Segunda, 22 de julho de 2024
Estudo recém-publicado revela: cidadãos de bairros segregados têm piores indicadores de sono, essencial para uma saúde digna. Medo da violência, falta de estrutura pública e de locais de convivência estão entre os motivos que fazem os mais pobres dormirem pior
Créditos: Arquivo/EBC
OUTRASAÚDE SAÚDE E DESIGUALDADE
por Gabriela Leite
Publicado em 22/07/2024
A falta de capacidade de dormir bem, sonhar, lembrar e compartilhar está na origem de nossa crise socioambiental, defende o professor e neurocientista Sidarta Ribeiro. E embora o sono esteja escasso para pessoas de todas as origens, também há desigualdade no dormir. É o que mostra um estudo encabeçado por pesquisadores ligados ao Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde da Fiocruz. Eles buscaram descobrir se o local de moradia influencia na qualidade do sono da população. Suas análises e conclusões foram publicadas na edição mais recente da Cadernos de Saúde Pública, revista ligada à ENSP/Fiocruz, parceira editorial de Outra Saúde.
A conclusão principal é de que moradores de zonas residenciais segregadas têm, de fato, índices piores. Têm mais chance de dormir uma quantidade de tempo insuficiente, ter privação de sono e sonolência diurna. Os pesquisadores entrevistaram mais de 9,9 mil pessoas, servidoras públicas e aposentadas de seis capitais brasileiras, de estados do Nordeste, Sudeste e Sul. Definiram a “segregação residencial” com base nos indicadores de renda, tamanho da família e composição étnico-racial.
O estudo menciona os riscos à saúde da falta de sono, “tal qual problemas cognitivos, psicossociais e cardiometabólicos, além de aumentar o risco de condições específicas como diabetes mellitus, doenças cardiovasculares e obesidade”. Segundo seus cálculos, há um dado preocupante que independe do local de moradia do cidadão: 49,6% de todos os entrevistados dormem menos de 6 horas por dia, uma duração considerada insuficiente. Os indivíduos que vivem em vizinhanças de alta segregação socioeconômica avaliados dormiram, em média, 14 minutos a menos que aqueles em baixa segregação.

