Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 20 de março de 2026

Em nome do Pai, do Filho e do Anarcocapitalismo


Sexta, 20 de março de 2026

Em nome do Pai, do Filho e do Anarcocapitalismo

História de uma conversão oportunista. Discurso político das big techs afasta-se da “eficiência” e “modernidade”, e busca amparo na… religião! Meta: evitar o controle público da internet – mesmo que seja preciso brandir o fantasma do Anticristo

OUTRASPALAVRAS                        Tecnologia em Disputa


Peter Thiel, bilionário do Vale do Silício, cofundador do PayPal e da Palantir. Registro na Conferência Bitcoin, em 7 de abril de 2022, em Miami Beach, Flórida. — Foto: AP Photo/Rebecca Blackwell

Desde alguns anos venho acompanhando com atenção a trajetória de Peter Thiel e o papel crescente de empresas como a Palantir na transformação do poder tecnológico contemporâneo. Ao longo desse período, procurei observar como a expansão das plataformas digitais, da inteligência artificial e da análise massiva de dados passou a se entrelaçar cada vez mais com estruturas de segurança, inteligência e disputa geopolítica. O que se observa agora, no entanto, parece marcar um novo momento. A linguagem, os temas e o ambiente político em torno dessas figuras indicam que algo mudou de escala. É justamente essa mudança que torna o debate atual particularmente preocupante.

Quando a elite tecnológica começa a falar em apocalipse

Em março de 2026, enquanto governos discutem regulação da inteligência artificial, riscos nucleares e colapso climático em fóruns multilaterais, um dos homens mais influentes do capitalismo tecnológico contemporâneo reúne discretamente intelectuais, investidores e líderes religiosos para discutir outro tema: o Anticristo. Não se trata de uma conferência aberta nem de um debate acadêmico convencional. Os encontros organizados em torno de Peter Thiel ocorrem a portas fechadas e são destinados a um público cuidadosamente selecionado entre elites tecnológicas, acadêmicas e religiosas. O tema central dessas conversas não é apenas teológico. É político. A hipótese discutida é a de que o maior perigo para a civilização contemporânea poderia surgir sob a forma de um governo mundial legitimado pela promessa de impedir catástrofes globais.