramos

Anielle Franco é ministra da Igualdade Racial | Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasi


A semana foi marcada por um desfecho aguardado há quase oito anos por grande parte da população brasileira e sobretudo pelas famílias da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a 76 anos de prisão or serem mandantes do assassinato da vereadora, ocorrido em março de 2018.

Também foram condenados Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar por duplo homicídio e homicídio tentado, e Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão, condenado pelo crime de organização criminosa. Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro foi condenado por obstrução à justiça corrupção passiva. Todos estão presos preventivamente.

Diante disso, para a família, o momento é de exaustão física e emocional, mas também de uma sensação de justiça em um caso que envolve figuras de alto escalão da política fluminense.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, relatou o impacto do julgamento sobre seus pais e sobre a filha de Marielle, Luyara. Segundo a ministra, a leitura dos votos, especialmente o da ministra Cármen Lúcia, causou forte comoção e problemas de saúde momentâneos nos familiares devido à tensão acumulada. “Ouvir os votos fez minha mãe chorar muito. Eles passaram mal, os três tiveram um pico de pressão alta durante o julgamento”, revelou Anielle.

CNJ afasta desembargador que absolveu homem acusado de estupro contra menina de 12 anos em MG

Sexta, 27 de fevereiro de 2026

Investigado
CNJ afasta desembargador que absolveu homem acusado de estupro contra menina de 12 anos em MG

O magistrado Magid Láuar é investigado por abusos sexuais; denúncias vieram à público após a repercussão do julgamento

Brasil de Fato
27.fev.2026
São Paulo (SP)
Redação


O desembargador Magid Nauef Láuar | Crédito: Juarez Rodrigues/TJMG

O desembargador Magid Nauef Láuar, integrante da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, foi afastado do cargo após determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Láuar é investigado por crimes sexuais contra pelo menos cinco pessoas durante o período em que atuou como juiz de direito nas comarcas das cidades mineiras de Ouro Preto e Betim. Ao menos uma das vítimas, um primo do desembargador, era menor de idade quando teria sofrido os abusos.

As denúncias vieram à público após o magistrado ganhar destaque nas notícias nacionais ao absolver um homem de 35 anos acusado de estupro contra uma menina de 12, no município de Indianópolis (MG).

No julgamento, desembargadores citaram “vínculo consensual” para justificar a absolvição do acusado. Somente a desembargadora Kárin Emmerich, única mulher a compor o colegiado, votou pela condenação.

Após ampla repercussão do caso em redes sociais e portais de notícias, o desembargador voltou atrás na decisão, mantendo a condenação. O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) também recorreu da decisão de segunda instância que absolveu o investigado. Na última quarta-feira (25), o homem e a mãe da menina, responsabilizada por omissão, foram presos.

Descaso Falta de monitores marca início do ano letivo na rede pública do Distrito Federal

Sexta, 27 de fevereiro de 2026

descaso

Falta de monitores marca início do ano letivo na rede pública do Distrito Federal


Famílias denunciam ausência de apoio a estudantes com deficiência; GDF atribui situação a ajustes no programa

Brasil de Fato — Brasília (DF)
A Secretaria afirma que não houve prejuízo aos estudantes, pois as escolas seguem contando com professores, equipes pedagógicas e outros profissionais que garantem o atendimento e o suporte necessários.A Secretaria afirma que ausência não gera prejuízo aos estudantes, pois as escolas seguem contando com professores, equipes pedagógicas e outros profissionais que garantem o atendimento e o suporte necessários. | Crédito: Divulgação/ SEGOV

O início do ano letivo de 2026 na rede pública do Distrito Federal foi marcado por denúncias de ausência de monitores e de Educadores Sociais Voluntários (ESVs) em escolas que atendem estudantes com deficiência. Mães, professores e representantes sindicais relatam dificuldades para garantir o suporte previsto na legislação.

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) afirma que a situação é pontual e decorrente de ajustes operacionais no programa, argumento contestado por responsáveis dos alunos.

A legislação brasileira, incluindo a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), assegura atendimento educacional especializado e apoio escolar aos estudantes da educação especial. No DF, parte desse suporte é realizado por monitores da carreira pública e, majoritariamente, por meio do Programa Educador Social Voluntário. A situação, relatada por mães e professores desde a primeira semana de aula, reacende o debate sobre planejamento, financiamento e prioridade política da educação inclusiva na capital do país.

