“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Gama e Santa Maria se unem na defesa do Crispim/Alagado. Não à grilagem!

Quinta, 7 de novembro de 2019

Clique nas fotos abaixo para melhor visualizá-las 
A área delimitada pela linha vermelha é, de modo estimado, a que está sendo grilada. Localizada entre as cidades do Gama e Santa Maria e constante de Zona Rural de Uso Controlado*

Uma ameaça real se materializa em nosso horizonte, para ser mais preciso, na Região do Crispim/Alagado (Gama e Santa Maria), onde alguém com muito dinheiro e protegido pelo anonimato, iniciou um empreendimento de grande porte, com o potencial de impactar a qualidade ambiental e consequentemente de vida da população da região.
Gama e Santa Maria juntas comportam uma população de mais de 300 mil habitantes, e entre às duas cidades, existe um “vazio”, que possibilita um amortecimento entre as duas zonas urbanas, e em razão de sua declividade, possibilita a recarga dos Córregos Crispim e Alagado, componentes da Bacia do Corumbá, que muito em breve terá água captada para o consumo de nossa população. Nossa população do Gama, Santa Maria e também de outras regiões administrativas do Distrito Federal.

Tratores e trabalhadores constroem dia e noite, num ritmo frenético, muros de concreto com grades de metal, que já começam a deformar a paisagem da região, dando a entender que algo grande está chegando por essas bandas.
O detalhe é que ninguém está falando sobre isso, nenhuma das administrações regionais, nenhum órgão do governo, nem mesmo a imprensa... Temos um rinoceronte no meio da nossa sala, que está urrando, destruindo a prataria e defecando por todo o carpete, mas ninguém parece estar vendo isso.
Uma porção enorme de terras públicas foi "adquirida" nos últimos meses, de pessoas que não eram suas proprietárias, de forma bastante questionável, e não foi por amor à natureza ou ao Cerrado vibrante daquela região.

Ao que tudo indica, um condomínio se aproxima, com casas sendo construídas criminosamente à luz do dia ou sob o luar, numa velocidade próxima à velocidade da luz, com o único propósito de consolidar o ilegal, o imoral, o antiético, diante na inércia estatal.
E isso vai significar, mais pessoas, mais carros, mais trânsito, mais poços artesianos sugando (e contaminando)  o lençol freático, impactando a vazão das nascentes e consequentemente do rio que desagua na represa que nós beberemos sua água muito em breve.

Na noite de ontem, lideranças do Gama e Santa Maria, preocupadas com esse cenário apocalíptico que se aproxima de nós, firmaram uma aliança na defesa da Região do Crispim/Alagado e irão lutar para tentar impedir essa tragédia que se aproxima. Readaptando Luther King, o que nos preocupa diante desse cenário, não é a audácia e a impetuosidade dos sem caráter, sem moral e qualquer escrúpulo, mas o silêncio e a passividade de uma comunidade que não se movimenta pelo interesse comum de todos.
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*Zona Rural de Uso Controlado é definida no Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal da seguinte forma:

"A Zona Rural de Uso Controlado é constituída pelas áreas inseridas nas bacias do Rio São Bartolomeu, Rio Maranhão, rio Descoberto, rios Alagado e Santa Maria e lago Paranoá. Foram reunidos agro-ecossistemas distintos, relacionados a unidades territoriais que correspondem às citadas bacias hidrográficas, onde ocorrem declividades acentuadas, bordas de chapada, solos rasos, presença de mananciais destinados ao abastecimento público, e outras situações de fragilidade ambiental.
As diferentes áreas rurais que compõem esta zona têm em comum a necessidade de maior controle do uso e ocupação do solo, devido às restrições decorrente de sua sensibilidade ambiental e da necessidade de proteção dos mananciais destinados ao abastecimento de água da população."
(Plano Diretor de Ordenamento Territorial do Distrito Federal)
Grifo nosso

domingo, 19 de agosto de 2018

Parque revela restauração de mangue devastado na Baía de Guanabara; desastre ocorreu em janeiro de 2000 após o rompimento de um duto da Reduc

Domingo, 19 de agosto de 2018

Por Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
Já se passaram mais de 18 anos que as imagens de aves com o corpo coberto por óleo rodaram o mundo e chamaram a atenção para um desastre ambiental de grandes proporções na Baía de Guanabara, no estado do Rio de Janeiro. Na época, quem viu as imagens da devastação das áreas afetadas, dificilmente poderia acreditar numa recuperação. Hoje, porém, surpreende a densidade da vegetação no manguezal na Praia de Mauá, no município de Magé (RJ), local apontado como o mais afetado no episódio. O trabalho intenso de ambientalistas tornou realidade a restauração e um parque vem sendo estruturado para promover o ecoturismo e a educação ambiental.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Urbanismo: GDF avança sobre áreas rurais criadas por ele mesmo há 30 anos.

Sábado, 27 de janeiro de 2018
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna


Com traçado de Lúcio Costa, os Combinados Agro-Urbanos foram considerados, no final da década de 1980, um modelo revolucionário de reforma agrária.

Para a Urbanista, Tânia Batella, desconstituir chácaras produzindo para implantar áreas urbanas “é um absurdo!”.


Por Chico Sant’Anna
Não são só os grileiros que ameaçam o meio-ambiente no Distrito Federal. A ação do Estado enquanto empreendedor imobiliário vem reduzindo significativamente as áreas originalmente rurais da Capital Federal. Criados, em 1986, pelo governador José Aparecido, como fórmula revolucionária para assentar o homem no campo, assegurar abastecimento ao DF de hortifrutigranjeiros, frear a especulação imobiliária e preservar o meio-ambiente, os Combinados Agro-Urbanos – Caub estão ameaçados de morte. No lugar de plantações, devem brotar prédios de moradias populares. Uma população de 21 mil habitantes deve passar a morar ali. A ameaça maior recai sobre o Caub 1, no Riacho Fundo 2, próximo ao Balão do Periquito, para onde o GDF desejar levar a Etapa 3 do programa Habita Brasília.

Quando criados, os Caubs eram vistos como uma moderna proposta de reforma agrária. Em cada Caub, cem famílias eram escolhidas via seleção pública. Milhares de pretendentes participavam desse processo. O Caub 1, cuja existência está ora ameaçada, foi fundado em outubro de 1986. Iniciativa do então secretário de Agricultura, Leone Teixeira de Vasconcelos, cada Combinado era composto por lotes de 1000 m² e chácaras de 6 hectares. Os produtores rurais morariam na vila urbana, onde teriam os recursos necessários, tais como escola, comércio e serviços de saúde, e produziriam nas chácaras contíguas. O projeto urbanístico foi de Lúcio Costa. Inicialmente, o projeto visava o plantio de laranjas em 2,5 hectares da propriedade e no restante a exploração de lavouras de subsistência. Com o passar do tempo foram agregadas novas culturas, hortaliças, feijão, milho, mandioca e pecuária suína e bovina, além da criação de pequenos animais, sobretudo aves.


Com a substituição de José Aparecido por Joaquim Roriz no GDF, o projeto ficou no esquecimento e decaiu com a falta de investimentos. Mas, segundo informa a pesquisadora acadêmica Ana Clara Gonçalves Dourado, no artigo As transformações na ocupação e utilização do solo no Combinado Agro-Urbano de Brasília I, desde o início dos anos 2000, vários produtores rurais retomaram as atividades de agricultura, “hoje o Caub ressurgiu, aumentou a produção e consegue entrar em harmonia com o ambiente a sua volta”.