“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador Juan Ricthelly sobre a Histório do Gama. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Juan Ricthelly sobre a Histório do Gama. Mostrar todas as postagens

domingo, 22 de setembro de 2024

HISTÓRIA DO ANIVERSÁRIO DO GAMA (1973-1979)

Domingo, 22 de setembro de 2024

HISTÓRIA DO ANIVERSÁRIO DO GAMA (1973-1979)

O nascimento e a consolidação da Feira de Amostra do Gama (FAGAMA)

Foto: Arquivo Público do DF

Por Juan Ricthelly

Em 2024 o Gama completa 64 anos de história, que foi construída ao longo de décadas com a participação de todas as pessoas que já viveram e vivem por aqui, nós somos a consequência viva do passado dessa cidade, e a causa do futuro que ela será para a posteridade.

O vínculo entre passado, presente e futuro de uma comunidade é um aspecto essencial de sua identidade, possibilitando que indivíduos compartilhem peculiaridades em comum, uma espécie de identidade coletiva, que muitas vezes se manifesta no bairrismo, que é sempre lembrado o quando o assunto é o Gama.

O Gama possui uma identidade, que se manifesta principalmente no orgulho e amor de seus moradores, temos uma cor que nos identifica, um time de futebol, uma escola de samba, uma história, espaços culturais perdidos, artistas que nasceram, vivem e morreram aqui mesmo.

Somos a cidade do tradicional Festival de Música Popular do Gama, do rock n’ roll ecológico do Festival Rock Cerrado, um polo tradicional do teatro de bonecos do DF representado pelo Voar e pelo Bagagem, um lugar que da década de 80 para cá teve mais de 30 grupos de Teatro, uma cidade que hoje tem uma vida cultural ativa, defasada no que diz respeito aos equipamentos públicos de cultura, mas que resiste contra tudo e contra todos, onde músicos de todos os gêneros musicais tocam nos bares e restaurantes de segunda a segunda, os poetas proferem seus versos nas praças e ruas como profetas do porvir, os produtores culturais seguem produzindo contra todas as adversidades de uma forma quase que guerrilheira, nesse ponto saúdo aqui a Cia. Lábios da Lua, o teatro segue vivo através do Espaço Semente com a sua estética brasileira, periférica e de terreiro.

Tudo isso se refletiu durante anos no aniversário do Gama, numa apoteose coletiva onde os moradores e pessoas de outras cidades se reuniam na saudosa FAGAMA (Feira de Amostra do Gama), uma festa que é lembrada com grande nostalgia, por suas 41 edições que a consolidaram como uma festa popular tradicional do Gama por excelência, com força o suficiente para atrair grandes nomes da música nacional.

O aniversário da cidade se aproxima, a última FAGAMA foi em 2019, o modo de se fazer a festa da cidade mudou desde a primeira edição em 1973, saímos de um formato que era protagonizado pela comunidade e a Administração Regional do Gama, para uma proposta onde uma Organização da Sociedade Civil (OSC), normalmente sem qualquer vínculo com a nossa história é contratada para fazer uma festa do jeito que ela quiser, com recursos público, sem qualquer diálogo com a comunidade.

O que era uma festa popular com forte viés comunitário, que movimentava a indústria, o comércio, os produtores rurais e a cultura, gerando trabalho e renda para a cidade, virou uma mercadoria gourmet onde os ex-protagonistas viraram meros frequentadores, qual a diferença entre a festa de aniversário do Gama hoje e qualquer outra festa de aniversário de alguma outra cidade?

Diante disso, me propus o desafio de estudar e fazer um resgate histórico das festas de aniversário do Gama, partindo desde a primeira edição da Feira de Amostra do Gama (FAGAMA). Como é um assunto muito extenso vou publicar por partes, com uma divisão por décadas. Vou utilizar como fonte de pesquisa matérias de jornal, relatos de pessoas e materiais encontrados na internet.

Espero que ao final dessa série especial sobre a festa de aniversário do Gama, possamos lembrar de onde viemos, para que possamos ter alguma ideia melhor de para onde podemos e queremos ir.


DÉCADA DE 70

I FAGAMA (1973)

A primeira menção à Feira de Amostra do Gama (FAGAMA) no Correio Braziliense é de 30 de Julho de 1973, numa matéria sobre a Associação Comercial e Industrial do Gama (ACIG), sobre uma reunião onde se discutiu como pauta principal o horário de funcionamento do comércio local.