“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 25 de outubro de 2024

POR QUE LULA3 DESFAZ LULA2 NA XVI CÚPULA DO BRICS EM KAZAN, NA RÚSSIA?

 Sexta, 25 de outubro de 2024

Pedro Augusto Pinho

Como se sabe até no reino mineral, diria um dos nossos grandes jornalistas, os países reunidos sob o acrônimo de BRIC nasceram da constatação do economista Jim O'Neill, do banco Goldman Sachs, sobre os crescimentos do Brasil, Rússia, Índia e China, no artigo “Building Better Global Economic BRICs”, de 2001.

O século XXI trouxe para o Brasil, a Rússia e a China, novas realidades políticas. No Brasil, o operário, líder sindical, Luiz Inácio Lula da Silva chega, em 1º de janeiro de 2003, à Presidência da República, fato inédito na História brasileira. E será reeleito governando até 31/12/2010.

Na Rússia, em agosto de 1999, Boris Yeltsin nomeou Vladimir Putin primeiro-ministro. Era sinal claro de que Putin estava sendo preparado para chefiar o Kremlin. O inesperado foi a renúncia de Yeltsin, em 31 de dezembro daquele ano, catapultando Putin, em 7 de maio de 2000, para ser o 2º presidente da Rússia pós-soviética. E, desde então, Vladimir Putin tem sido o verdadeiro dirigente da Federação Russa.

Na China, Deng Xiao Ping promovera revolução liberalizante durante seu governo, de 1978 até 1989, obrigando seu sucessor, Jiang Ze Min (1989-2002) a elaborar uma teoria que conciliasse a tradição de Mao Tse Tung com a realidade surgida das reformas de Xiao Ping. Foi, no entanto, Hu Jin Tao (2002-2012), buscando no mais permanente modo de viver chinês, o Confucionista, de cinco séculos antes da Era Cristã, pregando o conhecimento, a harmonia e equilíbrio na sociedade sem deuses, quem acomodou o marxismo, o liberalismo ao modo agnóstico e ético, fundado nos valores humanos, que veio caracterizar a governança de Xi Jin Ping (2012 ao presente), o socialismo com características chinesas.

Certamente é arriscado imaginar que tantas mudanças após 2001 fossem antecipadas pelo economista-chefe do banco estadunidense.

O que importa, efetivamente, é a criação dos BRICS como inovação fundamental para sustentar o mundo multipolar, que o fracasso neoliberal estava necessitando. Esta situação desencadeou as guerras que os Estados Unidos da América (EUA) deslancharam por todo mundo neste século, começando pela farsa do 11 de setembro de 2001, e a invenção do terrorismo islâmico.

Esta é a perspectiva que se deve adotar ao se tratar dos BRICS, um sustentáculo do mundo multipolar diante do estrebuchar unipolar que une os EUA, o Reino Unido e sua cria, o Estado de Israel, e uma falida União Europeia.

Não é Ocidente versus Oriente, pois no mundo multipolar estão países ocidentais e orientais, e nenhuma divergência se lhes opõe; diferentemente da unipolaridade, que não abre espaço para o Oriente. Esta sim é sectária e excludente.


O DISCURSO DE LULA POR VÍDEO CONFERÊNCIA NA SESSÃO DOS BRICS


Não nos colocamos em oposição ao Presidente Lula. Apenas pedimos coerência das palavras com as ações e a harmonia das ideias.