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(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

ÁGUA: ENTRE A VIDA E A COMMODITY

Sexta, 2 de fevereiro de 2024



Aldemario Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 2 de fevereiro de 2024

Recentemente, realizei duas importantes leituras sobre a água em âmbitos completamente distintos. No primeiro caso, li o capítulo sobre o mais precioso dos líquidos no livro “Domine sua Saúde”, do doutor Ícaro Alves Alcântara. O segundo caso envolveu um texto com a seguinte introdução: “maior fundo financeiro do planeta abocanha um gigante global de infraestruturas e obtém, na Bolsa de Chicago, o ‘direito’ de negociar a água como commodity” (fonte: outraspalavras.net).

Segundo o doutor Ícaro Alves, “75% do corpo é ÁGUA e também 92% do sangue, 72% do cérebro (com pouca água as conexões entre os neurônios, as sinapses, que são basicamente ‘bolsas de água’, funcionam mal, o que prejudica o ato de pensar), 56% dos músculos e quase ¼ dos ossos e dentes./Você ficará surpreso(a) de ver quantos sintomas e doenças melhoram (ou até desaparecem) quando você toma água direito”. Essas considerações integram o capítulo “Água – O primeiro e mais importante hábito”.

A recomendação presente no livro “Domine sua Saúde” é “tomar água de hora em hora, mesmo sem sentir sede”. Para quem tem entre 65 e 85 quilos, o consumo deve ser de um copo de 200 ml por hora acordado(a) e ainda mais durante a prática de atividade física e logo após.

No capítulo 44 do livro “Saúde e Bem-estar. Minhas anotações”, de minha autoria, destaco o seguinte registro integrante do “Guia alimentar para a população brasileira” do Ministério da Saúde: “Como qualquer alimento, a quantidade de água que precisamos ingerir por dia é muito variável e depende de vários fatores. Entre eles estão a idade e o peso da pessoa, a atividade física que realiza e, ainda, o clima e a temperatura do ambiente onde vive. Para alguns, a ingestão de dois litros de água por dia pode ser suficiente; outros precisarão de três ou quatro litros ou mesmo mais, como no caso dos esportistas”. Acrescentei, no livro referido, que segundo especialistas, um estado crônico de leve desidratação é comum para cerca de 70% das pessoas. O indicador mais simples da ingestão adequada ou deficiente de água parece ser a cor da urina. O ideal é a cor amarela bem clara. Um amarelo mais escuro indica um consumo insuficiente de água.

O sexto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) inclui alcançar, até 2030, o acesso universal e equitativo a água potável e segura para todos. Segundo estudo da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) lançado em 2023, “26% da população global não tem acesso à água potável, ou 2 bilhões de pessoas” (fonte: news.un.org).

Durante a Conferência da ONU sobre a Água em 2023, uma nota dos relatores de direitos humanos da organização destacou que a água é “um bem comum e não uma commodity”. O documento referido ressaltou “… que o recurso é um direito e deve ser gerenciado desta forma, sem que um viés mercadológico dificulte ou impeça o acesso equitativo” (fonte: brasil.un.org). Commodity “… é um termo que corresponde a produtos básicos globais não industrializados, ou seja, matérias-primas que não se diferem independentemente de quem as produziu ou de sua origem, sendo seu preço uniformemente determinado pela oferta e procura internacional” (fonte: pt.wikipedia.org).