“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador Massacre de Eldorado dos Carajás. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Massacre de Eldorado dos Carajás. Mostrar todas as postagens

sábado, 4 de abril de 2026

MARCHA INTERROMPIDA —MST refaz marcha em Eldorado do Carajás após 30 anos do massacre

Sábado, 4 de abril de 2026

MARCHA INTERROMPIDA
MST refaz marcha em Eldorado do Carajás após 30 anos do massacre

Movimento também organizará um acampamento com a participação de aproximadamente 500 jovens na Curva do S

Brasil de Fato — SÃO PAULO (SP)

Velório dos 19 mortos após o ataque da Polícia Militar em 1996 | Crédito: J.R. Ripper

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vai refazer a marcha pela BR-150 entre Curionópolis e Eldorado do Carajás, no Pará, três décadas após o Massacre de Eldorado do Carajás. A caminhada está prevista para ocorrer entre os dias 13 e 17 de abril.

Segundo Ayala Ferreira, integrante da Direção Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pará, a mobilização tem como referência a chamada Marcha Interrompida, em alusão ao 17 de abril de 1996. “Agora, nesses 30 anos, estamos chamando de a marcha interrompida, referindo-se àquele final de tarde do dia 17 de abril de 1996”, disse. Segundo ela, famílias acampadas do sul e sudeste do Pará estão sendo mobilizadas para o trajeto entre Curionópolis e Eldorado do Carajás.

Em 1996, cerca de 1,5 mil pessoas estavam acampadas na Curva do S, em Eldorado do Carajás, com o objetivo de marchar até a capital Belém e conseguir a desapropriação da fazenda Macaxeira, ocupada por 3,5 mil famílias sem-terra.

domingo, 17 de abril de 2022

Massacre de Eldorado dos Carajás deixa legado de luta por reforma agrária, diz dirigente do MST

Domingo, 17 de abril de 2022

A dirigente nacional do MST Kelli Mafort - Leandro Taques | MST

Kelli Mafort lembra repercussão do caso e defende solidariedade no campo: "Especular com comida é especular com a vida"

Murilo Pajolla e Pedro Stropasolas
Brasil de Fato | Lábrea (AM) | 17 de Abril de 2022

O massacre de Eldorado dos Carajás é um marco na história do país e reverbera há 26 anos no cotidiano de quem luta pelo direito à terra.

O luto pelas 21 pessoas assassinadas reforça a convicção de que a reforma agrária popular não só é algo possível, como indispensável para garantir um futuro digno às populações do campo e da cidade.

Com a esperança no horizonte, Kelli Mafort, da coordenação nacional do MST, falou das repercussões do massacre ao Brasil de Fato, na entrevista disponível na íntegra a seguir. Ela relembrou a reação de artistas e intelectuais e a resposta política que o governo de Fernando Henrique Cardoso foi forçado a oferecer.

Assista a entrevista com a dirigente do MST:


"Infelizmente a reforma agrária do tipo clássica, essa que é feita em outros países como parte do desenvolvimento capitalista, nós nunca conhecemos aqui no Brasil. Tudo que a gente conquistou em termos de reforma agrária foi com muita luta. 90% dos assentamentos existentes são resultados de ocupação de terra", avalia.

Mesmo expostos à violência estatal que protege o agronegócio, os sem terra nunca recuaram. Pelo contrário, evoluíram no sentido de introduzir a agroecologia como pilar fundamental da reforma agrária, bandeira histórica do MST. Para isso, como lembrou Mafort, é preciso que o povo tenha terra para plantar.

“Nós entendemos que a agroecologia depende de uma base territorial. É preciso preservar os territórios camponeses, indígenas, quilombolas e de toda a agricultura camponesa. Mas, além disso, é preciso conquistar mais territórios”, considerou a dirigente.

Para Mafort, a necessidade de expandir a produção agrária popular, sem agrotóxicos e sem exploração humana, ficou comprovada durante a pandemia no Brasil. O agronegócio, que produz commodities e não alimentos, lucrou como nunca, às custas de uma população que não tinha dinheiro para comer.

“O agronegócio controla um alimento que ele não produz e, se valendo da desvalorização cambial, prefere colocar esse alimento para fora do país, receber em dólar, e deixar no país uma situação de inflação dos alimentos completamente absurda. Especular com a comida é especular com a vida das pessoas”, diz Mafort.

Brasil de Fato: Em termos de luta popular no campo, quais foram os desdobramentos do massacre?

Kelli Mafort: Esse massacre causou muita repercussão em nível nacional mas também internacional. Foram muitos protestos em todo o país. E no ano seguinte nós realizamos a Marcha Nacional pela Reforma Agrária, Emprego e Justiça, que saiu de três pontos do Brasil e caminhou por dois meses até Brasília. Essas três colunas da marcha chegaram à capital no dia 17 de abril, exatamente um ano após o massacre dos Carajás.

Também foi bastante importante que, junto com essa marcha, nós tivemos uma grande ação política e cultural por parte de Chico Buarque, com o CD Terra. José Saramago, também, que fez o prefácio do livro Terra, um livro fotográfico de Sebastião Salgado que retrata as imagens terríveis do massacre. Então, essa ação cultural e a exposição das fotos foram simultaneamente lançadas em mais de 15 países do mundo e percorreram praticamente todas as universidades públicas brasileiras fazendo a divulgação do tema da reforma agrária.