Sábado, 15 de julho de 2023

Denúncias tiveram um pico no dia 11 de abril, após dois ataques recentes e diversas ameaças e informações falsas disseminadas nas redes sociais. - Foto: Tânia Rego/ Agência Brasil
Dados revelam necessidade de políticas com foco em competências emocionais como parte da educação dos jovens
Camila Salmazio
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 14 de Julho de 2023
O canal Escola Segura, criado pelo governo para receber informações de ameaças e ataques contra escolas, recebeu 9.139 denúncias em 90 dias de existência. Os dados foram obtidos pelo Brasil de Fato junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, responsável pela medida em parceria com a SaferNet Brasil.
Os números representam uma média de 97 denúncias por dia desde a criação do canal, em 6 de abril deste ano. No entanto, há uma uma concentração significativa no primeiro mês de atuação devido à comoção social após o ataque em uma escola estadual em São Paulo, no dia 27 de março, e outro em uma creche particular em Blumenau, no dia 5 de abril.
Os dados também revelam um pico no dia 11 de abril, com 1.836 denúncias registradas. O governo não informa a região de maior incidência das denúncias por questões de segurança.
Para Telma Vinha, professora da Faculdade de Educação e coordenadora do grupo Ética, Diversidade e Democracia na Escola Pública do Instituto de Estudos Avançados, ambos na Unicamp, o canal permitiu "conhecer o tamanho do problema" que ela e outros pesquisadores vêm estudando desde 2001 no Brasil.
"Sabemos que milhares de ameaças foram investigadas e prováveis ataques desbaratados devido a forte atuação dos governos, da Secretaria de Justiça e das polícias nas diversas esferas federais, estaduais e municipais. Centenas de perfis de redes sociais foram suspensos e removidos e mais de dois mil casos estão em investigação."
De acordo com o estudo liderado por Telma, de 2001 a 2023 foram 32 ataques realizados por estudantes e ex-estudantes, com 33 mortes. A maior parte dessas ocorrências está concentrada entre 2022 e 2023, com 18 ataques e 10 mortes, revelando uma escalada desse tipo de violência. Os crimes são cometidos em sua maioria por pessoas do sexo masculino, brancos, que apresentam gosto pela violência e transtornos mentais que foram negligenciados. Entre as principais motivações está a vingança por bullying ou outro episódio de sofrimento na escola e a aproximação desses jovens a uma cultura extremista.
