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(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 31 de agosto de 2022

MEMÓRIA E VERDADE —“Esquecer não é uma alternativa”, afirma historiador sobre invasão militar na UnB em 1968

Quarta, 31 de agosto de 2022
Por trás da violenta invasão militar na UnB estava o combate à organização do movimento estudantil - Arquivo Central / UNB

Há 54 anos, militares invadiam, torturavam e prendiam estudantes por resistirem à ditadura

Flávia Quirino
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 31 de Agosto de 2022

A data de 29 de agosto é marcada por rememorar os 54 anos da invasão mais violenta dos militares na Universidade de Brasília (UnB) em 1968, historicamente um dos períodos mais sangrentos da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985).

Numa manhã ensolarada e de tempo seco na capital do país, militares invadiram o Campus Darcy Ribeiro com forte aparato policial. Cerca de 500 pessoas, entre estudantes, professores e parlamentares federais, foram amontoadas e espancadas na quadra de esportes localizada em frente à Faculdade de Educação.

Assista:


O filme “Barra 68 Sem Perder a Ternura”, do cineasta e professor emérito da UnB, Vladimir Carvalho, lançado em 2000, narra o momento de violência que resultou na prisão de 60 estudantes, entre estes Honestino Guimarães, presidente naquele momento da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (FEUB).

Por trás da violenta invasão militar na UnB, estava o combate à organização do movimento estudantil, que naquele período estava em efervescência em todo o país, mas o ataque representava mais que isso. Para os militares, a UnB representava um projeto de educação contrário aos interesses do regime.

“Em 1968 a UnB era uma trincheira da luta contra a ditadura, em Brasília, bem ao lado do governo militar. Essa invasão, ao mesmo tempo que era uma demonstração de força, punha a nu a fragilidade dos militares, desafiados por jovens que não se intimidavam”, conta Betty Almeida, professora aposentada, ex-aluna da UnB.