Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 9 de março de 2026

O espantoso mito de que o brasileiro trabalha pouco

Segunda, 9 de março de 2026

O espantoso mito de que o brasileiro trabalha pouco

Os dados desmentem as manchetes de jornal: milhões cumprem 44 horas, e muitos extrapolam esse limite. Em um mercado que tenta transformar a vida em “tempo disponível”, reduzir a jornada é uma resposta política à exaustão normalizada


Brasil de Fato —                  Trabalho e Precariado


O debate brasileiro sobre a jornada de trabalho está sendo travado com base em um número: o Brasil estaria 1,2 hora abaixo da média mundial, controlada por renda e demografia.1 É um dado correto. Mas o que se faz com ele está errado.

Da forma como foi recebido pela imprensa e por parte dos economistas, esse dado se converteu em argumento contra a PEC que propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 36 horas. Se o brasileiro “já trabalha pouco”, para que reduzir mais? O raciocínio parece lógico, mas se apoia em três confusões que este texto pretende desfazer.

domingo, 8 de março de 2026

O plano delirante e riscos de Trump e Netanyahu

Domingo, 8 de março de 2026

O plano delirante e riscos de Trump e Netanyahu
EUA buscam estrangular energeticamente a China, que os derrotou em seu próprio jogo. Tel Aviv deseja ver o Irã transformar-se num Estado falido. Mas se Teerã resistir, os dois mafiosos terão diante de si um pesadelo político, econômico e eleitoral


OUTRASPALAVRAS               Geopolítica & Guerra
Por Rafael Poch



Rafael Poch em entrevista a Sergi Picazo, no Critic | Tradução: Rôney Rodrigues

Trump já prescinde da retórica do direito internacional. A chave para definir as relações internacionais é a força. Os Estados Unidos podem sequestrar ou matar dois líderes de países inimigos: Maduro, na Venezuela, e o aiatolá Khamenei, no Irã. Acabou-se a legislação internacional? A ONU? Os limites mínimos da política internacional?

A pergunta, obviamente, é retórica. A guerra começou no sábado com o assassinato do líder do país adversário e vários membros de sua família. Esta guerra começou — e é a segunda vez desde junho — no meio de negociações classificadas como “bem-sucedidas” pelos mesmos personagens (Witkoff e Kushner) que estão negociando, também, com os russos o fim do conflito na Ucrânia. Quem pode confiar em tais “negociadores”? “As garantias e os documentos assinados por este presidente não têm valor algum”, disse em Moscou o analista Dmitri Trenin sobre Trump. “Não é possível manter negociações com este governo”, afirma de Nova York o economista Jeffrey Sachs.

A crise do hegemonismo acarreta a crise de suas instituições. A ONU foi uma boa ideia, mas refletia o mundo de 1945. Hoje o mundo é diferente, e diferentes são também as correlações de forças em seu interior. Naquela época, chineses e indianos não contavam para o mundo e hoje pesam muito. Mas, curiosamente, não são os emergentes que estão derrubando as instituições internacionais e o direito internacional, mas sim seus inventores, os governos daqueles países que desenharam todas essas instituições sob medida para seus interesses. Se a ONU era o desigual “parlamento da humanidade” no qual alguns mandavam mais que outros por seu direito de veto, hoje seus inventores se tornaram extraparlamentares e promovem o banditismo e o gangsterismo mais cru.

Grito pela vida —Mulheres do DF ocupam as ruas neste domingo (8) com foco no combate ao feminicídio


Domingo, 8 de março de 2026

Grito pela vida
Mulheres do DF ocupam as ruas neste domingo (8) com foco no combate ao feminicídio

Concentração inicia às 13h na Funarte e marcha segue às 15h30 para sede do GDF

Brasil de Fato
Brasília (DF)

Mobilização unificada também vai denunciar governo de Ibaneis e Celina | Crédito: Flávia Quirino/Brasil de Fato DF

O Distrito Federal recebe, neste domingo (8) , mais uma edição do ato unificado do Dia Internacional de Luta das Mulheres. Esse ano, a mobilização tem como tema: Pela vida das mulheres: basta de feminicídio. Fora Celina Leão e Ibaneis e terá início às 13h com concentração na Funarte e saída em marcha às 15h30 até o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal.

