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(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Greve estudantil —Estudantes da UnDF são surpreendidos por PMDF durante atividade de greve nesta quarta-feira (2)

Quarta, 2 de outubro de 2024

PMDF teria atendido chamado da Prefeitura da instituição, que acusou os discentes de 'depredação de patrimônio público'

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
 
Greve estudantil na UnDF foi aprovada no dia 24 de setembro durante assembleia. - Foto: Reprodução

Durante uma atividade de greve nesta quarta-feira (4), estudantes da Universidade do Distrito Federal (UnDF) foram surpreendidos pela Polícia Militar do DF (PMDF). Segundo informações, a PMDF teria atendido a um chamado da Prefeitura da instituição, que acusou os discentes de “depredação de patrimônio público”.

A acusação ocorreu após os estudantes removerem cartazes da administração da UnDF. Sofia Cartaxo, diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE) e militante do Levante Popular da Juventude, que acompanha a greve dos estudantes, explica que essa foi uma resposta à ação da própria prefeitura da universidade, uma vez que eles já haviam retirado os cartazes dos discentes.

“Os estudantes haviam colado cartazes com fita crepe pela universidade com as reivindicações. Nisso, a administração retirou, falando que estavam depredando patrimônio público, e que iam chamar a Polícia. Eles se irritaram por isso. Não era depredação, era colagem de cartazes com fita crepe”, explica Sofia.

A greve estudantil na UnDF foi aprovada no dia 24 de setembro. Os discentes organizaram duas assembleias, sendo a primeira virtual, no dia 18 de setembro, que contou com 27,9% de aprovação pelo estado de greve e outra, na terça-feira (24), realizada de forma presencial. Segundo o movimento estudantil da universidade, na ocasião, a greve foi aprovada com 41,65% dos discentes.

A diretora da UNE ainda conta que a instituição invalida o estado de greve dos estudantes. Além disso, a administração da universidade também está acusando os discentes de ameaçar servidores e desacato a autoridade. “Nossa greve foi deflagrada com 41% de aprovação, coisa que não se vê em universidade nenhuma”, diz.

Segundo uma professora da universidade — que preferiu não se identificar — durante a ação policial, não houve confronto, apenas uma conversa entre os membros da comunidade acadêmica e a PMDF. Ela conta que, quando chegou no local, havia diversos agentes conversando com o prefeito da universidade. “Toda a conversa foi muito rápida. Os policiais informaram que estavam atendendo o chamado da prefeitura da universidade”, diz.

Quando os policiais se retiraram da instituição, a professora conta que foi questionar o representante da prefeitura sobre a necessidade de chamar os agentes para tratar sobre retirada de cartazes pelos estudantes. Na ocasião, ele teria dito que “não é por conta de um cartaz, é por conta das ações. Qualquer coisa que mexa no patrimônio da universidade, eu vou tomar minhas providências. Pode ser qualquer coisa, se arrancar sem minha autorização, não pode.”

Ela ainda relata que, quando ele foi questionado se a retirada dos cartazes e chamar a PMDF é uma política institucional da UnDF, ele teria respondido que não, é uma ação dele.