“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 3 de fevereiro de 2024

ASSISTA —Bem Viver traz a força paraense de Dona Onete, a rainha do carimbó e uma das fundadoras da CUT

Sábado, 3 de fevereiro de 2024
"No tambor do índio o negro tocou", relata Dona Onete sobre origem do Carimbó no Bem Viver na TV. - Divulgação

Programa traz uma conversa com a artista que é Patrimônio Cultural e Imaterial do Pará e celebra os 40 anos do MST

Marina Duarte de Souza e Lucas Weber
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 03 de fevereiro de 2024 às 14:38

Dona Onete não esperou chegar aos 70 anos para lançar seu primeiro álbum de estúdio, Feitiço Caboclo, à toa. Antes disso, ela tinha outras prioridades e não "iria trocar o certo pelo duvidoso".

Professora de história para alunos do ensino fundamental no município de Igarapé-Miri, no interior do Pará, a artista conta ao Bem Viver, programa do Brasil de Fato, deste sábado (3), que, muitas vezes, foi estimulada a virar cantora. Mas a decisão só veio após a aposentadoria.

Antes de se tornar a rainha do carimbó e viajar o Brasil e o mundo para divulgar os ritmos paraenses, Dona Onete cruzou o país por outra motivação.

Sindicalista, Ionete da Silveira Gama, viajou para São Paulo na década de 1980 para participar das famosas greves do ABC, em São Bernardo do Campo (SP). Foi neste período que foi fundada a maior entidade sindical do país até hoje, a Central Única dos Trabalhadores (CUT). E a Dona Onete estava lá, em nome dos professores e trabalhadores do campo, mas também já como difusora da cultura paraense.

Confira a entrevista na íntegra.

Brasil de Fato - Dona Onete, a senhora está com 84 anos e uma agenda lotadíssima, sempre está em viagem e compromissos. Enfim, eu quero saber de onde que vem esse vigor, de onde que vem essa energia. Por acaso vem do jambu? Vem do açaí, vem do tucupi, vem de onde?

Dona Onete - É do açaí. Eu também te digo, porque todo dia até sair, na minha casa tem que ter açaí. Pra gente é um costume, é tradição. Eu, às vezes, como com a comida ou então tomo depois, mas todo dia tem que ter. Eu digo que me dá um pouco mais de segurança, de vigor, uma coisa da gente de lá do Pará.

Mas tu queres saber de onde vem essa força? É a vontade de mostrar o que é que a gente tem. Porque tinha tudo no Pará, mas não existia cantor que trouxesse assim na bandeja, mostrando o nosso costume, as nossas tradições, as nossas comidas típicas, as coisas da gente.