No Distrito Federal, 28 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, de acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF). No mesmo ano, de janeiro a junho, foram registrados mais de 11 mil casos de violência doméstica, um aumento de 9,4% referente a 2024. A pasta não tornou público os dados consolidados de 2025.

sábado, 7 de março de 2026

Racismo —Dono da rede Sky Hotéis é condenado no RS por fala racista em que teria comparado trabalhador a macaco

Sábado, 7 de março de 2026

Racismo
Dono da rede Sky Hotéis é condenado no RS por fala racista em que teria comparado trabalhador a macaco

Decisão judicial prevê prestação de serviços comunitários e pagamento de 10 salários mínimos; cabe recurso

Brasil de Fato — São Paulo (SP)

O empresário Hilário Darci Krauspenhar, dono da rede Sky Hotéis | Crédito: Reprodução / YouTube Sky Hotéis

A Justiça do Rio Grande do Sul condenou o empresário Hilário Darci Krauspenhar, proprietário da rede Sky Hotéis, pelo crime de injúria racial contra o trabalhador Marco Lima, em Gramado, na Serra Gaúcha. O Brasil de Fato teve acesso à sentença que fixou pena de dois anos de reclusão, substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de 10 salários mínimos. Cabe recurso da decisão.

O caso ocorreu em 29 de novembro de 2023, quando a vítima, o recepcionista Marco Lima, trabalhava em um bar localizado na avenida das Hortênsias. Segundo a denúncia do Ministério Público, o empresário questionou a origem do funcionário e fez comentários ofensivos relacionados à sua aparência e à sua cor da pele. Em determinado momento, afirmou que ele deveria “tomar cuidado”, pois poderia ser confundido com “um macaco” e levar um tiro caso fosse visto por moradores da região.

8 de Março: mais que flores, o direito de ocupar espaços sem violência

Sábado, 7 de março de 2026

    Do MPDFT

Neste Dia Internacional da Mulher, o recado é claro: mais respeito, segurança e igualdade de condições para que elas possam ocupar todos os espaços. Defender o direito das mulheres é fortalecer a própria democracia

O Dia Internacional da Mulher é, historicamente, um marco de luta por direitos, igualdade e reconhecimento. Neste 8 de Março, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) reforça que a data vai além das homenagens simbólicas. É necessário reafirmar que nenhuma mulher deve ser silenciada, intimidada ou violentada por exercer sua cidadania.

A data também ocorre em um contexto marcado por diferentes formas de violência contra mulheres e meninas, não só no Distrito Federal. Nos primeiros meses do ano, casos graves ganharam repercussão nacional, incluindo episódios de violência vicária (quando o agressor atinge os filhos ou pessoas próximas para causar dor e punir a mulher) e sexual em diversas esferas da sociedade, além de uma sequência de feminicídios que ampliaram a importância do debate público sobre a proteção das mulheres.

No Distrito Federal, a violência letal também segue como um alerta. Em 2025, o DF registrou 28 feminicídios, segundo levantamento divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

Diante desse cenário, o MPDFT atua na proteção das mulheres por meio do acompanhamento das medidas protetivas, da investigação e na responsabilização de crimes de violência de gênero, além da fiscalização das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência  e da promoção de ações de prevenção e conscientização. O órgão também mantém canais específicos de escuta e acolhimento, como a Ouvidoria das Mulheres, que recebem denúncias e orientam vítimas e testemunhas.

'Não confere' —Alexandre de Moraes nega conversas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Sábado, 7 de março de 2026

'Não confere'
Alexandre de Moraes nega conversas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Ministro do STF diz que telefone do diálogo divulgado não é seu; políticos voltam a falar em impeachment de Moraes

Brasil de Fato — São Paulo (SP
6.mar.2026
São Paulo (SP)

Ministro do STF Alexandre de Moraes | Crédito: STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes divulgou, na noite desta sexta-feira (6), uma nota negando supostas conversas com Daniel Vorcaro, do Banco Master, vazadas mais cedo para a imprensa e enviadas para a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Moraes afirma que o número que aparece nas mensagens não é dele.

“Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”, informa a nota divulgado pela Secretaria de Comunicação do STF.

O conteúdo das mensagens vazadas fez com que políticos da direita voltassem a se movimentar para pedir o impeachment de Moraes.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que é pré-candidato à Presidência da República, anunciou que iria à Brasília na próxima semana para apresentar pessoalmente ao Senado o pedido de impeachment.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Segurança máxima Banco Master: Daniel Vorcaro é transferido para presídio de segurança máxima em Brasília

Sexta, 6 de março de 2026

Segurança máxima
Banco Master: Daniel Vorcaro é transferido para presídio de segurança máxima em Brasília

Empresário chegou ao Distrito Federal em aeronave da PF e cumprirá isolamento em unidade de segurança máxima

Brasil de Fato — São Paulo (SP)
6.mar.2026

Uma aeronave da Polícia Federal aterrissou no aeroporto de Brasília, transportando Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, de uma unidade prisional em São Paulo para uma penitenciária federal, em 6 de março de 2026.