“Todo ano é a mesma angústia”

Andrea Medrado, mãe de uma estudante com deficiência matriculada em escola pública do DF, relata que o início das aulas é acompanhado de insegurança. “Todo começo de ano é a mesma pergunta: cadê o monitor? Cadê o apoio garantido por lei? Educação é direito, não é favor!”, afirma.

Segundo ela, a escola onde a filha estuda iniciou o semestre com apenas um educador disponível para atender estudantes que demandam apoio. “Na escola que minha filha está, só tem um educador e ele ficou com ela porque eu sou a ‘mãe chata’ que não deixa passar. Mas isso não pode depender da insistência de uma mãe.”

No caso da filha, Adriana afirma possuir decisão judicial que assegura a presença de um monitor concursado, integrante da carreira pública, e não apenas educador voluntário. “Eu tenho um processo judicial que garante que seja um profissional da rede. Não um voluntário que pode sair a qualquer momento. Mesmo assim, todo ano é essa luta.” Ainda assim, a escola não disponibiliza o tutor garantido por lei.

Ela também relata que, em conversas, professores da rede pública descrevem salas superlotadas, sobrecarga de trabalho e esgotamento físico e emocional. Parte dos docentes também apontam dificuldades na implementação do sistema Educa-DF às vésperas do início das aulas, sem formação adequada e sem escuta prévia da comunidade escolar.

Para Adriana, o problema vai além de uma falha pontual. “Educação inclusiva não pode ser improviso anual. Quando a inclusão entra no planejamento, ela deixa de ser improviso e passa a ser política pública. Inclusão é lei. Planejamento é obrigação.” 

Substituição de monitores por voluntários

De acordo com a diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), Márcia Gilda, o modelo adotado pelo governo local tem se apoiado na figura do Educador Social Voluntário, em detrimento da ampliação do quadro efetivo de monitores.

“O acompanhamento dos Educadores Sociais Voluntários (ESV) nas turmas inclusivas é extremamente importante. Eles dão suporte aos estudantes e aos professores. O problema é que estão substituindo os monitores da carreira, que deveriam estar em todas as escolas, porque a rede pública do DF é oficialmente inclusiva”, afirma.

Segundo ela, a maioria dos ESVs atua em condições consideradas precárias. “Trabalham com ajuda de custo baixíssima e sem vínculo empregatício. Mesmo assim, se dedicam e fazem um trabalho excelente. Mas isso não substitui a necessidade de profissionais concursados, com estabilidade e formação contínua. A ausência desse suporte causa prejuízo enorme para toda a comunidade escolar.”

Câmara Legislativa

A situação foi levada à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF), que relatou denúncias durante sessão ordinária realizada na última quarta-feira (25).

“Nós estamos na terceira semana de aulas e recebemos denúncias de que estudantes não estão conseguindo ter aula. Já oficiamos a Secretaria de Educação e estamos acionando os órgãos de controle. A denúncia é muito grave”, declarou.

O parlamentar citou relatos de escolas onde estudantes teriam sido dispensados por falta de condições adequadas de atendimento, destacando que a responsabilidade não seria das unidades escolares, mas da gestão central pela demora na alocação de profissionais.

Outro lado

Em nota enviada ao Brasil de Fato DF, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal afirmou que “não há ausência estrutural de Educadores Sociais Voluntários na rede”.

Segundo a pasta, o que ocorre neste início de ano letivo é um período de organização e adequação do programa às novas normativas que regulamentam a formação específica para atuação na educação especial.

“A Secretaria destaca que não houve prejuízo aos estudantes, uma vez que as escolas contam com professores, equipes pedagógicas e demais profissionais que garantem o atendimento e o suporte necessários”, diz a nota.

Embora o governo sustente que a situação será normalizada em curto prazo, famílias relatam que a ausência de apoio nas primeiras semanas de aula compromete a adaptação, aprendizagem e permanência dos estudantes com deficiência. “Quando o Estado falha, quem sofre são os estudantes com deficiência que querem e têm direito à escola”, resume Andrea Medrado.

:: Clique aqui para receber notícias do Brasil de Fato DF no seu Whatsapp ::

Facebook

Editado por: Clivia Mesquita

Leia mais: