Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador Como a ditadura militar criou um império do ensino privado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Como a ditadura militar criou um império do ensino privado. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de abril de 2026

Como a ditadura militar criou um império do ensino privado

Domingo, 26 de abril de 2026

Como a ditadura militar criou um império do ensino privado

Escola para atender Itaipu foi entregue ao Colégio Anglo-Americano

Sumaia Villela e Eliane Gonçalves - Radioagência Nacional —Brasília

FOTO DE ARQUIVO - Hidrelétrica de Itaipu. Foto: Eletrobrás Furnas/Divulgação




© Eletrobrás Furnas/Divulgação
© Eletrobrás Furnas/Divulgação

© Eletrobrás Furnas/Divulgação

Em 1976, no auge da ditadura militar brasileira, um prédio construído com verba pública para ser uma escola da rede municipal de ensino - a Escola Politécnica de Foz do Iguaçu, no Paraná - foi entregue à iniciativa privada dias antes da inauguração. O beneficiário foi o Colégio Anglo-Americano, contratado pela Itaipu Binacional para educar os filhos dos funcionários da hidrelétrica. O episódio marcou o nascimento de uma rede nacional de ensino particular sustentada, em grande parte, por recursos federais.

O edifício da escola Politécnica tinha sido construído para ajudar a reduzir o déficit escolar em Foz do Iguaçu, que, na época, segundo relato do governo estadual à imprensa local, tinha 3 mil pessoas em idade escolar fora das salas de aula. 

O professor aposentado da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) José Kuiava era o inspetor de ensino do município na ocasião e recorda o momento em quem recebeu a ordem de entregar as chaves da recém-construída escola para o dono do Colégio Anglo Americano, Ney Suassuna. “A ordem veio de Curitiba, via telefone, do diretor-geral da SEC [Secretaria de Educação] professor Ernesto Penauer, determinando que eu entregasse as chaves do prédio ao senhor Ney Suassuna”, lembra Kuiava.