A Polícia Federal (PF) realizou, nesta sexta-feira (6), a transferência do empresário Daniel Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília. O deslocamento que saiu da Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, ocorreu por meio de uma aeronave oficial da corporação, que aterrissou na capital federal sob escolta de agentes. Após o desembarque, o empresário seguiu para a unidade prisional localizada no Complexo da Papuda, onde iniciará o cumprimento da detenção em regime de isolamento.

O estabelecimento integra o Sistema Penitenciário Federal e possui estrutura voltada ao monitoramento de detentos considerados de alta periculosidade ou com influência em organizações criminosas.

Mensagens —Vorcaro disse ter combinado ‘estratégia de guerra’ com Ibaneis para garantir compra do Master pelo BRB

Sexta, 6 de março de 2026

mensagens

Vorcaro disse ter combinado ‘estratégia de guerra’ com Ibaneis para garantir compra do Master pelo BRB


Mensagens mostram banqueiro relatando reunião com 'governador' para viabilizar venda do Master ao BRB

Brasil de Fato — São Paulo (SP) — — Redação
Ato mobiliza juventude em Brasília para denunciar relação do governador Ibaneis Rocha no caso Master | Crédito: Brunna Ramos/Brasil de Fato DF

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em mensagens enviadas à então companheira, no fim de agosto de 2025, que estava em Brasília “com governador” combinando uma “estratégia de guerra” para garantir a aprovação da compra do banco privado pelo Banco de Brasília (BRB). A conversa ocorreu poucos dias antes de o Banco Central barrar a operação, que contava com apoio público do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Vorcaro foi preso novamente pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4).

“Estou em Brasília com governador […] estamos aqui combinando uma estratégia de guerra. A partir de segunda iremos para o ataque”, escreveu Vorcaro em mensagem enviada por volta das 21h20.

Na conversa, o banqueiro não cita o nome do governador Ibaneis, que negou que tenha participado de qualquer articulação sobre o negócio e afirmou que todas as tratativas foram conduzidas pela direção do banco público. “Essa reunião nunca existiu. Todas as tratativas relacionadas ao banco foram feitas pelo Paulo Henrique [Costa, ex-presidente do BRB]”, disse à imprensa.

A revelação das mensagens surge em meio à crise enfrentada pelo BRB após sua relação com o Banco Master. Entre 2024 e 2025, o banco público comprou bilhões de reais em ativos da instituição privada, parte deles posteriormente investigados por suspeita de fraude. O rombo decorrente dessas operações levou o governo do Distrito Federal a buscar medidas emergenciais de capitalização para evitar o agravamento da situação financeira da instituição.


Ibaneis foi fiador político da operação

A tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB foi anunciada em março de 2025 e contou, desde o início, com apoio político do governador Ibaneis Rocha. À época, o governo defendia que a operação poderia transformar o banco regional em uma instituição de alcance nacional e ampliar sua presença no mercado financeiro.

quinta-feira, 5 de março de 2026

‘Recursos militares dos EUA serão colocados à prova em poucos dias’, diz analista chinês

Quinta, 5 de março de 2026

‘Recursos militares dos EUA serão colocados à prova em poucos dias’, diz analista chinês

Professor da Universidade de Fudan analisa os objetivos estratégicos da agressão estadunidense e israelense ao Irã

Brasil de Fato — Pequim (China)
5.mar.2026
Mauro Ramos

“Após sete dias de conflito, ou seja, daqui a poucos dias, os recursos militares reais dos EUA serão colocados à prova: saberemos se Washington tem munição suficiente para sustentar a ofensiva contra o Irã, e se essa pressão é capaz de forçar Teerã a aceitar condições humilhantes de rendição. Se o conflito não for encerrado, será mais um desastre”.

A análise é do professor Shen Yi, da Escola de Relações Internacionais e Assuntos Públicos da Universidade de Fudan, em entrevista ao Brasil de Fato.

Enquanto o conflito escala, analistas questionam os planos e até mesmo a capacidade dos Estados Unidos de sustentar a agressão contra o Irã a longo prazo. Especialistas sul-coreanos consultados pelo portal Chosun, por exemplo, aventaram nesta semana a possibilidade de que sistemas de defesa antimísseis estadunidenses posicionados na Coreia do Sul sejam transferidos para a Ásia Ocidental (Oriente Médio), caso a operação, batizada de “Fúria Épica”, se prolongue.

