Quinta, 28 de março de 2024

Mais de 90% da população de Arapoanga I não é atendida pela rede de água da Caesb - Paulo José Silva Ferraz
Moradores de áreas periféricas estão fora do sistema de abastecimento da Caesb
Bianca Feifel
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 28 de março de 2024 às 11:41
Mais de 200 mil pessoas não têm acesso à água potável no Distrito Federal, segundo levantamento do projeto Vida e Água, da Universidade de Brasília (UnB). Esta é a realidade de 53 áreas de regularização de interesse social (ARIS) que estão fora do sistema de abastecimento da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb).
A falta de água tratada e de coleta de esgoto compromete a saúde e a qualidade de vida de milhares de moradores de áreas periféricas da capital federal, como Sol Nascente, Arapoanga I e Estrutural.
"Nós não temos água potável encanada, aqui é tudo no gato, não temos rede de esgoto, não temos luz. Aqui nossa realidade é complicada. A dengue é muito terrível. Quando conseguimos usar água, ela é contaminada. Tivemos muitas pessoas com diarreia aqui por causa disso", contou ao Brasil de Fato DF Andreia Lopes Mello, de 39 anos. Ela é moradora do Sol Nascente há 20 anos, e há seis vive na comunidade Fazendinha, no Trecho 3 da região administrativa (RA), local que mais enfrenta problemas de infraestrutura.
Segundo o doutor em Serviço Social e professor da UnB Perci Coelho de Souza, esses territórios são os mais afetados pois estão inseridos em uma tradição de “política urbana segregacionista” histórica no DF, em que as populações mais abastadas vivem nas áreas com mais equipamentos do Estado, enquanto as mais vulneráveis são “deslocadas e periferizadas” para locais que não têm investimento estatal em políticas públicas.
“Começando pela política de saneamento que envolve água, esgoto, águas pluviais e coleta de lixo. Mas a reboque desta, todas as outras políticas, como educação e saúde, vão na mesma tendência. O que muda? Talvez seja a política de segurança pública. Você tem mais policiais para controlar e conter de forma violenta e desigual o cidadão nessas periferias”, afirmou ao Brasil de Fato DF.
