Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quinta-feira, 5 de março de 2026

Rentismo, teu nome é solidão

Quinta, 5 de março de 2026

Rentismo, teu nome é solidão

Em meio à desigualdade brutal, maiorias vivem o inferno do trabalho massacrante e sem futuro, da pobreza e do impossível desfrute coletivo. Mas também os ricos, ainda que opulentos, debatem-se em competição por dinheiro e vidas sem sentido

Por Ladislau Dowbor

Look at all the lonely people…
Beatles, 1966

Título original:
A erosão da sociabilidade: resgatando a colaboração e o convívio

Algumas coisas vão muito além da América Latina, elas nos dizem respeito como seres humanos. Certamente precisamos de uma análise social geral, mas como nos sentimos nesta sociedade, como indivíduos, como famílias, como bairros ou comunidades, também é essencial para nosso bem-estar. Isso vai muito além da economia e das lutas de classes. Envolve pessoas sentadas em ônibus ou no metrô, longas horas para ir a escolas ou empregos, um cenário desanimado de pessoas grudadas em seus smartphones. Os beneficiados nem sempre estão melhor: filas de carros, cada um com um indivíduo impaciente e irritado com o trânsito. Quanta lentidão, considerando que muitos compraram o carro entusiasmados com números impressionantes de velocidade que ele pode alcançar em segundos. Em São Paulo, a perda média diária de tempo no transporte chega a 3 horas, e mais de 5 para pessoas mais pobres que vivem nas periferias. Você poderia estar estudando, fazendo algo útil, passando tempo com sua família. Bem, o PIB sobe, então temos mais carros e mais tempo desperdiçado. A velocidade média dos automóveis em São Paulo caiu para 14 quilômetros por hora, e mais carros estão chegando. Mais PIB. Uma cidade se paralisar por excesso de meios de transporte é até curioso. Shanghai e Beijing têm cada uma mais de mil quilômetros de linhas de metrô. São Paulo tem 104.

Isso, é claro, é apenas um aspecto da nossa reorganização social. Nascemos com cerca de 33 mil dias pela frente, é o nosso capital mais precioso, o tempo das nossas vidas. O que fazemos com ele? Correndo atrás de mais dinheiro? Pesquisas sobre como nossa qualidade de vida está correlacionada com nossa prosperidade financeira são interessantes: se você é muito pobre, cada quinhentos reais a mais por mês faz uma enorme diferença, alimentando melhor seus filhos, melhorando sua casa e assim por diante. O dinheiro na base – a base aqui é cerca de dois terços da população, com enormes diferenças entre países – é radicalmente mais útil e produtivo do que o dinheiro no topo. Quando você alcança o que Tom Malleson chama de “uma vida confortável e florescente”, a felicidade dependerá não de mais dinheiro, mas da vida familiar, amigos, ambiente cultural, a sensação de estar fazendo algo útil, o que podemos chamar de uma vida socialmente rica. O resto, passar a vida acumulando mais dinheiro, mais milhões, hoje em dia ainda mais bilhões, não tem a ver com uma vida rica, mas com ego. Muitas pessoas só conseguem sentir que estão subindo se conseguirem empurrar outras pessoas para baixo ou olhar para elas de cima. Na verdade, para onde estamos indo? Nosso capital do tempo está voando.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Governo brasileiro enviará a Cuba alimentos e insumos para a produção agrícola

Quarta, 4 de março de 2026

AJUDA HUMANITÁRIA

Governo brasileiro enviará a Cuba alimentos e insumos para a produção agrícola


Governo brasileiro e organizações sociais reforçam cooperação com Cuba frente ao bloqueio dos EUA

Brasil de Fato — Havana (Cuba) 



0 governo do Brasil anunciou que enviará, nesta semana, um carregamento de alimentos e insumos destinados à produção agrícola em Cuba, no âmbito de um programa de cooperação bilateral. A informação foi divulgada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, durante a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, que começou na última segunda-feira (2), em Brasília (DF).

O ministro esclareceu que os insumos serão adquiridos em território brasileiro com recursos fornecidos pelo próprio governo e, posteriormente, disponibilizados à ilha caribenha.