Entre os equipamentos que poderiam ser realocados estão as baterias de mísseis Patriot, o sistema THAAD instalado no condado de Seongju, na província de Gyeongsang do Norte, e os drones de reconhecimento MQ-9 Reaper, estacionados na Base Aérea de Gunsan desde o ano passado. A instalação do THAAD em Seongju, em 2017, gerou protestos de moradores locais, além de uma forte oposição da China, que considerou o equipamento uma ameaça direta à sua segurança.

Nesta quarta-feira (4), a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter destruído justamente um segundo sistema THAAD estadunidense na região, com mísseis de precisão lançados por sua Força Aeroespacial, deixando-o inoperante. Na véspera, o radar do sistema THAAD localizado na base de Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos, também havia sido destruído. O próprio chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, havia alertado Trump, antes do início dos ataques, sobre os riscos de uma campanha prolongada e sobre o esgarçamento dos estoques estadunidenses de munição de precisão e interceptores.

O professor Shen Yi é uma das vozes mais respeitadas da China na análise de política internacional. Especialista em relações sino-estadunidenses e estratégia global, ele conversou com o Brasil de Fato sobre os desdobramentos e debates sobre a agressão estadunidense-israelense ao Irã.

A China tem defendido o direito do Irã de proteger sua soberania e integridade territorial diante dos ataques não provocados lançados pelos Estados Unidos e Israel, que resultaram na morte de, pelo menos, 1.045 pessoas segundo dados do Irã, entre elas a da principal liderança do país, o Aiatolá Khamenei, entre outros altos dirigentes. O tema esteve presente na abertura das Duas Sessões, as principais reuniões políticas anuais da China, quando o porta-voz do Congresso Nacional do Povo, Lou Qinjian, foi questionado sobre os ataques ao Irã e sobre o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelo governo Trump.

“Nenhum país tem o direito de controlar os assuntos internacionais, de decidir o destino de outras nações, de monopolizar as vantagens do desenvolvimento, muito menos de agir de forma arbitrária e unilateral no cenário mundial”, respondeu o porta-voz.

Na entrevista, o professor ainda discute os possíveis cenários futuros resultantes da agressão, incluindo a possibilidade de que o Irã se torne um novo ‘Vietnã’ e descarta as acusações de que a China estaria fornecendo armamentos ao Irã.

Confira a entrevista na íntegra a seguir:

Brasil de Fato: Como você avalia o impacto desta agressão dos EUA e Israel ao Irã para os países envolvidos da região da Ásia Ocidental?

Shen Yi: Se tentarmos analisar essa operação pela teoria clássica do equilíbrio de poder, simplesmente não conseguimos explicá-la. Segundo essa teoria, uma potência como os Estados Unidos, atuando como árbitro ou equilibrador externo, deveria preservar a estabilidade regional, mantendo uma relação equilibrada entre os diferentes atores. O próprio Nixon, em entrevista após deixar a Casa Branca nos anos 1970, afirmou que o verdadeiro interesse estadunidense no Oriente Médio era garantir que Israel mantivesse relações diplomáticas estáveis com os países árabes, gerando paz e estabilidade na região.

Esta operação, no entanto, vai na direção oposta. Israel justifica os ataques como uma ação preventiva contra uma suposta ameaça iraniana. Mas não há evidências de que o Irã estivesse preparando ataques contra forças militares estadunidenses na região.

O que testemunhamos é, possivelmente, o maior conjunto de assassinatos políticos contra líderes de um Estado soberano legal na história moderna. Pela minha leitura, esta operação não se parece com as intervenções militares estadunidenses do pós-Guerra Fria.

O objetivo real, do lado de Israel, é desmembrar o Irã e provocar seu colapso, nos moldes do que ocorreu na Síria, empurrando o país para um modelo de guerra civil em que diferentes grupos étnicos se voltem uns contra os outros, paralisando o país. Isso abriria caminho para a implementação do chamado plano do “Grande Israel”. E os EUA acabariam presos nessa armadilha: quanto mais a situação se aprofundar, mais tropas Washington terá de comprometer, inclusive forças terrestres, repetindo o caminho do Vietnã nos anos 1960, quando o que começou como operações especiais escalou para uma guerra de grandes proporções.

É importante destacar que os ataques aconteceram justamente quando os EUA e o Irã estavam em negociações, e o próprio lado iraniano sinalizava que havia progresso nas conversas. Israel e os EUA traíram essa abertura diplomática. A consequência mais grave dessa traição não é para a reputação de Washington, mas para todos os iranianos que defendiam o diálogo como caminho. Eles perderam credibilidade e espaço político dentro do próprio país.

