“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 4 de março de 2024

Afinal quem manda no Brasil neste anárquico mundo de hoje?

Segunda, 4 de março de 2024

Pedro Augusto Pinho*

O Brasil não é para principiantes escreveu, pelo início dos anos 1960, o europeu oriental Peter Kellerman. Ganhou dinheiro, deu um golpe na praça e fugiu para o Paraguai. Para onde mais iria?

Depois dele muitos outros também se aventuraram a decifrar o país onde o “não”, muitas vezes, significa “sim” e vice-versa. Depois de Kellerman tivemos 21 anos de governos nacionalistas desenvolvimentistas, porém autoritários, que levaram à construção de novo Brasil.

Ora as forças dominantes no Brasil sempre foram representantes dos interesses estrangeiros, desde o primeiro governo de Tomé de Sousa, em 1549. Nesta primeira fase, representavam a coroa e aristocracia lusitana. Depois, com a fragilidade econômica, Portugal passou a ser o primeiro intermediário da cadeia que se iniciava nos bancos ingleses.

Então mandavam no Brasil os interesses bancários da “pérfida Albion”, na tradução da aristocracia portuguesa e conforme as decisões dos senhores de terras e escravos no Brasil. Uma cadeia mais longa, que exigia maiores malabarismos para ficar com a melhor parte.

E assim vivemos até que a família real, pressionada por outros interesses portugueses, resolveu se dividir, uma parte cuidava de Portugal, outra do Brasil. Isso aconteceu em 1822.

Aos poucos os ingleses dispensaram a intermediação portuguesa e passaram a lidar diretamente com os senhores de terras e escravos nascidos no Brasil. A este período se dá o nome de Brasil Império e de 1ª República.

Um tanto injusto pelo nosso esforço independentista, principalmente do pouco conhecido Presidente Floriano Peixoto.

Mas surgem os movimentos no exército para que a soberania administrativa brasileira ficasse com o governo nacional. São os movimentos tenentistas, que caminharam por todo País, eclodiram em Manaus, São Paulo e tiveram momentos de bravura e marketing no Rio de Janeiro, como os “18 do Forte”, com presença civil.

Até então as guerras europeias não haviam chegado à periferia do mundo, onde se encontrava o Brasil. Para não cometer injustiça, os interesses coloniais ingleses, sempre eles, nos fizeram combater o vizinho Paraguai.

Porém, o Brasil irredento vence a Revolução de 1930. E há o choque entre o Brasil colonizado e o Brasil que se organiza para autonomia.