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(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 25 de agosto de 2023

VIOLÊNCIA POLÍTICA —Parlamentares vítimas de ataques lesbofóbicos se organizam contra ameaças coordenadas de 'estupro corretivo'

Sexta, 25 de agosto de 2023

A vereadora Mônica Benício (PSOL), do Rio de Janeiro, foi uma das parlamentares ameaçadas - Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro


E-mails com ameaças foram encaminhados em 14 de agosto para pelo menos seis parlamentares

Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 25 de Agosto de 2023

As parlamentares que foram alvos de ameaças de “estupros corretivos” em seus e-mails institucionais e pessoais se organizam para reagir jurídica e politicamente contra os ataques que sofrem desde o dia 14 de agosto.

Até o momento, registraram denúncias a deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS), as deputadas estaduais Rosa Amorim (PT-PE) e Bella Gonçalves (PSOL-MG) e as vereadoras Mônica Benício (PSOL), do Rio de Janeiro, e Iza Lourença e Cida Falabella, ambas do PSOL em Belo Horizonte.

Nos e-mails de cunho lesbofóbico, um homem que se identifica como um psicólogo afirma que o estupro corretivo “é uma terapia de eficácia comprovada que cura o homossexualismo feminino porque ser sapatão é uma aberração”. O suspeito também sugere ir às casas das parlamentares para fazer “uma demonstração sem compromisso”.

No Rio de Janeiro, a delegada Rita Salim, da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), onde a vereada Mônica Benício registrou queixa, afirmou que o caso será investigado como lesbofobia e crime eleitoral, uma vez que o criminoso utilizou o e-mail institucional da parlamentar para proferir as ameaças. As outras parlamentares também buscaram registrar o caso nas polícias dos respectivos municípios.

Coletivamente, as parlamentares acionaram o Ministério da Justiça, que decidiu federalizar o caso e levar o assunto para ser investigado pela Polícia Federal. Em nota, a pasta informou que, na última segunda-feira (21), o ministro Flávio Dino recebeu, em Belo Horizonte, algumas das parlamentares ameaçadas e encaminhou a documentação com as denúncias à Polícia Federal (PF) para a abertura do inquérito.