Vários analistas têm apontado que uma invasão terrestre seria um enorme erro estratégico, dadas as condições geográficas e o tamanho do Irã. Mas quero explorar o lado militar mais concreto: há discussões, inclusive nos EUA, sobre se eles teriam armamento suficiente para continuar com a agressão ao Irã, e que Washington cogitaria transferir armamentos posicionados na Coreia do Sul para o Oriente Médio/Ásia Ociental. Ao mesmo tempo, o Irã demonstra uma capacidade de resposta considerável. Qual é sua avaliação militar da situação?

O Irã não é o primeiro desafio em que os EUA enfrentam limitações na cadeia de suprimento de munição. Já vimos isso na Ucrânia: nem os EUA nem seus principais aliados da Otan conseguiram manter o ritmo de fornecimento de projéteis exigido por uma guerra convencional de longa duração. É paradoxal, mas foram os projéteis sul-coreanos que se tornaram a fonte mais importante de suprimento à Ucrânia durante o conflito.

O mesmo cenário se repetirá no Irã. O próprio Estado-Maior dos EUA enviou uma nota ao presidente Trump antes do início da operação, alertando que os estoques de munição estadunidenses são limitados. Para entender o que isso significa, é preciso recuar no tempo. Na era Kennedy, a estratégia de defesa dos EUA previa capacidade para travar duas guerras e meia simultaneamente. Com Nixon, essa capacidade foi reduzida para uma guerra e meia. Hoje, os EUA mal conseguem sustentar uma guerra completa. Antes de outubro de 2023, os EUA chegaram a transferir 300 mil projéteis de artilharia dos estoques de Israel para a Ucrânia, porque simplesmente não conseguiam produzir o suficiente.

A atual capacidade dos Estados Unidos, especialmente em termos de produção de munição, não é a dos EUA que conhecíamos nos anos 1980, 1990 ou durante a Guerra Fria. No conflito do Kosovo, os EUA bombardearam a antiga Iugoslávia por 78 dias. Depois de duas ou três semanas, já haviam lançado mais de 2.500 mísseis de cruzeiro Tomahawk. Quando os estoques se esgotaram, pediram ao fabricante que abrisse duas linhas de produção adicionais e compravam os mísseis assim que saíam da fábrica. Não creio que os EUA de hoje tenham essa capacidade.

Isso significa que, após sete dias de conflito, ou seja, daqui a três ou quatro dias, os recursos militares reais dos EUA serão colocados à prova: saberemos se Washington tem munição suficiente para sustentar a ofensiva contra o Irã, e se essa pressão é capaz de forçar Teerã a aceitar condições humilhantes de rendição. Se o conflito não for encerrado, será mais um desastre.

O Irã dispõe de uma tática assimétrica muito eficaz contra Israel: lançar drones e mísseis em pequenas quantidades, de forma aleatória, dia após dia. Não é necessário causar grandes danos em cada ataque. Basta obrigar Israel a suspender sistematicamente suas atividades econômicas e sociais. Se essa pressão durar mais de um ou dois meses, o impacto sobre a economia e a sociedade israelense será devastador. Foi exatamente o que começou a acontecer durante os doze dias de confronto de mísseis entre Israel e Irã em junho de 2025.

É cedo para projeções, mas o Irã parece estar atacando com eficácia as bases militares da região pela primeira vez, e há relatos de que os EUA já reposicionaram aeronaves em Chipre e movimentaram um porta-aviões para fora da zona de conflito. O que podemos esperar?

Israel e os EUA provavelmente apostavam em dois cenários. O primeiro: após a eliminação de Khamenei e dos principais comandantes militares, a oposição iraniana tomaria as ruas e assumiria o poder, consumando uma revolução colorida por via aérea em questão de dias. Esse cenário claramente não se materializou.

O segundo cenário é mais complexo. Os ataques produziram dois efeitos concretos: o Irã ficou sem um líder supremo, atualmente governado por um conselho enquanto aguarda a eleição de um novo aiatolá, mas o sistema institucional não entrou em colapso. O Irã não repetiu o que aconteceu com o Hezbollah libanês, cuja estrutura de comando foi desmantelada pelos ataques israelenses em 2024, paralisando toda a cadeia de controle.

Mas o Irã é diferente. Seu desenho institucional prevê exatamente esse cenário: a descentralização antecipada do poder. O ministro das Relações Exteriores iraniano declarou recentemente algo muito revelador: o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica está, de fato, num estado sem controle efetivo. O que isso significa na prática? Que os funcionários do governo iraniano atualmente visíveis, mesmo aqueles considerados pró-EUA ou dispostos a dialogar com Washington, não conseguem controlar a situação interna do país e, especialmente, não conseguem controlar a Guarda Revolucionária. Isso transforma o Irã no adversário que mais dá dor de cabeça aos EUA: um Estado com capacidade para fazer guerra de guerrilha.

