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(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 26 de junho de 2025

Após quase 40 dias, militantes baianos do MAB seguem presos no Rio de Janeiro (RJ)

Quinta, 26 de junho de 2025

Solange Moreira e Vanderlei Silva são acusados de invasão de terras; movimento denuncia criminalização da luta popular

Militantes baianos do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) seguem detidos há quase 40 dias no Rio de Janeiro (RJ) sob acusação de invasão de terras. Solange Moreira e Vanderlei Silva foram presos no dia 16 de maio ao serem interceptados no aeroporto Santos Dumont (RJ) durante uma viagem de férias, e, após uma série de violações de direitos, também tiveram o pedido de soltura feito pela advogada da família e pela Defensoria Pública negado. De acordo com o MAB, também foi solicitado um habeas corpus, que ainda será pautado na primeira turma do Tribunal de Justiça da Bahia. O movimento denuncia que o caso é expressão da criminalização dos movimentos sociais e da luta contra a grilagem de terras na comunidade Brejo Verde, em Correntina, Oeste da Bahia, onde os militantes vivem e atuam.

Segundo a Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais (AATR-BA), que acompanha o caso, a acusação de invasão de terras partiu de grileiros, que de forma recorrente atacam Brejo Verde. Após invadirem a comunidade na tentativa de construir casa e se apropriarem de forma ilegal do território, esses grileiros denunciaram Solange, Vanderlei e outras quatro pessoas por “invasão”, alegando serem proprietários das áreas. Após a detenção do casal, o MAB relata que território tornou a ser invadido e houve destruição de cercas e de um rancho da comunidade. A organização destaca o caráter político da prisão dos militantes.

Solange Moreira Barreto e Silva é fecheira, militante do MAB e agente comunitária de saúde – Patrícia Sousa / MAB

“Todas essas pessoas que hoje estão sendo perseguidas e acusadas são reconhecidas historicamente na região pelo compromisso com a defesa dos territórios tradicionais, das águas, dos direitos humanos e da vida. Trata-se de uma prisão política e de criminalização das comunidades que lutam contra a grilagem de terras e expropriação dos territórios no Oeste da Bahia”, destaca nota do movimento divulgada à época da prisão.