Sábado, 21 de janeiro de 2023

21 de janeiro é Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Brasil, em homenagem à Mãe Gilda — Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Em 2022, cerca de 500 denúncias de violações de direitos humanos foram motivadas por intolerância religiosa
Amélia Gomes
Belo Horizonte (MG) | Brasil de Fato MG | 21 de Janeiro de 2023
O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa é marcado em 21 de janeiro. A data foi instituída em 2007 em memória à Mãe Gilda, vítima fatal do racismo religioso no Brasil. Recentemente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14.519, que institui o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, que será celebrado em 21 de março.
Apesar dos esforços, os casos de violência praticadas por intolerância religiosa ainda são constantes no cotidiano brasileiro. Para falar sobre a data e avaliar o cenário no país, o Brasil de Fato MG entrevistou Makota Celinha Gonçalves, coordenadora do Centro Nacional de Africanidades (Cenarab).
Makota Celinha também é jornalista, empreendedora social e diretora, em Minas Gerais, da Associação Brasileira de ONGs (Abong). Na entrevista, ela avalia os retrocessos sociais que o conservadorismo trouxe ao povo brasileiro e aponta avanços para o próximo período.
Confira:
Brasil de Fato MG – Dados apontam que em 2022 foram registradas quase 500 denúncias de violações de direitos humanos cometidas por motivações religiosas. Qual sua avaliação do cenário em que vivemos?
Makota Celinha – O cenário que estamos vivendo nos últimos anos é amedrontador. Nos remete a questões viscerais de convivência coletiva, em sociedade. Quando penso que o 21 de janeiro existe para que nós não nos esqueçamos da morte de Mãe Gilda, fico triste. Mãe Gilda é uma das mártires do racismo religioso que vivemos neste país. E, nos últimos anos, o que temos visto é um Estado cada vez mais fomentador do racismo, do ódio, do preconceito, da discriminação.

