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(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dia de Iemanjá —Filha de Jorge Amado e Zélia Gattai relembra como era passar o 2 de fevereiro em casa: ‘Não sobrava nem água’

Segunda, 2 de fevereiro de 2026

DIA DE IEMANJÁ
Filha de Jorge Amado e Zélia Gattai relembra como era passar o 2 de fevereiro em casa: ‘Não sobrava nem água’

Paloma Amado une memória afetiva e reflexão histórica ao falar da Rainha do Mar, da Bahia e da importância de preservar a diversidade religiosa

Brasil de Fato — Bahia
2.FEV.2026

Jorge Amado e Paloma Amado em momento de afeto e cumplicidade. | Crédito: Reprodução/Arquivo pessoal

Tem data que não vive só no calendário, vive na fé, na memória e na beira do mar. O 2 de fevereiro é assim. Em Salvador e em várias partes do Brasil, o dia amanhece com flores nas mãos, orações e passos que seguem em direção às ondas.

É quando devotos e admiradores das religiões de matriz africana celebram Iemanjá, orixá ligado às águas do mar, à maternidade e à proteção. Para muitos, é também o dia de Nossa Senhora dos Navegantes, no sincretismo religioso que atravessa a história do país. A data carrega a força da ancestralidade negra, dos terreiros e das comunidades de pescadores que há gerações pedem proteção, fartura e caminhos abertos.

Na literatura brasileira, poucos nomes ajudaram tanto a espalhar essa devoção pelo mundo quanto Jorge Amado. E, na vida doméstica do escritor, o 2 de fevereiro era vivido com intensidade, afeto e portas abertas.

“Na minha casa, o 2 de fevereiro era dia de festa desde às sete da manhã. A casa ficava aberta para quem estivesse indo ou voltando da festa [principal]. Teve ano que, no fim do dia, não tinha mais nada: nem cerveja, nem refrigerante, nem água de coco. Teve um ano que não sobrou nem água mesmo. Tudo foi para Iemanjá”, relembra Paloma Amado, filha do escritor com Zélia Gattai em entrevista ao Conversa Bem Viver.