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(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 12 de março de 2024

MORTO NO ANO 2000 —Corte Interamericana divulga nesta quinta (14/3) sentença sobre assassinato do camponês Antônio Tavares

Terça, 12 de março de 2024

Ato junto a monumento que homenageia Antônio Tavares em Campo Largo (PR) - Juliana Barbosa/MST-PR

Morte do trabalhador rural aconteceu em ação da Polícia Militar do Paraná que feriu outros 185 integrantes do MST

Felipe Mendes
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) | 12 de março de 2024

Será divulgada nesta quinta-feira (14) a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Estado brasileiro por omissão e não responsabilização dos agentes públicos envolvidos no assassinato do trabalhador rural Antônio Tavares. Ele foi morto pela Polícia Militar do Paraná em 2 de maio de 2000, em ação que deixou feridos outros 185 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

A Corte, vinculada à Organização dos Estados Americanos (OEA), analisa o caso desde fevereiro de 2021. Em junho do ano seguinte aconteceram audiências na Costa Rica, com a presença da viúva de Tavares, Maria Sebastiana; da sobrevivente Loreci Lisboa; de organizações representantes das vítimas; e de integrantes dos governos do Brasil e do Paraná, representando o Estado brasileiro.

Trabalhadores sofreram repressão policial durante manifestação / APP-Sindicato

A morte do camponês aconteceu em meio à realização da Marcha da Reforma Agrária, organizada em Curitiba para comemoração ao Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras. Um grupo de mais de 1.500 integrantes do MST sofreu repressão policial: uma tropa de agentes bloqueou a rodovia BR-277 e usou armas de fogo para impedir a chegada de uma comitiva de 50 ônibus à capital paranaense.

Antônio Tavares, que tinha 38 anos, era casado e tinha cinco filhos, foi atingido e morreu depois que ele e outros passageiros desceram de um dos ônibus. No mesmo contexto, outros trabalhadores e trabalhadoras ficaram feridos e não receberam socorro.