Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Todo mundo gosta de Acará, mas finge não saber o trabalho que dá

Terça, 5 de dezembro de 2023

O acará, comida cerimonial de Oyá, ganhou as ruas de Salvador pelas mãos das baianas de acarajé - Associação Nacional das Baianas de Acarajé

Se o sol de Salvador se põe em cores de dendê, é porque, através das mãos Baianas, Oyá se faz em nós



Brasil de Fato Bahia

Sábado passado, dia 25 de novembro, nós, aqui de Salvador, comemoramos o Dia Nacional da Baiana do Acarajé. Registrado desde 2005 como patrimônio cultural do Brasil, no Livro dos Saberes do Iphan, o ofício da Baiana de Acarajé nos faz lembrar, diariamente, que modos de fazer importam. É na imaterialidade que a materialidade, ou vice-versa, se revelam imbricados. Na procura de uma compreensão dos modos-de-fazer tradicionais, acabamos por esquecer que o local do valor dos saberes e dos instrumentos, das técnicas e das matérias primas, do produto e seus frutos, abarcam uma singularidade complexa.

Tal singularidade foi, pelas Baianas de Acarajé, popularizada em uma comida que explica o Brasil. Entre os séculos XV e XIX os modos-de-fazer Acará [bola de fogo] jé [comer] foram trazidos, na memória e no corpo dos escravizados, da África Ocidental para cá. Em solos brasileiros, o acará da memória materializou-se em comida, símbolo e ritual. Ponte de ligação entre humanos e mais que humanos, oferecer e comer acará transcendeu as necessidades do estômago, denotando respeito, culto, coração. Oferecido para Iansã, Oyá, o Acará ganhou significado comum nas Nações Angola, Jeje e Ketu. Devemos o Ofício das Baianas do Acarajé aos ditos e os feitos dos Candomblés.