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(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Alívio —Mesmo com pressão externa, Venezuela consegue respirar e faz economia crescer em 2024

Quinta, 2 de janeiro de 2025

Para 2025, governo espera que, independente da postura de Donald Trump, país deve deixar a crise iniciada em 2019

Lorenzo Santiago
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 02 de janeiro de 2025

No começo de 2024, mais da metade das trocas comerciais na Venezuela foram feitas em bolívares (54,9%)

A economia venezuelana termina 2024 cumprindo uma meta que foi repetida pelo governo ao longo de todo o ano: crescer com ou sem sanções. A gestão de Nicolás Maduro usou desse discurso não só para tranquilizar o mercado e impulsionar uma estabilidade econômica, mas também para demonstrar resultados que foram cruciais para a melhoria da qualidade de vida, a retomada de programas sociais e uma vitória eleitoral ainda contestada pela oposição.

O primeiro e mais importante índice de impacto direto para a população foi a inflação. O aumento dos preços desacelerou em 2024, seguindo um ritmo já marcado no final de 2023. O último dado oficial divulgado pelo Banco Central do país foi de outubro. Neste período, o Índice de Preços ao Consumidor foi de 4% ao mês. A inflação acumulada de 2024 terminou o 10º mês do ano em 16,6% enquanto a anualizada (de outubro de 2023 a outubro de 2024) foi de 23,6%.

Todos esses dados foram um trunfo para o governo venezuelano que já chegou a enfrentar uma inflação mensal de 196,6% em janeiro de 2019.

Se durante o ano a inflação desacelerou, nos últimos três meses a expectativa é de alta. Os resultados de novembro e dezembro ainda não foram divulgados pelo Banco Central, mas institutos privados já projetam aumentos nos preços. O Observatório Venezuelano de Finanças estima que a inflação de novembro tenha sido de 12,5%, enquanto a de dezembro deve ser ainda maior.
As estimativas são compartilhadas pelo próprio governo, que entende ser um fenômeno esperado por algumas razões, sendo o grande motivo a relação entre a inflação venezuelana com o câmbio. O valor do dólar esteve estável em cerca de 36 bolívares durante 2024, o que ajudou a segurar o aumento dos preços. Em uma economia com grande participação de moedas estrangeiras, os preços dos produtos passaram a ser cobrados em dólares.

Com isso, se o valor do dólar muda, o poder de compra dos venezuelanos que recebem em bolívares também muda. Sem uma alteração significativa ao longo do ano, a tendência foi de manutenção nos preços. Nos últimos meses de 2024, no entanto, a moeda venezuelana perdeu valor frente à estadunidense, e 1 dólar chegou a custar 52 bolívares no último dia do ano.

Esse movimento jogou a inflação para o alto em uma elevação que deve continuar para o começo de 2025. Ao Brasil de Fato, o sociólogo e mestre em comunicação política Franco Vielma explica que essa desvalorização cambiária interna responde a três fatores. Primeiro o aumento da liquidez venezuelana. Com o final de ano, grande parte da população recebe as chamadas bonificações e os benefícios trabalhistas, como o 13º salário. Isso amplia a circulação de moeda local, o que reduz o valor do bolívar frente ao dólar.