Quarta, 26 de junho de 2026
Audiência na Comissão de Meio Ambiente discutiu Plano aprovado pela Câmara Legislativa do DF
Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 26 de junho de 2024

Professor da UnB Benny Schvarsberg disse que PPCUB aprovado é “elitista” - Geraldo Magela/Agência Senado
A descaracterização urbanística da área tombada de Brasília a partir do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), foi alvo de muitas críticas de especialistas em urbanismo e parlamentares nesta terça-feira (25) em uma audiência pública na Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado. No final do dia, o Governo do Distrito federal (GDF) informou que o governador Ibaneis Rocha (MDB) vai vetar alguns dos trechos do Plano aprovado na CLDF que foram criticados na audiência no Senado Federal.
“A pressão que fizemos na audiência pública sobre o PPCUB no Senado hoje deu resultado. O GDF acaba de informar que vai vetar a construção de alojamentos nas quadras 700 e 900 do Plano Piloto, incluindo motéis, e também a construção de prédios no parque no fim da Asa Sul”, declarou em suas redes sociais a senadora Leila Barros (PDT-DF), que preside a CMA e comandou a audiência sobre PPCUB, que contou com a presença de outros parlamentares, especialistas e representantes da sociedade civil, que criticaram o PPCUB aprovado.
“Brasília, nosso orgulho nacional e Patrimônio Mundial da Humanidade reconhecido pela Unesco desde 1987, não é apenas uma cidade, mas um símbolo vivo da arquitetura e do urbanismo brasileiros, que visa pela escala bucólica, com predomínio da vegetação e de espaços livres”, defendeu Leila na abertura da audiência pública. Ela criticou as alterações aprovadas no Plano, que prevê aumento significativo da altura de hotéis no Setor Hoteleiro Norte e Sul, passando de três para doze pavimentos — ponto que o GDF não mencionou como veto.
O deputado distrital Fábio Félix (PSOL) destacou a rápida tramitação do PPCUB na Câmara Legislativa, que chegou em março e foi aprovado em junho, com poucas reuniões e sem aprofundamento. “Foi um debate insuficiente e o resultado foi o conteúdo aprovado. O governo [Ibaneis Rocha] advogou para interesses privados. Esse PPCUB não teve nada de preservação, teve apenas de especulação”, analisou.
