“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 24 de agosto de 2024

VARGAS, A TRANSFORMAÇÃO DO BRASIL

 Neste 24 de agosto de 2024, nos 72 anos do suicídio de Getúlio Vargas, o Blog Gama Livre  republica o artigo abaixo. Autor: Beto Almeida, jornalista.

VARGAS, A TRANSFORMAÇÃO DO BRASIL

Segunda, 16 de outubro de 2023

VARGAS, A TRANSFORMAÇÃO DO BRASIL

 

“Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência”

 Getúlio Vargas, Carta Testamento

 

Por Beto Almeida, jornalista


Quando convidado pela Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini para realização de um documentário sobre o período conhecido como a Era Vargas, não tive nenhuma dúvida em aceitar, pois considero sempre uma obrigação minha, como brasileiro, trabalhar para que a impatriótica e sórdida manipulação informativa feita contra o presidente Getúlio Vargas fosse reparada, corrigida, e que a verdade venha à tona.

 

Perguntava-me sempre, como jornalista de economia e de política que sempre fui, como era possível que o período histórico de maior industrialização e de mais ampla criação de direitos sociais de nossa histórica fosse transformado no seu contrário e, grosseiramente rebaixado, pelas versões das aves de rapina, numa época de opressão ou de manipulação populista dos brasileiros?


Com o estudo do período para a realização do documentário, sobretudo tomando como base a trilogia Era Vargas, de autoria do talentoso jornalista José Augusto Ribeiro, obra escrita em atendimento de pedido do grande brasileiro Leonel Brizola, este cansado de ver a história ser desfigurada, tal qual ocorrera no período stalinista da URSS, condenando os verdadeiros autores da Revolução de Outubro, fui descobrindo e dimensionando a esta deturpação sistemática era um crime contra o Brasil.

 

Evidentemente, não é simples resumir um período histórico de tremendas mudanças na sociedade brasileira, sob o comando de Vargas, num documentário de pouco mais de 1 hora. A ideia inicial consistia na realização de um documentário em 3 capítulos de 1 hora cada, coincidindo com o número de governos exercidos pelo presidente gaúcho. Porém, levando em consideração uma prioridade que estava presente no pedido de Brizola a José Augusto para que “escrevesse umas cartilhas com explicações simples e de fácil leitura para repor a verdade”, optamos por um filme de 1 hora, com a finalidade de suscitar amplos debates junto a lutadores sociais, sindicatos, centros culturais e acadêmicos, podendo sua exibição, não longa, ser combinada com prática mais ágil de perguntas e respostas.


Claro que a Era Vargas tem material de sobra para uma série televisiva de longa duração, mas, estando a tv brasileira sob o comando de uma tirania vídeo financeira, essencialmente, antagônica às políticas de protagonismo de estado e de regulamentação de direitos edificadas por Getúlio, ainda não estão presentes das condições para que filmes reparadores da verdade sejam exibidos numa televisão onde predomina a desinformação e os baixos instintos estéticos e culturais. Ao contrário, a esmagadora filmografia e literatura existentes são francamente hostis ao presidente Vargas, rotulando-o, injustamente, como ou ditador, ou populista, ou corrupto e até mesmo de filo-nazista, quando foi o primeiro governo das Américas a romper relações com Hitler, contra o qual enviou tropas para combatê-lo.

 

A Era Vargas já é bastante conhecida pela edificação das empresas estatais alavancas do desenvolvimento independente brasileiro e, também, pela fundação dos direitos sociais e previdenciários, que apenas um impulso revolucionário como a Revolução de 1930, teria energia e autoridade suficientes para vencer as barreiras ao progresso erguidas num país semicolonial, pela terrível  herança escravagista da nossa sociedade. Herança que apenas começou a ser demolida, de fato e com medidas concretas, a partir da chegada de Getúlio Vargas ao Palácio do Catete.

 

Neste artigo, registramos algumas das importantes conquistas trazidas pelos governos Vargas nas áreas da comunicação e da cultura, não somente o que fora montado na economia, como a Petrobras, a Eletrobrás, o BNDES, a Cia Siderúrgica Nacional, o IBGE, o Instituto do Açúcar e do Álcool, que são mais conhecidos. Todas estas transformações estão registradas no documentário “Vargas, a transformação do Brasil”.