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sábado, 1 de abril de 2023

59 ANOS DO GOLPE —Memória não diz respeito somente a familiares de mortos e desaparecidos, frisa Mateus Guimarães

Sábado, 1º de abril de 2023

Nesta entrevista, o sobrinho de Honestino Guimarães fala sobre memória e as discussões atuais do Golpe de 1964

Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF)

"Em relação à memória do golpe civil-militar, a importância está justamente na reflexão sobre toda a violência que resultou a partir dele e que continua acontecendo diariamente", observa Mateus - Emilia Silberstein/UnB Agência

Há exatos 59 anos o então presidente da República João Goulart foi deposto por um golpe militar que duraria décadas e deixaria marcas profundas na sociedade brasileira.

Nesta data, o estudante Honestino Monteiro Guimarães cursava o 3º Ano no Centro Integrado de Ensino Médio (Elefante Branco) em Brasília e teria seu destino totalmente alterado em razão do novo regime instalado no país. A discussão sobre a trajetória de Honestino e sua família fazem parte de um amplo debate sobre a memória de um golpe de Estado iniciado em 31 de março de 1964 que seguiu por décadas de autoritarismo, truculência, torturas e assassinatos.

Honestino se tornou uma peça-chave na discussão sobre o período da ditadura militar no Brasil por sua atuação no movimento estudantil. Quando ocorreu o golpe ele já atuava no movimento secundarista, mas ganhou maior projeção ao ser aprovado no curso de Geologia da Universidade Brasília (UnB), em 1965, onde foi eleito presidente do Diretório Acadêmico de Geologia. Ele ainda foi presidente da Federação dos Estudantes da UNB (Feub) e da União Nacional do Estudantes (UNE). Em razão se sua atuação no movimento estudantil, Honestino foi preso em 1967, 1968 e 1973 e depois desaparecido em 1976.

Foi apenas em 1996 que o Estado Brasileiro reconheceu a responsabilidade pela morte de Honestino, o que causou um grande trauma para sua família, como conta o seu sobrinho Mateus Guimarães em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato DF. De acordo com Mateus foi muito "difícil e doloroso" para a família lidar com todo esse processo que envolveu prisões, desaparecimento e depois a morte do tio, especialmente para a mãe de Honestino, Maria Rosa.

Memorial em homenagem a Honestino Guimarães na Universidade de Brasília / Foto: Flávia Quirino

Mateus Guimarães chama atenção para a falta de justiça na transição da ditadura para a democracia no Brasil. Para ele o fortalecimento da extrema direita no país é resultado de uma "falha" na forma que encaramos a nossa história. "O que estamos lidando aqui não é com a direita saudável e necessária para a democracia, mas com um extremismo chamado fascismo", destaca.

Brasil de Fato DF: Qual a importância que você atribui à luta pela memória do Golpe de 64?