Cientista defende que países pobres, expostos ao caos climático, sejam compensados pelos países ricos e corporações
Do
Brasil de Fato
Alexandre Costa*
Pessoas ilhadas aguardam resgate em Moçambique após passagem do Ciclone Tropical Idai. - Créditos: Foto: Chris Sherrard (Irish Mirror)
Neste ano já tivemos enchentes devastadoras associadas a eventos extremos aqui mesmo no Brasil (com impacto bastante severo em nossas megacidades, Rio e São Paulo), nos EUA (com enormes danos e prejuízos em Minnesota e Nebraska).
Mas, como em tantas outras ocasiões, eventos similares produzem impactos maiores - e um número bem maior de mortes - quanto mais pobres e vulneráveis forem os países e as comunidades sobre os quais eles se abaterem.
Giselle Garcia - Correspondente da Agência Brasil/EBC
IPCCGiselle Garcia/Agência Brasil
A síntese do 5º Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas
(IPCC, da sigla em inglês), divulgado hoje (2), em Copenhague, na
Dinamarca, mostra que se não houver ação imediata das nações para frear o
aquecimento global, em pouco tempo, não haverá muito o que fazer. “Se
as taxas de emissão de gases de efeito estufa continuarem aumentando, os
meios de adaptação não serão suficientes”, aponta o documento.
“Temos
uma janela de oportunidade, mas ela é muito curta. O relatório mostra
isso. As mudanças climáticas não deixarão nenhuma parte do globo
intacta”, enfatizou o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, durante a
apresentação da síntese. Ele ressaltou que ainda há meios para frear as
mudanças climáticas e construir um futuro mais próspero e sustentável,
mas que a comunidade internacional precisa levar a questão a sério.
O
relatório, elaborado com a participação de mais de 800 cientistas de 80
países, mostra que a emissão de gases de efeito estufa,
responsável pelo aquecimento global, tem aumentado desde a era
pré-industrial, como consequência do crescimento econômico e da
população. De 2000 a 2010, indica o documento, as emissões foram as mais
altas da história. “A acumulação de dióxido de carbono, metano e óxido
nitroso na atmosfera alcançaram níveis sem precedentes nos últimos 800
anos”.
Entre
2000 e 2010, a produção de energia por meio da queima de combustíveis
fósseis foi responsável por 47% da emissão globais de gases de efeito
estufa. A indústria respondeu por 30%, o transporte por 11% e as
construções por 3%.