“O Brasil vai enviar, nesta semana, uma ajuda a Cuba para a compra de insumos destinados à produção agrícola. Essa compra será feita no Brasil. Nós vamos disponibilizar os recursos. Também enviaremos alimentos a Cuba”, afirmou Teixeira ao ser questionado pela agência de notícias Prensa Latina.

terça-feira, 3 de março de 2026

Curso da ACD sobre o Sistema da Dívida continua recebendo inscrições

Terça, 3 de março de 2026


Conheça o curso “O Sistema da Dívida no Brasil e a Necessidade de Auditoria Integral”. 🌟 Com ele, você poderá aprofundar seus conhecimentos e contribuir com a mobilização social em defesa da transparência e da justiça.

Participe, faça parte desta corrente! As inscrições para a nova turma já estão abertas! Veja as informações abaixo:

Desenvolvido pela coordenadora nacional da ACD, Maria Lucia Fattorelli, o curso é baseado na Cartilha da ACD, material essencial para compreender as bases do Sistema da Dívida e propor soluções que garantam o uso correto dos recursos públicos. 💪📘

Durante 4 meses, você terá acesso a aulas semanais que abordam:

📊 como os mecanismos financeiros alimentam o endividamento público sem contrapartida em investimentos sociais;
🏦 o papel do Banco Central e da dívida dos estados na perpetuação desse sistema;
⚖️ as consequências sociais e econômicas do Sistema da Dívida;
✊ a importância da auditoria integral e da mobilização popular para reverter esse cenário.

Mundo desinformado conduzido por pedófilo senil e um genocida

Terça, 3 de março de 2026

Mundo desinformado conduzido por pedófilo senil e um genocida

Pessoas transitam receosas pelas ruas do Oriente Médio, norte da África e mesmo das cidades no sul da Europa. Por que esta situação de medo e perigo?

Em primeiro lugar pela desinformação que se divulga pela imprensa e redes de convivência neste século. E qual a causa desta unanimidade? Todas têm os mesmos donos, os gestores de ativos que se formaram com a desregulação financeira da década de 1980, que se concluiu com a constituição da globalização, o decálogo denominado Consenso de Washington (1989). Consenso entre quem?

Entre estes gestores de ativos: BlackRock (US$ 11,5 trilhões), Vanguard (US$ 8,7 trilhões), Fidelity (US$ 4,2 trilhões), State Street (US$ 4 trilhões), Morgan Stanley (US$ 3,3 trilhões) e outros menos votados.

domingo, 1 de março de 2026

Caso master: Vice-governadora do DF processa estudantes por críticas a rombo no BRB

Domingo, 1º de março de 2026

Caso master
Vice-governadora do DF processa estudantes por críticas a rombo no BRB

Jovens do coletivo Kizomba enfrentam ação judicial de R$ 30 mil após manifestação

Brasil de Fato — Brasília (DF)

A vice-governadora Celina Leão move ação judicial contra três estudantes, pedindo R$ 30 mil após protesto. | Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Do Brasil de Fato
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), entrou com ação judicial contra três estudantes do movimento de juventude Kizomba. O processo no valor de R$ 30 mil alega danos morais em razão de uma manifestação realizada por jovens que questionaram a gestão do BRB e a tentativa de compra do Banco Master pelo governo.

A ação ocorre em meio a críticas sobre o rombo financeiro de R$ 12 bilhões que afetaria serviços públicos essenciais, como saúde e educação, e gerou ampla repercussão entre movimentos estudantis e partidos políticos.

Os estudantes participaram de um ato público com cartazes contendo frases como “Crime Master”, “Quem vai pagar a conta?”, “Fora Ibaneis” e “Fora Celina Leão”. A manifestação foi organizada para chamar atenção sobre o escândalo do Banco Master e suas consequências para o patrimônio público do Distrito Federal. Integrantes do movimento afirmam que se tratou de uma manifestação política legítima, protegida pela liberdade de expressão, um direito constitucional garantido a todos os cidadãos brasileiros.

sábado, 28 de fevereiro de 2026

24 ANOS DE PÁTRIA LATINA


24 ANOS DE PÁTRIA LATINA

18 de fevereiro de 2026


O mundo entrava no século XXI com uma terrível farsa: o 11 de setembro de 2001 e a queda das torres gêmeas em Nova Iorque. Vinte anos já se haviam passado com o mundo conquistado pelo capitalismo financeiro e as desregulações que apenas lhe beneficiavam. Em Havana, jornalistas reunidos por Fidel Castro discutiam o que fazer pela pátria comum, a latino americana.

Era um início da oposição se formando ao fim da história, ao domínio neoliberal, que impunha o fim da industrialização e do trabalho, ao despertar do Sul Global, dos BRICS, da nova História da Ásia. Nascia também, em fevereiro de 2002, o Pátria Latina, em Cuba, e que se criaria no Brasil, a partir de então.