A situação fica ainda mais delicada quando se observa que os EUA e Israel esperavam que o Irã se fragmentasse como a Síria. Mas no Irã nunca existiram, como na guerra civil síria, forças armadas antigovernamentais maduras e capazes de controlar territórios específicos. O que houve foram situações parecidas com revoluções coloridas: cidadãos comuns mobilizados, somados a grupos de destruição e infiltração enviados por Israel ou outras forças políticas. Esses grupos, nos distúrbios que ocorreram no Irã do final do ano passado ao começo deste ano, foram expostos e basicamente eliminados antes mesmo do início dos ataques. E, pelo que observo, até agora não se repetiu nenhum episódio como o do final do ano passado, com cidadãos nas ruas de províncias periféricas tentando tomar o poder. Ou seja, pela lógica dos próprios EUA e Israel, a máquina que mantém a ordem interna no Irã não entrou em colapso e não caiu num estado de paralisia só porque o topo foi decapitado.

O Irã declarou um período de luto de 40 dias. Acho que o ponto de virada na situação interna vai ser a eleição do novo líder supremo pelo conselho de especialistas. Quem vai ser eleito? Esse novo líder vai conseguir integrar de forma eficaz as forças militares e políticas internas e fornecer uma ordem estável? Isso vai se tornar um fator chave. O próprio Conselho de Relações Exteriores dos EUA, em relatório publicado em 1º de março, considerou improvável um colapso do regime iraniano, exatamente porque ele não depende de um líder ou de poucos linha-dura para se manter. É uma estrutura completa: tem forças armadas, tem religião, tem sociedade, tem sua própria economia e indústria. Tentar destruir esse tipo de estrutura com bombardeio ou invasão militar só gera um efeito de união, produzindo o resultado oposto ao pretendido.

O Ocidente certamente espera ver o governo civil iraniano, as forças de defesa e uma classe média urbana mais secularizada e pró-estadunidense ocupando uma posição mais dominante nesse processo. Mas o assassinato de Khamenei num ataque aéreo dos EUA e de Israel torna essa aposta muito difícil. Qualquer facção moderada, qualquer líder político iraniano disposto a negociar, vai ter enorme dificuldade em se manifestar publicamente enquanto a comoção e a necessidade psicológica de vingança dos cidadãos iranianos ainda não estiverem resolvidas.

E tem ainda outro ponto: se os dois lados sentarem para negociar, os EUA certamente vão apresentar um novo conjunto de condições ao novo Irã. Essas condições vão ser mais moderadas ou mais severas do que as da época de Khamenei? Do lado estadunidense, se querem construir uma narrativa de vitória, certamente vão apresentar condições ainda mais duras. E do lado iraniano, qualquer líder que aceite condições mais humilhantes do que as vigentes quando Khamenei foi morto vai ser visto como fantoche dos EUA. A história moderna prova que cidadãos com convicções nacionalistas geralmente não aceitam líderes abertamente apoiados por forças políticas externas.

Há bastante especulação sobre o papel da China neste conflito. Esta semana, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, desmentiu rumores de que o Irã estaria prestes a fechar um acordo de compra de mísseis supersônicos chineses. O Irã integra a Organização de Cooperação de Xangai e migrou do GPS para o sistema de navegação chinês Beidou. O que você tem a dizer sobre os rumores e como avalia o impacto da aproximação entre China e Irã nesta situação?

O representante da China no Conselho de Segurança da ONU, Geng Shuang, disse uma vez, ao negar que a China fornecia ajuda militar à Rússia: “Se a China realmente tivesse feito o que vocês acusam, a linha de frente do conflito Rússia-Ucrânia não estaria como está hoje”. Esse argumento se aplica igualmente ao Irã.

A cooperação entre China e Irã não tem nenhuma dimensão conspiratória. A política externa chinesa é clara: não escolhemos lados, não temos interesse em disputas por procuração, e não somos a União Soviética da Guerra Fria nem os EUA do pós-Guerra Fria. Guerras por procuração simplesmente não fazem parte da nossa política.

Do ponto de vista concreto: todos os mísseis que o Irã lançou até agora foram desenvolvidos com tecnologia própria. Os EUA impõem controles de exportação e sanções ao Irã há décadas, monitorando rigorosamente qualquer transação global com o país. Washington tem tentado encontrar evidências comprometedoras contra a China há muito tempo, e nunca as encontrou, porque não existem.

