No clássico da antropologia, surgido em 1884, “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado”, Friedrich Engels (1820-1895) escreveu no Capítulo IX — Barbárie e Civilização:
“A grandeza do regime da gens — e também a sua limitação – é que nele não cabiam a dominação e a servidão”, e adiante, “Nem podia haver, na gens ou na tribo, divisão em diferentes classes sociais” (na tradução de Leandro Konder para Editora Civilização Brasileira, RJ, 1974).
Ao comemorar o 120º aniversário do nascimento de Mao Tse Tung (Mao Zedong), o presidente Xi Jin Ping recordou “a essência viva do pensamento” de Mao e assim se expressou: “devemos continuar impulsionando a grande causa do socialismo com características chinesas” (Discurso de 26 de dezembro de 2013).
A expressão “com características chinesas” é encontrada, com frequência, em textos do Partido Comunista da China (PCCh) e naqueles da governança da República Popular da China (China).
O que significa esta “característica” no País que mais se destaca no conturbado cenário do século XXI, superando antigas potências econômicas e militares, com extraordinário e inclusivo desenvolvimento, baseado na tecnologia que está em permanente processo de transformação e superação, sem exclusões, ao contrário, com a participação da segunda mais numerosa população de um único e pouco conhecido país deste planeta.
Artigos publicados no Monitor Mercantil, cujo diretor responsável é Conselheiro da Câmara de Intercâmbio Cultural Brasil–China, análises do Instituto de Economia da Unicamp, São Paulo, estudos do MacroPolo, think tank do Instituto Paulson de Chicago, Illinois, Estados Unidos da América (EUA), e dezenas, talvez centenas de outras instituições que procuram desvendar o segredo do país que venceu duas tempestades antagônicas e surge, na segunda década do século XXI, como potência mundial, talvez a maior delas.
O conhecimento antropológico atual coloca na China um dos três pólos primitivos da espécie humana, junto ao Golfo designado “Mar” de Bohai, dentro do Mar Amarelo, e onde desagua um dos braços do rio Amarelo, próximo a Pequim. Os dois outros polos estão no nordeste da África, onde corre o rio Nilo, e ao norte da Península Arábica, na Mesopotâmia (rios Tigre e Eufrates).
Ao longo de sua História, a China conheceu momentos de grandes realizações, quando forneceu à Europa a tecnologia que a possibilitou cruzar o Oceano Atlântico e encontrar as Américas. Que a enriqueceu com produtos e conhecimentos que a levaram ao consumo da seda, à produção do papel e da impressão. Mas a China também foi invadida, por mongóis (século XIII) e japoneses, estadunidenses e europeus (séculos XIX/XX) que lhe causaram o século de humilhações.
No século XX, início da década de 1920, com a formação do Partido Comunista, a China volta-se para si mesma, como no passado mais remoto, e constrói seu sistema de autorreferência que lhe garante sobreviver à Revolução Cultural, de Mao (1966-1976), e à invasão ideológica capitalista de Deng Xiao Ping (1978-1992).
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