A Era dos Impérios, que tanto mal fizera à China, o século, que aquele mais de bilhão de pessoas denominava, das humilhações, cairia pelos seus próprios males, entre eles aquele que caberia ao Pátria Latina denunciar persistentemente: a falsa informação, a fake new.

O capitalismo, por seu turno, despia-se de camuflagens; revelava-se como escravagista: microempreendedor industrial (sic) e uber, pagando para o exterior, por absolutamente nada que dele recebesse!

Oriente médio —Com mais de 200 mortos após ataques, Irã anuncia fechamento do Estreito Ormuz e reivindica ‘direito de responder com toda a força’

Sábado, 28 de fevereiro de 2026

Com mais de 200 mortos após ataques, Irã anuncia fechamento do Estreito Ormuz e reivindica ‘direito de responder com toda a força’


Em resposta aos ataques, o Irã lançou uma ofensiva contra Israel e 14 bases militares dos Estados Unidos

Brasil de Fato — São Paulo (SP)
28.fev.2026
O Crescente Vermelho do Irã – que faz parte da organização humanitária internacional Cruz Vermelha – informou que pelo menos 201 pessoas morreram e 747 ficaram feridas após os ataques dos Estados Unidos e Israel, neste sábado (28). 

As ofensivas atingiram 24 províncias iranianas, e mais de 220 equipes de resgate foram mobilizadas para atuar nas áreas atingidas, onde as operações continuam.

As Forças de Defesa de Israel, por sua vez, afirmaram que cerca de 200 caças participaram da operação e atacaram aproximadamente 500 alvos em todo o Irã, incluindo sistemas de defesa e lançadores de mísseis. Segundo os militares, os bombardeios tiveram como objetivo estruturas consideradas estratégicas. Não se pronunciaram, porém, sobre o ataque à escola primária que vitimou ao menos 85 meninas.

Em entrevista à Al Jazeera, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, declarou que o país tem o direito de se defender. “Temos todo o direito, de acordo com o direito internacional, de nos defendermos com todas as nossas forças. É isso que as nossas forças armadas estão fazendo neste momento. Elas estão defendendo a soberania nacional e a integridade territorial do Irã contra este ato bárbaro de agressão”, disse Baghaei.

Quando o recuo vira destino

Sábado, 28 de fevereiro de 2026


Quando o recuo vira destino
 
“A inação diante de Cuba repete o erro fatal de Munique: apaziguar o agressor só adia a guerra e a torna mais devastadora — a história não perdoa os que se calam diante do fascismo renascente”.  
Gabriel Cohn (Cuba, a Espanha no século XXI)
 
     Roberto Amaral *

Em 1938, regressando de Munique, aonde fôra negociar com Adolf Hitler, o primeiro-ministro Neville Chamberlain declara ao Parlamento britânico haver conquistado o que denominava como “a paz para o nosso tempo”. Enganado ou não, enganava os ingleses e despistava o mundo, em especial o mundo europeu, mal saído da Primeira Guerra Mundial e já se vendo ameaçado por um novo conflito para o qual não estava preparado, como se veria logo depois.

Eram tempos de medo, dominados pela retórica do pacifismo para enfrentar as ameaças do rearmamento alemão comandado pela ascensão do nazifascismo. Ao entregar os Sudetos (parte da então Tchecoslováquia) à Alemanha como compensação pela promessa de Berlim de não reivindicar mais territórios (mote da doutrina do “espaço vital”, que tudo justificava), a monarquia decadente aplainava os avanços das tropas de Hitler: o “acordo de paz” é firmado em 1938 e, já em 1939, a Polônia era invadida. Avança a guerra que a Inglaterra, não podendo enfrentar, tentava não ver, simplesmente ignorando a agressão que vinha a galope.

