Segunda, 3 de julho de 2023

Atividade vai debater projetos que versam sobre a imutabilidade dos símbolos do estado sob o viés da luta antirracista
Redação
Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) | 03 de Julho de 2023
Uma audiência pública articulada pelos deputados estaduais da Bancada Negra gaúcha discutirá, na próxima segunda-feira (3), o hino rio-grandense e os projetos que tramitam na Assembleia Legislativa sobre o tema. Entre eles uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 295/2023) que versa sobre a imutabilidade dos símbolos do Rio Grande do Sul, inclusive o hino do estado.
Os parlamentares Bruna Rodrigues (PCdoB), Matheus Gomes (PSOL) e Laura Sito (PT), que compõem a primeira Bancada Negra do Legislativo gaúcho, salientam uma das principais demandas do movimento negro gaúcho, discutida desde pelo menos a década de 1970, que é a necessidade de alteração de um trecho do hino que afirma que "povo que não tem virtude acaba por ser escravo".
Os deputados apontam que este trecho é considerado racista, uma vez que a estrofe compara o que o povo negro gaúcho - majoritariamente escravizado à época - foi submetido: à escravidão - e que por isso não possuíam virtude. Reiteram, ainda, a necessidade de pensar os símbolos do estado (especialmente o hino) sob um ponto de vista que não incentive nenhuma forma de preconceito.
Hino e o contexto racista da Guerra dos Farrapos
Os deputados explicam que o contexto da escrita do hino rio-grandense é a Guerra dos Farrapos (de 1835 a 1845). Era uma luta dos estancieiros escravagistas pela redução dos impostos da comercialização do charque. Por isso, o período de escravidão contextualiza os versos do hino dizendo: caso não fossem vitoriosos nesta luta; ou seja, não tendo virtude de vencer a guerra, acabariam sendo escravos, como os negros, mas da monarquia.
