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domingo, 22 de janeiro de 2023

GOLPISMO —Barbosa condena fala de Mourão sobre demissão de comandante: "Poupe-nos da sua hipocrisia"

Domingo, 22 de janeiro de 2023

"Mais respeito a todos os brasileiros!”, afirmou Joaquim Barbosa a Hamilton Mourão - Nelson Jr./SCO/STF

Ex-ministro do STF utilizou as redes sociais para repreender senador que criticou decisão de Lula

Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 22 de Janeiro de 2023

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa criticou, em suas redes sociais, o posicionamento do ex-vice-presidente e agora senador eleito Hamilton Mourão (Republicanos-RS) sobre a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de demitir o comandante do Exército, o general Júlio César de Arruda.

Mourão afirmou que Lula quer alimentar uma crise com as Forças Armadas ao demitir militares após o 8 de janeiro, quando forças de segurança foram coniventes com o ato criminoso de bolsonaristas que invadiram e depredaram os prédios dos Três Poderes.

"Se o motivo foi tentativa de pedir a cabeça de algum militar, sem que houvesse investigação, mostra que o governo realmente quer alimentar uma crise com as Forças e em particular com o Exército. Isso aí é péssimo para o país", disse Mourão em entrevista à Folha de S. Paulo neste sábado (21).


Logo em seguida, Joaquim Barbosa afirmou que há uma insubordinação tolerada pelos militares. "Ora, ora, senhor Hamilton Mourão. Poupe-nos da sua hipocrisia, do seu reacionarismo, da sua cegueira deliberada e do seu facciosismo político! Fatos são fatos! Mais respeito a todos os brasileiros!", afirmou o ex-ministro.

"'Péssimo para o país' seria a continuação da baderna, da 'chienlit' [transtorno, em francês] e da insubordinação claramente inspirada e tolerada por vocês, militares. Senhor Mourão, assuma o mandato e aproveite a oportunidade para aprender pela primeira vez na vida alguns rudimentos de democracia! Não subestime a inteligência dos brasileiros!", concluiu.

Demissão do comandante

A demissão de Júlio César de Arruda ocorre depois que o general não demonstrou esforços para buscar e responsabilizar militares que participaram direta ou indiretamente de ataques às instituições e de atos de contestação do resultado eleitoral que empossou Lula ou que são suspeitos de atos ilegais.

O estopim teria sido a resistência em exonerar o tenente-coronel Mauro Cid do comando de um batalhão do Exército em Goiânia (GO) a pedido do ministro da Defesa, José Múcio. Cid foi apontado como responsável de transações financeiras suspeitas dentro do gabinete do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como revelou reportagem do Metrópoles. Hoje, Cid está nos Estados Unidos com o ex-presidente.


Antes disso, Arruda foi contra a remoção de bolsonaristas do acampamento que foi instalado em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília, e que serviu como ponto encontro para os criminosos que atacaram as sedes dos Três Poderes.

"Evidentemente que depois desses últimos episódios, a questão dos acampamentos e a questão do dia 8 de janeiro, as relações, principalmente no Comando do Exército, sofreram uma fratura no nível de confiança e nós achávamos que nós precisávamos estancar isso logo de início até pra que nós pudéssemos superar esse episódio", disse Múcio, neste sábado, logo após anunciar a exoneração de Arruda.

Edição: Nicolau Soares