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(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 26 de maio de 2022

Filme com Dira Paes denuncia a violência do agronegócio

Quinta, 26 de maio de 2022
"Pureza" é inspirado na história de Pureza Lopes Loyola, que durante três anos, enfrentando o latifúndio no Pará, buscou o filho Abel, feito escravo contemporâneo. - Foto: Reprodução

Havia em 2018, 369 mil pessoas submetidas à escravidão no Brasil

Belo Horizonte (MG) | Brasil de Fato MG
 

A devastação ambiental e os conflitos no campo decorrentes do modelo predatório de exploração da natureza no Brasil são os traços mais evidente da herança colonial que pesa sobre nosso presente e atravanca qualquer possibilidade de futuro.

Desde 1500, quando os portugueses chegam nas terras de Santa Cruz, a lógica do negócio e do lucro preside a utilização dos bens da natureza. Dois aspectos fundantes deste modelo se perpetuam até hoje: o trabalho forçado e degradante e a extrema concentração fundiária.

Um filme recente consegue sintetizar com a força da arte essas facetas do agronegócio no Brasil. Trata-se de “Pureza”, dirigido por Renato Barbieri e livremente inspirado na história de Pureza Lopes Loyola, que durante três anos, enfrentando o latifúndio no Pará, buscou o filho Abel, feito escravo contemporâneo. 


1% dos estabelecimentos ocupam 47,5% da área rural no Brasil


A antológica interpretação da atriz Dira Paes, ela mesma uma incansável militante pelos Direitos Humanos, soma força ainda maior à história de Pureza, que foi trabalhar numa fazenda em busca do filho e lá testemunhou como a devastação da floresta é feita com capitais do Sudeste do país, jagunços do Sul e trabalho análogo ao escravo de trabalhadores aliciados no Nordeste e Centro-oeste.