“O Banco parece ter muita dificuldade em admitir que os militares turcos estavam de boa-fé e em evitar expressar descontentamento face às suas intervenções. Os comentários oficiais do Banco, no sentido de mostrar que o golpe de Estado de 1980 não alteraria em nada as suas intenções de conceder empréstimos, foram extremamente cautelosos” [1].
A estratégia do Banco Mundial na Turquia lembra claramente as estratégias que foram adotadas durante a ditadura de Ferdinando Marcos nas Filipinas, a partir de 1972, durante a ditadura de Augusto Pinochet no Chile, a partir de 1973, e os respectivos modelos económicos. As razões geopolíticas são, outra vez, determinantes: ponte entre a Europa e a Ásia, a Turquia é uma peça fundamental no tabuleiro do Médio Oriente e do Próximo Oriente. Portanto, é preciso assegurar a sua submissão aos interesses de Washington, favorecendo o regime autoritário e dando apoio de forma entusiástica. É a essa tarefa que o Banco Mundial se dedica, ao promover, em conjunto com os militares no poder, um programa neoliberal que, por um lado, abre completamente a porta aos investimentos de multinacionais e, por outro lado, reprime os sindicatos e a extrema esquerda. Essa política consolida o papel da Turquia como testa de ferro dos interesses dos Estados Unidos, no momento que se inicia uma nova fase da história.
Nos anos cinquenta, as relações entre o Banco Mundial e a Turquia começam mal. O representante do Banco, o neozelandês Pieter Lieftinck, foi expulso pelas autoridades de Ancara devido a um intervencionismo excessivo.
A importância geoestratégica da Turquia, país amigo dos Estados Unidos, leva o Banco Mundial, durante a presidência de Robert MacNamara, a multiplicar as negociações no sentido de melhorar as relações. Após alguns meses no cargo, em julho de 1968, Robert McNamara visita a Turquia. McNamara conhece bem esse país, aliado militar dos Estados Unidos. Na qualidade de secretário da defesa, até 1967, manteve um relacionamento estreito com as autoridades de Ancara. Com o objetivo de não repetir a experiência de Pieter Lieftinck, o Banco Mundial tenta, nos anos setenta, dar a impressão de não se estar a imiscuir nos assuntos internos da Turquia. No final da década, o Banco aumenta progressivamente a pressão sobre o governo turco, principalmente em 1978, quando o nacionalista de esquerda Bülent Ecevit assume funções como primeiro-ministro. O Banco tenta, sobretudo, conseguir um aumento das tarifas da eletricidade.
O golpe de Estado militar de setembro de 1980, que instaura a ditadura até maio de 1983, agrada muito ao Banco, porque os militares concordam em manter o plano neoliberal radical, que o Banco tinha elaborado minuciosamente com a ajuda de Süleyman Demirel e de Turgut Ozal.