Segunda, 27 de junho de 2016

Conferência Nacional de Juventude, em Brasília, realizada em 2015, foi a última feita pelo governo federal - Mariana Tavares/UNFPA
Levantamento mostra que, no ano passado, apenas 2% da verba da SNJ foi utilizada pelo governo federal
Paulo Motoryn
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 27 de Junho de 2022
O orçamento da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) chegou ao menor patamar da história no último ano do mandato do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em 2022, a verba destinada ao órgão do governo federal responsável por articular as políticas públicas de juventude no país caiu 93,5% em relação à média dos anos anteriores.
Um levantamento obtido pelo Brasil de Fato por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), com base em dados do Sistema Tesouro Gerencial do período de 2013 a 2022, aponta que o valor empenhado neste ano para a SNJ é de R$ 1,5 milhão. Nesse período, durante o governo da ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) o valor, em média, foi de R$ 27 milhões.
Os números apontam que, em termos de execução orçamentária, o cenário é ainda mais devastador. Em 2019, primeiro ano do mandato do atual presidente, 27% do orçamento dedicado à SNJ foi utilizado. Em 2020, o valor efetivamente gasto foi de 0,5% do previsto orçamento anual. No ano passado, apenas 2% da verba prevista foi usada pelo órgão.
Assista:
Juventude "some" do PPA
Em conversa com o Brasil de Fato, a socióloga Helena Wendel Abramo, especialista em políticas para a juventude, lembrou que a juventude não aparece mais no Plano Plurianual (PPA) do governo federal, instrumento de planejamento de médio prazo, previsto no artigo 165 da Constituição Federal. “O importante não é pensar apenas no orçamento, mas também o PPA."