A posição da China está claramente expressa na ligação do chanceler Wang Yi com [Sergei] Lavrov [chanceler russo]: queremos a aplicação do direito internacional, o retorno à ordem internacional e o fim das hostilidades por meios pacíficos. A China joga limpo. Nossa posição é que o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, incluindo o assassinato de seu líder supremo, viola todas as regras e todo o direito internacional. É inaceitável. O mais urgente é restaurar a paz e garantir que os países do Golfo mantenham a serenidade e a soberania sobre seus próprios destinos.

A Organização de Cooperação de Xangai é, em essência, uma plataforma de cooperação antiterrorista, não uma aliança militar. O Brics também não é uma aliança militar: é um foro de governança global, baseado em parcerias estratégicas sem obrigações políticas ou militares vinculantes. A China não tem interesse em disputar com os EUA uma guerra de influência no Oriente Médio. Esse jogo não tem vencedores. Nunca teve.


Editado por: Nathallia Fonseca



CRISE DO PETRÓLEO?
Ataques ao Irã não devem afetar a segurança energética da China, dizem analistas




Rentismo, teu nome é solidão

Quinta, 5 de março de 2026

Rentismo, teu nome é solidão

Em meio à desigualdade brutal, maiorias vivem o inferno do trabalho massacrante e sem futuro, da pobreza e do impossível desfrute coletivo. Mas também os ricos, ainda que opulentos, debatem-se em competição por dinheiro e vidas sem sentido

Por Ladislau Dowbor

Look at all the lonely people…
Beatles, 1966

Título original:
A erosão da sociabilidade: resgatando a colaboração e o convívio

Algumas coisas vão muito além da América Latina, elas nos dizem respeito como seres humanos. Certamente precisamos de uma análise social geral, mas como nos sentimos nesta sociedade, como indivíduos, como famílias, como bairros ou comunidades, também é essencial para nosso bem-estar. Isso vai muito além da economia e das lutas de classes. Envolve pessoas sentadas em ônibus ou no metrô, longas horas para ir a escolas ou empregos, um cenário desanimado de pessoas grudadas em seus smartphones. Os beneficiados nem sempre estão melhor: filas de carros, cada um com um indivíduo impaciente e irritado com o trânsito. Quanta lentidão, considerando que muitos compraram o carro entusiasmados com números impressionantes de velocidade que ele pode alcançar em segundos. Em São Paulo, a perda média diária de tempo no transporte chega a 3 horas, e mais de 5 para pessoas mais pobres que vivem nas periferias. Você poderia estar estudando, fazendo algo útil, passando tempo com sua família. Bem, o PIB sobe, então temos mais carros e mais tempo desperdiçado. A velocidade média dos automóveis em São Paulo caiu para 14 quilômetros por hora, e mais carros estão chegando. Mais PIB. Uma cidade se paralisar por excesso de meios de transporte é até curioso. Shanghai e Beijing têm cada uma mais de mil quilômetros de linhas de metrô. São Paulo tem 104.

Isso, é claro, é apenas um aspecto da nossa reorganização social. Nascemos com cerca de 33 mil dias pela frente, é o nosso capital mais precioso, o tempo das nossas vidas. O que fazemos com ele? Correndo atrás de mais dinheiro? Pesquisas sobre como nossa qualidade de vida está correlacionada com nossa prosperidade financeira são interessantes: se você é muito pobre, cada quinhentos reais a mais por mês faz uma enorme diferença, alimentando melhor seus filhos, melhorando sua casa e assim por diante. O dinheiro na base – a base aqui é cerca de dois terços da população, com enormes diferenças entre países – é radicalmente mais útil e produtivo do que o dinheiro no topo. Quando você alcança o que Tom Malleson chama de “uma vida confortável e florescente”, a felicidade dependerá não de mais dinheiro, mas da vida familiar, amigos, ambiente cultural, a sensação de estar fazendo algo útil, o que podemos chamar de uma vida socialmente rica. O resto, passar a vida acumulando mais dinheiro, mais milhões, hoje em dia ainda mais bilhões, não tem a ver com uma vida rica, mas com ego. Muitas pessoas só conseguem sentir que estão subindo se conseguirem empurrar outras pessoas para baixo ou olhar para elas de cima. Na verdade, para onde estamos indo? Nosso capital do tempo está voando.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Governo brasileiro enviará a Cuba alimentos e insumos para a produção agrícola

Quarta, 4 de março de 2026

AJUDA HUMANITÁRIA

Governo brasileiro enviará a Cuba alimentos e insumos para a produção agrícola


Governo brasileiro e organizações sociais reforçam cooperação com Cuba frente ao bloqueio dos EUA

Brasil de Fato — Havana (Cuba) 



0 governo do Brasil anunciou que enviará, nesta semana, um carregamento de alimentos e insumos destinados à produção agrícola em Cuba, no âmbito de um programa de cooperação bilateral. A informação foi divulgada pelo ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, durante a 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, que começou na última segunda-feira (2), em Brasília (DF).

