Sábado, 18 de abril de 2026
Fadiga de materiais: quando o desgaste enseja o fim de um ciclo
Por Roberto Amaral*
Na mecânica estrutural, a chamada “fadiga de materiais” designa o processo mediante o qual um corpo, submetido a solicitações cíclicas, não colapsa de imediato, mas desenvolve, progressivamente, microfraturas até que, subitamente, se rompe. O decisivo não é o excesso momentâneo de carga, mas a repetição prolongada de esforços menores, inclusive de determinados valores-limite suportáveis. Daí rupturas radicais. A este processo alia-se a degradação das propriedades mecânicas do material.
Certos períodos da vida política da humanidade são marcados por longos momentos de desgaste, às vezes imperceptíveis, que se resolvem mediante alternativas que, conhecendo a ruptura, se operam como um simples desenvolvimento das forças sociais.
Se transpusermos a fórmula da fadiga de materiais para o mundo social, — nosso propósito — o que emerge é uma espécie de lei não formulada da fadiga das instituições e das formas políticas: regimes, ideologias, partidos, movimentos sociais e lideranças não entram em crise apenas por choques externos ou erros táticos ou estratégicos, mas pelo desgaste cumulativo de sua própria operação cotidiana, sob a ação do processo histórico, que a tudo preside. Analogamente à degradação das propriedades dos materiais, emerge a vulnerabilidade da sociedade.
O intento deste texto é identificar um ponto de apoio teórico para entender a exaustão progressiva dos sistemas institucionais.