É história contada. Aquele não era, porém, o primeiro recuo, nem seria o último registro nos conflitos do século passado e nos conflitos de nossos dias, ensinando que nem sempre a estratégia do passo atrás, anunciando outro passo atrás, é a melhor arte da guerra dos que se veem ameaçados por agressores mais poderosos. O agressor sempre avança onde há menor custo. Como ensinavam os argonautas, “navegar é preciso”.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Anielle Franco afirma que julgamento dos mandantes da morte de Marielle deixou o ‘bueiro do RJ aberto’

Sexta, 27 de fevereiro de 2026

Justiça

Anielle Franco afirma que julgamento dos mandantes da morte de Marielle deixou o ‘bueiro do RJ aberto’

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, a ministra da Igualdade Racial também falou sua gestão à frente da pasta

Brasil de Fato
27.fev.2026
Beatriz Drague Ramos

Anielle Franco é ministra da Igualdade Racial | Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasi


A semana foi marcada por um desfecho aguardado há quase oito anos por grande parte da população brasileira e sobretudo pelas famílias da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a 76 anos de prisão or serem mandantes do assassinato da vereadora, ocorrido em março de 2018.

Também foram condenados Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar por duplo homicídio e homicídio tentado, e Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão, condenado pelo crime de organização criminosa. Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro foi condenado por obstrução à justiça corrupção passiva. Todos estão presos preventivamente.

Diante disso, para a família, o momento é de exaustão física e emocional, mas também de uma sensação de justiça em um caso que envolve figuras de alto escalão da política fluminense.

Em entrevista ao Brasil de Fato, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, relatou o impacto do julgamento sobre seus pais e sobre a filha de Marielle, Luyara. Segundo a ministra, a leitura dos votos, especialmente o da ministra Cármen Lúcia, causou forte comoção e problemas de saúde momentâneos nos familiares devido à tensão acumulada. “Ouvir os votos fez minha mãe chorar muito. Eles passaram mal, os três tiveram um pico de pressão alta durante o julgamento”, revelou Anielle.

CNJ afasta desembargador que absolveu homem acusado de estupro contra menina de 12 anos em MG

Sexta, 27 de fevereiro de 2026

Investigado
CNJ afasta desembargador que absolveu homem acusado de estupro contra menina de 12 anos em MG

O magistrado Magid Láuar é investigado por abusos sexuais; denúncias vieram à público após a repercussão do julgamento

Brasil de Fato
27.fev.2026
São Paulo (SP)
Redação


O desembargador Magid Nauef Láuar | Crédito: Juarez Rodrigues/TJMG

O desembargador Magid Nauef Láuar, integrante da 9ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, foi afastado do cargo após determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Láuar é investigado por crimes sexuais contra pelo menos cinco pessoas durante o período em que atuou como juiz de direito nas comarcas das cidades mineiras de Ouro Preto e Betim. Ao menos uma das vítimas, um primo do desembargador, era menor de idade quando teria sofrido os abusos.

As denúncias vieram à público após o magistrado ganhar destaque nas notícias nacionais ao absolver um homem de 35 anos acusado de estupro contra uma menina de 12, no município de Indianópolis (MG).

No julgamento, desembargadores citaram “vínculo consensual” para justificar a absolvição do acusado. Somente a desembargadora Kárin Emmerich, única mulher a compor o colegiado, votou pela condenação.

Após ampla repercussão do caso em redes sociais e portais de notícias, o desembargador voltou atrás na decisão, mantendo a condenação. O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) também recorreu da decisão de segunda instância que absolveu o investigado. Na última quarta-feira (25), o homem e a mãe da menina, responsabilizada por omissão, foram presos.

Descaso Falta de monitores marca início do ano letivo na rede pública do Distrito Federal

Sexta, 27 de fevereiro de 2026

descaso

Falta de monitores marca início do ano letivo na rede pública do Distrito Federal


Famílias denunciam ausência de apoio a estudantes com deficiência; GDF atribui situação a ajustes no programa

Brasil de Fato — Brasília (DF)
A Secretaria afirma que não houve prejuízo aos estudantes, pois as escolas seguem contando com professores, equipes pedagógicas e outros profissionais que garantem o atendimento e o suporte necessários.A Secretaria afirma que ausência não gera prejuízo aos estudantes, pois as escolas seguem contando com professores, equipes pedagógicas e outros profissionais que garantem o atendimento e o suporte necessários. | Crédito: Divulgação/ SEGOV

O início do ano letivo de 2026 na rede pública do Distrito Federal foi marcado por denúncias de ausência de monitores e de Educadores Sociais Voluntários (ESVs) em escolas que atendem estudantes com deficiência. Mães, professores e representantes sindicais relatam dificuldades para garantir o suporte previsto na legislação.

A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) afirma que a situação é pontual e decorrente de ajustes operacionais no programa, argumento contestado por responsáveis dos alunos.