O ministro esclareceu que os insumos serão adquiridos em território brasileiro com recursos fornecidos pelo próprio governo e, posteriormente, disponibilizados à ilha caribenha.

“O Brasil vai enviar, nesta semana, uma ajuda a Cuba para a compra de insumos destinados à produção agrícola. Essa compra será feita no Brasil. Nós vamos disponibilizar os recursos. Também enviaremos alimentos a Cuba”, afirmou Teixeira ao ser questionado pela agência de notícias Prensa Latina.

terça-feira, 3 de março de 2026

Curso da ACD sobre o Sistema da Dívida continua recebendo inscrições

Terça, 3 de março de 2026


Conheça o curso “O Sistema da Dívida no Brasil e a Necessidade de Auditoria Integral”. 🌟 Com ele, você poderá aprofundar seus conhecimentos e contribuir com a mobilização social em defesa da transparência e da justiça.

Participe, faça parte desta corrente! As inscrições para a nova turma já estão abertas! Veja as informações abaixo:

Desenvolvido pela coordenadora nacional da ACD, Maria Lucia Fattorelli, o curso é baseado na Cartilha da ACD, material essencial para compreender as bases do Sistema da Dívida e propor soluções que garantam o uso correto dos recursos públicos. 💪📘

Durante 4 meses, você terá acesso a aulas semanais que abordam:

📊 como os mecanismos financeiros alimentam o endividamento público sem contrapartida em investimentos sociais;
🏦 o papel do Banco Central e da dívida dos estados na perpetuação desse sistema;
⚖️ as consequências sociais e econômicas do Sistema da Dívida;
✊ a importância da auditoria integral e da mobilização popular para reverter esse cenário.

Mundo desinformado conduzido por pedófilo senil e um genocida

Terça, 3 de março de 2026

Mundo desinformado conduzido por pedófilo senil e um genocida

Pessoas transitam receosas pelas ruas do Oriente Médio, norte da África e mesmo das cidades no sul da Europa. Por que esta situação de medo e perigo?

Em primeiro lugar pela desinformação que se divulga pela imprensa e redes de convivência neste século. E qual a causa desta unanimidade? Todas têm os mesmos donos, os gestores de ativos que se formaram com a desregulação financeira da década de 1980, que se concluiu com a constituição da globalização, o decálogo denominado Consenso de Washington (1989). Consenso entre quem?

Entre estes gestores de ativos: BlackRock (US$ 11,5 trilhões), Vanguard (US$ 8,7 trilhões), Fidelity (US$ 4,2 trilhões), State Street (US$ 4 trilhões), Morgan Stanley (US$ 3,3 trilhões) e outros menos votados.

domingo, 1 de março de 2026

Caso master: Vice-governadora do DF processa estudantes por críticas a rombo no BRB

Domingo, 1º de março de 2026

Caso master
Vice-governadora do DF processa estudantes por críticas a rombo no BRB

Jovens do coletivo Kizomba enfrentam ação judicial de R$ 30 mil após manifestação

Brasil de Fato — Brasília (DF)

A vice-governadora Celina Leão move ação judicial contra três estudantes, pedindo R$ 30 mil após protesto. | Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Do Brasil de Fato
A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (Progressistas), entrou com ação judicial contra três estudantes do movimento de juventude Kizomba. O processo no valor de R$ 30 mil alega danos morais em razão de uma manifestação realizada por jovens que questionaram a gestão do BRB e a tentativa de compra do Banco Master pelo governo.

A ação ocorre em meio a críticas sobre o rombo financeiro de R$ 12 bilhões que afetaria serviços públicos essenciais, como saúde e educação, e gerou ampla repercussão entre movimentos estudantis e partidos políticos.

Os estudantes participaram de um ato público com cartazes contendo frases como “Crime Master”, “Quem vai pagar a conta?”, “Fora Ibaneis” e “Fora Celina Leão”. A manifestação foi organizada para chamar atenção sobre o escândalo do Banco Master e suas consequências para o patrimônio público do Distrito Federal. Integrantes do movimento afirmam que se tratou de uma manifestação política legítima, protegida pela liberdade de expressão, um direito constitucional garantido a todos os cidadãos brasileiros.