A legislação brasileira, incluindo a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015), assegura atendimento educacional especializado e apoio escolar aos estudantes da educação especial. No DF, parte desse suporte é realizado por monitores da carreira pública e, majoritariamente, por meio do Programa Educador Social Voluntário. A situação, relatada por mães e professores desde a primeira semana de aula, reacende o debate sobre planejamento, financiamento e prioridade política da educação inclusiva na capital do país.

“Todo ano é a mesma angústia”

Andrea Medrado, mãe de uma estudante com deficiência matriculada em escola pública do DF, relata que o início das aulas é acompanhado de insegurança. “Todo começo de ano é a mesma pergunta: cadê o monitor? Cadê o apoio garantido por lei? Educação é direito, não é favor!”, afirma.

Segundo ela, a escola onde a filha estuda iniciou o semestre com apenas um educador disponível para atender estudantes que demandam apoio. “Na escola que minha filha está, só tem um educador e ele ficou com ela porque eu sou a ‘mãe chata’ que não deixa passar. Mas isso não pode depender da insistência de uma mãe.”

No caso da filha, Adriana afirma possuir decisão judicial que assegura a presença de um monitor concursado, integrante da carreira pública, e não apenas educador voluntário. “Eu tenho um processo judicial que garante que seja um profissional da rede. Não um voluntário que pode sair a qualquer momento. Mesmo assim, todo ano é essa luta.” Ainda assim, a escola não disponibiliza o tutor garantido por lei.

Ela também relata que, em conversas, professores da rede pública descrevem salas superlotadas, sobrecarga de trabalho e esgotamento físico e emocional. Parte dos docentes também apontam dificuldades na implementação do sistema Educa-DF às vésperas do início das aulas, sem formação adequada e sem escuta prévia da comunidade escolar.

Para Adriana, o problema vai além de uma falha pontual. “Educação inclusiva não pode ser improviso anual. Quando a inclusão entra no planejamento, ela deixa de ser improviso e passa a ser política pública. Inclusão é lei. Planejamento é obrigação.” 

Substituição de monitores por voluntários

De acordo com a diretora do Sindicato dos Professores (Sinpro-DF), Márcia Gilda, o modelo adotado pelo governo local tem se apoiado na figura do Educador Social Voluntário, em detrimento da ampliação do quadro efetivo de monitores.

“O acompanhamento dos Educadores Sociais Voluntários (ESV) nas turmas inclusivas é extremamente importante. Eles dão suporte aos estudantes e aos professores. O problema é que estão substituindo os monitores da carreira, que deveriam estar em todas as escolas, porque a rede pública do DF é oficialmente inclusiva”, afirma.

Segundo ela, a maioria dos ESVs atua em condições consideradas precárias. “Trabalham com ajuda de custo baixíssima e sem vínculo empregatício. Mesmo assim, se dedicam e fazem um trabalho excelente. Mas isso não substitui a necessidade de profissionais concursados, com estabilidade e formação contínua. A ausência desse suporte causa prejuízo enorme para toda a comunidade escolar.”

Câmara Legislativa

A situação foi levada à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT-DF), que relatou denúncias durante sessão ordinária realizada na última quarta-feira (25).

“Nós estamos na terceira semana de aulas e recebemos denúncias de que estudantes não estão conseguindo ter aula. Já oficiamos a Secretaria de Educação e estamos acionando os órgãos de controle. A denúncia é muito grave”, declarou.

O parlamentar citou relatos de escolas onde estudantes teriam sido dispensados por falta de condições adequadas de atendimento, destacando que a responsabilidade não seria das unidades escolares, mas da gestão central pela demora na alocação de profissionais.

Outro lado

Em nota enviada ao Brasil de Fato DF, a Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal afirmou que “não há ausência estrutural de Educadores Sociais Voluntários na rede”.

Segundo a pasta, o que ocorre neste início de ano letivo é um período de organização e adequação do programa às novas normativas que regulamentam a formação específica para atuação na educação especial.

“A Secretaria destaca que não houve prejuízo aos estudantes, uma vez que as escolas contam com professores, equipes pedagógicas e demais profissionais que garantem o atendimento e o suporte necessários”, diz a nota.

Embora o governo sustente que a situação será normalizada em curto prazo, famílias relatam que a ausência de apoio nas primeiras semanas de aula compromete a adaptação, aprendizagem e permanência dos estudantes com deficiência. “Quando o Estado falha, quem sofre são os estudantes com deficiência que querem e têm direito à escola”, resume Andrea Medrado.

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Editado por: Clivia Mesquita

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